All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 201
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Capítulo 167: A guerra começou
Os fundos do castelo de Obsidian estavam tomados por um silêncio estranho, pesado, quebrado apenas pelo som distante do vento entre as árvores e pelo farfalhar suave das folhas do jardim antigo. As flores noturnas começavam a se abrir, liberando um aroma adocicado que contrastava com a tensão que pairava no ar. Ali, longe dos corredores cheios de gente, duas figuras se moviam com cautela, como se cada gesto pudesse desencadear algo maior.Orion estava diferente.As roupas agora eram simples, limpas, sem os símbolos exagerados de realeza. Ainda carregava marcas visíveis da queda, o orgulho ferido, o corpo cansado, os machucados feitos por Killer, mas a postura havia mudado. Não havia mais arrogância nos ombros, apenas concentração. À frente, Apprys observava com atenção absoluta, os olhos claros refletindo a luz fraca das lampadas espalhadas pelo jardim.— A magia não nasce da cabeça — dizia o príncipe, a voz baixa, controlada. — Ela nasce daqui.A mão foi levada lentamente até o centr
Capítulo 168: Não vou errar
O salão do trono de Elaris parecia ainda maior visto do chão.Melia permanecia ajoelhada aos pés do trono branco, presa por correntes grossas que se estendiam dos pulsos e tornozelos até argolas cravadas aos pés do trono. A magia que envolvia o lugar pulsava de forma constante, pesada, como um coração batendo lento demais, mantendo a loba prateada enterrada fundo, sufocada, impossibilitada de emergir. Mesmo assim, a postura continuava ereta, o queixo permanecia elevado, o olhar prateado não demonstrava medo, apenas paciência.Dois dos conselheiros de Ivon circulavam ao redor como abutres.Eram dois elfos agora, altos, vestindo túnicas claras adornadas com símbolos antigos, rostos longos e olhares cheios de desprezo. Um deles se abaixou, pegando algo do chão próximo às colunas laterais. Um osso antigo, limpo demais para ser recente, provavelmente retirado de algum resto cerimonial esquecido.— Olha só… — murmurou com um sorriso torto. — Até que combina com você.O osso foi arremessado
Capítulo 169: Estou chegando
Elaris dormia sob uma calma enganosa.As muralhas brancas refletiam a luz da lua alta, intactas, orgulhosas, como se nenhuma guerra ousasse tocar aquele reino antigo. O vento noturno deslizava pelos jardins externos, balançando bandeiras élficas com suavidade quase irônica. Para qualquer olhar desatento, tudo parecia em perfeita ordem. Um castelo preparado, um rei vigilante, um território seguro.Mas Ivon estava irritado.Caminhava de um lado para o outro no salão do trono, o som dos passos ecoando mais alto do que o necessário. Os soldados haviam sido deslocados em peso para o norte, próximos à fronteira de Elaris, exatamente onde Ivon acreditava que os lobos atacariam. Aquela sempre fora a rota óbvia, a rota esperada. Ao redor do castelo, apenas alguns grupos menores faziam rondas protocolares, mais por formalidade do que por real preocupação.O tempo passava.E nada acontecia.O maxilar de Ivon se contraiu quando parou diante do trono, apoiando uma das mãos no encosto esculpido em
Capítulo 170: A queda de Elaris
O salão do trono de Elaris nunca parecera tão pequeno.O som distante da batalha já não era mais um eco incômodo, agora vibrava nas paredes de pedra branca, fazendo colunas antigas tremerem levemente a cada impacto mais forte. Os conselheiros de Ivon perceberam antes mesmo de qualquer aviso formal. O ar havia mudado, a magia defensiva do castelo reagia de forma errática, como se estivesse sendo pressionada por algo que não reconhecia.— Isso… isso não era para acontecer — murmurou um dos conselheiros, andando de um lado para o outro, as mãos trêmulas escondidas dentro das mangas largas da túnica. — Eles não poderiam ter passado pelas muralhas externas tão rápido.O outro aproximou-se de uma das janelas altas, espiando com cautela, o rosto perdeu a cor no mesmo instante.— Eles vieram pelo caminho mais antigo da floresta… Não tinha como lobos saberem dessa entrada — sussurrou, a voz quase inaudível. Melia, ainda ajoelhada aos pés do trono, ouviu cada palavra.O sorriso que surgiu foi
Capítulo 171: A família ainda está de pé
Assim que Killer, Apprys, Trash e Orion atravessaram as portas enormes, o cenário se revelou em toda a sua crueldade. Ivon estava de pé diante do trono, uma das mãos fechada ao redor do pescoço de Melia, erguendo o corpo dela alguns centímetros do chão como se não pesasse nada. As correntes ainda pendiam, frouxas, enquanto os pés mal tocavam o mármore branco. O rosto estava pálido, mas os olhos permaneciam abertos, atentos e principalmente, confiantes.— PAREM! — Ivon gritou, a voz ecoando pelo salão com força suficiente para silenciar até o som distante da batalha do lado de fora.O grupo congelou.A mão no pescoço de Melia apertou um pouco mais, arrancando um gemido contido. O coração de Apprys disparou no mesmo instante, o corpo inteiro reagindo ao perigo antes mesmo da mente conseguir acompanhar.— Um passo a mais — continuou Ivon, o olhar cravado em Killer — e ela morre.O sorriso que surgiu foi torto, carregado de prazer cruel.Mas o alfa apenas rosnou mostrando as presas para e
Capítulo 172: Vida longa a herdeira de Elaris
O corpo de Ivon ainda jazia imóvel no chão do salão do trono quando Killer voltou à forma humana. O sangue escorria pelos braços, pelo peito, pelo rosto endurecido, mas nada disso importava naquele momento. O olhar vermelho buscou apenas uma coisa e, em dois passos largos, atravessou o espaço destruído entre colunas quebradas e magia residual, ajoelhando-se diante de Melia como se o mundo inteiro tivesse se reduzido àquela cena.As mãos grandes e trêmulas tocaram as correntes presas aos pulsos e tornozelos dela, puxando com força, tentando quebrá-las no puro desespero. Um choque mágico percorreu o metal, fazendo Killer rosnar baixo de frustração. A magia de Elaris ainda estava ali, grudada naquelas algemas como veneno.— Droga… — murmurou, os dentes cerrados. — Não solta…Um rosnado saiu do peito de Melia no mesmo instante em que Orion se aproximou. O corpo ainda doía, a humilhação ainda queimava, e o instinto não fazia distinções fáceis. O olhar prateado se cravou nele, afiado, desco
Capítulo 173: Rei de Elaris
Três dias haviam se passado desde a queda de Ivon, e ainda assim o salão do trono de Elaris ainda parecia manchado pelo que acontecera ali. As paredes de pedra branca carregavam marcas profundas de magia, rachaduras que atravessavam colunas inteiras como cicatrizes abertas, lembranças permanentes de que aquele lugar havia sido palco de sangue e ruptura. Mesmo restaurado às pressas, o espaço não recuperara a antiga imponência arrogante. O silêncio ali era diferente, atento, quase humilde, como se o próprio castelo estivesse aprendendo a existir sob novas regras.No centro do salão, diante do trono agora limpo do sangue que o manchara, estavam Apprys, Killer e Connan. Não ocupavam posições de destaque por ostentação, mas porque todos ali sabiam que o equilíbrio daquele reino passava por eles. Alguns nobres élficos observavam à distância, contidos, inseguros, ainda tentando entender o que significava Elaris continuar existindo depois da morte de seu rei. Alguns os olhavam com irritação o
Capítulo 174: O amor de um lobo
Alguns dias depois, a Dentes de Prata começou a renascer.Onde antes havia cinzas, destroços e o cheiro persistente de fumaça, surgiam sons novos: martelos batendo madeira, pedras sendo arrastadas, vozes se misturando em diferentes tons e idiomas. O território, que fora quase engolido pelo fogo e pela morte, agora respirava esforço. Elfos vindos de Elaris trabalhavam lado a lado com lobos, muitos ainda carregando ferimentos recentes, mas determinados a reconstruir cada parte do que havia sido destruído. Casas começavam a se erguer novamente, algumas simples, outras maiores, e a mansão, o coração da alcateia, recebia atenção especial, como se todos soubessem que aquele lugar precisava voltar a existir primeiro.Não havia gritos, chicotes ou ameaças. Killer caminhava pelo território desde o amanhecer, os passos firmes marcando presença. O olhar avaliava tudo com precisão: onde faltava madeira, onde a base precisava ser reforçada, onde alguém estava trabalhando além do limite do próprio
Capítulo 175: Noah
O quarto estava iluminado apenas por velas e pela luz prateada que entrava pelas janelas abertas da mansão. O cheiro de ervas queimadas misturava-se ao suor e à tensão que dominava o ambiente, enquanto o som da respiração ofegante de Melia preenchia cada canto do aposento. As cortinas claras balançavam suavemente com o vento da noite, mas nada ali trazia alívio suficiente para a dor que atravessava o corpo dela. Deitada na cama grande de madeira escura, Melia se contorcia sob os lençóis, o rosto contraído em sofrimento, sentindo cada contração como se o próprio corpo estivesse sendo rasgado por dentro.Ao lado dela, Killer segurava sua mão com firmeza, os dedos grandes e calejados envolvendo os dela como se pudesse, de alguma forma, dividir aquela dor. Seus olhos vermelhos estavam cheios de preocupação, fixos no rosto da companheira, enquanto murmurava palavras baixas de incentivo, a voz grave tentando se manter firme apesar do medo que sentia, pedindo que ela olhasse para ele, que re
Capítulo 176: Um alfa melhor
100 anos depoisA lua estava alta no céu, grande e brilhante, banhando os jardins da Dentes de Prata com sua luz prateada. O silêncio era quebrado apenas pelo som distante dos grilos e pelo farfalhar das folhas ao vento. Sentada em um dos bancos de pedra próximos ao jardim central, Melia observava o céu com tranquilidade, usando um vestido florido leve que acompanhava suavemente as curvas do corpo.Apesar de todo aquele tempo, ela ainda parecia jovem, quase como se os anos tivessem escolhido poupá-la. O vínculo com seu alfa carregava esse preço e esse privilégio, mantendo seu corpo forte, sua aparência quase intacta, mesmo depois de tantas décadas. Às vezes, Melia ainda se surpreendia com isso, lembrando-se da garota assustada que um dia fora e da mulher que se tornara ao longo de um século.Uma das mãos repousava sobre a barriga, levemente arredondada, um detalhe quase imperceptível para quem não soubesse o que procurar. Grávida novamente, depois de tantos anos, algo que nunca imagin