All Chapters of Predador: Presa em minhas garras: Chapter 21
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Capítulo 17: apavorada - parte 2
As lágrimas que escorriam pelo rosto agora se misturavam ao suor que descia pela testa. Seus pés começaram a latejar, o desconforto logo virou uma dor quase insuportável. O salto fino enroscava em rachaduras do asfalto e a cada passo parecia cortar a sola dos pés e torcer os tornozelos. Melia sentia o couro da sandália começar a abrir feridas em carne viva.Mesmo assim, não parou. Nem por um segundo.A cada rua que atravessava, sentia a memória arrastá-la de volta no tempo. Onze anos. Um quarto pequeno em Obsidian. Sua mãe segurando sua mão com força, arrastando-a para fora da casa das escravas no meio da noite. As duas correndo descalços pelo mato úmido, o cheiro de fumaça e sangue no ar.Ela se lembrava do som dos lobos de Van Smaill uivando ao longe, perseguindo-as como caçadores atrás de presas. Lembrava da voz dele gritando que iria marcá-la, que ela pertencia a ele, mesmo sendo só uma criança.“Um dia você vai ser minha, Melia. É seu destino.”— Não... não de novo... — ela choram
Capítulo 18: Companheira - parte 1
Killer empurrou a porta de entrada do prédio com força, fazendo o ranger das dobradiças ecoar pelo hall mal iluminado. O cheiro de mofo e cigarro velho impregnou suas narinas de imediato, mas ele ignorou. Seu olhar de predador varreu cada canto do lugar com impaciência, torcendo o nariz em desgosto ao notar o local decrépito onde estava. Nada parecido com os ambientes luxuosos que era acostumado.O dono do prédio, um lobo renegado corpulento, com uma roupa encardida e um cigarro na boca, estava sentado numa cadeira de madeira ao lado da porta, como se fosse um porteiro improvisado. O alfa o viu se erguer com o peito inflado como se fosse atacar, mostrando os dentes impaciente rosnando com as presas para fora. — Quem diabos pensa que é pra entrar assim sem bater, hein? — ele rosnou, se aproximando da figura que atravessou a porta com passos firmes. — Aqui não é motel de luxo, parceiro. Mas assim que se aproximou o renegado arregalou os olhos ao ver quem tinha acabado de entrar. Recon
Capítulo 18: Companheira - parte 2
Killer rosnou sozinho, os dedos apertando o corrimão velho com tanta força que a madeira rangeu, quase quebrando. A raiva não era dela. Era do destino.Ele não entendia, mas tinha certeza de uma coisa: não iria rejeitá-la. Nem pensar. Aquele vínculo era dele, e ele nunca deixaria escapar. Não importava quem ela era antes agora era sua companheira e seria sua luna, aquela vida maldita e humilhante desapareceria e ela viveria como uma rainha, se ela quisesse ele a vestiria em ouro puro para que entendesse que tudo naquela maldita cidade era dela e de ninguém mais. Quando chegou no oitavo andar, se inspirou com força, sentindo o rastro deixado pelo perfume dela ao redor. O corredor estreito tinha paredes amareladas e luzes fluorescentes que piscavam, criando uma atmosfera sufocante de abandono.Killer inspirou fundo mais uma vez, cheiro dela estava ali, inconfundível, doce e cortante como veneno.Caminhou até a última porta à direita, seus passos firmes ressoando pelo corredor silencio
Capítulo 19: Por que está tão assustada? - parte 1
Melia apertou com mais força o copo entre os dedos, a respiração presa no peito enquanto olhava para o homem enorme parado bem no meio da sua sala. Não era possível. Ele não podia estar ali, no seu apartamento, no seu espaço. Aquele lugar era a única coisa que ela ainda tinha de segura, e agora ele estava ali, enchendo tudo com aquela presença sufocante, selvagem, animalesca.— O que você tá fazendo aqui? — repetiu, a voz mais firme agora, apesar das mãos ainda trêmulas.Killer apenas a encarou, o maxilar travado. Ele não tinha o costume de explicar nada, e muito menos de dar satisfações para alguém. Mas aquela garota não era qualquer uma.Ela largou o copo na pia de qualquer jeito, fazendo a água respingar. Sem tirar os olhos dele, abriu a gaveta ao lado e puxou a primeira faca que encontrou. O metal brilhou na luz fraca da cozinha.— Sai daqui. — A voz dela saiu baixa, mas carregada de tensão. — Eu tô falando sério, não chega perto de mim.Killer olhou para a faca e soltou um riso cu
Capítulo 19: Por que está tão assustada? - parte 2
Killer sentiu algo dentro dele se contorcer com a rejeição. Como ela podia estar tão apavorada? O vínculo era tão forte, tão palpável, que ele quase sentia dor física apenas por ouvi-la negá-lo daquele jeito. Como ela não sentia?E então aconteceu.O corpo de Melia parou de se debater por um instante. Um calor diferente percorreu sua coluna, subindo para o pescoço, para os olhos. Uma queimação súbita fez com que ela arregalasse os olhos e soltasse um gemido de dor e surpresa.Killer também percebeu na hora. Ele se afastou um pouco, ainda segurando os braços dela, mas a observando com atenção. E foi então que viu.Os olhos dela, não eram mais castanhos, porém, também não eram dourados como os de uma loba comum. Eram prateados. Um tom intenso e luminoso, que ele nunca tinha visto em toda sua vida. E Killer já tinha vivido tempo suficiente para achar que conhecia tudo.— O que...? — Ele deu um passo para trás, surpreso de verdade. — Seus olhos...Melia ofegava, tentando entender o que est
Capítulo 20: Ai minha deusa! - parte 1
Juno quase derrubou a porta do prédio quando entrou, ofegante, o coração martelando no peito. O velho dono do lugar ainda tentava gritar alguma coisa atrás dela, mas ela já subia os degraus como se a vida dependesse disso. E dependia.As palavras dele ainda ecoavam em sua cabeça: “Tem um alfa lá em cima, menina! No apartamento da sua amiga! Não sei que confusão ela arrumou, mas o cara parecia uma fera...”Um alfa…Furioso…Juno sentiu o estômago se contorcer. Conhecia muito bem o que um alfa furioso podia fazer com um renegado. E Melia… Melia não tinha defesa alguma contra um monstro desses. Ela nunca nem havia se transformado como ia lutar contra um alfa? Sua amiga ia morrer!O peito de Juno doía de tanto que ela inspirava e expirava rápido demais. Seus olhos já estavam amarelados, as garras afiadas surgindo nas mãos enquanto ela subia os últimos lances de escada.Ela não tinha um plano, só tinha o medo de perder sua amiga.Quando chegou à porta do apartamento, que estava entreaberta
Capítulo 20: Ai minha deusa! - parte 2
Killer franziu o cenho, claramente sem entender aquela reação, mas não interrompeu. Apenas observou, como quem tenta montar um quebra-cabeça estranho.Melia, por outro lado, parecia ainda mais confusa com a euforia de Juno. Ela só queria sair dali, correr, se esconder de tudo aquilo.Juno se colocou imediatamente na frente dela, como um escudo, o corpo dela tremia, mas não era de medo, era de pura adrenalina.— Olha aqui, alfa Knight. — ela falou, o tom ousado e corajoso, mesmo que estivesse falando com alguém que podia matá-la em segundos. — A gente não vai mais causar confusão na sua boate, entendeu? Se o problema é esse, acabou. Não precisa vir atrás dela aqui, se o senhor quiser, nem voltamos mais na Fera Dourada, só deixa minha amiga em paz por favor. Ela já passou por tanta coisa esses dias, não merece ser castigada por você. Killer apenas arqueou uma sobrancelha, como se aquela frase não fizesse sentido nenhum. Ele então soltou um riso baixo, carregado de ironia.— Boate? Você
Capítulo 21: Um alfa sob meu teto
Melia ainda estava com os olhos vermelhos de tanto chorar, a respiração descompassada. Ela se manteve perto da porta, como se a qualquer momento fosse sair correndo. Killer, no entanto, continuava parado no meio da sala, imponente, agindo como se o lugar fosse dele.— O que você quer dizer com isso? — a voz dela saiu firme, mas trêmula no final. — Por que você está falando como se pudesse simplesmente me levar?O alfa passou as mãos pelo cabelo, respirando fundo, tentando manter um mínimo de paciência. Finalmente, caminhou até o sofá rasgado e se sentou como se fosse o dono de tudo aquilo.— Quero dizer que não vou sair daqui se você não vier comigo para a minha alcateia. — ele falou sem rodeios, cruzando os braços e encostando as costas no sofá como se estivesse confortável, o que não era verdade.Melia deu um passo à frente, os olhos arregalados em indignação.— Você está louco se acha que eu vou com você. — a garota a mão, apontando para a porta. — Esse lugar pode não ser muito, ma
Capítulo 21: Não vou deixar você nesse muquifo
Juno fechou a porta atrás de si com cuidado, respirando fundo antes de se virar. O coração dela ainda estava acelerado por ver a amiga naquele estado, encolhida nos cantos como se fosse um animal encurralado. Sabia que Melia estava escondendo alguma coisa, que aquele pavor de alfas não era apenas um medo bobo, mas a garota já tinha passado por tanta coisa que pressioná-la a falar parecia errado, pelo menos agora.Ao sair, deparou-se com Killer Knight sentado no sofá da sala.O alfa estava ali, relaxado apenas na aparência, mas com uma postura que emanava pura tensão. Os cotovelos apoiados nos joelhos, as mãos entrelaçadas e os olhos fixos nela, frios e pesados. O silêncio do ambiente fazia com que cada respiração soasse mais alta, Juno engoliu em seco, mas não se deixou intimidar, ou tentou não se deixar.— Ela não quer ir com você — disse firme, cruzando os braços. — Melia está assustada, e se você tivesse um pingo de noção, perceberia isso.Killer inclinou levemente a cabeça, como
Capítulo 22: Você não é meu dono! - parte 1
Melia estava encolhida no canto da cama, o rosto vermelho de tanto chorar, os olhos marejados que mal conseguiam focar. O roupão branco estava frouxo sobre os ombros, como se a qualquer momento fosse escorregar. A cada soluço que escapava, sua voz se transformava em um grito abafado de desespero.Tinha escutado toda a conversa entre o alfa na sua sala e Juno, agora ela escutava tudo, o bater do seu coração, do coração dos outros, cada ruído na rua, sua cabeça doía. Era assim que os lobos normais ouviam? Era assim que viviam? Como ela ia conseguir pensar com tanto barulho? — Vai embora! — gritou, a garganta arranhada pela força que fazia. — Eu já disse que não vou com você! Você não é meu dono!Do outro lado da porta, Killer cerrou o maxilar, respirando fundo, o peito subindo e descendo com força. As veias saltavam em seus braços, a paciência dele se esvaía como sangue derramado. Aquele grito dela, aquela resistência, acendia ainda mais sua raiva.— Não vou sair daqui sozinho — ele re