All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 341
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Casal 3: 17 - O culpado
MARKUS BLACKWOOD — Agora são assassinatos em série, doutora Hampton. Leah ficou imóvel, os olhos arregalados e a respiração presa, parecendo processar a matemática macabra. Cinco mortos em uma manhã. — Saiam. — Ordenei para Vance, a enfermeira e o residente. — Mas senhor... — Vance tentou argumentar. — Saiam! Agora! Eles se retiraram, fechando a porta atrás de si. Ficamos apenas nós dois. Leah soltou o ar que prendia, passando a mão trêmula pelo rosto. — Cinco... — Ela sussurrou. — Markus, o que nós vamos fazer? — Agir. — Caminhei até ela e, por um segundo, tive o impulso de segurar os ombros dela. Mas me contive. Ela era minha Chefe de Cirurgia, não uma donzela. Ela precisava de foco, não de abraços. — Você tem alguma suspeita? — A voz dela estava retomando a firmeza. — Inicialmente, achei que fosse a enfermeira Elisa. — Apontei para a cadeira onde a mulher esteve sentada. — Ela administrou os medicamentos na Ala Leste. Mas agora que aconteceu no Trauma... a te
Casal 3: 18 - Desviando do juramento de Hipócrates
LEAH HAMPTON As horas que se seguiram foi uma sinfonia de sirenes, flashes e gritos. O Hospital Manhattan Grace foi transformado em uma cena de crime federal em questão de minutos. Eu coordenei a varredura. Minha voz ecoou pelos alto-falantes, ordenando a suspensão imediata de todos os medicamentos do lote suspeito. Enfermeiros corriam pelos corredores com caixas de descarte, recolhendo frascos como se fossem granadas ativas. A polícia chegou como uma avalanche. O FBI veio logo atrás. Fomos todos levados para a delegacia do distrito para prestar depoimento. Eu, Markus, Brenda, Dr. Vance e todos que presenciaram o acontecido. Estávamos sentados na área de espera, cercados por policiais e advogados do hospital. Eu estava entorpecida. O choque tinha passado, deixando para trás um buraco frio e vazio no meu peito. Eu via o rosto de Jonas. O sorriso dele. A camiseta do Knicks. — Dra. Hampton? Levantei a cabeça. Um detetive estava me chamando. Todos já tinham prestado depo
Casal 3: 19 - Dando a notícia
LEAH HAMPTON O caminho até a sala de espera reservada para as famílias parecia ter quilômetros de extensão. Meus pés, normalmente ágeis nos tênis confortáveis, arrastavam-se como se eu estivesse usando botas de chumbo. Markus caminhava ao meu lado. Ele não tentou segurar meu braço ou me guiar, respeitando meu espaço, mas sua presença era como uma parede de concreto contra o vento forte que tentava me derrubar. Ele tinha ajeitado o terno, passado a mão pelo cabelo e se recuperado completamente, mas eu sabia que, por baixo, ele estava tão furioso quanto eu. Chegamos à porta da sala privada. O som abafado de choro atravessava a madeira. — Deixe que eu fale primeiro. — Markus disse, baixo, perto do meu ouvido. — Eles são meus pacientes, Markus. — E este é o meu hospital. A falha de segurança foi minha. — Ele colocou a mão sobre a minha na maçaneta. — Vamos fazer isso juntos, mas eu levo a pancada inicial. Assenti, engolindo o nó na garganta. Entramos. Havia cerca de dez
Casal 3: 20 - É difícil não notar você, Leah
LEAH HAMPTON Subimos em silêncio no elevador privativo. Quando entramos no escritório dele, a secretária não estava na mesa. Markus trancou a porta, tirou o paletó e o jogou sobre uma das poltronas, depois desfez o nó da gravata e abriu o primeiro botão da camisa. Foi um gesto tão casual, que me peguei observando a linha do pescoço dele. — Sente-se onde quiser. — Ele disse, caminhando até um aparador de madeira no canto da sala. Havia uma máquina de café expresso e uma seleção de chás importados. Observei-o preparar as xícaras. Ele não chamou ninguém para fazer isso. Ele mesmo pegou a água, selecionou os sachês e esperou o tempo de infusão. As mãos dele. Eram mãos grandes, fortes, mas moviam-se com uma delicadeza impressionante. Olhei para as janelas onde a vista de Manhattan estava esplêndida. O trânsito fluía lá embaixo, minúsculo e irrelevante. Milhões de pessoas vivendo suas vidas, sem saber que cinco pararam abruptamente neste prédio hoje. — Aqui. Virei a cabeç
Casal 3: 21 - Te esperando
MARKUS BLACKWOOD A porta do elevador privativo se abriu revelando o hall de entrada da minha cobertura. Eram 22:15. O silêncio do apartamento deveria ser um bálsamo. Deveria ser o momento em que eu despia a pele do gestor que passou as últimas quatorze horas lidando com polícia, imprensa, famílias enlutadas e um assassino em série. Eu deveria entrar, servir um uísque duplo, olhar para a vista da cidade e desligar o cérebro. Mas no meu sofá, uma pequena pessoa quebrava a simetria perfeita da decoração. Mark. Ele estava sentado encolhido no canto do sofá, abraçando os joelhos. A TV estava desligada. Ele usava um pijama de flanela azul com estampa de foguetes que parecia novo demais. Provavelmente uma das compras de emergência da Sra. Higgins. Quando ele me viu, seus olhos se iluminaram. — Papai? Eu ainda não estava acostumado com a sonoridade dessa palavra. Caminhei até o sofá, mantendo as mãos nos bolsos da calça, sem saber exatamente como iniciar uma conversa.
Casal 3: 22 - Eu a quero
MARKUS BLACKWOOD Apaguei a luz do quarto dele e fechei a porta, deixando uma fresta para a luz do corredor entrar. Assim que me afastei da porta, meu passo acelerou. Entrei no meu quarto e tranquei a porta. Finalmente. Tirei o paletó, a gravata e a camisa. As roupas cheiravam ao hospital. Cheiravam ao escritório. Entrei no banheiro, liguei o chuveiro na temperatura máxima e entrei no box de vidro. A água quente atingiu minhas costas, relaxando os músculos tensos dos ombros. Apoiei as duas mãos nos azulejos frios, baixando a cabeça, deixando a água escorrer pelo meu pescoço e pelo meu peito, lavando o dia. Fechei os olhos e a imagem dela veio, nítida e em alta definição. Leah. A Leah no meu escritório. O jeito que a luz do sol bateu no cabelo dela, destacando os fios dourados no meio do castanho. As sardas no nariz. A boca entreaberta, úmida, esperando. Senti o sangue descer. Foi uma reação instantânea. Meu pau endureceu em segundos, pulsando contra a minha coxa, pesa
Casal 3: 23 - Vasectomia com uma colher enferrujada
LEAH HAMPTON O cheiro de alho queimado era, sem dúvida, o pior aroma do mundo, perdendo apenas para tecido necrosado. — Merda! — Praguejei, afastando a frigideira do fogo com um movimento brusco. Minha cozinha, geralmente imaculada pelo simples fato de eu nunca usá-la, estava uma zona. Havia cascas de cebola no chão, farinha espalhada sobre o balcão de granito preto e três panelas sujas na pia. Eu tinha decidido cozinhar. Era uma terapia. Depois de um dia lidando com morte, polícia e a destruição de famílias, eu precisava criar algo. Precisava ver ingredientes brutos se transformarem em algo nutritivo e bom. O plano era um risoto de cogumelos selvagens. A realidade estava sendo uma gororoba empapada com fundo queimado. O celular, jogado perigosamente perto da tábua de cortar legumes, vibrou e começou a tocar, deslizando sobre a superfície de pedra. Limpei as mãos num pano de prato já imundo e olhei para a tela. Número Desconhecido. Franzi a testa. — Quem diabos.
Casal 3: 24 - Um encontro
LEAH HAMPTON — Agora estou pensando em você. — Como? — Eu não queria que seu alarme tivesse tocado hoje mais cedo. Fechei os olhos, sentindo um arrepio percorrer todo o meu corpo. A honestidade dele era desarmante. — Eu também não. — Confessei, com minha voz mal passando de um sussurro. — Eu sou seu superior. As regras de compliance do hospital são claras. O que aconteceu hoje... pode confundir muito as coisas. — Você acha que estamos confusos? — Que dizer, eu tenho 35 anos, ele tem 44. Acho que somos experientes o bastante para saber o que está acontecendo, pelo menos eu sei o que está acontecendo comigo. — Na verdade, eu acho que eu nunca estive tão lúcido na minha vida. — Ele respondeu imediatamente. — Mas não podemos resolver isso pelo telefone, à meia-noite. — Você tem razão. — Concordei, embora uma parte de mim quisesse que ele dissesse "estou indo aí". — Então, o que você sugere? — Domingo. — Domingo? — Nós dois temos folga no domingo. — Ele parecia ter
Casal 3: 25 - Markus Blackwood tem um filho?
LEAH HAMPTON A manhã seguinte chegou com a sutileza de um desfibrilador no nível máximo. Abri os olhos com o som do despertador e, por um microssegundo, tudo parecia normal. Então, a memória da noite anterior caiu sobre mim como uma bigorna. Eu tinha um encontro com Markus Blackwood. Enterrei o rosto no travesseiro e soltei um grito abafado que era 50% pânico e 50% uma euforia que eu não sentia desde a faculdade. Levantei-me, forcei meu cérebro a entrar no "modo trabalho" e fui para o hospital. O trabalho, felizmente, era um antídoto eficaz contra o romance. Quando você tem três politraumas chegando de um engavetamento na ponte George Washington, não sobra muito espaço mental para analisar o tom de voz do seu chefe ao telefone. Mas, inevitavelmente, nossos caminhos se cruzaram. Foi por volta das 14h, no corredor que ligava a Administração ao Centro Cirúrgico. Eu estava discutindo a escala de plantão com o Dr. Morris que ainda me olhava torto, mas obedecia, quando as port
Casal 3: 26 - Três é Demais?
MARKUS BLACKWOOD DUAS HORAS ANTES... O relógio na parede da cozinha marcava 11:00. Eu estava pronto. Banho tomado, barbeado, vestido com uma roupa que demorei vinte minutos para escolher. Mark estava na sala, montando um quebra-cabeça no chão. Peguei o celular para ligar para a babá, Vanessa. Ela deveria chegar em quinze minutos. Disquei o número. — Alô? — A voz atendeu no terceiro toque, com um fundo barulhento de trânsito ou... vento? — Vanessa? Aqui é o Sr. Blackwood. Estou ligando para confirmar sua chegada. O porteiro ainda não anunciou você. Houve uma pausa do outro lado. Um silêncio constrangedor. — Sr. Blackwood? Mas... hoje é domingo. — Sim, eu sei que dia é hoje, Vanessa. Você está escalada para o turno de domingo. Das 11h às 18h. — Não, senhor... A Sra. Higgins me disse na sexta-feira que o senhor não precisaria de mim hoje. Que era sua folga e que o senhor ficaria com o menino. Senti o sangue gelar nas veias. — O quê? Eu nunca disse isso. — A