All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 91
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Capítulo 62: De volta ao lar
A chuva agora eram apenas respingos e vento frio, mas a trilha logo cedeu lugar a pedra, depois a cascalho, depois ao deserto. A cada passo, a lama virou poeira, e a poeira virou pó cortante que rachava a boca.Melia e Juno caminharam acorrentadas, tornozelos unidos por um elo curto, os pulsos queimando dentro de argolas de prata. Juno estava nua mas aquilo parecia apenas divertir os carnifices enquanto Melia andava com as roupas agora esfarrapadas, o tecido mal a cobria e não aquecia nem um pouco. Os guardas puxavam a corrente quando a passada diminuía, e a passada diminuía porque os pés doíam, e os pés doíam porque, a essa altura, os dedos já estavam sangrando.O sol era o pior inimigo das duas.A luz fez a pele arder, a prata invadiu o sangue com gosto metálico. Não tinham água e os soldados fazam questão de beber na frente delas para deixá-las ainda mais sedentas.— Tá com sede? — zombou um, com sotaque de Obsidian, balançando a corrente. — Então anda, favorita, quanto mais rápido
Capítulo 63: Dance para seu companheiro
O pátio interno os engoliu. Guardas em formação, estandartes com o lobo ruivo costurado, músicos tocando algo grave só para marcar o poder de quem chegava. Concubinas veladas atravessavam passagens altas, levando bandejas de bronze, perfumando corredores. O castelo tinha duas caras: a dos salões públicos, enormes, com pilares polidos, fogo sempre aceso e música; e a das alas internas, silenciosas, um labirinto de cortinas, quartos, janelas altas que mostravam as florestas secas de Obsidian até onde os olhos alcançavam.Assim que pararam na parte interna do castelo, Van separou as duas.— A prateada — ele apontou Melia com a mão, sem tocá-la — ala real. Deem um bom banho, quero os melhores perfumes e tratamentos, ponha a roupa mais bonita. — Olhou para ela como quem experimenta um vinho raro. — Hoje à noite será especial.— E a outra? — um capitão perguntou, segurando Juno pelo braço.— Harém comum. — A palavra bateu seca. — Limpa. Costure as costas para não sujar minhas almofadas. De
Capítulo 64: Minha Bunny
No trono, Van Smaill assistia, quieto, olhos de predador, um olhar que não saía de Melia. A musica ecoava por toda parte e todos pareciam nervosos esperado ela obedecer, afinal, ninguém dizia não para o rei.Ela ficou parada no centro do piso polido, a máscara de coelho na mão. O tecido claro grudava na pele recém-perfumada, a corrente fria no tornozelo lembrava que “beleza” ali significava posse. Melia manteve o queixo erguido, mesmo com o estômago embrulhado tentando manter pelo menos um pouco de dignidade.— Coloque — Van disse, simples.Melia respirou uma vez e colocou a máscara. A sala riu baixo, como se um segredo tivesse sido confirmado, Van reclinou-se um pouco, o braço no apoio, um dedo batendo no metal do trono, paciente.— Tragam a outra.As portas laterais abriram e Juno entrou entre dois guardas, vestia quase nada, o corpo ainda marcado, com algumas feridas agora meio cicatrizadas, quase completamente amostra. A pele ainda mostrava marcas recentes, havia uma costura fina
Capítulo 65: Você sabe como acabar com isso
Van desceu os degraus sem pressa e parou à frente de Melia. Estava perto o suficiente para que ela sentisse o cheiro de metal e especiarias do corpo dele. As mãos dele se aproximaram dos ombros dela como correntes invisíveis, e o salão inteiro ficou em silêncio.— Minha Bunny — sussurrou, inclinado, a voz tocando só a orelha dela. — Quanto mais você luta, mais interessante fica, sabia?Ele tentou beijá-la e Melia não virou o rosto, na verdade quando as mãos fortes dele prenderam seus cabelos e a boca quente de Smaill pressionou a sua, a morena abriu a boca e prendeu as presas no lábio inferior dele, mordendo com toda força que conseguiu, sentindo o gosto metálico de sangue encher seus sentidos. Os dedos de Smail puxaram com força os cabelos dela a afastando e passando a mão livre na boca, encarando o sangue com uma expressão surpresa.— Ah… — ele riu baixo, olhando o próprio lábio. — Assim que eu gosto, selvagem… Adoro domar sua amiguinha sabe disso. A porta ao fundo abriu de novo e
Capítulo 66: O rei e suas presas - parte 1
Dois dias. Só dois dias, e parecia que um ano inteiro havia passado.Melia não media o tempo pelo sol nas fendas das janelas, mas pelos toques na porta, pelos passos dos guardas, pelo cheiro do óleo que as servas passavam no corpo dela como se fossem polir uma joia roubada. A suíte “reservada” do harém era um luxo que doía: cortinas pesadas, espelhos altos, almofadas macias demais para quem queria lembrar que ainda estava viva.Ele veio logo quando amanheceu.Van entrou sem anunciar, o manto escuro roçando a pedra, e parou no centro do quarto tampando toda a luz que vinha da porta. Os olhos dele, claros, tinham aquela calma de quem decidia tudo por todos. Naquela noite quando ele tentou obrigá-la a aceitá-lo Melia não sabe quantas horas tinha ficado olhando enquanto ele torturava Juno mas sua amiga resistiu como pôde e, desde então, as duas não tinham se visto. — Dormiu, Bunny? — perguntou, a voz macia usando o maldito nome que Corin tinha dado pra ela na boate. Melia não respondeu
Capítulo 66: O rei e suas presas - parte 2
— A gente ouviu sobre vocês — Justine completou, baixinho. — As mais velhas falaram para a gente contar as coisas pra vocês… Precisam saber, assim conseguimos nos ajudar. Sentaram com elas, meio escondidas pela sombra, ali todas aprendiam bem rápido que qualquer conversa tinha que ser sussurrada.— Aqui… — Emma olhou ao redor, escolhendo bem as palavras. — Só as bonitas sobrevivem. As outras… somem. — Mordeu o lábio. — A gente aprende a não perguntar pra onde.— Tem soldado que é… mais gentil — Justine arriscou, fazendo um gesto discreto com a mão. — Trazem presentes. Pão doce, vela, às vezes um tecido. — Deu de ombros, com a sabedoria amarga de quem já viu muito para pouca idade. — Algumas já conseguiram até armas facas, deixamos tudo guardado pra quando finalmente conseguirmos… Lutar. — O rei gosta de caçar — Emma prosseguiu, e a palavra “rei” saiu com aspas invisíveis. — Coleciona presas. — ela ergueu levemente o top, mostrando uma cicatriz na lateral do peito, um V queimado, com
Capítulo 67: Sujeira e lágrimas
Oito dias. E Melia já nem contava mais.No pátio do harém, a manhã começou agitada como sempre com as mulheres se preparando para mais um dia. Juno já andava sem mancar tanto; os pontos nas costas cicatrizavam devagar por causa do mata-lobos. Mesmo assim, ela levantava antes das outras, ajudava a carregar bacias, arrumava o que podia, ajudava as mais novas. Quanto mais ativa se sentia, melhor sua cabeça funcionava e ela evitava se entregar à tristeza.— Segura isso aqui, por favor — pediu a uma menina, passando toalhas limpas.Então, um grito veio do corredor de serviço, seco e rápido. Juno correu e encontrou duas concubinas que tentavam abrir uma porta emperrada; por baixo, podiam ver uma sombra se debatendo levemente.Juno afastou as duas mulheres e se jogou contra a porta duas ou tres vezes antes dela finalmente ceder. Dentro, a luz de janela alta cortava um quadrado pálido na parede. No centro do quadrado, uma figura pendurada numa tira de lençol trançado, batendo os pés fraco e c
Capítulo 68: Volta pra mim
Quando Van finalmente deixou o quarto, Melia desabou.Não houve elegância no colapso. Primeiro veio a falta de ar, aquele tipo de desespero que entra sem bater. Depois, o choro, grande, feio, daqueles que não cabem em peito algum. Ela caiu de costas, virou de lado, encolheu-se até encostar o queixo nos joelhos e ficou ali, agarrada em si mesma, balançando devagar, como quem tenta embalar uma criança que não se cala.— Killer… — o nome saiu mastigado. — Você não pode ter morrido… Não pode ter me deixado… Foi tudo culpa minha…As mãos tremeram até doer. A coleira pesava na base do pescoço, o couro roçando a pele, lembrando cada segundo que o rei dissera “duas semanas”. A cabeça virou um cinema que só passava uma cena: o uivo cortado na mata, o sangue, o orgulho de Van ao matar seu companheiro. A cada repetição, Melia gritava, cada vez mais alto.O grito atravessou a cortina, o corredor, e atingiu o pátio do harém. A primeira a correr foi Juno, depois, Emma e Justine. E, como água que tra
Capítulo 69: O funeral - parte 1
Choveu até a metade do caminho, depois, o céu só ficou cinza, pesado, como se a nuvem quisesse desabar e não soubesse quando. Trash e Liza avançavam devagar, levando o corpo de Killer numa maca de madeira escura, coberto por um manto prateado com o brasão dos Dentes de Prata bordado a mão. Atrás deles, todos os que haviam resistido até ali, soldados feridos assustados com a morte do lider que sempre os guiou para a vitória. Ninguém falava, só havia o barulho de passos, um pigarro perdido e alguns gemidos de dor ou tristeza que, vez ou outra se destacavam entre o grupo.Quando cruzaram o portão, os guardas correram para a entrada e abaixaram a cabeça. A notícia já tinha corrido mais rápido que eles. Killer Knight, o alfa que sempre foi visto como o mais forte e invencível, aquele que detinha todo poder sobre as terras de Valtheria, voltava em silêncio. A cada rosto, o mesmo reflexo: a pergunta que ninguém queria fazer em voz alta.E agora?No jardim central, onde normalmente havia semp
Capítulo 69: O funeral - parte 2
— O senhor apoiou uma guerra aberta sem qualquer chance de vitória — rosnou o ancião mais velho, voz rouca. — E agora todos vamos pagar por isso. — Olhou de lado para Beatrice, os olhos analisando a ruiva com aprovação. — Nos falta prudência, nos falta… diplomacia.— Prudência é correr na frente do rei que acabou de matar seu alfa com uma bandeira branca? Diplomacia é negociar com um homem que acabaria com qualquer um aqui sem pestanejar? — Liza devolveu, incrédula, a perna ainda mancando e, mesmo assim, pronta pra arremessar a própria muleta na cara de quem fosse. — Prudência pra mim é não entregar a alcateia na mão de umazinha que não tem direito nenhum de estar neste posto. Já ouvi o que estão falando!— Não insulte — um segundo ancião rebateu, ferido no orgulho como se o ataque fosse a ele. — As palavras de Beatrice… são… — procurou uma palavra bonita e achou “lúcidas”. — …lúcidas. E você nã tem direito de fala, não é desta alcateia, volte com sua companheira para a casa de vocês,