All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 171
- Chapter 180
224 chapters
Capítulo 137: O vendo pela primeira vez
A noite havia caído sobre a Dentes de Prata como um manto pesado, silencioso demais para um território que sempre pulsara com uivos, passos e vida. Dois dias haviam se passado desde o aniversário de dezenove anos de Apprys, e pela primeira vez desde que se lembrava, o lugar parecia… assustado. Como se todos estivessem prendendo a respiração, esperando algo que ninguém ousava nomear em voz alta.Apprys estava sentada em um dos bancos de pedra dos jardins frontais da mansão. As lâmpadas lançavam uma luz suave, dourada, refletindo em seus cabelos quase brancos e fazendo seus olhos lilases parecerem ainda mais profundos. Ela usava um vestido simples, claro, nada da pompa da festa recente. Os pés descalços tocavam a grama fria, e os braços estavam cruzados sobre o próprio corpo, num gesto inconsciente de proteção.Se sentia… culpada.Culpada porque via os guardas em número dobrado. Culpada porque sentia o cheiro constante de tensão nos lobos. Culpada porque ouvira sussurros cessarem quan
Capítulo 138: Ataque surpresa
Os jardins, normalmente vivos com o som distante de insetos e o farfalhar constante das árvores, pareciam suspensos no tempo. Apprys ainda estava ali, pensando em tudo tão confusa que não sabia o que fazer ou o que sentir. Pensava em Connan, que por algum motivo parecia estar sempre ali em sua mente desde o dia do seu aniversário e… Talvez… Até antes numa paixonite que ela julgou ser sempre só uma coisa boba de adolescente. Pensava nos elfos, em seus pais, em sua mãe e no motivo dela ter fugido de Elaris. “Por que me tirou de lá?”, se perguntava, mas sabia que ela não poderia responder não mais. Já devia ter entrado fazia horas, mas não conseguiu. Cada passo em direção à casa parecia pesado demais. Desde o aniversário, desde a aparição do elfo loiro e suas palavras afiadas, tudo havia mudado. A alcateia estava em alerta constante, os risos tinham diminuído, até os mais jovens, que normalmente ficavam tranquilos mesmo com o clima de tensão, pareciam nervosos temerosos de terem que tã
Capítulo 138: Fuga
— Leva a minha filha daqui!Connan franziu o cenho, surpreso.— Do que você está falando? — perguntou, genuinamente confuso, o coração já acelerando sem entender por quê. — Não posso simplesmente sair daqui e deixar vocês lutarem sozinhos!Melia não desviou o olhar.— Sua prioridade deve ser protegê-la, ela é sua companheira.Estava prestes a retrucar, mas o mundo pareceu ceder sob os pés de Connan. Por um instante, nenhum som existiu além do bater do próprio coração. O vínculo, aquele fio invisível que ele vinha tentando negar desde o aniversário de Apprys, se retesou, pulsando com força suficiente para doer.— Melia… — ele começou, mas ela o interrompeu.— Agora é a vez de você cumprir o seu papel — disse, firme. — Enquanto nós defendemos esta alcateia, você protege a minha filha.Killer se aproximou, colocando-se ao lado da companheira. Não havia hesitação em sua postura, nem dúvida no olhar vermelho que encontrou o de Connan.— Leve Apprys para Obsidian — confirmou o alfa da Dente
Capítulo 139: Perdas dos dois lados
A transformação veio rápido e urgente.O uivo de Killer ecoou pela Dentes de Prata e foi respondido quase imediatamente. Um por um, lobos surgiam de todos os lados, aliados que ainda permaneciam na alcateia após a festa de Apprys, guardas, guerreiros, jovens que nunca tinham sentido o gosto real da guerra. A terra tremia sob patas enormes, o ar se enchia do cheiro metálico de adrenalina e medo.Era guerra. De novo.Killer sentiu o lobo rasgar a pele e assumir o controle, músculos expandindo, ossos se rearranjando num estalo que doía e libertava ao mesmo tempo. Os olhos vermelhos varreram o pátio, avaliando rotas, ameaças e posições. Ele pensava em estratégia, em defesa… até sentir.Melia.Ela também se transformava.“Melia, não!”, o rugido dele atravessou o link mental com força suficiente para estremecer quem estivesse conectado.Mas ela já corria.A loba prateada surgiu, veloz, poderosa, bela e letal. O pelo claro refletia a luz da lua, os olhos prateados faiscando com uma determin
Capítulo 140: Sob a proteção do rei
Connan não diminuiu a velocidade nem quando sentiu o próprio corpo protestar.Apprys estava desacordada sobre seus ombros, leve demais para alguém que carregava tanto peso no destino. O corpo da elfa balançava com cada passada larga, os cabelos claros escorrendo pelas costas dele, o cheiro dela misturado ao de fumaça, magia e sangue que ainda impregnava.O coração de Connan batia descompassado.Não apenas pelo esforço físico, mas pelo vínculo.Ele sentia.Sentia o medo dela, mesmo inconsciente. Sentia a dor, a confusão, o impacto que ainda ecoava no corpo frágil da garota. Cada passo era guiado por um único instinto: tirar Apprys dali.A fronteira surgiu à frente como uma linha invisível entre o caos e algo que ainda poderia ser chamado de lar.Connan cruzou sem hesitar.O ar de Obsidian já não era o mesmo.Não havia mais aquela névoa escura e sufocante que parecia se agarrar à pele, nem o cheiro constante de morte e podridão. A floresta ao redor da estrada principal estava viva, árvo
Capítulo 141: Meias verdades
Connan congelou.A pergunta dela pairou no ar como uma lâmina invisível, afiada demais para ser ignorada.— Você sente algo por mim?Por um instante, ele não conseguiu respirar.O lobo dentro dele reagiu primeiro.Foi um impulso primitivo, quente, violento. O vínculo rugiu em suas veias, exigindo posse, exigindo proteção, exigindo que ele a puxasse para si e marcasse aquela pele, aquela mulher como sua. As presas quase romperam a gengiva, os olhos arderam em vermelho vivo.Marcar. Reivindicar. Nunca mais deixar ninguém tocá-la.Mas ele fechou os olhos com força.Não.Ele respirou fundo, uma vez… duas… três.Quando voltou a encará-la, havia controle em seu rosto, mas não calma.Ele se afastou.Deu um passo para trás, criando distância física como se aquilo fosse capaz de conter o caos dentro dele. As mãos cerraram em punhos ao lado do corpo, as veias saltadas nos antebraços denunciando o esforço absurdo que fazia para não ceder.— Apprys… — começou, a voz mais grave do que pretendia.
Capítulo 142: Extermínio
Algumas horas antes.O caos se instalou na Dentes de Prata como uma praga.O pátio que minutos antes ainda cheirava a fumaça e magia agora era atravessado por gritos, ordens desencontradas e passos apressados. Lobos corriam em todas as direções, alguns ainda feridos, outros em choque, mas um grupo específico avançava como se o mundo estivesse acabando.Melia.O corpo da Luna era carregado às pressas, envolto em mantas ensanguentadas. Ela estava inconsciente, o rosto pálido demais, os lábios azulados, o cheiro de sangue forte demais para ser ignorado.— Mais rápido! — alguém gritou.Killer corria ao lado da maca, em forma humana, as mãos manchadas de vermelho, os olhos vermelhos demais, selvagens demais. Ele não sentia o chão sob os pés, não ouvia mais nada além do próprio coração batendo como um tambor de guerra dentro do peito.— Ela não vai morrer — repetia, como um mantra. — Ela não vai morrer… Nem ela, nem meu filho…Quando atravessaram as portas do hospital da alcateia, as enferm
Capítulo 143: A ultima chance
ObsidianAs portas do castelo se abriram com um rangido grave quando Connan e Apprys atravessaram o grande salão de entrada.O lugar estava em alerta máximo.Guardas armados ocupavam as laterais, tochas iluminavam as paredes de pedra clara e o som distante de ordens ecoava pelos corredores. Obsidian não dormia naquela noite, estavam se preparando para uma guerra.Apprys mal teve tempo de olhar ao redor.Assim que seus olhos varreram o salão, ela a viu.— Alia!A jovem loba estava próxima às colunas, envolta em uma grande coberta escura, os cabelos ainda úmidos, o rosto pálido e o peito subindo e descendo rápido demais. Estava claramente exausta, havia corrido grande parte do caminho em forma de lobo para chegar rápido em Obsidian levar as notícias e ver sua amiga.A elfa correu em disparada sentindo os olhos arderem com lágrimas que tentou a todo custo conter.As duas se abraçaram com força, como se aquele contato fosse a única coisa que ainda as mantinha de pé. Alia enterrou o rosto
Capítulo 144: Não importa quanto custe
A dor veio em ondas.Não era uma dor comum.Era profunda, rasgando por dentro, como se algo estivesse sendo arrancado dela à força. A ferida mágica queimava e o sangue pingava da maca, fazendo a luna se contorcer de dor. Melia arqueou o corpo na maca, um grito rouco escapando de sua garganta enquanto as mãos se agarravam aos lençóis manchados de vermelho.— Não… — sussurrou, a voz falhando. — Por favor… salvem meu bebê…O cheiro de sangue era forte demais.As enfermeiras se moviam rápido ao redor dela, mãos firmes, rostos sérios. Uma segurava seu ombro, outra pressionava o ventre, murmurando palavras tranquilizadoras que soavam distantes demais.— Luna, olha pra mim — disse uma delas, firme. — Nós vamos salvar você também.Melia chorava.As lágrimas escorriam pelos lados do rosto enquanto o corpo tremia incontrolavelmente.— Eu não me importo comigo… — implorou. — Só… só não deixem meu bebê morrer… por favor…O vínculo gritava dentro dela.Ela sentia Killer.Sentia o desespero dele ec
Capítulo 145: Bruxas
ObsidianO quarto estava silencioso demais.As tochas presas às paredes lançavam uma luz suave sobre os móveis, fazendo as sombras dançarem lentamente, como se o próprio castelo respirasse. Apprys estava sentada na beira da cama onde estivera com Connan mais cedo, ainda pensava no que tinham conversado, ou começado a conversar, mas a preocupação sobre ele sentir algo por ela ou não parecia uma bobagem distante agora com as notícias sobre sua alcateia. Seus joelhos estavam puxados contra o peito, os dedos entrelaçados no tecido fino da camisola emprestada.Alia observava em silêncio por alguns segundos antes de se aproximar.— Como você tá? — perguntou por fim, a voz baixa, cuidadosa, tocando o ombro da amiga.Sabia que aquele momento era mais que difícil para a elfa.Apprys soltou um suspiro longo.— Eu não sei… — respondeu com sinceridade. — Parece que meu peito tá sempre apertado. Eu só quero que tudo isso acabe logo, essa guerra, esse medo… — ela balançou a cabeça. — Eu tô com muit