All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 331
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Casal 3: 7 - Estou muito ferrada
LEAH HAMPTON Acordar foi um processo doloroso. Meus olhos se abriram, mas meu corpo se recusou a cooperar imediatamente. Eu estava torta no sofá, com um braço pendurado para fora e o pescoço num ângulo que certamente me custaria caro nos próximos dias. O relógio digital no painel da TV piscava dizendo que eram 14:00. Gemi, forçando meu tronco a se erguer. Cada músculo no meu ser protestou. Meus braços doíam com uma memória muscular fantasma. Era a ressaca da adrenalina, o preço fisiológico de ter enganado a morte por vinte e cinco horas seguidas. Minha barriga roncou, um som alto e exigente que era compreensível. Arrastei-me até o celular na mesa de centro. Desbloqueei a tela e fui direto para o aplicativo de entrega. Não pensei em calorias, não pensei em nutrientes. Selecionei a pizzaria italiana da esquina. Pepperoni, extra queijo, borda recheada. E duas latas de Coca-Cola normal. — Você merece, Leah — murmurei para o nada, com minha voz rouca de sono. Enquanto a comid
Casal 3: 8 - Um salto gigantesco
LEAH HAMPTON Passei a noite de segunda-feira andando de um lado para o outro na sala, ensaiando defesas, argumentos legais e pedidos de desculpas que eu não sentia de verdade. Terça-feira, 07:55. O corredor da administração no último andar era opressor. O carpete era grosso demais, abafando meus passos. O silêncio era estranho, sem bipes, sem gritos e sem macas. Apenas o zumbido do ar condicionado central e o cheiro de dinheiro e cera de móveis. Eu não estava de pijama cirúrgico. Vestia minha calça social preta, uma blusa de branca e meu jaleco, lavado e passado. Parei em frente à porta. Minhas mãos estavam suadas. Sequei-as discretamente na lateral da calça. Respirei fundo. Três segundos para inspirar. Três para expirar. Bati. — Entre. Girei a maçaneta e entrei. O escritório era vasto, com janelas que revelavam uma vista panorâmica de Manhattan. Markus estava sentado atrás de sua mesa. Ele usava um terno cinza chumbo e estava lendo um documento, caneta tinteiro
Casal 3: 9 - Será uma honra trabalhar ao seu lado
MARKUS BLACKWOOD — E então, Dra. Hampton? Você aceita a missão de consertar este hospital comigo, ou prefere apenas continuar reclamando da administração no terraço? — Bem... Leah Hampton olhou para a pasta na mesa como se estivesse com medo do conteúdo. Enquanto ela processava a informação, eu aproveitei o silêncio para processá-la. Eu já tinha decorado a ficha dela. 35 anos. Formada com honras. Especialização dupla. Publicações em revistas de alto impacto sobre controle de danos em trauma torácico. Mas a ficha não descrevia a mulher sentada na minha frente. Era... intrigante. Ela era pequena. Eu chutaria 1,59m, talvez 1,60m em um dia bom. Quando estávamos no centro cirúrgico, eu tive que me curvar consideravelmente para operar no mesmo campo que ela, enquanto ela provavelmente precisava de um banquinho para ver por cima do ombro de um residente alto. O cabelo dela era castanho escuro, caindo em ondas e cachos que pareciam ter vontade própria, desafiando o coque frouxo que
Casal 3: 10 - A nova chefe de cirurgia
LEAH HAMPTON O corredor parecia diferente quando saí do escritório. Talvez fosse o fato de que, cinco minutos atrás, eu era uma funcionária com medo de demissão e agora eu era a Chefe de Cirurgia. Eu tinha poder. Eu tinha o dobro do salário. E, segundo Markus, o triplo de dor de cabeça. Caminhei em direção aos elevadores, tentando manter uma expressão neutra, mas por dentro eu estava gritando: "Eu sou a Chefe! Eu sou a Chefe!". As portas do elevador se abriram no andar do Trauma. Era aqui que eu pertencia. Assim que pisei no corredor, fui interceptada. — E aí? — Cinthia, a residente de pediatria que tinha me ajudado na toracotomia, surgiu do nada, roendo a unha do polegar. Ao lado dela estava Ben, um residente de cirurgia geral que parecia prestes a ter um ataque de pânico. — Ele te demitiu? — Ben perguntou. — Ouvimos dizer que o Torres foi escoltado pela segurança. E a enfermeira-chefe do quarto andar também rodou. Estamos ferrados, não estamos? — Calma, Ben. — Cint
Casal 3: 11 - Oi... filho
MARKUS BLACKWOOD Saí do Hospital Manhattan Grace às 10:45 da manhã. Isso era inédito. A última vez que deixei o trabalho antes do pôr do sol foi durante um alerta de bomba três anos atrás, e mesmo assim, levei prontuários comigo para ler na calçada. Minha secretária, quase derrubou o café quando passei por ela sem o paletó, apenas com a chave do carro e o celular na mão. — Sr. Blackwood? O senhor tem uma reunião com o jurídico ao meio-dia... — Cancele. — Não parei de andar. — Mas senhor, é sobre a aquisição da nova ala de radiologia... — Cancele, Margareth. Diga que surgiu uma emergência pessoal inadiável. Entrei no elevador, digitei o código do estacionamento e vi as portas de metal fecharem. Entrei no meu Aston Martin cinza. O cheiro de novo e o silêncio geralmente me acalmavam. Hoje, pareciam sufocantes. Enquanto dirigia pelas ruas de Manhattan, atravessando trânsito com uma agressividade que beirava a imprudência, minha mente tentava processar a ligação da Sra. Higgins.
Casal 3: 12 - Ele também é seu filho!
MARKUS BLACKWOOD — Onde diabos você está?! — Ah, oi para você também, Markus. — Ela riu. Ouvi barulho de vento e anúncios de aeroporto ao fundo. — Vejo que o pacote já foi entregue. Sua governanta fez uma cara hilária. — Você largou uma criança de quatro anos com uma estranha e foi embora, Patrícia? Isso é abandono de incapaz. Eu posso chamar a polícia agora mesmo. — Ah, pare de drama. — Ela suspirou, impaciente. — Não é abandono se eu deixei com o pai biológico na casa dele. Legalmente, estou apenas transferindo a guarda temporariamente. — Transferindo a guarda? Sem aviso? Sem consultar se eu estava na cidade ou se eu tinha condições? — Markus, você é um dos homens mais ricos de Manhattan. Você tem condições. — A voz dela ficou dura. — Eu estou cansada. Você não tem ideia do que é cuidar de uma criança 24 horas por dia, sete dias por semana. Ele grita, ele corre, ele quer coisas o tempo todo. Eu não tenho vida! Eu tenho 32 anos e me sinto com 50! — Você queria isso! —
Casal 3: 13 - A discórdia do vinho
LEAH HAMPTON O cheiro de assado com alecrim e risadas altas ocupavam a sala de estar da casa de Stella e Damian. A casa deles era o oposto do meu apartamento. Era cheia de vida, cores quentes, brinquedos espalhados pelo chão e garrafas de vinho abertas sobre a bancada da cozinha. Eu estava sentada no sofá, com Noah nos braços. O meu sobrinho parecia ter um radar para o meu colo. Sempre que eu chegava perto, ele se acalmava instantaneamente, o que deixava Alex com um ciúme adorável. — Então... — Stella surgiu da cozinha, secando as mãos num pano de prato. Ela usava um vestido solto, o cabelo loiro preso num coque bagunçado que só ela conseguia fazer parecer chique. — Você disse que tinha uma grande notícia. E considerando que você está com essa cara de quem engoliu um cabide de tão reta que está sentada... ou você foi demitida, ou está grávida. Damian entrou na sala carregando uma travessa de bruschettas. — Se ela estiver grávida, eu ganho o bolão — Damian disse, piscando p
Casal 3: 14 - Mortes suspeitas
MARKUS BLACKWOOD A casa estava em silêncio quando saí do quarto, às 06:20 da manhã. Caminhei na ponta dos pés pelo corredor, carregando meus sapatos na mão para não fazer barulho no piso. Eu me sentia um ladrão dentro da minha própria casa. Parei na porta da sala de estar. Não ousei olhar para o corredor dos quartos de hóspedes, onde Mark estava dormindo. A presença daquele menino na minha casa parecia ter alterado o ambiente. Ontem à noite tinha sido um desastre. O jantar foi macarrão com queijo que a Sra. Higgins improvisou. Mark derrubou suco no meu tapete mais caro e chorou antes de dormir perguntando pela mãe. Eu não soube o que fazer. Fiquei parado na porta do quarto, rígido, enquanto Higgins o acalmava. Calcei os sapatos no elevador e apertei o botão para a garagem. Quando as portas se fecharam, soltei o ar. Senti alívio de estar saindo, de estar fugindo para o meu escritório, onde os problemas eram solúveis. No carro, enquanto o motor do Aston Martin rugia pe
Casal 3: 15 - Caçada
MARKUS BLACKWOOD — Nós temos um assassino dentro do hospital. "Um assassino." A palavra ficou suspensa no ar condicionado gelado do meu escritório. — Sente-se direito, Vance. — Ordenei. — E pare de tremer. O medo é contagioso e eu não vou permitir uma epidemia de histeria neste hospital. Caminhei até o telefone fixo da minha mesa. Disquei um ramal interno que poucos tinham acesso. — Segurança Central. Brenner falando. — Brenner, aqui é Blackwood. Código Preto. Nível 5. Houve uma pausa do outro lado. Brenner sabia o que aquilo significava. — Bloqueio total, senhor? — Ninguém sai. — Falei, olhando para a vista de Manhattan pela janela. — Funcionários, pacientes, visitantes. Ninguém passa pelas portas giratórias ou pelas saídas de emergência até segunda ordem. Trave os elevadores de serviço. Coloque guardas em todas as escadas. — E quem quiser entrar? — Entrada permitida. Saída vetada. Se alguém perguntar, diga que é uma falha no sistema de controle de acesso biométrico e que
Casal 3: 16 - Alguém assassinou meus pacientes
LEAH HAMPTONVINTE MINUTOS ANTES...O sol da manhã entrava pelas janelas da enfermaria da Ala de Trauma, pintando o chão de linóleo branco com quadrados de luz dourada. Era o tipo de manhã que fazia você acreditar que a medicina era a profissão mais nobre do mundo. O que, em minha humilde opinião, era.— Então é isso, campeão. — Sorri, assinando a última linha do receituário. — Você está livre de mim.Jonas, um rapaz de 22 anos que tinha chegado há três dias com lacerações múltiplas depois de cair de uma moto, sorriu de volta. Ele já estava sentado na beirada da cama, vestindo uma camiseta do New York Knicks e segurando uma mochila.— Sério, Dra. Hampton? Sem mais agulhas?— Sem mais agulhas. — Destaquei a folha e entreguei para ele. — Apenas antibióticos orais e repouso. Nada de motos por pelo menos seis meses, ou eu mesma vou quebrar sua outra perna.A namorada dele, uma garota ruiva que não tinha saído do lado dele desde a admissão, riu e apertou a mão dele.— Pode deixar, Doutora.