All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 1
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Prólogo - Gravidez por quebra de contrato
STELLA HARPEREu fiquei olhando o teste de gravidez em cima da bancada, repetindo para mim mesma: para, Stella, não podia ser, não era.Havia semanas que eu vinha me enganando, mas o atraso, as tonturas, o enjoo... já tinham virado rotina.Finalmente, não resisti.Três meses atrás, eu havia assinado um contrato com Damian, meu chefe.No contrato, eu me comprometia a satisfazer suas necessidades sexuais em sigilo absoluto e com a condição de tomar anticoncepcionais regularmente para evitar qualquer gravidez. Se uma gravidez acontecesse, eu teria que pagar dez vezes o valor que ele me pagava, uma quantia impagável para mim, que ainda estava lutando para pagar as dívidas de jogo do meu pai falecido.A lembrança da noite anterior ainda queimava sob minha pele. Fechei os olhos e, por um instante, fui arrastada de volta para aquele quarto, o cheiro dele ainda impregnado nos lençóis, a penumbra cortada apenas pela luz fraca do abajur, a respiração ofegante que preenchia o silêncio. Damia
1 - Primeiro dia mas já arrumei treta com o chefe!
STELLA HARPER TRÊS MESES ANTES O som dos meus saltos ecoava pelo corredor do RH da Winter Enterprises, como um lembrete insistente: eu não pertencia àquele lugar. Era tudo muito limpo, muito organizado, muito caro, e eu era apenas uma fraude vestida de brechó. Segurei a pasta contra o peito como se ela pudesse proteger meu coração da verdade impressa ali dentro: um currículo que era, basicamente, uma história de ficção. A luz que entrava pelas janelas gigantescas do edifício não conseguia esquentar o frio que morava dentro de mim. Talvez fosse a temperatura gelada do ar-condicionado. Ou talvez fosse o nome “Winter” gravado em letras metálicas no saguão que me dava calafrios. Eu estava prestes a ser entrevistada para ser secretária pessoal do CEO, Damian Winter. E tudo o que tinha era um diploma falsificado, um histórico inventado, e uma dívida impagável herdada do meu falecido pai falido e viciado em jogos. Entrei na sala e encontrei o entrevistador. — Senhorita Harper
2 - Essa boquinha bonita conta muitas mentiras
STELLA HARPER Eu deveria ter aprendido a sussurrar. Ou melhor, a calar a boca de vez. Mas às vezes a frustração escapava antes que eu conseguisse engolir. — Você me chamou de robô? Congelou tudo em mim. Músculos, garganta, respiração. Meu estômago virou um nó. Cada célula do meu corpo parecia gritar para que eu fugisse, mas tudo o que consegui fazer foi me virar devagar, como se pudesse adiar o inevitável. — E-eu… não, senhor. Claro que não. — tentei sorrir. A tentativa morreu no meio do caminho. — Eu estava falando de… de outra coisa. Uma impressora. Antiga. Da sala de arquivos. Ela vive travando, faz uns barulhos horríveis… Parece um robô velho. Foi isso. Ficou um silêncio. Damian Winter era o mestre do silêncio. Mestre em olhar sem expressão, sem raiva visível, mas ainda assim conseguir me fazer sentir como se eu estivesse sendo julgada por um tribunal inteiro. Ele não respondeu. Só me encarou com aqueles olhos de vidro, frios, claros e impossíveis de decifrar. Co
3 - Você só pode ser MINHA secretária.
DAMIAN WINTER Estou parado do lado de fora do salão de banquetes, esperando minha acompanhante da noite, minha secretária. Provocar Stella Harper havia se tornado um dos meus passatempos preferidos. Ela reagia de maneira fascinante: os olhos arregalavam, os ombros enrijeciam, a respiração se tornava irregular. Cada reação denunciava o quanto ela se esforçava para se manter profissional. Depois da última provocação no meu quarto ela passou o dia inteiro me evitando como o diabo foge da cruz. Não me surpreende. No entanto, irritantemente, isso só tornou tudo mais interessante. Ela não fazia ideia de que eu ouvira cada palavra que disse sobre mim no escritório. Mas o que ela não sabia, e isso eu fazia questão de manter assim por enquanto, era que eu a observei desde o começo. Desde o primeiro dia. Eu estava assistindo à entrevista dela com o Collins. Eu não pretendia acompanhar todas. Apenas algumas. Mas então ela entrou. Seu currículo estava tecnicamente bom, pelo menos
4 - Pode me odiar à vontade, mas assine.
STELLA HARPER Fingir estar doente não exigiu esforço. Depois do que aconteceu ontem, meu corpo inteiro se sentia como se tivesse sido atropelado por um caminhão invisível. Havia um peso emocional esmagador que me mantinha deitada, imóvel, encarando o teto manchado do meu apartamento. O beijo que Damian me deu parecia ainda queimar na minha boca como uma marca. Não foi um beijo... foi uma invasão. Uma quebra de barreira. Assim que saí do avião ontem, tudo em mim gritava para fugir. Meu coração batia tão forte que mal consegui dormir na noite passada. E quando finalmente dormi, sonhei com ele. Ainda consigo lembrar do peso do corpo dele sobre o meu, a mão segurando meu rosto, os olhos famintos e meus gemidos implorando por mais. Então hoje, ao acordar, liguei para o RH e disse que estava passando mal. Nem precisei me esforçar para fingir o resfriado. Meu tom já era o de alguém quebrado. Passei o dia inteiro pensando em pedir demissão. Cheguei a abrir o notebook, digitar algum
5 - Poupe-se do drama, Stella
DAMIAN WINTER Ela estava de pé diante de mim. Sem camiseta. Sem short. Só de sutiã e calcinha. Os olhos vermelhos de tanto chorar. O peito arfando. A voz veio aos meus ouvidos, rasgada pela revolta: — Quanto custa por vez? Ela estava me desafiando. Não desviei o olhar. Não suspirei. Não demonstrei choque. Meu rosto permaneceu inexpressivo enquanto por dentro uma mínima, quase imperceptível, fisgada de desconforto se agitava no meu estômago. Mas apenas isso. Ela quis me atingir com a pergunta. Achando que assim teria algum tipo de vitória. Mas não era ela quem estava no controle da situação. Nunca foi. — Finalmente entendeu. — falei, com frieza. — Está começando a agir como adulta. Ela piscou, como se tivesse levado um tapa invisível. Eu me aproximei um passo, ela recuou e seus punhos se fecharam. Estava tão corajosa sobre cumprir o acordo um minuto atrás e agora está fugindo de mim? — Está ofendida? Poupe-se do drama, Stella. Você leu o contrato antes de assinar. Ou
6 - Apenas aceite que me pertence
STELLA HARPER Três dias se passaram desde que assinei aquele contrato com as mãos trêmulas e o coração despedaçado. Três dias desde que me despi diante dele e, num último fôlego de dignidade, perguntei quanto custava por cada vez que fizéssemos. Três dias tentando manter a sanidade em meio a minha rotina profissional que continuava com a mesma formalidade hipócrita de sempre, exceto que agora havia uma corda invisível me puxando na direção dele, e outra me forçando a resistir. Damian Winter era homem mais insuportavelmente frio que já conheci. E o mais perigoso. Não porque grita, ou quebra coisas, ou perde o controle. Pelo contrário, parece que ele nunca perde. Um verdadeiro robô, como eu mesma o apelidei desde o primeiro dia. Mas até robôs têm falhas, e desde que me coloquei à sua disposição, ou fui forçada a isso, ele parecia empenhado em me ver quebrar aos poucos. Esses dias tem sido um inferno entre as ameaças dele e suas tentativas nada sutis de me seduzir. Quando digo "nada su
7 - "Prostituta particular" de um bilionário
STELLA HARPERO som da chave girando na fechadura pareceu alto demais no silêncio do apartamento. Empurrei a porta com o ombro, as sacolas com a marmita do almoço intocada ainda penduradas na mão, e fechei com o pé. As paredes brancas e a mobília barata me acolheram com a mesma indiferença de sempre. Tudo estava do mesmo jeito, exceto por mim.Eu me sentia sugada. Como se houvesse um cansaço espesso que grudava no corpo, na cabeça, nos ombros. Eu só queria um lugar para cair.— Caramba, Stella, você parece um zumbi. — A voz de Leah veio da sala.Ela estava sentada no sofá com as pernas cruzadas, vestindo um moletom rosa claro, com uma caneca de chá nas mãos. Seus cabelos cacheados, tingidos de um ruivo vibrante, estavam presos no alto da cabeça com uma presilha torta, e seu rosto, sempre com sardas salpicadas pelo nariz e maçãs do rosto, se contorceu em preocupação quando me viu.Joguei a bolsa no chão, larguei as sacolas na mesinha de centro e fui direto até ela. Me joguei no sofá co
8 - Inspirado a ir embora
DAMIAN WINTER O barulho dos talheres contra a porcelana era mais incômodo do que qualquer reunião de diretoria. Minha mãe mandou bordar o símbolo da empresa em cada guardanapo de linho. O mesmo símbolo estava estampado nos pratos, nos copos e até nos malditos porta-guardanapos. Estávamos cercados pela nossa herança. Literalmente. O jantar semanal na casa dos meus pais era um ritual, quase uma cerimônia. Todos estavam ali. Meu pai, William Winter, (ou WW como costumo chamar quando ele me incomoda) com seu terno Armani mesmo dentro de casa, como se sua autoridade dependesse da gravata escolhida no dia. Minha mãe, Elaine, sorridente até demais servia os pratos como se ainda vivêssemos no século passado. E minha irmã mais nova, Lizzy, ela é... bom, acho que a melhor forma de descrevê-la é que é o oposto de mim. Alegre, irresponsável, aventureira e rebelde. — Você está comendo tão pouco, Damian. — observou minha mãe. — Está magro. Andando demais com essa sua rotina insana. — Você se
9 - Stella rendida
DAMIAN WINTERO silêncio do meu escritório era como um bálsamo depois da noite anterior. Estava diante do monitor, lendo um relatório do departamento jurídico e fazendo anotações do que Stella deveria mudar, quando o celular vibrou ao lado do teclado.LIZZY: Ok… talvez eu devesse ter te avisado antes, mas foi por uma boa causa. Eles teriam insistido muito mais se você não tivesse concordado com o jantar. Agora você tem tempo. Vai, só aparece lá, faz cara de quem tá tentando e depois dispensa a Pósitron. Fácil.Suspirei, largando a caneta sobre a mesa. Claro que ela fez isso. Elizabeth Winter era especialista em me jogar nos incêndios que ela mesma acende e depois fugir com um sorriso no rosto.Só depois do jantar, enquanto eu estava no carro de volta para casa, ela teve a decência de me contar que, ao dar aquela resposta vaga concordando com o meu pai, eu havia, aparentemente, aceitado um jantar com uma possível futura esposa.Sophie Pósitron. Filha de um magnata da tecnologia. Bonita,