All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 181
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Capítulo 146: É uma menina
A casa estava silenciosa demais.Juno estava deitada na cama, o corpo coberto apenas por um lençol fino, a pele quente demais ao toque. O cabelo claro grudava na testa suada, os lábios ressecados se entreabrindo em respirações curtas e irregulares. O quarto era banhado pela luz alaranjada do fim de tarde que entrava pela janela, mas para ela tudo parecia distante, enevoado.Trash estava sentado ao lado da cama desde que o sol começara a descer.Ele segurava a mão dela com cuidado, como se tivesse medo de machucá-la só com o toque. O beta, que já havia enfrentado batalhas, monstros e a fúria de alfas, agora parecia completamente perdido diante da companheira. Sabia que ela não estava bem desde o hospital, mas Juno se recusava a falar, com medo de preocupa-lo demais por conta de tudo o que estava acontecendo. — Juno… — chamou baixo. — O que você tá sentindo?Ela gemeu em resposta, um som pequeno, contido, tentando não demonstrar o quanto doía.— Nada… — mentiu, apertando os dedos dele
Capítulo 147: Novas alianças
O céu sobre a Dentes de Prata estava pesado.Nuvens densas cobriam a lua, deixando a alcateia mergulhada numa penumbra inquieta, como se até a noite estivesse prendendo a respiração. O hospital ainda exalava cheiro de sangue, ervas e medo. Lobos iam e vinham em silêncio, passos apressados, olhares tensos.Melia ainda estava numa das salas, Killer não recebeu noticias por horas mas não saiu dali por um minuto sequer.Foi nesse clima que o aviso chegou.— Alfa… — um dos guardas apareceu no corredor, fazendo uma reverência rápida. — O grupo chegou, as… mulheres.Killer levantou os olhos devagar.Desde o ataque dos elfos, ele parecia feito de pedra. O rosto fechado, os olhos vermelhos sempre à flor da pele, o lobo inquieto, rondando dentro dele como uma fera enjaulada. Queria vingança, queria acabar com todos mas sabia que, dessa vez, lobos sozinhos não poderiam vencer aquela guerra.— Me leve até elas — respondeu, a voz grave.Do lado de fora, próximas à entrada principal da alcateia, el
Capítulo 148: O chamado da coroa
O castelo de Obsidian estava silencioso demais naquela noite.Não o silêncio opressor de antes, carregado de medo e servidão, mas um silêncio tenso, atento, como o momento em que o mundo prende a respiração antes de algo grande acontecer. Foi nesse clima que Apprys e Alia caminharam rápido pelos corredores laterais.— Aqui… Parece que tá vazio — sussurrou Alia, parando diante de uma porta.Era uma sala antiga, provavelmente um antigo salão de estudos, esquecida após a reforma do castelo. A madeira da porta rangia baixo quando Alia a abriu apenas o suficiente para as duas entrarem. Assim que passaram, Apprys fechou, encostando as costas na porta por um instante, respirando fundo.— Acho que ninguém nos seguiu — murmurou.Alia assentiu, observando o ambiente.A sala era ampla, com uma mesa grande no centro coberta por poeira, estantes vazias e janelas altas por onde a lua entrava, derramando luz prateada no chão de pedra. — Acho que vai servir — disse Alia, um pouco nervosa. — Mas voc
Capítulo 149: Sob a proteção do rei
O castelo de Obsidian parecia diferente depois do que acontecera.Não era algo visível, não uma mudança nas paredes ou nos corredores amplos, mas uma vibração sutil no ar, como se a própria fortaleza tivesse sentido o chamado da magia, e apenas aqueles com os sentidos mais apurados poderiam sentir…E Connan sentiu isso no instante em que atravessou o corredor.O lobo dentro dele se agitou, inquieto, rosnando baixo, um aviso instintivo de que algo havia acontecido.Ele acelerou o passo.Parou diante de uma das portas antigas, a mesma que normalmente permanecia fechada, pouco usada, como várias outras salas daquele castelo gigantesco que Smaill criara e ele precisava, em nome do bem do povo, manter. A madeira ainda parecia quente, como se tivesse absorvido energia demais.Connan abriu a porta sem bater.— Apprys? — chamou, a voz firme, mas carregada de preocupação.A cena que encontrou fez seu peito apertar.Apprys estava sentada no chão, encostada numa das estantes, os braços ao redor
Capítulo 150: Mais uma razão para vencer
A noite já havia tomado completamente a Dentes de Prata quando eles surgiram pela trilha que vinha da floresta.Alguns lobos de guarda foram os primeiros a perceber o movimento estranho entre as árvores. Dois vultos se aproximando devagar demais, tropeçando nas raízes, acompanhados por um cheiro forte de água doce, sangue e… vida nova, um cheiro diferente de qualquer outro lobo que eles conhecessem na alcateia.— Espera… — murmurou uma das lobas, estreitando os olhos. — Aquele ali é o Beta Trash?Iluminaram melhor o caminho e, quando finalmente os reconheceram, o alvoroço começou.Trash vinha com o corpo inclinado para frente, concentrado em cada passo. Usava apenas as calças, ainda molhadas, grudadas nas pernas fortes. O torso nu estava coberto por respingos de água do lago. Nos braços dele, envolta numa manta improvisada, estava Juno.Ela estava um pouco pálida, cansada, mas consciente.A manta cobria seu corpo até os ombros, e ela apoiava o rosto no peito dele tranquilamente, enqua
Capítulo 151: Atacamos ainda hoje
Trash ainda observava a porta do hospital quando a pergunta escapou de seus lábios.— Qual é o preço?A voz dele saiu firme,queria entender no que estavam se metendo, apesar de acreditar que Killer não daria um passo maior que a perna e que, com toda certeza, ele daria um jeito de pagar.Emma ainda mantinha o sorriso contido quando ele falou, mas não respondeu de imediato. Em vez disso, deu um leve passo para o lado e foi então que Trash viu três bruxas se aproximarem pelo caminho de pedras, caminhando devagar, quase em silêncio. Vestiam os mesmos tecidos fluidos, escuros, adornados com cristais e símbolos antigos. Entre elas, porém, havia uma quarta figura.Uma criança.A menina caminhava com passos inseguros, os braços colados ao corpo magro, como se tentasse ocupar menos espaço. Tinha cabelos pretos muito escuros, lisos, que caíam até quase a cintura. Os olhos grandes, de um castanho profundo, observavam tudo ao redor com cautela, lobos, construções, o hospital, como se visse tudo
Capítulo 152: Ele é meu
Mesmo horas depois de os curandeiros terem feito o possível para estancar as feridas, o odor metálico permanecia impregnado nos tecidos claros da tenda real, misturado ao cheiro amargo de ervas élficas e suor. Orion andava de um lado para o outro como um animal enjaulado, o tronco nu parcialmente envolto em faixas, o rosto marcado por cortes e hematomas que ainda ardiam a cada movimento.— Isso é inadmissível! — rosnou, a voz ecoando pela tenda. — Inadmissível!O general, um elfo mais velho de cabelos grisalhos presos num nó rígido, chamado Airon, mantinha-se de braços cruzados próximo à mesa de mapas. Ao redor, dois conselheiros observavam em silêncio tenso, claramente exaustos. A madrugada avançava, e nenhum deles havia dormido desde a retirada humilhante da Dentes de Prata.— Alteza — começou o general, num tom controlado —, nossos homens estão feridos, cansados. Perdemos magos, perdemos soldados experientes. Um novo ataque agora…— Não! — Orion se virou abruptamente para ele, os o
Capítulo 153: O cão e o príncipe
A floresta explodiu em caos.O acampamento élfico, que poucas horas antes ainda tentava se reorganizar em meio à exaustão e ao orgulho ferido, tornou-se um campo de morte em questão de minutos. Gritos ecoaram entre as árvores, misturados ao som de magia rasgando o ar, ao estalo de ossos quebrando e ao uivo enlouquecedor dos lobos.As bruxas avançaram primeiro.Não como os magos élficos, que precisavam de círculos bem definidos e palavras longas. As bruxas se moviam como sombras, os pés quase não tocando o chão, os vestidos escuros ondulando enquanto as mãos se erguiam em gestos precisos. Símbolos brilhavam no ar, antigos, tortos, cheios de poder bruto.Feitiços caíram como lâminas invisíveis.O primeiro grupo de magos tentou reagir, conjurando escudos apressados, mas a magia das bruxas não respeitava formas tradicionais. Um gesto curto, um sussurro quase inaudível… e o escudo se partiu como vidro, atravessado por uma energia negra que fez o mago cair de joelhos, gritando, antes de sil
Capítulo 154: Quanto vale o "futuro rei" de Elaris?
Orion riu, nervoso, desesperado demais para perceber o erro.— Acha que venceu? — provocou. — Você é só um animal com coroa! Eu sou o futuro rei de Elaris! Você deveria se ajoelhar quando fala comigo!O lobo dentro de Killer rosnou alto o suficiente para fazer os músculos dele tremerem e os olhos brilharem mais forte.— Engraçado… — Killer disse, aproximando-se mais um passo. — Porque, daqui de cima, você parece bem pequeno, fraco, inútil… Como uma criancinha perdida prestes a ser devorada pelo lobo mau… E eu nem preciso me transformar pra acabar com você.Orion tentou avançar, mas foi um movimento patético.Trash surgiu do nada, rápido como um borrão, aparecendo atrás do príncipe, agora também em forma humana. Um chute certeiro atingiu a parte de trás do joelho de Orion, que caiu com um grunhido de dor, o rosto batendo na terra úmida.— Elfo idiota — rosnou Trash. — Você fala demais.Orion tentou se virar, ainda tentando manter alguma dignidade.— Vocês… vocês não sabem com quem estã
Capítulo 155: Um rato
O grito ecoou pelo subterrâneo como o de um animal ferido.— ME SOLTA! — Orion berrou, o corpo se debatendo inutilmente contra as cordas presas ao teto. Os pulsos ardiam, os ombros queimavam, e os pés continuavam suspensos, incapazes de tocar o chão. — VOCÊ NÃO PODE FAZER ISSO!A voz dele ricocheteou pelas paredes de pedra, encontrando apenas silêncio como resposta.— Eu sou o herdeiro de Elaris! — continuou, a fúria misturada ao pânico. — Rei regente de Andromeda! Você vai pagar por isso, lobo imundo! Killer não respondeu.Estava sentado à frente dele, relaxado demais para aquele cenário. O corpo recostado na cadeira, uma perna cruzada sobre a outra, os cotovelos apoiados nos braços de madeira antiga. Observava Orion como quem observa um inseto preso numa teia.Os olhos vermelhos brilhavam na penumbra.Fazia muito tempo que não usava aquele calabouço… Desde a queda de Van Smaill a paz entre os lobos era algo real e ele não tinha mais carnifices ou qualquer outra alcateia invadindo s