All Chapters of Querido chefe, os gêmeos não são teus!: Chapter 381
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Casal 3: 57 - Esse é o meu homem
LEAH HAMPTON Olhei para Patrícia, instalada no sofá de Markus e entendi que o sorriso petulante dela era um convite à violência. — Você está brincando, né? Você acha que pode fazer acampamento aqui na nossa sala? — Nossa sala? — Patrícia riu, desdenhosa. — Querida, você está aqui há cinco minutos. Eu sou mãe do filho dele. Tenho mais direito a esse apartamento do que você. Eu não sou uma pessoa violenta. Afinal, meu trabalho é salvar vidas. Mas a ideia daquela mulher dormindo no mesmo teto que eu, que Markus e que Mark, depois de tudo que ela fez ou deixou de fazer, era inaceitável. Dei um passo em direção a ela. — Você não vai ficar. Nem que eu tenha que te arrastar por essas extensões de cabelo loiro até o elevador. — Tente. — Patrícia desafiou. — Eu grito e chamo a polícia. "Médica louca agride mãe indefesa". Vai ficar lindo na manchete do jornal. Eu estava prestes a testar essa teoria quando senti uma mão forte segurar meu braço. — Leah. — Markus me chamou, calmo
Casal 3: 58 - Eu voltei por você, Markus
MARKUS BLACKWOOD Acordei antes de Leah. Deixei-a dormindo, exausta pela noite agitada, e desci para resolver as pendências. A primeira ligação foi para a portaria. — Bom dia, Sr. Blackwood. — O porteiro atendeu. — Quem está falando? — Perguntei, seco. — É o Romero, senhor. — Romero. Ontem à noite, houve uma violação grave de segurança na minha unidade. — Falei, sem rodeios. — Quero deixar registrado, nesta ligação que está sendo gravada, que a Sra. Patrícia Valente não tem autorização para entrar neste apartamento. — S-sim, senhor. Entendido. — Se ela colocar um pé dentro desse prédio de novo sem minha autorização, Romero, eu vou processar a empresa de segurança, a administração do condomínio e você pessoalmente por negligência e facilitação de invasão. Fui claro? Ouvi o porteiro engolir em seco do outro lado. — Cristalino, Sr. Blackwood. Não vai acontecer de novo. — Ótimo. Tenha um bom dia. Desliguei. A segunda ordem foi para a Sra. Higgins e para a babá, q
Casal 3: 59 - Eu queria que você fosse minha mãe
LEAH HAMPTON O Central Park estava banhado por aquela luz dourada e espessa do final da tarde. Eu tinha conseguido trocar as últimas duas horas do meu turno — uma manobra que me custaria um plantão inteiro de domingo no mês que vem, mas que valia cada segundo — para cumprir a promessa feita na noite anterior. — Olha, Leah! Eu sou mais rápido que o vento! Mark passou correndo por mim, os braços abertos como asas de avião, o curativo branco no queixo destacando-se contra a pele corada pelo esforço. Ele ria, aquele som puro e desimpedido que parecia limpar a poluição do ar ao nosso redor. — Cuidado com as raízes das árvores, "Vento"! — Gritei de volta, sentada num banco de madeira, sentindo o sol aquecer meu rosto. Ao meu lado, Markus não estava relaxado. Enquanto eu observava Mark com o olhar carinhoso absorvendo a alegria do momento, Markus observava o perímetro como um agente do Serviço Secreto. Ele estava sentado na ponta do banco, a coluna ereta, os óculos escuros esco
Casal 3: 60 - Sobre nós
MARKUS BLACKWOOD A volta para casa foi tranquila. Mark dormiu no banco de trás na metade do caminho. Leah estava quieta, olhando pela janela, com uma expressão pensativa que eu não conseguia interpretar. — Eu vou dar um banho rápido nele para tirar a terra do parque. — Leah sussurrou assim que entramos no apartamento, pegando Mark no colo, que resmungou algo. — Quer ajuda? — Perguntei, colocando as chaves na bancada. — Não precisa. Aproveita para relaxar um pouco. Ela subiu as escadas. Fui até o bar e servi um copo de uísque. Meu celular, que deixei sobre a ilha da cozinha, vibrou. Peguei o aparelho, esperando ser algo do hospital. Não era. Era uma mensagem de um número desconhecido. Deslizei a tela para desbloquear. Eram fotos. Tirada com uma lente de longo alcance. A foto mostrava Leah no Central Park, hoje à tarde. Primeiro nós três tomando sorvete. Depois eles se escondendo na árvore. Por último, ela estava carregando Mark no colo. A cabeça dele estava no o
Casal 3: 61 - Aceito esse cárcere
LEAH HAMPTON — Casar? — A palavra saiu da minha boca num sussurro incrédulo. Afastei-me um centímetro, apenas o suficiente para encarar o rosto de Markus. — Você está me pedindo em casamento? — Insisti, sentindo meu coração bater um ritmo irregular. — Na verdade, estou sondando o terreno. — Ele respondeu, a voz rouca e baixa. Markus soltou uma das mãos da minha cintura para afastar uma mecha de cabelo do meu rosto. — Não precisamos nos casar agora. Nem precisamos correr para o altar amanhã. Podemos ter um noivado longo. Cinco anos, se você quiser. O tempo que for necessário para você se sentir segura. Um sorriso lento começou a curvar meus lábios. — Se a pergunta fosse séria... — Comecei, ficando na ponta dos pés para roçar meu nariz no dele. — Se houvesse um anel, ou mesmo se fosse só uma promessa verbal feita na cozinha... a resposta seria sim. — Sim? — Ele sussurrou. — Sim. Eu me casaria com você. Em cinco anos ou cinco minutos. — Então eu farei um pedido oficial em
Casal 3: 62 - Não tenho reflexos de salvador
MARKUS BLACKWOOD Sábado. O dia que deveria ser de descanso se transformou num exercício de paciência e autocontrole digno de um monge. Leah tinha saído cedo para o plantão no hospital. Eu odiava que ela trabalhasse mais do que eu. Mas hoje, especificamente, a ausência dela deixava a cobertura mais sufocante e incomoda. Porque Patrícia estava na minha sala. Por conselho do meu advogado para mostrarmos "boa vontade" antes da audiência de custódia, eu tive que permitir uma visita supervisionada. Quatro horas. Na minha casa. Comigo presente. Patrícia estava sentada no sofá, vestida como se fosse para um chá de caridade, tentando engajar Mark numa conversa. Eu estava sentado no braço da poltrona oposta, com os olhos fixos nela como um falcão. Eu não ia dar a ela a chance de dizer a um juiz que eu a proibi de ver o filho ou que criei um ambiente hostil. Mas também não vou deixar que leve ele onde quiser ou fale sem pensar. — Então, Markinho... — Patrícia sorriu, aquele sorriso b
Casal 3: 63 - Pura baboseira
MARKUS BLACKWOOD — Você agrediu ela? — Ela perguntou, o tom sugerindo que a ideia era tão absurda quanto eu ter voado pela janela. Cruzei os braços, sustentando o olhar da minha mulher. A pergunta dela não tinha um pingo de dúvida, era apenas a incredulidade de quem conhece o caráter do homem com quem dorme. — Ela tropeçou na própria ambição, Leah. — Respondi, a voz seca. — E eu simplesmente sai da frente. Patrícia soltou um gemido agudo, tentando capitalizar a atenção. — Mentira! Ele me jogou! — Ela olhou para Leah com os olhos marejados, apelando para uma solidariedade feminina que não existia. — Você é médica! Me ajude! Acho que quebrei o nariz! Leah suspirou, jogou a bolsa no sofá e caminhou até Patrícia. — Vamos ver. — Leah se agachou ao lado dela. Patrícia sentou-se, ainda no chão, oferecendo o rosto para análise como uma mártir em uma pintura renascentista. — Dói tudo... — Ela choramingou. — Ele usou muita força. Leah segurou o queixo de Patrícia. Ela virou o
Casal 3: 64 - A mamãe não tem Leah
MARKUS BLACKWOOD — O Mark... — Comecei, olhando para a escada. — Eu mandei ele subir depois que Patrícia gritou com ele. — Passei a mão pelo cabelo. Começamos a caminhar em direção à escada. — Ele provavelmente já jantou, certo? — Leah perguntou. — Não. Ele deve estar com fome. — Pizza? — Leah sugeriu, com aquele brilho conspiratório nos olhos. — Acho que a noite pede comida de conforto. — Outra teoria médica freestyle? — Ri fraco. — Essa é baseada em evidências da minha própria vida. — Ela piscou. — Mas antes da pizza, precisamos conversar com ele. Parei no primeiro degrau da escada. — Conversar sobre o quê? — Não podemos mais tratar isso como "assunto de adulto". A audiência é quarta-feira. Ele tem quatro anos, mas não é bobo. Sei que achamos que está claro o que ele quer, mas seria melhor perguntar com quem Mark quer ficar. — Ele é muito pequeno, Leah. — Mark não devia pensar que o destino dele é uma loteria que ele não controla. — Ela argumentou, suavemen
Casal 3: 65 - E se ela não quiser casar?
MARKUS BLACKWOOD A sala de estar da minha cobertura, que geralmente parecia uma página de revista de arquitetura minimalista, tinha sido invadida por um furacão vermelho e branco. — Pai! Acabou o vermelho! — Mark gritou do outro lado da sala, segurando uma cesta de vime vazia de cabeça para baixo. Ajeitei a gravata em frente ao espelho e respirei fundo, tentando acalmar o coração que batia num ritmo que eu não sentia desde a minha primeira cirurgia solo. — Tem mais sacolas na cozinha, filho. — Respondi, verificando o relógio. 19:15. Leah tinha mandado mensagem dizendo que estava fechando a última caixa. Ela estaria aqui em trinta minutos. Caminhei até a sala. O chão estava coberto por uma trilha de pétalas de rosas. Essa trilha começava na porta do elevador privativo e serpenteava até o grande janelão de vidro com vista para Manhattan. Eu tinha encomendado mil e quinhentas rosas. O florista perguntou se era para um casamento. Eu disse que era para algo muito mais important
Casal 3: 66 - Você aceita se casar comigo?
LEAH HAMPTON O som da fita adesiva sendo rasgada anunciou o fechamento da última caixa de papelão. Passei a mão pela testa, sentindo o suor frio do cansaço. Olhei ao redor. Meus livros já tinham ido. Minhas roupas. Minha cafeteira amada. Até a poltrona que Markus detestava, mas aceitou levar. Era estranho. Eu deveria sentir tristeza. Deveria sentir aquele aperto de despedida. Mas, enquanto eu olhava para a chave na minha mão, pronta para deixá-la na portaria para a imobiliária, tudo o que eu sentia era uma alegria vibrante. — Tchau, apartamento. — Sussurrei para a sala. — Obrigada por tudo. Mas eu tenho um lugar melhor para ir. Peguei minha bolsa, apaguei as luzes e fechei a porta. Cheguei ao prédio e entrei no elevador privativo. Encostei a cabeça no espelho enquanto subia, fechando os olhos por um momento. Eu precisava de um banho. O elevador subiu suavemente. O sinal sonoro indicou que cheguei à cobertura e as portas se abriram. Abri os olhos, mas fui recebida pel