All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 141
- Chapter 150
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140 - Se ao menos fossem um legítimo Winter...
SOPHIE PÓSITRON— E aí, pirralho.A voz saiu cheia de sarcasmo. Danian parou de chorar, arregalou os olhos marejados e me olhou em silêncio, hesitante, como se não soubesse se podia acreditar.— Eu quero ir embora… — murmurou, baixinho, quase engolindo as palavras.Ri. Um riso seco, curto, sem humor algum.— Ir embora? — repeti, abaixando um pouco o rosto até a altura dele. — Ah, não, querido. Você vai ficar comigo. Vai viver com a mamãe agora.— Mas… — ele tentou dizer, com a voz quebrada.Não deixei terminar. Endireitei o corpo e soltei um grito forte, ríspido, que ecoou pelo galpão.— Chega! Eu não quero ouvir sua choradeira!Ele se encolheu imediatamente, abraçando o próprio corpo. O choro contido escapava em soluços que me irritavam ainda mais.Me virei para os dois brutamontes que tinham trazido o menino até mim. Eles observavam em silêncio, meio desconfortáveis com a cena. Arrastei a bolsa pesada que estava sobre a mesa de metal e a joguei para eles.— Aqui está a parte de você
141 - Operação
DAMIAN WINTERO carro deslizava pela rua sem que eu percebesse direito. O telefone vibrava com mensagens do delegado Morales e com a confirmação de que a equipe estava no lugar. Chegamos ao galpão ao mesmo tempo que a viatura de Morales. A construção era uma caixa escura encostada numa rua secundária, tempo e abandono grudados nas paredes. Havia luzes fracas por dentro, o suficiente para perceber formas, mas nada nítido. Morales pegou meu braço, olhou-me com a expressão séria de sempre.— Winter... — sussurrou — estamos prontos. Equipe tática posicionada nos pontos de entrada. — confirmou, com o rádio já na mão. — Quando eu der o sinal, a gente entra.Olhei para a porta de ferro. Meus dedos ficaram rígidos. — Faça o que for preciso — falei curto.Morales assentiu. A equipe se moveu com a precisão de algo que já foi replicado muitas vezes em sua cabeça, com passos sem barulho e gestos mínimos. O delegado aproximou-se do microfone. Um dos agentes táticos ficou ao meu lado com uma lant
142 - Resgate
DAMIAN WINTER Morales fez um gesto rápido, e naquele instante tudo pareceu parar. O ar ficou suspenso em meus pulmões, os segundos se alongaram, e cada fibra do meu corpo só tinha um foco: Danian. O rosto dele marcado pelo medo, os olhos arregalados pedindo socorro e o corpo trêmulo com medo da própria mãe. O som do movimento tático que veio em seguida quebrou essa suspensão no tempo. Dois agentes surgiram pelas laterais, luzes cruzaram a escuridão, e Sophie se agitou. Seu braço tremeu, a lâmina ameaçando se aproximar demais da pele delicada do meu filho. O grito de Danian cortou meu peito como uma faca. — Fiquem longe! — berrou ela. — Eu já disse! Um dos policiais lançou uma granada de luz pela lateral. O clarão explodiu em branco, e Sophie instintivamente fechou os olhos. Foi o segundo exato que a equipe precisava. Morales avançou com um movimento limpo, derrubando a faca da mão dela. Outro agente puxou Danian para trás com rapidez, e o meu filho se soltou num choro estrangulado.
143 - Eu quero justiça!
DAMIAN WINTERO hospital cheirava a desinfetante, frio e incômodo, como se cada partícula de ar fosse filtrada para tirar qualquer humanidade dali. Carreguei Danian no colo até o setor de emergência, ignorando olhares curiosos e cochichos dos profissionais que reconheciam meu rosto, ou talvez apenas a cena.Não importava. Eles que olhassem.A equipe médica já estava pronta para nos receber. Queriam levá-lo, claro, mas Danian não desgrudava. Tremia, soluçava ainda no meio do sono, e cada vez que alguém se aproximava com jaleco ou estetoscópio, os bracinhos se fechavam em torno do meu pescoço como algemas.— Ele precisa de observação — insistiu a médica, voz calma. — Mas se ele não quiser sair de perto do senhor, podemos adaptá-lo em um quarto de internação.— Então façam isso. — Minha resposta saiu dura, mas ela entendeu.Fomos levados a um quarto pequeno, iluminado demais. A cama branca pareceu enorme para o corpo pequeno de Danian, que só aceitou se deitar porque prometi que ficaria
144 - Avós
STELLA HARPERMe arrumar sozinha era um exercício de paciência que eu ainda não dominava. O braço engessado latejava cada vez que eu tentava fazer algo simples, como fechar um zíper ou pentear o cabelo. Ainda assim, eu me recusei a pedir ajuda. Até porque, só quem estava ao redor da casa eram os guardas.— Mãe, você não precisa se apressar — disse Apollo encostado na porta do quarto. Ele me observava com aqueles olhinhos atentos demais para alguém de cinco anos. — O Dani deve está dormindo, lembra?Sorri fraco, ajeitando a blusa com a mão livre.— Eu sei, amor. Mas quero estar lá quando ele acordar.No corredor, Orion já estava vestido, mexendo no cadarço do tênis.— Vai demorar, mamãe? — perguntou, sem levantar o olhar.— Só mais um minuto. — Peguei minha bolsa com dificuldade, ajeitando a alça no ombro. — Vamos logo, não quero que Danian acorde sem ver a gente.Os meninos se animaram ao ouvir o nome do irmãozinho, correndo até o carro que já estava à espera. Um dos seguranças abriu
145 - O desgosto que tenho é culpa sua
DAMIAN WINTERA visita dos meus pais tinha deixado o clima muito pesado no quarto. Stella fingia indiferença mesmo estando obviamente desconfortável, minha mãe tentava amenizar com sorrisos, mas eu notava bem cada movimento do meu pai e aquele olhar dele, atravessando Stella e os meus filhos, fazendo o ódio me corroer por dentro.Esperei alguns minutos, até que Danian adormeceu de novo, segurando firme a mão de Stella, como se temesse soltá-la. Minha mãe e ela conversavam. Apollo e Orion estavam sentados num canto, brincando baixinho com um bloquinho de papel que haviam trazido, sem fazer barulho.Aproveitei a distração deles e me aproximei do meu pai.— Pai... — minha voz saiu baixa, para que só ele ouvisse. — Vamos tomar um café.Ele arqueou uma sobrancelha, mas assentiu com um resmungo. Saímos do quarto, deixando minha mãe trocando palavras com Stella e os meninos.Assim que a porta fechou atrás de nós, segui com passos pesados até a pequena cafeteria improvisada no térreo do hospi
146 - Ele é meu filho!
DAMIAN WINTER— Eu vim ver meu filho.A frase ficou suspensa no ar, pesada, como se tivesse derramado ácido no chão. Nathan encolheu os ombros e um meio sorriso brincava nos lábios dele, irritante, desafiador.— Do que diabos você está falando? — questionei, fuzilando-o com ódio.Ele inclinou a cabeça, como se estivesse explicando algo óbvio demais.— Estou falando do seu filho, Damian. Ou melhor, do meu filho. Danian.Um silêncio espesso se espalhou pela cafeteria. Até meu pai, que segundos atrás gritava comigo, pareceu perder a voz.Nathan deu um passo à frente, as mãos ainda nos bolsos e um sorriso zombeteiro colado no rosto.— Você realmente acreditou que Sophie tinha um filho seu? Ela nunca teve nada com você, por isso me usou. Usou a semelhança entre nós dois. Você e eu temos a mesma altura, traços parecidos, olhos e até o cabelo. Era o plano perfeito. Você nunca percebeu. Mas o pirra... digo, Danian é meu filho.O latejar do sangue correndo nos meus ouvidos me ensurdeceu. A rai
147 - Conversamos mais tarde
DAMIAN WINTEREntrar no banheiro foi como mergulhar em um tanque de água gelada depois de ter o corpo incendiado.Lavei as mãos, mas o reflexo no espelho me fez bufar. O corte no lábio estava visível. O rosto avermelhado. E, se olhasse de perto, dava pra ver a marca de um soco perto do maxilar.Pensei em ficar mais alguns minutos ali, me recompondo, mas eu não podia deixá-los sozinhos por muito tempo. Nathan podia estar por perto ainda, e só a ideia me fez apertar o punho de novo.Quando abri a porta do quarto, vi Stella sentada na poltrona ao lado do leito, com uma manta sobre as pernas. Danian dormia, com a mãozinha ainda segurando firme a dela. Apollo e Orion estavam quietos no canto, folheando um livrinho que minha mãe tinha trazido para Danian mais cedo.Minha mãe e meu pai.Eles ainda estavam ali.E o olhar de WW me atravessou assim que entrei. Ele ajeitou o paletó rapidamente e se dirigiu até a porta.— Elaine — disse, sem tirar os olhos de mim. — Vamos.Minha mãe se virou, co
148 - Depoimento?
STELLA HARPERO celular não parava de vibrar desde que chegamos em casa.As notificações subiam uma atrás da outra de redes sociais, sites de notícia, até blogs de fofoca. Tudo falava da mesma coisa: a briga no hospital entre Damian Winter e Nathan Ponlic.Alguém tinha filmado. Claro que tinha. No vídeo, não dava pra ver direito o início, mas era nítido o momento em que Damian o acertava no rosto e a luta tinha inicio, acabando o vídeo em uma ameaça de morte.Eu desliguei o Wi-Fi pela terceira vez e joguei o celular no sofá, sentindo o estômago revirar.O pior era não saber o que, de fato, tinha acontecido e o que aquele desgraçado tinha dito pra deixá-lo daquele jeito.Larissa estava distraindo os meninos na cozinha. Apollo e Orion tinham ajudado a preparar uma “boas-vindas” para o Danian, com desenhos coloridos e balões meio tortos espalhados pela sala.Eles falavam sem parar, empolgados, e aquilo, de alguma forma, me ajudava a não desabar de ansiedade.O relógio marcava quase sete
149 - Incluindo eu
DAMIAN WINTERAquela manhã, que tinha começado tão absurdamente calma, desmoronou em segundos.Nathan Ponlic foi encontrado morto esta manhã.Por um instante, eu só fiquei parado, encarando o homem fardado à minha frente. Ele segurava uma pasta nas mãos e tinha o olhar de quem já estava acostumado com reações imprevisíveis.— Como é que é? — minha voz saiu rouca, grave. — O que você acabou de dizer?O policial consultou a prancheta como se precisasse confirmar a própria fala.— O senhor ouviu corretamente, senhor Winter. O corpo foi encontrado em um terreno próximo à estrada do Norte, há cerca de três horas. Precisamos que o senhor nos acompanhe à delegacia para prestar depoimento.Tudo o que tínhamos trocado foram palavras, ruins, mas apenas isso. Eu o tinha socado, sim. Mas matá-lo? Cristo, não fazia sentido.Atrás de mim, ouvi o som de passos apressados e Stella apareceu na porta, o rosto empalidecendo assim que percebeu o uniforme policial.— Damian? O que está acontecendo?Virei-