All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 91
- Chapter 100
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Capítulo 91— Eu fui suspensa. De verdade.
POV ADRIANQuando o número dela apareceu no meu telefone, eu soube.— Adrian… — a voz dela veio firme demais. — Eu fui suspensa. De verdade. O mundo ficou em silêncio.Não aquele silêncio calmo. O silêncio de quem está prestes a quebrar alguma coisa.— Onde você está? — perguntei, já pegando as chaves.— No carro. Já peguei as minhas coisas.— Me espera aí. Não sai daí! ***O hospital parecia diferente quando cheguei.Mais frio. Mais falso. Como se as paredes soubessem que tinham acabado de cuspir uma das melhores médicas que já passaram por ali.Vi Lianna no estacionamento, sentada no banco do motorista, imóvel. Os ombros rígidos. O olhar perdido no nada.Bati no vidro. Ela levou um susto leve e destravou a porta.— Entra. — murmurou.Entrei e fechei a porta com cuidado demais para alguém que queria socar o mundo.— O que aconteceu? — perguntei.Ela contou. Tudo.A reunião.Zayden.A denúncia anônima.A suspensão “preventiva”.Viviane.Enquanto ela falava, algo em mim se reorganiza
Capítulo 92 — Você anda diferente desde Genebra
POV ZAYDENO avião pousou em Zurique com a mesma precisão fria que sempre marcou minha vida.Tudo no lugar. Tudo sob controle. Ou pelo menos… era isso que eu repetia para mim mesmo.O motorista abriu a porta, e eu entrei no carro sem olhar para trás. O hospital de Genebra já parecia distante demais para ser uma ameaça real. Lianna afastada. Denúncia feita. Diretoria pressionada. O tabuleiro reorganizado.Vitória silenciosa. Eu deveria estar satisfeito. Mas a verdade é que o silêncio dentro de mim estava alto demais.Quando cheguei em casa, ouvi a voz antes mesmo de entrar.— Você é completamente inútil? — Camille gritava. — Eu mandei separar os vestidos claros dos escuros! Isso é básico!Parei no hall, sem ser notado de imediato.O funcionário, um rapaz jovem, claramente constrangido, murmurava um pedido de desculpas, curvado, pequeno demais diante da fúria dela.Camille estava impecável, como sempre. Linda. Fria. Cruel sem esforço.— Sai da minha frente antes que eu peça sua demissão
Capítulo 93 — Você ainda a ama?
POV ZAYDENA água quente escorria pelos meus ombros como se tentasse lavar algo que não saía.Eu fechei os olhos.Erro.Porque era sempre assim. Lianna surgia sem pedir licença. O jeito como respirava quando estava prestes a perder o controle. O som baixo que ela fazia quando eu a puxava mais perto. A forma como suas unhas marcavam minha pele como se quisessem deixar prova de que eu tinha sido dela.A última vez. Veio inteira, brutal. Não foi carinho.Foi necessidade. Foi desespero disfarçado de desejo.Ela contra a parede, o olhar desafiador quebrando no meio do caminho, o corpo respondendo antes da razão. Eu lembrava do peso dela nas minhas mãos, da urgência, do jeito como ela me chamava pelo nome como se fosse uma acusação.Como se fosse um pedido. Meu corpo reagiu antes que eu pudesse impedir.Maldição.Eu apoiei a mão na parede do box, a testa baixa, a respiração pesada.— Para… — murmurei para mim mesmo.Mas a memória não obedeceu.A lembrança do momento exato em que tudo saiu
Capítulo 94 — Ele disse que era seu amigo.
POV LIANNAO dia começou silencioso demais.Depois de deixar Selina e Selin na escola, fiquei alguns segundos parada dentro do carro, as mãos ainda no volante, observando o portão fechar atrás deles. Sempre havia um aperto, aquele fio invisível que liga mãe e filhos, mas naquela manhã ele veio mais tenso, mais alerta. Talvez fosse o cansaço acumulado. Talvez fosse o medo que ainda morava em mim, mesmo quando eu fingia que não.Decidi não ir para casa.Segui até a cafeteria-biblioteca a duas quadras da escola. Um lugar antigo, com estantes altas, mesas de madeira gasta e o cheiro confortável de café forte misturado com papel velho. Era o tipo de lugar onde o tempo desacelera sem pedir permissão. Exatamente o que eu precisava.Pedi um cappuccino, escolhi uma mesa perto da janela e abri um caderno que eu nem lembrava quando tinha comprado. As páginas em branco me encaravam como se dissessem: respira. Eu respirei.Passei a manhã ali. Li alguns trechos soltos, escrevi frases que não se con
Capítulo 95 — Ele é meu pai?
POV SELINA casa parecia maior quando a gente chegou.Não vazia, maior. Como se os sons tivessem mais espaço pra ecoar. A porta fechou atrás da gente, e eu reparei em coisas que normalmente não reparava: o jeito que a chave girou duas vezes, o silêncio logo depois, o suspiro que a mamãe tentou esconder.— Banho primeiro — ela disse, firme demais.Selina saiu correndo, como sempre. Eu fui atrás, mas deixei ela entrar no banheiro antes. Não sei por quê. Só deixei. Fiquei esperando no corredor, contando mentalmente os azulejos quebrados da parede até decidir que eu também precisava me mexer.Quando entrei no banho, a água quente bateu nas costas e levou o cheiro da rua embora. Fiquei ali parado mais tempo do que precisava. Pensando.No homem do banco.Ele não sorriu como os outros adultos. Não falou alto. Não fez perguntas idiotas. Só ouviu. Prestou atenção quando Selina falava do bolo. Me olhou como se estivesse… calculando. Como se quisesse entender algo que já suspeitava.Isso me inco
Capítulo 96 — É melhor proteger a mamãe
POV SELINDepois que a mamãe parou de chorar, a casa voltou a respirar devagar.Não normal. Como quando a gente quebra um brinquedo e tenta montar de novo fingindo que está tudo bem.— Vamos fazer o jantar — ela disse, batendo palmas uma vez só, daquele jeito que usa quando quer ser forte.Eu e Selina nos entreolhamos. Esse era o sinal.Fomos pra cozinha.Ela me deu a missão de lavar o arroz. Selina ficou responsável por separar os legumes, o que na prática significava brincar com as cenouras como se fossem bonecos. A mamãe não brigou. Hoje, ela deixou.— Selin, vê se a água tá clara — ela disse.Eu olhei sério pro arroz, como se aquilo fosse um problema importante do mundo.— Ainda não — respondi. — Tem que lavar mais uma vez.Ela sorriu de leve. Um sorriso pequeno, cansado, mas verdadeiro. Esses são os que eu mais gosto.Enquanto o arroz cozinhava, Selina perguntou se podia mexer a panela. A mamãe deixou, segurando a mão dela por cima. Eu fiquei observando as duas. Pensei que, se al
Capítulo 97 — Preciso de um exame genético. Confidencial. Prioridade máxima.
POV ZAYDENEu não consegui ir direto para casa.O volante tremia sob minhas mãos, não porque eu estivesse nervoso, mas porque algo dentro de mim tinha despertado. Algo antigo. Animal. Uma certeza que não pede permissão à razão.Eles são meus.A frase pulsava na minha cabeça como um mantra enlouquecido. Cada lembrança do fim da tarde voltava em flashes curtos, obsessivos: o jeito como o menino me olhou sem medo, a postura séria demais para uma criança, a inclinação exata da cabeça quando pensava. O ângulo do maxilar. O silêncio atento.E Selina… viva, curiosa, com aquele mesmo brilho nos olhos que Lianna tinha quando estava feliz, antes de mim.Antes de eu quebrar tudo.Eu parei o carro numa rua lateral e desliguei o motor. Precisava respirar. Precisava organizar o caos que crescia dentro do peito como uma maré que não recua.Sete anos.Sete anos em que ela desapareceu da minha vida carregando algo que sempre foi meu.Não.Carregando eles.Minha mão fechou com força no volante. Os nós
Capítulo 98 — PATERNIDADE CONFIRMADA.
POV ZAYDEN Dois dias. Quarenta e oito horas que se arrastaram como uma tortura meticulosa, calculada para me manter no limite entre a lucidez e a obsessão. Eu não dormi direito. Não comi direito. Trabalhei no automático, assinando papéis, resolvendo reuniões, demitindo gente sem nem lembrar do rosto depois. Tudo parecia irrelevante. Porque tudo era irrelevante. Meus olhos voltavam ao celular a cada cinco minutos, mesmo sabendo que não adiantava. Eu odeio esperar. Sempre odiei. Esperar é uma forma de submissão e eu nunca me submeti a nada. Mas aquilo… aquilo era diferente. Aquilo não era sobre controle. Era sobre confirmação. Era noite quando a mensagem chegou. Eu estava sozinho no escritório, a cidade deitada aos meus pés através da parede de vidro. Um copo de uísque intacto na mesa, o terceiro da noite que eu não toquei. Minha mente estava afiada demais para álcool. O celular vibrou. Uma única vez. Curta. Precisa. Meu corpo inteiro respondeu como se tivesse levado um choque
Capítulo 99 — Ele sabe.
POV LIANNAEu acordei com a sensação errada.Não foi um barulho. Não foi um pesadelo. Foi aquela impressão silenciosa de que algo mudou enquanto você dormia, como quando o ar pesa antes da chuva.Abri os olhos devagar.O quarto ainda estava em penumbra. O relógio marcava 6h04. Adrian dormia ao meu lado, de costas, a respiração tranquila demais para o nó que se formava no meu peito.Observei o rosto dele por alguns segundos. A barba por fazer. A linha tranquila da boca. A calma de quem ainda acredita que o mundo segue regras justas.Eu queria ficar ali. Congelar aquele instante. Fingir que minha vida finalmente tinha encontrado um eixo seguro.Mas o medo não deixa.Levantei com cuidado para não acordá-lo. Vesti um moletom, prendi o cabelo e fui até o corredor. A casa estava silenciosa. Grande demais. Bonita demais. Segura demais para a tempestade que rondava.Passei pelo quarto das crianças.Selin dormia de lado, abraçando o travesseiro como se estivesse sempre pronto para proteger alg
Capítulo 100 — O Lugar Onde Tudo Começou
POV LIANNAO convite chegou como uma sentença disfarçada de nostalgia.Não foi agressivo. Não foi explícito. Foi pior.Hotel Kronberg. Zurique. Restaurante La Verrière.Mesa 12. Hoje. 20h.Eu não precisava de mais nenhuma palavra para entender.Mesa 12. A mesa de sempre.A mesa onde ele gostava de me encostar por baixo, de segurar minha mão como se fosse dono, de sorrir para mim em público enquanto me desmontava em silêncio.A mesa onde eu fui feliz e onde comecei a desaparecer.Meu estômago revirou.Adrian estava na cozinha, preparando algo simples para as crianças jantarem. Selin e Selina desenhavam no tapete da sala, tranquilos demais para o caos que eu carregava por dentro.Eu fiquei alguns segundos parada, com o celular na mão, tentando respirar.— Lia? — Adrian chamou, atento demais para ignorar meu silêncio.Fui até a cozinha. Ele me olhou uma vez… e soube.— É ele.Assenti.— Marcou um encontro. Em Zurique.O maxilar dele travou.— Onde?— No Kronberg.O olhar de Adrian escure