All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 151
- Chapter 160
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150 - Polícia incompetente
DAMIAN WINTERNaquela mesma tarde a vida pareceu voltar ao eixo.A notícia de que o assassino de Nathan Ponlic havia sido encontrado se espalhou pela imprensa na mesma velocidade com que tudo desmoronara horas antes. O suposto culpado era um homem que trabalhava para uma empresa de segurança privada, identificado pelas câmeras de uma rua próxima ao local do crime. O veículo dele fora rastreado, e o cara acabou preso antes do meio-dia.Quando vi o noticiário, senti todo o meu corpo relaxar. Ao que parece a polícia não era incompetente sempre.— Viu só? — disse Stella, apoiada na moldura da porta, com um sorriso cansado. — Eu sabia que tudo ia se resolver.— É, parece que dessa vez o destino resolveu colaborar — respondi, deixando o celular sobre o balcão.Ela atravessou a cozinha e se apoiou no meu peito, com a cabeça encostada.— Acho que podemos, enfim, relaxar um pouco — disse ela.— Podemos — confirmei, passando o braço em volta da cintura dela. — Só por hoje, não quero pensar em
151 - Outro Winter
DAMIAN WINTERDentro da viatura estava abafado. A sirene não estava ligada, mas o som do rádio chiando e as conversas curtas dos policiais preenchiam o espaço como uma pressão constante sobre meus ouvidos. Eu mantive o olhar fixo na janela, observando as ruas passando depressa.Não era a primeira vez que meu nome estampava manchetes, mas era a primeira em que eu não tinha feito absolutamente nada para merecer.Meus pulsos latejavam sob o metal das algemas, e a imagem de Danian chorando na porta da sala voltava em flashes curtos e dolorosos. Aquilo tinha sido o golpe mais baixo. Algemado na frente dele. Stella gritando. E eu… impotente.— Senhor Winter, o senhor sabe por que está sendo levado, certo? — perguntou o policial ao meu lado, sem me olhar.— Já foi explicado — respondi seco. — Mas, pra deixar claro, não matei ninguém, nem mandei ninguém fazer isso.Ele apenas assentiu, mantendo o olhar no vidro da frente.Chegamos à delegacia minutos depois. O pátio estava cheio de repórteres
152 - Custe o que custar
DAMIAN WINTERO som do ventilador velho girando no teto era tudo o que se ouvia. A cada volta, um rangido. Um ruído insistente, repetitivo, irritante. Eu estava deitado na cama de concreto, o colchão fino pressionando minhas costas, e encarava o teto descascado da cela como se as rachaduras pudessem me dar alguma resposta.Outro Winter.Outro Winter.Minha mãe jamais teria envolvimento em algo assim, e minha irmã não teria coragem nem cérebro para algo dessa proporção. Restava um nome.Meu pai.William Winter.Mas... se fosse ele... por quê?Nathan Ponlic era um problema, sim. Mas WW era cauteloso demais para lidar com inimigos de forma tão... suja. Ele preferia comprar, calar, enterrar escândalos com acordos milionários, não com tiros.Tentei racionalizar.Talvez o velho tivesse tomado alguma atitude impulsiva. Talvez, com a possibilidade de Nathan tirar a guarda de Danian, ele tivesse achado que eliminar o problema era o único jeito. Algo não batia.Fechei os olhos, tentando ordena
153 - Uma semana
STELLA HARPERUMA SEMANA DEPOISFaz sete dias desde que Damian voltou. Sete dias desde que o pesadelo da prisão terminou, só para dar lugar a outro: o de vê-lo se transformar em algo mais frio, mais tenso, mais obstinado. Tê-lo de volta foi uma alegria sem medida, um alívio tão grande que me fez chorar como uma criança quando ele entrou pela porta de casa. Mas aquela euforia durou pouco. Assim que soubemos que William estava preso em seu lugar. Confesso que fiquei bastante surpresa com a ação do senhor Winter, mas acho que é algo que a maioria dos pais fariam, não importa o quão afastados estejam dos filhos.Estamos morando na mansão Winter desde então. Damian quis ficar aqui para dar suporte à mãe, já que Elaine se recusou a sair da mansão, mesmo depois da prisão do marido. E, de certa forma, eu entendo.Entre os netos e as tarefas normais, Elaine se mantém de pé. Ela parece ter encontrado nos meninos, uma razão nova para respirar. Apollo e Orion correm por todos os cantos da casa, e
154 - Case comigo
DAMIAN WINTERO pedido escapou da minha boca antes que eu pudesse organizar direito.— Então, case-se comigo, Stella Harper.Ela me olhou, surpresa, o olhar oscilando entre o susto e a confusão. Por um instante, achei que eu mesmo havia ficado sem ar. Ela piscou algumas vezes, como se esperasse que eu dissesse que era brincadeira. Consigo entendê-la, eu mesmo não esperava pedir agora.— O quê? — sussurrou, com a voz quase inaudível.Eu me ergui um pouco mais, apoiando o corpo sobre o cotovelo, ainda perto o bastante para sentir o calor do corpo dela.— Foi o que você ouviu. Quero que se case comigo.— Damian... — ela riu, nervosa. — Você está falando sério?— Mais do que já estive em toda a minha vida. — respondi, sem desviar o olhar. — Eu sei que não é o momento perfeito, que estamos cercados de problemas e incertezas. Mas talvez por isso mesmo faça sentido. Eu não quero mais perder tempo.Ela ficou me observando em silêncio por alguns segundos. Então, balançou a cabeça, um sorriso p
155 - Talvez... vingança
STELLA HARPERAcordei de repente. Não sabia por quê. Talvez o frio, talvez o instinto. Tateei ao redor percendo que o lado da cama ao meu lado estava vazio. Abri os olhos devagar, pisquei algumas vezes tentando ajustar à penumbra, e estendi a mão sobre o lençol. Frio. Ele já não estava ali há algum tempo.Suspirei. Damian vinha fazendo isso com frequência. Desde que tudo começou, ele estava obcecado em resolver o que aconteceu e esquecia que dormir era uma necessidade básica do ser humano. Sei lá, talvez ele esquecesse que era humano. O "robô" Winter estava ativo novamente.Me sentei na cama, ajeitando o braço engessado, e senti uma pontada no abdômen ao me levantar. Ignorei. Peguei o robe pendurado na cadeira e o vesti por cima da camisola antes de sair do quarto.A casa estava silenciosa, mas uma luz escapava por baixo da porta do escritório. Caminhei até lá, com os pés descalços fazendo pouco ruído sobre o assoalho frio.Quando abri a porta, ele estava lá, sentado à mesa, com o lapt
156 - Visita na prisão
DAMIAN WINTERO sol no seu auge quando estacionei em frente ao presídio. Passei pela revista, entreguei o documento de autorização e caminhei pelos corredores estreitos e gelados do prédio. O som dos passos ecoava entre as paredes de concreto, o ar cheirava a umidade e desespero. Havia algo cruelmente irônico em ver meu pai ali dentro, um homem que dedicou toda a vida em demonstrar integridade, condenado por um crime que nunca cometeu.Quando finalmente me conduziram à sala de visitas, encontrei-o já sentado, com o mesmo olhar firme de sempre. O tempo atrás das grades havia lhe roubado o vigor, mas não o caráter. Ele ergueu o rosto assim que entrei, e um pequeno sorriso, discreto e contido, surgiu no canto de sua boca.— Você parece mais exausto que eu, Damian. — disse ele, sem rodeios.— Acho que estou. — respondi, puxando a cadeira à frente dele. — Mas acho que finalmente encontrei algo que pode mudar o rumo de tudo.Os olhos dele se estreitaram.— O que descobriu?Respirei fundo e
157 - Dois dias
DAMIAN WINTERPeguei o carro e dirigi até o escritório de Elliot. Durante todo o trajeto, minha cabeça repassava as informações e as medidas que poderia ou teria que tomar.Eu não podia errar.Quando cheguei, Elliot já me esperava. Estava encostado à mesa, com a camisa social arregaçada até os cotovelos, a gravata pendendo frouxa e uma pilha de documentos espalhada ao redor.— Está parecendo que passou a noite acordado — comentei, fechando a porta atrás de mim.Ele me lançou um olhar cansado, mas determinado.— Mais ou menos isso. — Apontou para o monte de papéis. — Consegui cruzar os dados das movimentações suspeitas. Todas as transferências foram mascaradas com contas fantasmas criadas no mesmo dia do assassinato de Nathan. A assinatura digital é do Maycon Bartol, mas também temos provas das transações entre ele e Célia Pósitron.Parei diante da mesa, observando as páginas. Números, códigos bancários, carimbos de autenticação. Tudo ali, à mostra.— Isso é o suficiente para a polícia
158 - Nosso tormento acaba hoje
DAMIAN WINTERO tempo passou devagar, arrastando-se lentamente apesar da minha pressa em fazê-lo. Stella percebeu, claro. Mesmo que eu tentasse disfarçar, ela notava que essa espera me corroía por dentro e fez o melhor que pôde para me distrair.Na manhã do segundo dia, ela acordou pouco depois de mim. Vi quando saiu da cama e se sentou ao meu lado, deitando em seguida com o rosto parcialmente iluminado pela luz suave do amanhecer. Ficamos assim por um tempo, sem dizer nada, só respirando o mesmo ar.— Vai ser hoje, não é? — perguntou enfim.Abri os olhos e a encarei. Não adiantava mentir.— Sim. Ela assentiu, os dedos tocando de leve o meu braço.— Promete que vai ficar tudo bem?— Prometo, meu amor. Nosso tormento acaba hoje.Ela sorriu e se inclinou para me beijar. Correspondi na mesma lentidão. Quando me afastei, apoiei a mão em sua nuca e encostei a testa na dela.— Não se preocupa. — pedi. — Só confie em mim.— Sempre. — respondeu, com total segurança.Ficamos ali por mais algun
159 - Provocando uma confissão
DAMIAN WINTER O interior da mansão era semelhante a fachada. Paredes claras, mármore e uma decoração minimalista, porém caríssima. Célia me conduziu até sua sala de estar ampla, com uma vista para um jardim de inverno. Ela apontou para um sofá de couro branco. — Sente-se. Gostaria de um café? Chá? Algo mais forte? — Não, obrigado. — respondi, mantendo-me de pé. Célia deu de ombros, acomodando-se em uma poltrona, cruzando as pernas. O sorriso que ela tentava manter nos lábios não alcançava seus olhos, que me avaliavam com desprezo e cautela. — Então, seja breve, Damian. Meu tempo é valioso. Fui direto ao ponto, sentindo a adrenalina subir. — Eu descobri, Célia. Ela continuou sorrindo, mas o brilho em seu olhar se intensificou, tornando-se mais calculista. — Descobriu o quê, exatamente? Que você é um homem arrogante e odioso? Isso eu já sabia. Ignorei a provocação. — Que você está por trás do assassinato de Nathan Ponlic. O sorriso dela vacilou por um milésimo