All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 301
- Chapter 310
426 chapters
Casal 2: 118 - Prontos para um pouco de tédio romântico
ELIZABETH WINTER O Velho Pao, o monge, fez um gesto para nos aproximarmos de uma pequena mesa de altar montada diante do santuário de Confúcio. A cerimônia foi diferente da tailandesa. Menos mística, mais focada na ancestralidade e na harmonia. Acendemos incensos grandes, a fumaça perfumada subindo em espirais para o céu que escurecia. Fizemos reverências aos céus, à terra e, simbolicamente, aos nossos ancestrais. Embora os meus estivessem vivos em Manhattan e provavelmente tomando martinis agora. Então, veio a cerimônia do chá. O Velho Pao serviu chá em xícaras minúsculas de porcelana. — O chá é amargo no começo, mas deixa um sabor doce na garganta. — O monge disse, sua voz rouca traduzida pelo Professor Minh. — Assim é o casamento. As dificuldades vêm, mas se houver paciência e respeito, o doce permanece. Alex pegou a xícara com as duas mãos e a ofereceu a mim. — Para a minha esposa. — Ele disse, olhando nos meus olhos. — Prometo ser sempre a doçura depois do amargo.
Casal 2: 119 - Tirar "cuidadosamente" a poeira
ELIZABETH WINTER A aterrissagem no Aeroporto Charles de Gaulle foi como um suspiro longo e elegante. Deixamos para trás a umidade tropical da Ásia e fomos recebidos pelo abraço fresco e cinzento da Europa. O céu de Paris tinha uma tonalidade de chumbo e pérola, e o ar, quando saímos do terminal, era seco, frio e cheirava a chuva iminente e combustível de avião. — Bonjour, Paris. — Alex murmurou ao meu lado enquanto esperávamos nosso motorista. Ele ajeitou a gola do casaco, protegendo o pescoço do vento. — Espero que você seja gentil conosco. — Paris não é gentil, Alex. — Sorri, entrelaçando meu braço no dele, sentindo o calor do corpo dele através das camadas de roupa. — Ela é indiferente e linda. É exatamente o que precisamos, lembra? Um Mercedes preto parou à nossa frente. O motorista, desceu para pegar nossas mochilas de trekking. A visão das nossas bagagens surradas sendo colocadas no porta-malas de um carro de luxo me fez rir. Éramos um paradoxo ambulante. Mas em brev
Casal 2: 120 - Lavando um ao outro
ELIZABETH WINTER Alex ligou a água e o vapor começou a subir instantaneamente, embaçando os espelhos. Despimo-nos e as roupas de viagem caíram no chão, esquecidas. Entramos sob o jato de água. A temperatura estava perfeita, quente o suficiente para relaxar os músculos tensos do voo, mas não para queimar. Alex pegou um frasco de sabonete líquido de uma marca francesa famosa. O cheiro era cítrico e amadeirado. Ele despejou uma quantidade generosa na palma da mão e começou a ensaboar meu corpo. — Vire-se. — ele murmurou. Obedeci, ficando de costas para ele. As mãos dele, escorregadias de sabão e água, começaram pelos meus ombros. Ele massageava com firmeza, os dedos deslizando pela minha pele molhada, desfazendo nós que eu nem sabia que tinha. — Tão macia... — ele sussurrou no meu ouvido. As mãos dele desceram pelas minhas costas, ensaboando até chegarem à minha cintura. Ele contornou meus quadris e bunda, as mãos grandes cobrindo minha pele, e deslizou para os meus seios
Casal 2: 121 - Segunda noite de núpcias
ALEXANDER HAMPTON A sensação da boca quente e úmida de Lizzy subindo pelo meu pau foi o fim da minha linha de raciocínio. O autocontrole que eu vinha mantendo e o desejo de ser gentil, de fazer amor devagar na cama macia do hotel cinco estrelas, se desintegrou como cinzas ao vento. Ela estava ajoelhada aos meus pés, molhada, nua, me olhando com aqueles olhos desafiadores e cheios de luxúria, sabendo exatamente o que estava fazendo comigo. — Chega. — rosnei. Minhas mãos mergulharam no cabelo molhado dela, segurando com firmeza, mas não para mantê-la ali. Puxei-a para cima. Lizzy soltou um gritinho de surpresa quando a ergui, a água escorrendo pelo corpo dela, lavando a espuma. Não dei tempo para ela se recuperar. Levei-nos para baixo do jato forte do chuveiro, a água quente batendo em nossos corpos, tirando o resto do sabão. Beijei-a com uma ferocidade que beirava o desespero, minha boca devorando a dela, minha língua invadindo e reivindicando. Ela correspondeu na mesm
Casal 2: 122 - O sorriso de Monalizzy
ELIZABETH WINTER Paris amanheceu com uma luz cinzenta e elegante filtrando pelas cortinas pesadas do Plaza Athénée, o cheiro de café fresco chegando com o serviço de quarto e o peso reconfortante do braço de Alex sobre a minha cintura. Acordamos tarde. Um luxo que não tínhamos há dias. Comemos croissants na cama, sujando os lençóis de alta contagem de fios com farelos amanteigados, e rimos disso. — Qual era mesmo o plano de hoje? — Ele perguntou, terminando seu café. — Louvre. — decretei. — Preciso ver a Vitória de Samotrácia. E depois, precisamos resolver um problema. — Que problema? — Nossas mochilas. — Apontei para os dois volumes de trekking no canto do quarto, que pareciam alienígenas no cenário rococó. — Elas estão cheias. E nós temos dois trajes cerimoniais vietnamitas volumosos de seda e um monte de lembranças. Alex jogou a cabeça para trás no travesseiro. — Você quer comprar uma mala. Achei que éramos mochileiros, Lizzy. Mochileiros não andam com malas de ro
Casal 2: 123 - Ligação com a família
ALEXANDER HAMPTON O quarto estava mergulhado na luz dourada do Golden Hour. Lizzy estava na varanda, organizando as novas malas, cantarolando algo que parecia Edith Piaf, mas muito desafinado. Sentei no sofá e peguei meu celular. Era hora de dar sinal de vida. — Amor, vem cá. — Chamei. — Vamos ligar para as meninas. Se demorarmos mais um dia, vão mandar a Interpol atrás da gente. Lizzy largou as malas e correu para o sofá, se aninhando ao meu lado. Iniciei a chamada de vídeo. No primeiro toque, o rosto de Stella apareceu na tela, preenchendo o quadro. Ela estava com uma máscara facial verde e o cabelo enrolado numa toalha. — ALEXANDER HAMPTON! — Ela gritou, e o áudio estourou. — Vocês estão vivos! — Oi, Stella. — Sorri, acenando. — Estamos vivos e inteiros. Ao fundo, ouvi a voz de Leah. — SAI DA FRENTE, EU QUERO VER! O rosto de Leah apareceu, empurrando Stella. — Onde vocês estão? Isso atrás de vocês é papel de parede chique? Lizzy riu, apoiando o queixo no m
Casal 2: 124 - "Inca Flat"
ALEXANDER HAMPTON Eu gostaria de deixar registrado, para a posteridade e para qualquer advogado que esteja ouvindo caso eu venha a falecer nas próximas horas, que eu amo a minha esposa. Eu a amo com uma intensidade que desafia a lógica, a razão e, aparentemente, o instinto básico de autopreservação. Porque não existe outra explicação plausível para eu estar aqui. Paris parecia um delírio febril distante agora. Aqui, a realidade era feita de poeira. Muita poeira. Poeira que entrava no nariz, na boca, nos olhos e se instalava nos pulmões, que já estavam trabalhando com 50% da capacidade devido à altitude ridícula. Estamos no quilômetro dez, ou talvez seja o mil, perdi a noção do tempo e do espaço, mas estamos no primeiro dia da Trilha Inca. Parei, apoiando as mãos nos joelhos, tentando puxar o ar que simplesmente não existia. Meus pulmões queimavam como se eu tivesse engolido brasas. O coração batia nos ouvidos, um tambor frenético gritando: "O que você está fazendo, seu id
Casal 2: 125 - No doce e no amargo
ALEXANDER HAMPTON Começamos a andar novamente. O terreno agora era uma descida suave, o que deveria ser um alívio, mas minhas coxas tremiam tanto que cada passo exigia concentração total para não cair de cara na poeira de lhama. O caminho estreitou. De um lado, a montanha. Do outro, um precipício que dava para o rio. E no meio do caminho, bloqueando a passagem como um segurança de boate peludo e mal-humorado, estava uma lhama. Não era uma lhama simpática de cartão postal. Era uma lhama com atitude. Ela mastigava capim com desdém, parada exatamente no meio da trilha. — Com licença. — Falei para o animal. A lhama parou de mastigar. Virou o pescoço longo e me olhou nos olhos. Havia um julgamento profundo naquele olhar negro. — Alex, cuidado. — Lizzy sussurrou atrás de mim. — Elas cospem. — Ótimo. — Respirei fundo. — Era só o que faltava. Ser humilhado por um camelídeo. Tentei dar um passo para a esquerda, para contorná-la. A lhama moveu a cabeça para a esquerda,
Casal 2: 126 - Porta do sol
ALEXANDER HAMPTON Quatro da manhã. Escuridão absoluta. Frio que cortava através de três camadas de roupa térmica. — Vamos, Alex! — A voz de Lizzy chamou na escuridão, a luz da lanterna de cabeça dela dançando na neblina. — O portão abre em dez minutos. Temos que ser os primeiros. Queremos o nascer do sol, lembra? — Eu lembro. — Ajustei a mochila, sentindo o peso familiar nos ombros doloridos. — Estou logo atrás de você, general. O portão de Wiñay Wayna se abriu. Foi como o tiro de largada de uma maratona. Todos queriam chegar ao Inti Punku, a Porta do Sol, antes que os raios atingissem a cidadela sagrada. O caminho era estreito, beirando precipícios que, graças a Deus, a escuridão escondia. A lanterna de Lizzy era meu farol. Eu focava apenas nas botas dela, um passo após o outro, ignorando o ardor nos meus pulmões e a altitude que tentava esmagar meu peito. — Casi lá! — Nosso guia, Raul, gritou, passando por nós com uma agilidade sobrenatural. — Monkey Steps! — "Degraus de
Casal 2: 127 - Terceiro casamento, nossas ofertas
ELIZABETH WINTER Ajoelhei-me no manto colorido, sentindo a grama úmida e fria sob meus joelhos, mas não me importei. A energia daquele lugar era incrível. Alex ajoelhou-se ao meu lado. O Xamã, cujo nome era Amaru (Serpente Sagrada, Raul nos sussurrou), começou a organizar os itens no manto. Havia flores. Doces. Sementes. Conchas. E, claro, folhas de coca. — A união de duas almas não é apenas um contrato entre humanos. — Amaru falou, suas mãos movendo-se com graça enquanto ele montava a oferenda, ou Despacho. — É um pacto com a Terra (Pachamama) e com as Montanhas Sagradas (Apus). Vocês devem pedir permissão para caminhar juntos, e devem oferecer sua gratidão. Ele pegou três folhas de coca perfeitas, unindo-as pelo caule em forma de leque. — K'intu. — Ele disse, erguendo as folhas para o céu, depois para as montanhas, e depois soprando suavemente sobre elas três vezes. — A união dos três mundos. O mundo de cima, o mundo de agora, e o mundo de dentro. Ele entregou as trê