All Chapters of Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido: Chapter 171
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Capítulo 171. Uma prece foi ouvida
"Augusto"Os advogados chegaram e conduziram todo o procedimento com a frieza de quem já fez aquilo dezenas de vezes. Assinaturas, ligações, argumentos técnicos. No fim, o que importava era uma única coisa: eu estava livre.Assim que cruzei a porta da delegacia, liguei para Danilo. Já tinha acionado a policia, e qualquer outro recurso que o dinheiro pudesse pagar e nada parecia ir rápido o suficiente. — Conseguiu alguma coisa? — Tinha passado muito tempo, meu descontrole era imperdoável, custou um tempo precioso. Do outro lado, ele suspirou, cansado.— O colar não é um GPS comum — explicou. — Consegui fazer funcionar no programa da empresa e com o código de acesso, liguei para tudo que é lugar para conseguir acessar. Mas ainda não consegui, não apareceu nada. — Então continua tentando — respondi, seco. — Não para.Desliguei. O colar era uma esperança, podia ser a única forma de descobrir onde Isabella estava. Mas tudo parecia dar errado. O celular vibrou de novo. Camila. tinha de
Capítulo 172. Esperança
"Isabella"Minha consciência vagava para um lugar indefinido, um limbo entre a realidade e o sonho. Vozes, sons, frio. Só podia ser a morte. Mas a dor era real. O peso no peito. A luz branca no teto.A voz de Augusto, próxima, reconfortante.Tentei me mexer, mas o corpo parecia feito de chumbo, pesado, preso. Meu corpo reagia lento demais, como se não me pertencesse. As lembranças voltaram sem aviso: o buraco no chão, o cheiro de terra, a risada cruel de Carlos.Incapaz de reagir enquanto me arrastavam. A escuridão engolindo tudo. Quis gritar, fugir, mas meu corpo não me obedecia. Tentei de novo e meu braço se levantou; o outro continuava preso em alguma coisa. Precisava me soltar, tinha que correr, tinha que gritar, fugir. — Amor… calma. Calma. Olha pra mim.Mãos me seguraram, tentando me conter, e o cheiro de Augusto me atingiu. Seu rosto preocupado diante de mim. — Augusto… é você? — apavorada, toquei seu rosto para ter certeza de que era real. Era ele mesmo. Quente, em carne e o
Capítulo 173. Do lado de fora
"Augusto"Eu não conseguia desgrudar de Isabella.Não fazia ideia do que estava acontecendo do lado de fora daquele quarto. Precisava de respostas — saber o que tinham encontrado naquela casa, o que tinha acontecido com Carlos, como tudo tinha terminado. Também precisava saber como estava minha irmã, depois da cirurgia do Ícaro. Mas a verdade era que eu não conseguia sair daquele quarto, deixá-la sozinha.O medo ainda estava ali. Cru. A sensação de impotência, de fragilidade, não tinha ido embora.E, depois de ouvir os batimentos do nosso filho, sentia que precisava proteger os dois do mundo.Se antes eu já não conseguia soltá-la, agora era pior. A ideia de deixá-la sozinha me dava pânico. Como se, ao sair de perto de Isabella, eu estivesse desafiando o destino outra vez.Só consegui me afastar quando Camila chegou. Era a única pessoa em quem eu confiava naquele momento.E, como havia muita coisa para resolver, me obriguei a sair daquele quarto, ir para o lado de fora. Polícia, advog
Capítulo 174. Jogo de xadrez
"Diana"Encarei Ícaro deitado na cama do hospital, ainda pálido. Apesar do alívio, eu não conseguia superar o quanto estive perto de perdê-lo. Valentina, depois de muito custo, tinha ido dormir na casa da amiga. Já que não podia ficar no hospital e eu ainda vestia a mesma roupa do dia anterior, sabia que precisava de um banho, de pensar com clareza, mas precisava ter certeza de que Icaro estava bem. Mas ali, olhando para ele dormir, eu tinha certeza de que havia trazido o caos para aquela família. E não tinha certeza se existiam desculpas suficientes para isso. Para o quão perto estive de destruir tudo — ainda que não tenha apertado o gatilho.A última conversa com meu pai deveria ter sido definitiva. Eu tinha escolhido viver a minha vida, seguir em frente. Mas era óbvio que ele não aceitaria isso. Eu tinha ficado mais mole, cega pela felicidade. Tinha esquecido quem ele era e isso quase custou tudo.Consegui enxergar o plano completo dele: um assassinato disfarçado de assalto. Simp
Capítulo 175. Volta para casa
"Isabella"Em casa, me senti melhor. Ainda havia uma dor leve na cabeça e no corpo, mas sair do hospital e deitar na minha própria cama foi, naquele momento, o melhor remédio. O silêncio do apartamento, porém, não era tão tranquilizador quanto eu imaginava. As lembranças vinham sem aviso e eu ainda não conseguia afastar a sensação de perigo, como se algo pudesse acontecer a qualquer instante.Augusto não saiu do meu lado. Caminhava pela casa em passos curtos, o celular sempre na mão, conversando, tomando providências. Só se afastava por poucos minutos, quando precisava atender alguma ligação.Camila também ficou. Sentou-se no sofá comigo, trouxe água, ajeitou a manta sobre minhas pernas. Falava pouco, mas seus olhos diziam tudo, estava com medo também. — Você precisa descansar — disse, tentando soar normal. — O médico foi claro. Precisa se alimentar bem, vou fazer uma sopa, igual à da minha mãe, bem reforçada.Assenti, mas o descanso não vinha.Sempre que eu tentava entender o que t
Capítulo 176. O dia seguinte
"Isabella"Augusto não conseguia ficar parado. Ligava, falava, se movimentava o tempo todo. Trocou a empresa de segurança, desvinculando-se da antiga que cuidava da proteção de toda a família, e contratou uma nova depois de avaliar inúmeras recomendações, entrevistar a equipe com atenção e checar cada informação. Também solicitou uma vistoria completa na casa, para ter certeza de que não havia nada suspeito.Enquanto isso, eu permanecia em repouso, me recuperando e pensando. Tinha receio de tomar mais remédio por causa da gravidez, mas, na primeira noite, quando me deitei na cama e fechei os olhos, tudo voltou à minha mente. Por instantes, eu não estava mais em casa, e sim na cova, sendo enterrada.Foi preciso um calmante para conseguir descansar, mas a sensação não foi embora. Augusto marcou consultas com um psicólogo e um psiquiatra, temendo novas reações. Durante o dia até conseguia me manter relativamente calma, mas tinha medo do silêncio, medo de barulhos, medo de qualquer coisa.
Capítulo 177. O outro lado da moeda
"Marco Aurelio"Sempre achei curioso como as pessoas confundem silêncio com derrota.Aprendi cedo que quem fala demais perde o controle da narrativa. O mundo pertence a quem observa, espera e age no momento exato. Sempre funcionou assim para mim.Isabella sobreviveu.Ícaro também.Essa era uma lição que eu já conhecia, não se deve confiar nas pessoas para fazer um serviço bem feito. Ainda assim, a narrativa era perfeita, um assalto em um bairro distante, algo comum. Um ex-marido vingativo, ressentido. Tudo coerente. Tudo fácil de aceitar. O problema não foi o plano. O problema foi a incompetência.Um desfecho medíocre.Márcio era previsível. Carlos, impulsivo. Homens assim servem apenas para executar ordens simples, jamais para improvisar. Pelo que averiguei sobre a vida dos dois, não consigo entender como chegaram tão longe sendo tão incapazes. Ao menos um estava morto e não daria mais trabalho.O trabalho agora viria dos meus filhos.Sempre soube que eram um bando de inúteis. Por u
Capítulo 178. Visita surpresa
"Isabella"A nota saiu às nove da manhã.Li no celular, sentada à mesa da cozinha, enquanto tentava tomar o café da manhã. O texto era curto, direto, frio demais para tudo o que tinha acontecido.///“A SEG29 informa que Marco Aurélio Salvatore deixará o cargo de Diretor-Presidente para dedicar-se a assuntos pessoais.Agradecemos por sua contribuição e liderança durante o período em que esteve à frente da companhia.Assume a posição de CEO Tadeu Albuquerque, que dará continuidade à estratégia e aos projetos em andamento, assegurando a estabilidade e o crescimento da empresa.”///Li uma vez, depois outra, tentand absorver a informação. — Você sabia disso? Por que não me disse?— Me avisaram ontem à noite, você já estava dormindo — Augusto respondeu. — Não houve espaço para perguntas. Ele deixou tudo acertado com o conselho e a diretoria. É um atestado de culpa. Ele sabe que, a partir do momento em que o nome dele surgir oficialmente na investigação, isso respinga na empresa, só está
Capítulo 179. Nada vai acontinuar de pé
"Diana"Ícaro recebeu alta, e finalmente voltamos para casa.Depois de tantos dias de angústia no hospital, Valentina estava radiante, tinha faltado na escola e disse que prepararia o almoço, sabendo que eu era um desastre na cozinha e o pai precisava de alimentar bem, achei graça do entusiasmo dela. Icaro ainda se recuperava, mais frágil fisicamente, mas vivo. Inteiro. E isso era tudo o que importava.Meu objetivo era mantê-lo afastado de tudo, ao menos por enquanto. Mas Isabella tinha mencionado em seu depoimento que os dois casos estavam ligados e, naturalmente, a polícia queria falar com Ícaro sobre o assalto.Eu tinha conseguido adiar esse momento. Agora, porém, não havia mais como evitar.Fiquei andando pelo quarto, criando coragem para dizer o que precisava ser dito. Que, de certa forma, a culpa era minha, que eu era filha de um louco. — Amor, vem cá — ele disse, me chamando com a voz baixa. — Deita aqui comigo. Descansa um pouco.Sorri.Eu estava indo de um lado para o outro
Capítulo 180. Ponto final
"Isabella"O mundo desabava do lado de fora e eu tentava não desabar do lado de dentro.Augusto precisava voltar ao trabalho com tudo o que vinha acontecendo, mas não queria me deixar sozinha. Então passou a se dividir, um dia ia para a empresa, no outro ficava em casa comigo.Eu ainda me sentia estranha, embora mais calma com o passar da semana. Mesmo assim, acordava no meio da noite, assustada, me debatendo e sem aviso algum a imagem de Carlos rindo surgia na minha mente.Era isso que ele fazia, me assombrava.Ele tinha razão quando disse que era fácil brincar com a minha cabeça. Eu tentava impedir que ele tomasse conta dela, que criasse morada ali, que me obrigasse a reviver tudo o que havia dito e feito, mas nem sempre tinha sucesso.Às vezes, sem querer, eu me via rememorando o passado. Antes de ele começar a trabalhar com o meu pai. Depois, o momento em que confessou ser amante de Karen. E eu nunca havia desconfiado de nada. Cega. Surda para o mundo ao meu redor.Karen, minha ir