All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 161
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Capítulo 127: Não toca na minha mãe!
Killer sentia cada batida do coração de Melia como se fosse a última. Os braços dele a seguravam firme, e só de tê-la ali, respirando contra o peito, já era mais do que ele acreditava merecer. Ao sair do castelo, a luz cinzenta de Obsidian o cegou por um instante, mas logo ele viu, uma alcateia inteira à espera, uma legião marcada pelo sangue e pela esperança de sobreviver ao impossível.Atrás dele, Connan caminhava, o corpo nu coberto de cortes, o rosto jovem endurecido por tudo o que acabara de viver. Ele andava ereto, mas os olhos estavam partidos, não de medo, mas de quem sabia que a herança era uma sentença e não um prêmio.Do lado de fora, os lobos da Dentes de Prata, Fogo Negro e aliados explodiram em uivos de celebração ao ver Killer carregando Melia, mas o clima era denso, um misto de vitória e exaustão. Os soldados de Obsidian, devastados e fracos, jaziam pelo campo, muitos ajoelhados, outros apenas sentados entre cadáveres dos seus.Foi Connan quem rompeu o silêncio, ele pa
Capítulo 128: A verdade sobre Thomas
A clareira diante do castelo de Obsidian, agora tomada por feridos, lobos ajoelhados e cadáveres, era palco de um silêncio que gritava mais que todos os uivos de guerra. Killer sentia Melia tremer nos braços, os olhos dela buscando os dele como se tentassem ancorar no único ponto de certeza que ainda restava. Ao lado deles, Connan permanecia de joelhos, a cabeça baixa, sentindo o peso da coroa recém-conquistada, como se cada gota de sangue no chão sussurrasse histórias de tragédia e sacrifício.Ali, no epicentro de um mundo devastado, a família da Fogo Negro terminava de ruir, e ninguém, nem deuses, nem monstros, nem reis, podia evitar o fim que se aproximava.Elaina, suja, furiosa, completamente fora de si, se agarrava a Thomas como se o filho fosse um escudo, como se a presença dele pudesse afastar todos os castigos merecidos e, ao mesmo tempo, protegê-la de um destino que sempre foi só dela. Os olhos da outrora Luna não tinham mais nenhum vestígio de humanidade, apenas medo, ódio e
Capítulo 129: Um futuro de paz
O caminho de volta para a Fogo Negro era uma travessia silenciosa e solene. Killer caminhava ao lado de Melia, o braço forte passando pelas costas dela, como se dissesse para todos, e principalmente para os deuses, que ninguém mais tocaria nela. Os lobos de ambas as alcateias iam atrás, a maioria ainda marcada de sangue e lama, mas havia nos olhos deles algo que não se via desde antes das primeiras traições: esperança.Connan ficou em Obsidian, escoltando seus soldados feridos, cuidando dos sobreviventes, já vestindo o peso de um rei jovem, tentando reerguer um reino partido. Liza, Trash e Juno seguiam com Killer, de volta ao lar, estavam exaustos, mas também se sentindo em paz e vitoriosos Smaill estava morto, ele não machucaria mais ninguém. Quando chegaram aos portões da Fogo Negro, os guardas abriram passagem sem hesitar, os olhos grudados no Alfa da Dentes de Prata, na Luna prateada, no filho de Cairus, agora mais homem do que nunca. O cheiro do lar era diferente, mais limpo, qu
Capítulo 130: Um novo ciclo
Connan, de pé diante de um trono que já fora palco de crueldade, olhava o salão lotado. Soldados e criados, antigos aliados de Smaill, mulheres do harém, lobos e lobas de olhos curiosos, todos em silêncio.Ao lado do novo rei, a velha bruxa apoiava-se em um cajado retorcido. Olhava Connan com algo como orgulho, como se finalmente visse um novo tempo nascer. O rapaz, ainda com as marcas da guerra nos braços, fitava a multidão com um olhar forte e decidido. Ele era jovem, mas ali, cercado pelos ecos do passado, parecia ter milênios nos ombros.Quando o círculo se fechou ao seu redor e o silêncio ficou quase sagrado, a bruxa ergueu a voz rouca, proclamando o nome do herdeiro:— Diante dos olhos de Obsidian e dos deuses antigos, coroo Connan, filho de Yelena e sangue da linhagem do Norte, legítimo rei deste reino!Um murmúrio atravessou o salão, depois gritos, alguns uivos de saudação. A bruxa colocou na cabeça dele a coroa pesada de prata escurecida, ornada de pedras opacas. Por um momen
Capítulo 131: Devolvam a princesa!
Dez anos tinham passado como um sopro.A Dentes de Prata estava diferente, maior, mais viva, marcada por reconstruções, novas casas, jardins mais amplos e um cheiro constante de lar. A alcateia crescera em número e em força, mas também em algo mais raro: estabilidade. A guerra ficara no passado como uma cicatriz antiga, ainda visível, mas que já não doía ao toque. Todos se lembraram de Smaill, da dor que ele causou, mas também sabiam que agora ele não passava de um nome que ficou no passado.Naquela manhã, no entanto, havia um tipo especial de agitação no ar.Bandeiras prateadas e azuis pendiam das varandas, fitas cruzavam os corredores da mansão, flores cobriam o jardim principal como se a própria terra quisesse celebrar. Risadas ecoavam, passos apressados cruzavam o pátio, e o cheiro de comida fresca se espalhava desde cedo.Era o aniversário de dezenove anos de Apprys.Melia subia as escadas da mansão com passos tranquilos, uma mão apoiada de leve na barriga já arredondada. A gravi
Capítulo 132: Seu noivo
O sol refletia nas armaduras e todos ali pareciam saídos direto de um livro de contos de fadas onde o príncipe forte, bonito e de olhos claros comanda o exército para salvar sua princesa de um dragão. Acontece que a princesa não precisava ser salva, mas ele não entendia isso.Instinto.Foi isso que tomou Killer primeiro.Ele se moveu antes mesmo de pensar, o corpo grande avançando, colocando-se à frente de Apprys num gesto protetor. Os ombros se alargaram, a postura mudou, e quando ele ergueu o rosto, os olhos já ardiam em vermelho vivo, o vermelho do Alfa verdadeiro. A presença dele pressionou o ar ao redor, fazendo até os lobos mais jovens baixarem a cabeça sem perceber.— Ninguém dá mais um passo — a voz de Killer saiu baixa, grave, completamente ameaçadora. — Este é território da Dentes de Prata, vocês cruzaram meus portões sem permissão. Se querem sair vivos, é melhor se explicarem agora.Ao lado dele, quase no mesmo instante, Cairus se posicionou, firme, silencioso, o corpo tens
Capítulo 133: O vinculo
O silêncio que ficou depois da retirada dos elfos era pesado, denso, quase palpável. A música tinha parado, as luzes ainda estavam acesas, as mesas cheias, mas nada parecia realmente em festa. A Dentes de Prata respirava em alerta, como um lobo ferido que se recusa a baixar a guarda.Killer foi o primeiro a se mover, envolveu Apprys num abraço forte, protetor, um braço largo puxando a filha para junto do peito, o outro envolvendo Melia, que ainda sentia o coração acelerado demais para uma noite que deveria ser apenas de celebração. A jovem elfa se deixou acolher, o rosto enterrado no ombro do pai, os dedos apertando a camisa dele como se tivesse medo de que tudo aquilo fosse arrancado dela num piscar de olhos.— Tá tudo bem… — Killer murmurou, a voz grave, baixa, só para ela ouvir. — Ninguém vai te tirar daqui, nunca.Melia passou a mão pelos cabelos claros da filha, com aquele carinho de quem já perdeu demais para permitir que o destino volte a cobrar algo. Beijou a testa de Apprys,
Capítulo 134: O reino isolado
A porta da sala de reuniões se fechou com um som pesado, o clique da madeira ecoou pelo corredor longo da mansão da Dentes de Prata como um aviso silencioso de que algo sério estava sendo decidido ali dentro. Apprys ficou parada diante dela por alguns segundos, as mãos entrelaçadas à frente do corpo, os ombros levemente curvados, como se carregasse um peso que não cabia em alguém tão jovem.Ela sabia que tudo aquilo tinha começado por causa dela.Do outro lado da porta estavam Killer, Melia, Cairus, Connan, Liza, Trash e outros aliados importantes, todos reunidos às pressas por causa dos elfos, por causa do nome Elaris que ressurgia depois de tantos anos como um fantasma. E Apprys… Apprys tinha ficado do lado de fora.A elfa mordeu o lábio inferior, sentindo o coração apertar. O jardim, que minutos antes estava cheio de risos, música e cheiro de bolo, agora parecia distante, quase irreal. A festa do seu aniversário havia sido engolida por uma tensão que ela não sabia nomear direito, m
Capítulo 135: Vamos protegê-la
A floresta ao norte da Dentes de Prata estava silenciosa demais os animais assustados com a estranha movimentação haviam se escondido e nem os pássaros cantavam mais. Entre árvores e raízes retorcidas, um acampamento se espalhava com precisão quase ritualística. Elfos caminhavam de um lado para o outro, silenciosos, eficientes, organizando armas, montarias e pergaminhos. Tudo era feito com disciplina fria, sem risadas, sem distrações. Apesar de, estranhamente, usarem armas medievais e não utilizarem da tecnologia humana, tinham magia, então haviam orbes de luz aqui e ali, caixas flutuando, lâminas que brilhavam estranhamente.No centro daquele mar de tendas brancas e douradas, erguia-se uma muito maior que as outras. O tecido era espesso, bordado com fios dourados que refletiam a luz. No topo, costurado com orgulho, brilhava o símbolo do sol, o emblema da realeza de Elaris.A tenda real.O chefe da guarda empurrou a entrada com cuidado e entrou, curvando a cabeça em respeito imediato.
Capítulo 136: O levantar de um novo deus
Muito longe dali, além das montanhas azuis que separavam os reinos conhecidos do mundo antigo, erguia-se Elaris.O reino dos elfos não era feito para olhos humanos ou lobos comuns. Era um lugar onde a magia não era apenas sentida, ela respirava. As torres se erguiam como colunas de luz esculpidas em pedra branca, entrelaçadas com ouro vivo que parecia pulsar sob o sol. Pontes suspensas cruzavam jardins suspensos, e cascatas cristalinas desciam por degraus naturais.No coração daquele esplendor, o Grande Castelo de Elaris dominava a paisagem.A sala do trono era vasta, aberta ao céu por arcos altos, permitindo que a luz dourada do entardecer banhasse o mármore claro do chão. Símbolos solares estavam gravados em cada coluna, cada parede, cada degrau que levava ao trono. O ar era perfumado por flores mágicas que jamais murchavam, mas por trás da beleza havia algo frio… calculista.Sentado no trono de pedra branca e ouro puro estava Ivon, rei de Elaris.Ele aparentava cerca de quarenta an