All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 81
- Chapter 90
167 chapters
Capítulo 81 — Selin e Selina são meus. Só meus.
POV ZAYDENEu sempre soube que, no fim, a verdade encontraria um jeito de me olhar de volta. E hoje…foi o dia. Não fui convidado. Nunca seria. Mas portões abertos são convites para quem sabe entrar sem ser visto. Fiquei parado na sombra da árvore mais alta, do lado de fora, um passo antes da calçada, observando a comemoração no jardim daquela casa obscenamente grande. Casa que, até ontem, eu nem sabia que existia. A casa dele. Do médico. Do homem que Lianna deixou entrar na vida dela com uma facilidade que não teve comigo em anos.O jardim estava cheio de crianças rindo, correndo, gritando. Balões vermelhos e roxos pendurados nas árvores. Mesas com docinhos ridículos demais pra terem custado tão pouco. Uma mesa principal com dois temas, um lado azul, outro rosa. E no centro, dois bolos. Um com um unicórnio. Outro com um mini Homem de Ferro. Ridículo. Ridiculamente perfeito. Eu observava tudo com a precisão de um bisturi.Cada detalhe. Cada sorriso. Cada movimento dela. Lianna e
Capítulo 82 — Ele não vai tocar nos seus filhos
POV LIANNAEu não deveria ter conseguido voltar para a festa.Não depois de ver Selin conversando com ele.Com ele. Com o único homem no mundo capaz de transformar meu corpo em pedra e minha mente em fumaça ao mesmo tempo.Ainda sinto o gosto metálico do pânico na língua.Mas no instante em que mandei Selin correr até a irmã e ficar perto de Adrian, eu precisei ficar em pé. Fingir normalidade. Manter a respiração funcionando. Apertar as rédeas do próprio coração, como sempre fiz.Eu caminhei de volta para o jardim como se estivesse andando sobre vidro.Minha visão estava turva.Minhas mãos tremiam.Meu estômago revirava.Amanda percebeu assim que me viu.Ela inclinou o corpo pra frente, estudando meu rosto com aquele olhar clínico dela, capaz de arrancar confissão até de uma pedra.— O que houve? — ela perguntou, baixinho.Eu apenas toquei o braço dela, um toque rápido, urgente e murmurei:— Fica de olho neles. Agora.Ela nem questionou. Só ergueu os olhos, encontrou Selina brincando
Capítulo 83 — Fim da Festa
POV LIANNA A casa estava finalmente quieta.O jardim lá fora ainda tinha cheiro de doce, bolo e confete molhado, enquanto os funcionários terminavam de recolher cadeiras, desmontar as mesas e apagar as luzes espalhadas pelos arbustos.Aquele brilho colorido indo embora parecia uma despedida gentil do caos do dia.Aqui dentro, na sala, só restamos nós quatro: Eu. Adrian. Selina e Selin.E uma montanha absurda de presentes espalhados pelo tapete persa, que provavelmente custava o preço de um carro, mas estava agora completamente dominado por papel rasgado, fitas coloridas e caixas de brinquedo.Selina gargalhava enquanto tentava abrir uma caixa com glitter. Selin analisava cada manual como um pequeno adulto subcontratado pela NASA. Adrian estava sentado no chão, de meia, sem o menor traço da postura séria do hospital.Ele parecia… um pai.E essa percepção bateu no meu peito como um golpe lento, quente, inevitável.— Mãe! — Selina me chamou, mostrando uma caixa enorme. — Olhaaa! Uma cas
Capítulo 84 — Família sem aviso prévio
POV ADRIAN A sala ainda estava cheia de confete,embalagens rasgadas e brinquedos novos jogados de qualquer jeito, mas, pra mim… aquilo poderia ser a sala mais luxuosa de Genebra ou a mais simples do mundo.Nada ali importava.Só ela. E aquelas duas criaturinhas que carregavam metade da alma dela em miniatura.Selina correndo pelo corredor com um vestido de princesa. Selin marchando com aquela seriedade de general de cinco anos segurando um robô. E Lianna…Lianna sentada no tapete, o cabelo caindo em ondas pelos ombros, o sorriso cansado, mas verdadeiro.Parecia luz.Não aquele tipo de luz que dói nos olhos. Mas o tipo de luz que você segue sem perceber, como se fosse instinto.Eu senti a mão dela tocar a minha. E por um segundo… só um… o mundo inteiro parou. Ela não sabe. Ela não faz ideia do que esse gesto faz comigo.Eu cresci cercado de tudo: dinheiro, estrutura, conforto, uma vida onde nada faltava. Mas toque… calor… confiança assim… isso sempre foi outra história.Talvez porque
Capítulo 85 — Estou aqui. Não vou a lugar nenhum
POV LIANNAO último vestígio de tensão dissolveu-se com a água quente que escorria pelo meu corpo. A casa, enfim em silêncio, parecia conter a respiração. E eu também. Por trás da porta do banheiro, sabia que ele estava lá. Quando saí do vapor do chuveiro, envolvida apenas em uma toalha de algodão macio que cheirava a lavanda, ele estava exatamente onde eu intuíra: sentado na poltrona de veludo cor de vinho no canto do quarto. A postura era relaxada, mas os olhos… os olhos eram um campo de batalha serena entre a paciência infinita e uma fome latente. Segurava uma xícara de porcelana branca entre as mãos grandes, as pontas dos dedos quase envolventes ao redor do objeto delicado. — Chá de camomila com um fio de mel — sua voz, um baixo grave que parecia vibrar no meu esterno, preencheu o espaço entre nós. — Para acalmar os nervos que você insiste em dizer que não tem.Sorri, não conseguindo evitá-lo. A toalha apertada sob meus seios, eu caminhei até a cama. A luz suave da mesinha de ca
Capítulo 86 — Adrian, a gente… não vai acelerar as coisas.
POV LIANNAAcordar ao lado dele foi… perigoso.Não no sentido físico. No sentido emocional mesmo. Aquele tipo de perigo silencioso, que não grita, não ameaça... apenas fica ali, confortável demais, certo demais, insinuando que talvez aquilo pudesse virar rotina. E eu não estava pronta para rotina nenhuma que envolvesse sentimentos ainda em carne viva.Abri os olhos devagar.A luz da manhã entrava filtrada pela cortina clara do quarto de hóspedes... meu quarto, agora e o corpo de Adrian estava próximo o suficiente para que eu sentisse o calor dele sem tocá-lo. Ele dormia de lado, virado para mim, uma das mãos relaxada perto do meu travesseiro, como se tivesse parado ali por instinto durante a madrugada.Fiquei observando por alguns segundos. O peito subindo e descendo. O rosto sereno. A barba por fazer. O homem que, em poucos dias, tinha virado abrigo, caos e tentação.Respirei fundo.Era hora de levantar.Quando tentei sair da cama sem acordá-lo, ele se mexeu.— Fugindo? — a voz saiu
Capítulo 87 — Você me deu abandono, violência e traição.
POV LIANNAA emergência não avisa. Ela simplesmente acontece.O chamado veio seco, urgente, atravessando o corredor como um disparo:— Sala vermelha agora! Acidente grave, múltiplas vítimas!Eu já estava de pé antes mesmo de desligarem o comunicador.O relatório veio picotado enquanto eu caminhava rápido:— Assistente de trânsito… falha grave na sinalização… colisão em cadeia… três vítimas em estado crítico… uma politraumatizada… hemorragia interna suspeita…Meu cérebro entrou no modo automático. O mundo afinou. Tudo ficou mais nítido, mais rápido, mais frio.Portas se abriram. Luvas. Máscara. Touca.— Quem é a mais instável? — perguntei, já lavando as mãos.— Mulher, cerca de trinta e cinco anos. Pressão despencando. Abdome rígido. Pupilas reativas, mas confusas.— Sala um. Agora.A maca entrou quase voando.O cheiro de sangue fresco misturado ao de asfalto e metal queimado tomou o ambiente. A paciente gemia baixo, olhos arregalados, tentando entender por que o mundo tinha virado de
Capítulo 88 — Minha casa continua sendo sua casa.
POV LIANNA Eu fiquei alguns minutos parada, encarando a porta fechada como se ela pudesse se abrir sozinha outra vez.Não abriu.Mas a presença dele ficou.Essas coisas não vão embora fácil.Bebi o café já frio, sem sentir o gosto, e forcei meu corpo a voltar ao modo automático. Jaleco. Crachá. Postura. A médica respeitada. A mulher que ninguém imagina que treme por dentro.O hospital acordava aos poucos. Passos apressados. Conversas baixas. O mundo seguindo, indiferente ao fato de que o meu tinha acabado de rachar mais uma vez.— Lianna?A voz de Adrian veio do corredor antes mesmo que eu o visse. Grave. Segura. Familiar demais para alguém que eu ainda dizia a mim mesma que não estava “acelerando as coisas”.Levantei os olhos.Ele estava parado a alguns passos da porta da minha sala, ainda de roupa civil, o cabelo levemente bagunçado, expressão atenta demais para ser casual.— Você não respondeu minhas mensagens. — disse, entrando com cuidado. — Fiquei preocupado.Claro que ficou. A
Capítulo 89— Fui afastada das cirurgias. Temporariamente.
POV LIANNAEu não chorei quando saí do hospital. Isso foi o mais estranho.Não chorei no corredor longo demais. Não chorei no elevador espelhado que me devolveu um rosto profissional demais para alguém que acabara de ser arrancada do próprio chão. Não chorei nem quando entreguei meu crachá provisoriamente, como se aquilo fosse só um detalhe burocrático.Chorar exigia energia. E tudo em mim estava… oco.Adrian dirigia em silêncio. Um silêncio tenso, respeitoso, perigoso. A mão dele apertava o volante com força demais. Eu via. Ele queria falar. Queria explodir. Queria resolver.Mas eu precisava de silêncio para não desmontar.Quando o portão da casa se abriu, a vida... cruelmente, continuava.As crianças riam.Selina corria pelo jardim com o vestido ainda sujo de tinta guache. Selin tentava equilibrar uma bola grande demais para o corpo pequeno. A babá ria com eles, completamente alheia ao fato de que o mundo adulto tinha acabado de desmoronar dentro de mim.Eles estavam bem. Eles estav
Capítulo 90 – A suspensão
POV LIANNADeixar as crianças na escola nunca foi tão difícil.Não porque elas choraram, elas estavam animadas, falando da aula de artes, da história que a professora prometeu contar, do lanche novo. Difícil foi não contar nada.Difícil foi sorrir sabendo que, naquele mesmo prédio onde eu salvei tantas vidas, alguém tinha decidido me colocar no banco dos réus.— Mamãe, você volta cedo hoje? — Selina perguntou, prendendo meu casaco antes de correr para o portão.Eu me abaixei à altura dela.— Vou tentar, meu amor.Era meia verdade. E as meias verdades estavam se acumulando na minha garganta.Selin me abraçou rápido, do jeito desajeitado dele.— O tio Adrian vai buscar a gente?— Vai sim.Isso pareceu acalmá-los. E me quebrou um pouco mais.Entrei no carro e fiquei alguns segundos parada, as mãos no volante, respirando fundo. Adrian tinha se oferecido para ir comigo. Eu disse não. Precisava atravessar aquilo sozinha. Se eu caísse… precisava saber que ainda sabia levantar.O hospital sur