All Chapters of Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário : Chapter 381
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Capítulo 2 — O Império e o Silêncio
O prédio da Royal Cacao Group se erguia no centro financeiro da cidade como um reflexo exato do homem que o comandava. Vidro, aço e silêncio. Um edifício inteiro dedicado ao império do cacau — das fazendas internacionais à produção dos doces mais exclusivos do mercado. Ali dentro, cada andar respirava estratégia, números e poder. Ricardo atravessou o saguão sem diminuir o passo. Assim que passou pelas portas de vidro, ouviu os saltos familiares logo atrás. — Bom dia, senhor Rocha. — disse Francisca, acompanhando-o com a prancheta nas mãos. Fran tinha quase quarenta e cinco anos e trabalhava com ele havia mais de quinze. Conhecia seus horários, seus humores… e seus silêncios. — Bom dia. — respondeu, sem olhar. — Está de mau humor logo hoje? — provocou. — Justamente no dia da reunião com os investidores franceses? Ricardo soltou um meio sorriso que não chegou aos olhos. — Quem disse que estou de mau humor? — perguntou. — Estou ótimo. Que horas é a reunião? — Dez hor
Capítulo 3 — O Cheiro do Pecado
Os dias passaram. E, com eles, as reclamações vindas das fazendas aumentaram. Relatórios se acumulavam na mesa de Ricardo. Mensagens chegavam cedo demais. Ligações interrompiam reuniões. O aplicativo de produção — que deveria facilitar tudo — falhava cada vez mais. Atrasava cargas. Irritava funcionários. Comprometia prazos. Ricardo não tolerava desorganização. Muito menos quando vinha de algo que ele já tinha identificado como problema. Naquela manhã, chegou ao prédio da Royal Cacao Group mais cedo do que o habitual. O edifício espelhado refletia o movimento do centro financeiro, imponente, silencioso, absoluto — exatamente como o império que ele havia construído. Assim que atravessou o saguão, passos conhecidos ecoaram atrás dele. — Bom dia, senhor Rocha. — disse Francisca, acompanhando-o com o tablet nas mãos. — Bom dia, Fran. — respondeu, sem diminuir o ritmo. Ela observou o semblante fechado. — De mau humor de novo? Se o senhor não tiver calma, dificilmente v
Capítulo 4 — Entrelinhas
Todos já estavam na sala quando ele chegou. Augusto ocupava a cabeceira da mesa, sério como sempre. Eloise folheava alguns documentos, distraída. Thiago ajustava o notebook. Nathália estava sentada mais ao fundo, concentrada demais nas próprias anotações para parecer natural. A porta se abriu. E o ar mudou. Ricardo entrou com passos firmes, seguros. Vestia uma calça social preta impecável e uma camisa azul-escura, ajustada ao corpo forte. Os cabelos estavam perfeitamente alinhados, e os fios grisalhos davam a ele um ar ainda mais imponente — e perigosamente atraente. Nathália olhou. Olhou mais do que deveria. Foram apenas dois segundos. Mas foi o suficiente. Ricardo ergueu os olhos. E a encontrou. Ele não desviou. A postura permaneceu intacta, treinada por anos de reuniões e negociações duras — mas por dentro, sentiu. Aquela mulher ainda tinha o poder de bagunçar tudo. O perfume doce, marcante na medida certa, chegou até ele como uma lembrança indesejada
Capítulo 5 — Plano em Ação
O dia começou agitado para Nathália. E-mails se acumulavam. Confirmações de compromissos pipocavam sem pausa. A viagem para a filial na cidade vizinha exigia ajustes de última hora, ligações rápidas, decisões pequenas que, somadas, drenavam energia. Ela estava concentrada quando Eloise apareceu ao lado da mesa, já com aquele sorriso que sempre significava confusão. — Vamos. — disse simplesmente. — Primeiro almoço. Depois, Fazenda Grande Rocha. Nathália ergueu os olhos devagar. — Almoçar até vou. — respondeu. — Mas pra fazenda, não. Eloise cruzou os braços, divertida demais. — Thiago vai viajar depois do almoço pra filial. Emma vai levá-lo ao aeroporto. — fez uma pausa estratégica. — Ele “emprestou” você pra mim. Nathália fechou a cara. — Eloise Monteiro, eu não aceito. — Aceita sim. — respondeu com naturalidade. — Preciso da sua experiência. Nathália respirou fundo, pegou a bolsa, juntou as coisas e seguiu Eloise corredor afora, claramente contrariada. Depois do
capítulo 6 — A Senhora Alves
— Eloise Monteiro… — repetiu. — Já ouvi falar de você. Você é nora do José Monteiro, não é? — Sim. — Eloise respondeu com tranquilidade. — José Monteiro é meu querido sogro. O olhar de Carlota se estreitou levemente. Ricardo percebeu. Conhecia aquele olhar. — João. — disse, firme, interrompendo o silêncio. — Acompanhe as meninas pela fazenda. Fiquem à vontade. Em alguns minutos encontro vocês. João assentiu de imediato. — Claro, patrão. As meninas seguiram com ele em direção aos galpões. Nathália sentiu o olhar de Carlota em suas costas por alguns segundos a mais. Não se virou. Mas sentiu. E, sem saber exatamente por quê, teve a estranha certeza de que aquela mulher seria um problema. Atrás delas, Ricardo permaneceu imóvel por um instante, observando. A terra. As mulheres. E a tensão que começava a se formar muito além do aplicativo. Aquela visita à fazenda não era apenas técnica. Era o início de algo que ninguém ali conseguiria controlar. Nem mes
Capítulo 7 — Um Obstáculo
O sol já começava a baixar quando eles se encontraram novamente. Eloise e Nathália vinham acompanhadas de João, com anotações na mão e expressões concentradas — aquelas de quem já tinha entendido o problema por inteiro. Ricardo os aguardava a alguns metros, perto do caminho de terra. — Então, meninas… — perguntou, ao vê-las se aproximar. — Terminaram? Eloise assentiu, confiante. — Sim. — respondeu. — Já entendemos o que precisa ser feito. — sorriu de leve. — E já tenho muitas ideias. Ricardo arqueou a sobrancelha, satisfeito. — Isso é bom. — disse. — Já que terminaram… venham comigo. Ele virou-se e começou a caminhar, sem olhar para trás. As duas o seguiram. Depois de alguns minutos andando entre trilhas estreitas, chegaram a uma lavoura de cacau aberta, ampla, viva. A cena era quase irreal. Os pés carregados de frutos maduros contrastavam com o verde profundo das folhas. O sol alaranjado do fim de tarde atravessava a plantação, pintando tudo com tons quentes.
Capítulo 8 — Mal Entendido.
Os dias passaram. E, com eles, o trabalho virou refúgio. Eloise estava mergulhada no projeto da Royal, noites longas, ideias rabiscadas, reuniões que se estendiam mais do que o previsto. Nathália, por sua vez, se mantinha ocupada como nunca — agendas cheias, tarefas acumuladas, foco absoluto. Trabalhar era mais fácil do que pensar. Pensar em Ricardo. Pensar nas palavras de Carlota. Pensar no jeito como ele a defendeu. Foi por isso que o convite para o almoço veio como um alívio. Um ponto de normalidade no meio do turbilhão. Quase meio-dia quando Nathália chegou ao restaurante. As meninas já estavam sentadas, espalhadas em volta da mesa, conversando animadas. — Olá, safadas. — disse, largando a bolsa na cadeira. — Gente, peguei um trânsito que achei que não ia chegar nunca. Mandou beijos no ar, sentou-se e suspirou. O garçom se aproximou, anotou os pedidos de todas, e o clima leve voltou a se espalhar. — Gente, tá um calor absurdo. — Sofia comentou, abanando o
Capítulo 9 — Tudo que Precisa ser Dito
Assim que fechou a porta do apartamento, Nathália sentiu tudo o que vinha segurando desabar. Foi direto para a cozinha. Pegou uma taça de vinho. Bebeu de uma vez. Serviu outra, voltou para a sala e se deixou cair no sofá, o corpo pesado, a mente acelerada demais para descansar. Não demorou para a campainha tocar. O coração dela disparou. Não pode ser ele. Quando abriu a porta, encontrou cinco rostos conhecidos. Eloise. Sofia. Laís. Emma. Alana. — O que vocês fazem aqui? — Nathália perguntou, surpresa. Emma foi a primeira a responder, entrando sem cerimônia. — O Thiago me contou o que aconteceu. As outras entraram atrás, fechando a porta. Nathália voltou para o sofá, levando a taça à boca. — Não tem nada demais. — disse, tentando soar indiferente. — Eu e ele não temos nada. Eloise cruzou os braços. — Para de se fazer de forte. Sofia sentou ao lado dela. — Isso. Somos suas amigas. Você não precisa fingir aqui. — Tá tudo bem estar magoada. —
Capítulo 10 — Escolha
O silêncio que se instalou depois do abraço não era vazio. Era cheio. Ricardo manteve Nathália contra o peito por alguns segundos a mais do que o necessário, como se estivesse gravando aquele momento no corpo. Quando se afastou, foi apenas o suficiente para olhar para ela — de verdade. O rosto dela ainda estava levemente ruborizado. Os olhos, brilhando demais para disfarçar o que sentia. — Me faz sua. — ela disse, simples. Não foi um pedido. Foi um convite. Ricardo passou um braço firme por trás das pernas dela e a ergueu com facilidade, como se aquilo fosse o lugar mais natural do mundo. Nathália soltou um riso baixo, surpresa, e envolveu o pescoço dele por instinto. — Ricardo… — murmurou. — Shh. — ele respondeu, encostando a testa na dela. — Apenas minha. Caminhou até o quarto sem pressa. Cada passo parecia carregado de intenção. Ao entrar, fechou a porta com o pé e deixou Nathália sobre a cama com cuidado, como se ela fosse algo precioso — não frágil, mas valios
Capítulo 11 — Matando a Saudade.
O dia seguiu intenso. Reuniões, e-mails, telefonemas, prazos apertados. Nathália se manteve focada, mergulhada no trabalho como sempre — mas havia algo diferente nela. Uma leveza nova. Um sorriso discreto que surgia sem aviso. O almoço foi simples, na copa da empresa, com Emma e Eloise. Conversas soltas, risadas baixas, comentários sobre trabalho e planos futuros. Nada extraordinário. E, ao mesmo tempo, tudo parecia no lugar. Por volta das três da tarde, o elevador se abriu no andar. Nathália não levantou os olhos de imediato. Mas o perfume entrou primeiro. Ela conhecia aquele cheiro melhor do que gostaria de admitir. Levantou o olhar devagar. Ricardo caminhava em direção à sua mesa, postura impecável, expressão tranquila, como se aquele fosse o lugar mais natural do mundo para ele estar. — Olá, senhor Rocha. — ela disse, apoiando os cotovelos na mesa. — O que devemos à honra? Ricardo riu, aquele sorriso fácil que só aparecia para ela. — Vim me despedir de você. —