All Chapters of Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário : Chapter 401
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Capítulo 22 — As Cartas que Ficam
Nathália terminou de ler a última linha com a respiração presa. Os dedos ainda seguravam o papel com cuidado demais. Como se a carta pudesse se desmanchar. Como se fosse algo vivo. As lágrimas caíram antes que ela percebesse. Uma. Depois outra. Pingaram no papel. Ela levou a mão à boca, tentando abafar o som que queria escapar do peito. Não era um choro escandaloso. Era aquele que vem de dentro. Silencioso. Dolorido. Bonito. Porque não machucava. Acolhia. Ela enxugou o rosto às pressas. Mas era inútil. O coração estava apertado demais. Isabella não tinha escrito com ciúme. Não havia ressentimento. Nem cobrança. Havia amor. Havia cuidado. Havia… generosidade. Uma mulher falando com outra. De um lugar que não era de disputa. Mas de paz. Nathália fechou os olhos por alguns segundos. Respirou fundo. Sentiu a culpa chegar primeiro. Por ter sentido ciúme. Por ter sentido aquele frio no estômago. Por ter pensado — nem que foss
Capítulo 23 — Mexendo no Passado
Às sete e meia em ponto, o carro parou diante da fachada moderna do novo restaurante do Enzo. Vidros altos. Luz quente. Plantas pendendo do teto. Mesas de madeira clara visíveis lá de fora. Nathália desceu primeiro, olhando ao redor com curiosidade. — Nossa… gostei da localização. E do ambiente. Ricardo sorriu de canto, orgulhoso. Entraram. Foram recebidos quase imediatamente por Enzo, de avental preto elegante, sorriso aberto e olhos atentos. — Boa noite, casal. Ele abraçou o pai e deu dois beijinhos em Nathália. — Aproveitei a oportunidade e já marquei aqui. — disse animado. — Vai ser oficialmente meu novo restaurante. Vocês são os primeiros clientes. — Fico feliz, filho. — Ricardo respondeu, sério e afetuoso ao mesmo tempo. — Você é muito bom no que faz. E apaixonado pelo que faz. Isso é raro. Enzo sorriu mais largo. — Obrigado, pai. Depois completou: — A equipe está treinando, então depois quero feedback honesto. Pouco depois, Emma chegou com Th
Capítulo 24 — Vestidos, Silêncios e Tempestades
Ricardo guardou o relatório numa pasta criptografada dentro do cofre digital do escritório. Depois fechou o notebook. Ficou alguns segundos encarando a tela apagada. Prometeu a si mesmo que só contaria a Nathália quando tivesse absoluta certeza das intenções de Jorge. Não bastava existir uma possibilidade. Não bastava datas coincidirem. Não bastava o sobrenome da mãe dela. Nathália já tinha passado a vida inteira lidando com a ausência de um pai. Com silêncios. Com perguntas que nunca tiveram resposta. Com a sensação de ser… sozinha no mundo. Ricardo sabia que, com Jorge, não viria só um homem. Viriam irmãs. Uma ex-esposa. Uma família inteira. Fortunas. Empresas. Heranças. Expectativas. E, pior… disputas. Ele não podia permitir que isso explodisse sobre ela sem que estivesse pronto para segurá-la. — Ainda não… — murmurou para si. Mas o tempo, como sempre, não pediu permissão. Os dias passaram rápido. Reuniões. Telefonemas. Mensagens
Capítulo 25 — Verdades à Meia-Luz
Nathália precisava de ar. A mansão estava linda. Lustres enormes. Música suave. Conversas medidas. Risos calculados. Mas os olhares… aquilo a sufocava. Cada passo ao lado de Ricardo parecia observado demais. Avaliado demais. Comentado demais. Avistou uma pequena varanda lateral e caminhou até lá sem chamar atenção. Abriu a porta de vidro. O jardim se estendia enorme diante dela. Caminhos iluminados por luzes embutidas no chão. Árvores altas. Fontes discretas. A noite morna carregava cheiro de flores. Ela respirou fundo. Fechou os olhos por um segundo. Tentando organizar os pensamentos. A sensação constante de estar entrando num território que não tinha sido feito para gente como ela. Ainda. Ouviu passos atrás de si. Firmes. Deliberados. Antes mesmo de virar… soube. Joyce. — Olha só quem está aqui… — a voz veio doce demais para ser inocente. — Não sabia que secretária podia frequentar eventos assim. Veio como funcionária? — Eu
Capítulo 26 — Ameaça e Verdades
Ricardo caminhava pelo salão com o maxilar tenso. Foi quando sentiu a presença antes mesmo de ver. Passos firmes. Perfume caro. Quando ergueu o olhar… parou. Jorge Lemann vinha na direção oposta. Terno escuro impecável. Cabelo grisalho penteado para trás. O tipo de homem que não precisava anunciar quem era. Os dois reduziram o passo no mesmo instante. Olhar contra olhar. Avaliação silenciosa. — Jorge Lemann. — Ricardo Rocha. — respondeu com calma. — Soube que estava me investigando. — Tem um minuto? — Já sei. Ela ainda não sabe. Você está tentando protegê-la. Eu admiro isso. Ricardo fechou a mandíbula. — Nathália parece durona, mas é doce. Cresceu sem pai. Não vou permitir que alguém entre na vida dela bagunçando tudo. — Concordo. — Jorge assentiu. — Mas tenho direito… e ela também. A decisão será dela. Ricardo sustentou o olhar. — Enquanto ela não souber… ninguém chega perto. — Justo. Mais o relógio está correndo. Antes de sair, Jorge comp
Capítulo 27 — O Momento de Conta
O trajeto até a cobertura foi silencioso. Não um silêncio desconfortável. Mas daquele tipo carregado. De pensamentos que ninguém queria dizer em voz alta ainda.No banco de trás do carro, Ricardo entrelaçou os dedos aos de Nathália, a outra mão pousando sobre a coxa dela de forma instintiva.O motorista mantinha os olhos na estrada, discreto demais para existir.Nathália observava a cidade pela janela.Perdida nos próprios pensamentos.Luzes correndo lá fora.Reflexos no vidro.A imagem da mansão…de Joyce…de Jorge…de Carlota…voltava em flashes. Quando entraram no quarto, Nathália soltou os saltos perto da porta. Caminhou direto para o banheiro. — Vou tomar banho… — avisou baixo. A água quente caiu sobre seus ombros, mas não levou embora a inquietação. Quando voltou, usava uma camisola vermelha simples, de tecido leve. O cabelo ainda úmido. O rosto limpo. Pensativo. Sentou-se na beira da cama. Ricardo aproximou-se. Beijou-lhe a têmpora. Depois os láb
Capítulo 28 — Movimento no Jogo
Eles marcaram de se encontrar naquela noite. Ricardo queria escolher as palavras com cuidado. Não jogar a informação como uma bomba. Não assustar. Não empurrar Nathália para uma decisão antes de ela sequer entender o tamanho do que estava diante dela. O resto do dia seguiu aparentemente normal. Relatórios. Assinaturas. Telefonemas. Mas a sensação estranha… não o largava. Francisca entrou na sala. — Senhor Rocha… o diretor de marketing quer apresentar o novo projeto. Já encaminhei ele para a sala de reuniões. Ricardo assentiu. — Tudo bem, Fran. Um minuto e já vou. Ela saiu. Ricardo se levantou. Pegou o telefone. Caminhou até a porta… e então parou. Aquela sensação. De novo. Como se estivesse sendo observado. Virou o rosto lentamente. Nada. Sala vazia. Silêncio. Balançou a cabeça. — Impressão minha… — murmurou. Saiu em direção à sala de reuniões. Atrás do sofá de couro claro… a mulher prendeu a respiração. Só saiu quando t
Capítulo 29 — Família por Escolha.
A porta se abriu. E Nathália congelou. Eloise. Emma. Laís. Sofia. Alana. As cinco entraram juntas. Sérias. Nenhuma sorrindo. Nenhuma brincando. Aquela formação… não era casual. — Oi…? — Nathália murmurou, confusa. Ela não entendeu nada quando Ricardo pediu para que ela se sentasse. Não foi o pedido. Foi o jeito. Calmo demais. Cuidadoso demais. Como se estivesse tentando segurar algo frágil dentro das próprias mãos. A cobertura estava silenciosa. As luzes suaves. A cidade espalhada atrás das janelas enormes. Mas dentro dela… tudo parecia inquieto. Emma foi a primeira a se aproximar. — Vamos ser claras, diretas. — disse, sentando em uma ponta do sofá. — Gente… o que tá acontecendo? Laís fechou a porta. Sofia cruzou os braços. Alana encostou no balcão. Eloise ficou de frente para ela. Todas olhando. Protegendo. Ricardo respirou fundo. — Antes de qualquer coisa… — disse baixo. — eu preciso que você escute tudo até o fim
Capítulo 30 — Conversas Importantes
Os dias passaram. O inverno começou. Com mais frio. Ricardo entrou no prédio da empresa Lemann. Quando as portas do elevador se abriram no andar da presidência, uma funcionária aproximou-se. — Bom dia, senhor Rocha. O senhor Jorge já está aguardando. — Bom dia. Obrigado. E seguiu a moça. Entrou na sala. Jorge Lemann estava em pé diante da enorme janela, uma xícara de café na mão, observando o céu nublado. Imponente. Silencioso. A funcionária saiu, fechando a porta. — Bom dia, Jorge. — Bom dia, Ricardo. Aceita um café? Está fresco. — Sim. Obrigado. Jorge serviu a bebida e fez um gesto para que ele se sentasse. Ricardo acomodou-se na poltrona. — Então… — Jorge começou. — Gostaria que fôssemos direto ao assunto? — É melhor. Ricardo colocou a xícara na mesinha central. Respirou fundo. — Sabemos que há uma grande coincidência entre a filha que você procura e Nathália. Muitas informações batem. Jorge o interrompeu, firme: — Todas. Todas as i
Capítulo 31 — Vozes Que Ferem
Nathália não conseguiu trabalhar naquela manhã. Pediu o dia de folga alegando dor de cabeça. Não era mentira. Mas também não era tudo. Andava pela cobertura como se o chão estivesse inclinado. Parava. Respirava fundo. Voltava a andar. Sentava no sofá. Levantava de novo. Ensaiava conversas inteiras na cabeça. Frases educadas. Perguntas neutras. Respostas firmes. Quase desistiu três vezes antes das dez da manhã. Quando Ricardo chegou às onze, ela estava sentada no sofá, abraçando uma almofada, olhando para nada. — Amor? Ela se virou rápido. Os olhos tensos. — Não vou mais. Ricardo parou. Depois caminhou até ela devagar. Sentou ao seu lado. Pegou suas mãos. — Calma, amor. Nathália soltou o ar em um suspiro nervoso. — Eu tô muito nervosa… não sei… não quero. — Você está sofrendo antes da hora. Eu prometo nunca soltar a sua mão durante o almoço. Ela mordeu o lábio. — Eu não consigo cortar carne com uma mão só. Ricardo riu baixo.