All Chapters of Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário : Chapter 241
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Capítulo 241
A Verdade na Mesa A casa de Antônio Mello sempre parecia silenciosa demais de manhã. O sol entrava pelas janelas altas, iluminando a mesa arrumada com cuidado — café quente, pão cortado em fatias perfeitas, um vaso de rosas brancas no centro. Márcia estava sentada diante dele, os olhos baixos. As mãos dela tremiam um pouco enquanto seguravam a xícara. Ela não falava. Não perguntava. Não respirava mais alto do que devia. Antônio mexia o café devagar, o metal da colher tocando a porcelana em um ritmo constante. Tin. Tin. Tin. A calmaria antes de alguma coisa quebrar. O celular dele vibrou. Ele não se apressou para atender. Olhou o nome na tela primeiro. Lucas. Um pequeno sorriso — quase imperceptível — tocou o canto da boca dele. Ele atendeu. — Fala. A voz de Lucas veio tensa, trêmula, pulsando adrenalina. — Os planos mudaram. — disse. — Eu estou com ela. — Boa garoto — Antônio falou com um sorriso no rosto. Lucas continuou falando — rápido,
Capítulo 242
Coragem na mansão dos Mello, dentro do quarto o clima era tenso. Márcia vestiu a calça com mãos rápidas, prendeu o cabelo para trás e enfiou o celular escondido na cintura. Ela puxou o edredom e enfiou dois travesseiros por baixo, formando uma silhueta alongada. Ajustou um terceiro na altura do “rosto” e cobriu tudo até os ombros. À primeira vista, parecia alguém deitado ali. Ela havia planejado isso. Silenciosamente. Discretamente. Como quem aprende a sobreviver dentro da jaula. Foi até a sacada. Do alto, o jardim parecia profundo demais. Escuro demais. Longe demais. — Coragem… — ela sussurrou para si mesma, sentindo o gosto metálico do medo na boca. Abaixou-se. Debaixo da cama, no espaço que ninguém pensava em olhar, estavam os lençóis amarrados, dobrados de forma milimétrica, formando uma corda improvisada. Ela havia preparado aquilo dias antes. Para caso precisasse fugir. Márcia amarrou a extremidade na grade da sacada, escondendo o nó atrás da
Capítulo 243
Os Planos Mudaram Lucas entrou na cozinha da fazenda, o chão rangendo sob os passos pesados. A luz do sol entrava pelas janelas antigas, cortando o ambiente em faixas douradas e silêncio. Pegou o celular sobre o balcão. Discou. A chamada foi atendida no segundo toque. — Lorenzo. — a voz dele saiu firme, impaciente. — Vou te mandar um endereço. Vem agora. Os planos mudaram — por culpa da burrice de vocês. Antes que o outro pudesse responder, ele desligou. O som seco da chamada encerrada ecoou no cômodo. Lucas passou a mão pelos cabelos, puxando com força as mechas da própria cabeça. Os olhos ardiam de insônia e raiva. — Vamos pensar com calma… — murmurou, encarando o nada. — José morre. Augusto culpado e preso. E eu... eu na Europa com a minha Eloise. Sorriu. Um sorriso torto, doentio. O tipo de sorriso que nasce quando a sanidade já se despediu. Na mente dele, o plano era perfeito. Eloise seria o prêmio. O resto — apenas poeira. ___ Do outro lado
Capítulo 244
Silêncio e Medo A cozinha estava silenciosa, exceto pelo som da colher batendo na xícara. Lucas estava sentado, olhando para o nada, como quem conversava com fantasmas que mais ninguém via. Thamires entrou devagar. Fingiu ir até o balcão. Fingiu procurar água. Fingiu respirar leve. Mas seus olhos estavam na chave sobre a mesa. Lucas percebeu. Sempre percebia. Ele não olhou para ela — e isso foi pior que olhar. — Sai daqui. — disse, sem levantar a voz. Thamires parou. — Lucas, eu só— — Você atrapalha. — Você sempre atrapalha. — É por isso que tudo dá errado. — ele sussurrou, finalmente ergueu o olhar. Os olhos estavam vazios. Friamente convencidos. Cruéis por natureza. — Porque você é burra. Thamires ficou imóvel por um segundo. Só um. Depois murmurou, sem que ele ouvisse: — Você vai ver quem é burra. Ela pegou a chave no momento em que virou as costas — rápido, suave, exato. E subiu as escadas. --- O corredor estava escuro. S
Capítulo 245
Cerco Silencioso A sala de operações estava iluminada apenas pelas telas, os mapas projetados na parede como um campo de batalha antigo. O ar tinha cheiro de tensão — um silêncio que parecia respirado em conjunto. Thomas estava no centro. Postura ereta. Mãos atrás das costas. Olhos de quem já tinha visto guerras parecidas — mas nunca tão pessoais. — Lais — chamou, firme. Ela digitava rápido, a luz azul refletindo no rosto. — Abrindo o mapa alternativo — respondeu. Dois cliques. O telão se dividiu em três visões: Estradas de acesso, estradas de fuga e propriedades vizinhas. Lais apontou com a caneta. — Aqui… e aqui. — marcou dois pontos em vermelho. — São estradas de terra paralelas. Se ele desconfiar de perseguição, vai usar uma dessas rotas. A da direita é mais rápida, mas a da esquerda dá acesso à mata. Thomas assentiu, absorvendo. — Quantos metros de visibilidade? — Baixa. Muita vegetação. Ideal para fuga ou emboscada. Thomas pegou o rádio preso ao colete. — Em c
Capítulo 246
A Testemunha Silenciosa O porta-malas estava escuro. Mas não silencioso. Márcia podia ouvir passos. Vozes abafadas. A vibração do motor havia parado há alguns minutos. O coração batia tão alto que parecia chamar atenção para ela. Ela esperou. Um minuto. Dois. Três. Nada. Então, com as mãos trêmulas, retirou a chave de fenda que havia colocado para impedir o travamento total da tampa. Empurrou com cuidado. A luz entrou. Fraca. Suficiente. Márcia saiu devagar, o corpo doendo, as pernas bambas. Respirou o ar frio do campo, sentindo a grama roçar nos tornozelos. Uma casa isolada. Porta de madeira pesada. Janelas iluminadas. Havia uma porteira ao longe. Nenhuma alma à vista do lado de fora. Márcia engoliu o medo. Caminhou até a parede lateral da casa e se aproximou de uma janela, espiando por entre a cortina. Seu peito afundou. Lá dentro, sentados na poltrona, Antônio Mello. Ao lado dele, Lorenzo — nervoso, inquieto. Mais longe, Thamires — braços
Capítulo 247
O Encontro Marcado A Sala de Guerra improvisada na MonteiroCorp pulsava como uma caixa de nervos. Telões projetavam a fazenda, estradas secundárias e pontos de fuga; rádios chiavam numa língua própria; agentes iam e vinham com passos curtíssimos, cada um encaixado em uma tarefa. Thomas e Augusto ficaram imóveis diante do mapa, os olhos querendo abarcar cada linha vermelha, cada atalho. O silêncio ali tinha peso de ante-sinfonia — todos esperando o primeiro acorde. O celular de Augusto vibrou na mesa. O som cortou a tensão como lâmina. Thomas ergueu os olhos. Não havia surpresa no rosto dele, só a constatação de que aquilo, de algum modo, faria sentido no caos. — Eles sempre fazem isso. Previsível. — murmurou Thomas, baixo. Augusto atendeu sem cerimônia. — Alô? — disse com a voz firme. A voz do outro lado veio calma, controlada — como se tudo aquilo fosse parte de um roteiro que Lucas já havia decorado. — Augusto. Quero ver você e o José Monteiro. Sem polícia. Sem Tho
Capítulo 248
Plano: Manter-se Vivo O céu estava pesado. Cinza. Baixo. Como se o próprio clima soubesse que algo estava prestes a estourar. Thamires saiu da casa devagar, puxando a jaqueta contra o vento frio que cortava a pele. A varanda rangeu sob seus passos. O cheiro de terra úmida e madeira velha enchia o ar, como memória de algo que já deu errado antes. Lorenzo estava sentado no degrau. Cotovelos nos joelhos. Mãos entrelaçadas. Olhos perdidos no horizonte seco. Parecia alguém procurando saída onde não existia nenhuma. — Precisamos sair daqui agora. — ela disse baixo, a voz tremendo apesar do esforço para parecer firme. Lorenzo ergueu o olhar, lento, confuso, exausto. — Por quê? Thamires deu um passo, depois outro — cada movimento calculado, como se o chão pudesse estalar. Abaixou a voz até quase virar um sussurro: — Eles vão matar o pai do Augusto. Silêncio. O vento passou entre eles, gelado. — E depois disso… — ela continuou, engolindo o medo — nós não
Capítulo 249
O COMEÇO DA FUGA O corredor cheirava a madeira velha e terra molhada. Thamires ria na cozinha — um riso doce demais, alto demais, calculado demais. O segurança estava encostado no balcão, enorme, braços cruzados, prestando atenção nela como se o mundo tivesse parado só para ouvir sua voz. Era exatamente isso que ela queria. Enquanto isso, do lado de fora, na lateral da casa Lorenzo corria abaixado, o coração batendo tão forte que parecia querer romper o peito. Ele chegou ao galinheiro — farpas, cheiro de palha, o ar frio da manhã cortando a pele. Márcia estava lá dentro, os pulsos amarrados pelo mesmo nó que tinha visto tantas vezes. Ela levantou o rosto quando ouviu passos. — Filho? — a voz dela veio baixa, em choque. — O que você vai fazer? Lorenzo arregaçou as mangas, as mãos tremendo, tentando desfazer o nó. — Nós vamos sair daqui. Agora. — Se ficarmos… depois que eles matarem o José, vão destruir provas. — E nós somos as provas. Márcia ficou imóvel p
Capítulo 250
A ARMA QUE SOBROU O barulho veio primeiro. Passos pesados. Tiros abafados pelo vento seco da fazenda. E depois — vozes. — BURRO! — o segurança da porta do quarto gritava descendo a escada. — VOCÊ FOI ENGANADO, SEU IDIOTA! — O CHEFE VAI MATAR VOCÊ! As palavras ecoaram pelo corredor, atravessando a madeira, batendo nas paredes. Eloise abriu os olhos. O teto não era conhecido. As paredes também não. Ali não era o quarto onde Lucas a havia colocado primeiro.Outro cômodo.Outra porta trancada.Outra prisão. Ela se sentou com esforço, o corpo pesado, a cabeça como se estivesse envolta em algodão e dor. A primeira coisa que suas mãos fizeram não foi tocar a cama. Nem o toque instintivo na cabeça. Foi a mão sobre o ventre. Ali. Quieto. Protegido. — Eu preciso sair daqui… — ela sussurrou, com a voz rouca, quase sem som. Ela olhou ao redor. Porta trancada. Mas havia um banheiro. Pequeno. Branco. Desgastado. Eloise se levantou devagar, apoiando na parede para não cair.