All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 191
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Capítulo 156: Quando tudo acabar
O castelo de Obsidian nunca dormia de verdade.Mesmo depois de tudo o que havia sido reconstruído, depois da queda de Van Smaill e da limpeza lenta do sangue que manchava aquelas pedras antigas, ainda havia algo ali que permanecia desperto, uma vigilância constante, quase instintiva, como se a própria terra soubesse que a paz era frágil demais para ser tomada como garantida, principalmente naquele lugar.Connan sentiu isso no momento em que o mensageiro chegou.O lobo surgiu nos limites do pátio interno, correndo rápido, o corpo coberto de poeira e suor. Assim que atravessou os portões, desacelerou, mudando de forma em meio ao caminho. Caiu de joelhos diante do rei, o peito arfando.— Meu rei… — disse, curvando a cabeça. — Trago notícias da Dentes de Prata.Connan estava de pé, próximo a uma das colunas, observando a lua crescente entre as torres do castelo. Ao ouvir aquilo, virou-se de imediato, o corpo inteiro se tornando alerta.— Fale.— Orion foi capturado — o mensageiro disse, d
Capítulo 158: Desprotegidos
O mundo voltou devagar.Primeiro, foi o cheiro.Ervas amargas, madeira antiga, algo metálico no fundo do ar. Depois, o som, um silêncio pesado, quebrado apenas por uma respiração profunda, irregular, vinda de algum lugar perto demais.Melia abriu os olhos com dificuldade.A luz era baixa, filtrada por cortinas claras que balançavam suavemente com o vento. O quarto era familiar. As paredes de pedra clara, os símbolos de proteção entalhados acima da porta, a cama larga demais para um quarto comum.O hospital da Dentes de Prata.O corpo inteiro doía.Ela tentou se mexer e sentiu uma pontada aguda na barriga, fazendo-a soltar um gemido baixo.— Ei… calma.A voz veio rouca, sonolenta, Melia virou o rosto devagar e o viu.Killer estava sentado na poltrona ao lado da cama, o corpo grande quase espremido nela. Estava torto, claramente desconfortável, a cabeça caída para o lado, o braço pendendo solto. Parecia… exausto, mais do que ela já o tinha visto em muito tempo.Os cabelos estavam despen
Capítulo 159: Pelos nossos filhos
Os portões de Obsidian se abriram antes mesmo que os uivos ecoassem por completo.A cidade reconhecia seus aliados, e todos estavam com pressa.Killer foi o primeiro a atravessar, surgindo da mata em forma de lobo, o corpo enorme avançando pelo caminho de pedra ainda úmido pelo orvalho da manhã, adentrando o castelo. Atrás dele vinham Trash e outros lobos da Dentes de Prata, misturados a aliados de alcateias menores.Assim que passaram completamente pelos portões, um a um retomaram a forma humana.Connan já os esperava.Estava de pé no pátio principal do castelo, a postura firme, os ombros largos sustentando o peso de um reino inteiro. Ao lado dele, Apprys segurava a mão de Alia com força demais, os olhos atentos, arregalados, como se temesse que aquela cena fosse apenas mais um pesadelo prestes a se desfazer.Quando Apprys viu Killer, ela se soltou de Alia no mesmo instante.— Pai! — chamou, a voz falhando.E correu até ele.Não pensou em protocolo, em reinos, em guerras. Apenas corr
Capítulo 160: Quero a Luna viva
A sala de reuniões de Obsidian estava cheia.Não cheia de conforto, nem de esperança, cheia de tensão. O ar parecia pesado demais para os pulmões, carregado de expectativas, medo e algo mais antigo, mais instintivo: a certeza de que a guerra não era mais uma possibilidade distante, mas um destino inevitável.Killer estava de pé à cabeceira da mesa de pedra, as mãos apoiadas sobre a superfície marcada por mapas, símbolos e cicatrizes de batalhas passadas. O olhar vermelho varria cada rosto presente, alfas, betas, guerreiros, aliados improváveis.Connan permanecia ao lado dele, os braços cruzados, a postura rígida de um rei que sabia exatamente o peso da decisão que estava prestes a ser tomada. Estaria ao lado de Killer, não só pela lealdade que tinha a ele desde Smaill, mas por ela, por sua companheira. Trash encostava-se numa coluna, atento, silencioso, como sempre ficava quando algo grande demais se aproximava. Alia estava próxima a Apprys, quase como um escudo humano, enquanto a jo
Capítulo 161: A queda
Melia avançou em forma de loba prateada, rasgando o chão com as patas, o uivo ainda ecoando na mente da alcateia. O cheiro de elfos, magia e ódio impregnava o ar, queimando suas narinas, despertando algo antigo e selvagem dentro dela.De longe, via os soldados em suas armaduras reluzentes chegando, munidos de magia, atacando, destruindo, matando. A dentes de prata nunca teve perdas tão grandes e cada uma doía no coração da Luna, que mesmo dando sue melhor, não era maior que um exército.A maioria dos guerreiros havia partido para Obsidian dois dias antes, seguindo Killer e Trash, convencidos de que Ivon atacaria lá, onde estava Apprys. A Dentes de Prata havia ficado com guardas, jovens em treinamento, lobos mais velhos e alguns guerreiros experientes, o suficiente para defender, não para enfrentar um exército élfico completo.Ivon sabia.Claro que sabia.A primeira linha de defesa caiu rápido.Elfos avançaram em formação fechada, lanças longas, escudos encantados, magos logo atrás, mã
Capítulo 162: Você perdeu
A consciência voltou bem devagar.Primeiro, a dor, uma dor profunda, espalhada por cada canto, como se cada osso do corpo tivesse sido quebrado e colocado de volta no lugar errado. Melia gemeu baixo ao tentar respirar mais fundo, o peito ardendo, os músculos protestando.Ela abriu os olhos com dificuldade.A luz era fraca, amarelada, vindo de uma lâmpada no meio do teto. O ar cheirava a pedra úmida, ferro e mofo. Demorou alguns segundos até que sua visão se ajustasse completamente… e então ela percebeu.Estava nua sob uma manta grossa, áspera, jogada de forma quase descuidada sobre seu corpo. Os pulsos estavam presos acima da cabeça por algemas encantadas, frias contra a pele. As pernas também estavam imobilizadas, amarradas à ganchos no chão.— Ah… — um gemido escapou quando ela tentou se mexer. — Merda…Cada movimento era uma lembrança clara da batalha. Dos golpes. Da magia. Do momento em que tudo escureceu. Olhou para a propria barriga, fechando os olhos e implorando a deusa para q
Capítulo 163: Eu sou o alfa
O jardim estava silencioso demais.Killer caminhou até a parte mais isolada do terreno do castelo de Obsidian, onde as árvores antigas cresciam mais afastadas, formando um pequeno refúgio de sombras. Ali, o cheiro de flores noturnas misturava-se ao da terra úmida, criando uma falsa sensação de paz, uma paz que ele não conseguia sentir.Parou.Ergueu o rosto para o céu e suspirou.As estrelas estavam visíveis naquela noite, espalhadas como feridas abertas na escuridão. A lua pairava alta, fria, indiferente demais para tudo o que havia sido perdido.Killer fechou os olhos.Respirou fundo.Uma vez.Duas. Três.Não adiantava.A dor não diminuía.Ela vinha em ondas, esmagadora, pesada demais para caber no peito. A imagem de Melia surgia sem aviso, o sorriso firme, o olhar prateado decidido, o corpo ferido lutando até o fim para dar tempo aos outros. Para proteger, sempre protegendo.Era culpa dele.O pensamento se repetia como um martelo.Eu devia ter ficado.Eu devia ter sentido.Eu devi
Capítulo 164: A dentes de prata vive
A Dentes de Prata havia se tornado um túmulo em chamas.O fogo avançava sem piedade, lambendo as construções de madeira e pedra como se tivesse fome. As casas que antes abrigavam risos, brigas, crianças correndo e histórias agora desmoronavam em estalos altos, cuspindo brasas para o céu escurecido. O cheiro de fumaça misturava-se ao de sangue seco e magia, pesado demais para ser ignorado.Não havia ninguém ali.Nenhum uivo. Nenhuma voz.Nenhum coração batendo em conjunto.A alcateia tinha fugido… e os que não haviam conseguido escapar da fúria de Ivon tinham morrido, seus corpos sendo consumidos pelas chamas que levavam tudo.No subterrâneo da antiga mansão, o inferno era ainda mais cruel.As chamas encontraram o caminho para baixo, escorrendo por rachaduras, descendo como serpentes de fogo. O ar era denso, quase impossível de respirar. Orion estava pendurado havia horas, talvez dias, já não sabia. O corpo coberto de feridas, o rosto inchado, um dos olhos quase fechado. Cada inspiraç
Capítulo 165: Acordo selado
O corpo caiu antes que a mente pudesse avisar.Orion tropeçou uma última vez, os joelhos batendo com força na terra úmida da fronteira, as mãos tentando se apoiar em algo que já não existia. O mundo girou, a visão se turvou, e o orgulho, o último resquício dele, se dissolveu junto com a consciência.Desmaiou ali mesmo.Entre Obsidian e o que antes era a grande Dentes de Prata, a alcateia que ninguém além de Smaill teve coragem de tocar.Até agora.Quando os soldados o encontraram, horas depois, o cenário era patético demais para ignorar. O suposto herdeiro de Elaris, rei de Andromeda, estava caído como um mendigo, coberto de fuligem, sangue seco e feridas mal fechadas. Respirava com dificuldade, febril, o rosto irreconhecível de tanto inchaço.— É um elfo… — murmurou um deles.— Sozinho — respondeu outro. — E quase morto.Eles se entreolharam por um instante, sabiam exatamente quem ele era, os cabelos loiros, mesmo chamuscados e os traços não os deixariam se enganar, por mais que o pr
Capítulo 166: Vamos ver quem sobrevive
Muito longe dali, em Elaris, o ar era frio e pesado, impregnado de magia. Havia a grande floresta que se iluminava todas as noites com suas criaturas, mas nada chamava tanta atenção quanto o imenso castelo de pedra branca. E o frio não era apenas a temperatura, ele entrava pela pele, se instalava nos ossos, fazia qualquer um que não fosse dali tremer de medo e pavor.Melia despertou com um sobressalto violento.O primeiro instinto foi puxar o ar… E falhar.O peito ardeu, os pulmões protestaram, e um gemido baixo escapou quando tentou se mover. Só nesse momento sentiu o peso das correntes que apertavam seus pulsos e seus pés.Grossas, frias, forjadas com runas élficas que brilhavam num tom pálido e doentio. Estavam cravadas em seus pulsos e tornozelos, apertadas o suficiente para machucar a pele, apertadas o bastante para lembrar, a cada segundo, que ela estava presa.Tentou se mexer de novo.Um choque atravessou seu corpo como um raio, queimando músculos e nervos ao mesmo tempo. Melia