All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 131
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130 - Eu vou destruir você
DAMIAN WINTER Como prometido pelo meu contato de confiança, as fotos estavam no ar em menos de uma hora. Não precisei esperar muito, logo as primeiras notificações começaram a pipocar no meu celular ainda enquanto eu estava deitado ao lado de Stella. Os sites de fofoca competiam para ver quem publicava mais rápido ou quem usava a manchete mais escandalosa. Em menos de duas horas, não havia portal de notícias ou tablóide que não tivesse estampado as imagens de Sophie em sua posição comprometedora com aquele homem que agora descobri se chamar Nathan pelas notícias. As legendas variavam, mas o tom era o mesmo: “Escândalo! Sophie Pósitron não era vítima, mas a protagonista de uma traição.” Outros portais já afirmavam que o nosso divórcio estava em andamento há algum tempo, que nossa relação comigo tinha azedado muito antes de qualquer acusação contra mim. Alguns chegavam a afirmar que ela devia ter sido a verdadeira infiel da história. Eu só li tudo, satisfeito. Não com o escândalo
131 - Coletiva
DAMIAN WINTER— Bom dia. Vim até aqui para esclarecer os fatos e lhes dizer toda a verdade sobre o meu casamento com Sophie Pósitron. Então fiquem à vontade para me perguntar o que quiserem e não pularei nenhuma de suas perguntas.O silêncio durou apenas alguns segundos. Logo depois, dezenas de vozes começaram a se erguer ao mesmo tempo. Microfones foram estendidos em minha direção e repórteres acenavam, tentando chamar minha atenção.Apontei para um dos jornalistas da primeira fileira.— Senhor Winter, é verdade que o senhor está se divorciando de Sophie Pósitron?A pergunta até me surpreendeu, esperava algo mais desconfortável no início. Olhei diretamente para ele antes de responder.— Sim. O processo de divórcio já está em andamento há cerca de dois meses. Não foi algo decidido de repente. A decisão veio depois de muitas tentativas frustradas de manter uma relação saudável. — Na verdade, nunca quis uma relação saudável com Sophie, melhor dizendo: Eu nunca quis nenhuma relação.Um b
132 - Contradição
DAMIAN WINTERSophie ergueu o microfone com uma segurança que eu sabia ser falsa, mas que soava convincente para quem não a conhecia de perto.— Não se enganem com essa encenação. — disse ela, sorrindo como se estivesse acima de tudo. Me amaldiçoei por dar essa coletiva de dia, se fosse a noite ela estaria presa e não poderia vir causar problemas. — O homem que vocês acabaram de ouvir não é um pai dedicado, tampouco um marido traído. Damian é um manipulador frio que sempre usou todos ao seu redor para conseguir o que queria.As câmeras dispararam outra vez. A imprensa estava em êxtase com a cena do ex-casal, lado a lado, prestes a se atacar em público.Eu a encarei sem pressa, apenas aguardando. Sabia que, quanto mais ela falasse, mais armadilhas cavava para si mesma.— Ele fala em amor, fala em filhos, mas não se enganem. — continuou. — O casamento só acabou porque ele sempre teve uma outra mulher à espreita. Essa tal de Stella Harper não apareceu agora… ela já estava na vida dele qu
133 - Noite de jogos
STELLA HARPERA casa parecia ainda mais alegre naquela noite. Talvez fosse apenas a minha imaginação, mas depois de tudo o que Damian havia enfrentado e passado por causa de Sophie, eu senti que precisávamos de um respiro. Ele carregava muitos fardos nos ombros e, se eu não fizesse nada, continuaria remoendo cada palavra, cada comentário e cada especulação da imprensa em seu celular.Por isso, quando os meninos perguntaram se podiam ficar acordados até mais tarde, eu lancei a ideia:— Que tal uma noite de jogos? — sugeri, fingindo naturalidade. — Nada de telas, só tabuleiro, risadas e… quem sabe até algumas guloseimas.Os olhos dos gêmeos se iluminaram na mesma hora.— Eu topo! — gritou Apollo.— Eu também! — completou Orion, quase em cima da fala do irmão.Danian, que já estava grudado no colo do pai, levantou a mão como se fosse numa votação de escola.— Eu voto sim!Damian arqueou a sobrancelha, me olhando com aquela expressão de quem não estava completamente convencido.— Uma noit
134 - audiência de divórcio
DAMIAN WINTERO dia amanheceu nublado, como se o próprio céu refletisse o humor que me esperava naquela manhã. O julgamento do divórcio. Hoje não havia como manipular o ambiente. Hoje eu encararia Sophie dentro de um tribunal, diante de um juiz que, por mais técnico que fosse, ainda tinha o poder de alterar radicalmente minha vida.Entrei no prédio de concreto cinza com passos firmes. Meu advogado me acompanhava, trazendo uma pasta cheia de documentos. Eu não precisava olhar para dentro dela para saber o que havia ali. Já havíamos revisado cada página dezenas de vezes: contratos, registros, depoimentos de funcionários, provas das fraudes de Sophie.Ela já estava no corredor quando cheguei. Sophie Pósitron chegou e nossos olhares se cruzaram. Mas desviei imediatamente com desprezo. Ao menos ela se dignou a aparecer dessa vez, acho que minha ameaça surtiu algum efeito.Entramos na sala de audiência. O juiz já estava à mesa, um homem de meia-idade, com semblante cansado e barba grande.
135 - Você sempre é meu plano B
DAMIAN WINTER Saímos da sala de audiência e o barulho do tribunal pareceu distante, abafado, como se eu tivesse atravessado um portal invisível. A decisão do juiz ainda era assimilada dentro de mim, mas não como um fardo. Era um alívio. Eu podia respirar sabendo que Danian não seria usado como moeda de troca por Sophie. Ela, no entanto, não parecia disposta a aceitar a realidade. — Não comemore antes da hora, Damian. — a voz dela adentrou meus ouvidos quando se aproximou de mim no corredor. O olhar dela estava cheio de ódio e os lábios repuxados num sorriso amargo. — Você pode achar que venceu, mas eu ainda vou te derrubar. Eu parei. Virei para encará-la, mantendo a calma que ela jamais conseguiria simular. — O divórcio já é uma realidade, Sophie. Dentro de trinta dias, todos os trâmites estarão concluídos, e você não terá mais qualquer ligação comigo além do nosso filho. E mesmo isso, você não terá poder algum sobre mim. Ela estreitou os olhos, como se minhas palavras a incomoda
136 - Dentro da cabeça dela
STELLA HARPERA casa estava silenciosa demais depois que os gêmeos foram para a escola e Danian subiu para dormir um pouco. A sala parecia maior sem o barulho deles correndo de um lado para o outro.Alexander veio da cozinha trazendo duas xícaras de chá e colocou uma na minha frente.— Obrigada. — digo, pegando a xícara. — Você já está de partida, não é? — perguntei, mesmo sabendo a resposta.Ele suspirou, como se já estivesse cansado só de pensar no que o aguardava.— Sim. Preciso voltar a São Francisco para terminar a papelada da filial. — explicou. — São muitos detalhes para acertar e, se eu ficar enrolando aqui, as coisas vão atrasar. Mas volto em duas semanas, no máximo.Já tinha me acostumado às viagens dele. Alexander não era um aventureiro, mas viajava como se fosse. Antes era difícil não sentir falta antes mesmo da despedida, já que ele era a única pessoa com quem eu podia contar antes. Mas agora só desejo que ele voe, cada vez mais alto.— Duas semanas. Tenho certeza que a n
137 - Abertura
DAMIAN WINTER — O quê? — Stella parecia em choque, eu deveria ter explicado o plano antes de falar assim. Peguei as jóias no bolso. Eram pequenas, discretas, algo fácil de passar despercebida e perfeitas para o tipo de armadilha que eu estava planejando. — Veja. Trouxe isso do caminho. Já tinha encomendado para vocês quatro, mas adiantei a do Danian. Ela franziu o cenho, mas não perguntou nada ainda. Era um pingente em ouro, com um pequeno brilhante no centro. Mostrei a ela de perto. — Isso não é o que importa — falei. — O que importa é o que tem dentro. Abri o miolo do pingente com a unha e, com cuidado, puxei um pequeno dispositivo. Era do tamanho de uma semente. Coloquei-o sobre a palma da mão dela. — É um rastreador — expliquei. — E esse aqui... — peguei o outro pingente — tem um gravador minúsculo e também um transmissor. Ambos estão disfarçados como joias. Ela me olhou da mesma forma que uma criança me olharia se eu lhe entregasse um brinquedo estranho: curiosa,
138 - Sequestro
DAMIAN WINTER Depois de receber a atualização de Jonas, voltei ao carro com os meninos. O gosto do café ainda estava no fundo da garganta, e a sacola de biscoitos balançava ao lado. — Vamos para casa? — Orion perguntou, animado. — Primeiro vamos fazer um pequeno desvio antes, para que vocês possam brincar no parquinho antes. — Eba! — Os três bateram palmas comemorando. Coloquei-os no carro, fechei as portas e dei a partida. Mas, ao invés de seguir pelo trajeto habitual, virei para uma avenida menos movimentada, que nos levaria a uma praça próxima. Meu telefone vibrou. Era Jonas de novo. Atendi pelo viva-voz, mantendo a expressão neutra para não despertar suspeitas nas crianças. — Estamos acompanhando. Estão a cem metros atrás. — Entendido. — murmurei. Estacionei próximo ao pequeno parque, onde havia um parquinho com balanços e algumas famílias espalhadas pelo gramado. Orion e Apollo correram na frente, indo direto para o escorregador. Danian hesitou. Segurava o b
139 - Te peguei
DAMIAN WINTERFechei a porta do quarto devagar. Apollo e Orion finalmente tinham parado de chorar, estavam com os olhos inchados e os corpinhos pequenos tremendo no meio dos lençóis. Dei boa-noite, prometi que traria o irmão de volta e, quando puxei a coberta sobre eles, senti a força desmoronando um pouco dentro de mim.Eles acreditaram. Precisavam acreditar.Cruzei o corredor, forçando cada músculo do meu corpo a manter a compostura. No andar de baixo, Stella me esperava na sala, sentada no sofá com o braço engessado apoiado em uma almofada. O rosto dela estava pálido e os olhos vermelhos como se tivesse lutado para não chorar na frente dos gêmeos.— Eles dormiram? — perguntou, assim que me viu me aproximar.— Estão exaustos. — respondi, direto, e fui até a mesa onde os monitores estavam dispostos. — Vão ficar bem.Sentei, ajeitando um fone no ouvido e entreguei o outro para Stella. Ela se inclinou um pouco para o lado, tentando enxergar a tela.A tela piscava em verde, um ponto em