All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 101
- Chapter 110
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Capítulo 101 — Declaração de Guerra
POV LIANNAO celular vibrou quando eu estava no quarto das crianças, dobrando as camisetas pequenas demais para o tamanho do medo que eu carregava no peito.Selina falava algo animada no banheiro. Selin cantarolava enquanto escovava os dentes. Vida normal. Vida segura. Vida que eu lutei para construir com as próprias mãos.Olhei a tela.Número desconhecido.Meu corpo reagiu antes da mente. Um frio seco subiu pela espinha.Abri.A primeira imagem apareceu sem aviso.Um documento.Logo do laboratório no topo.Código de autenticação.Assinatura digital.Resultado destacado em negrito.PROBABILIDADE DE PATERNIDADE: 99,98%.O mundo ficou em silêncio absoluto.Como se alguém tivesse desligado o som da realidade.Desci a tela, mesmo sabendo que não precisava. Lá estava o nome dele. O nome das crianças. O meu. Tudo escrito com a frieza científica de quem não mede consequências, apenas confirma fatos.Meus dedos ficaram dormentes.Então veio a segunda mensagem. “Eu avisei que descobriria.”Me
Capítulo 102 — A Mão que Salva
POV LIANNA Eu estava em casa quando o telefone tocou. Número do hospital. Ignorei. Suspensa. Oficialmente afastada. Invisível. O telefone tocou de novo. E de novo. Atendi na quarta chamada. — Lianna… — a voz do diretor veio quebrada, engolindo o orgulho. — Nós precisamos de você. Agora. Fechei os olhos. — Estou suspensa. — Eu sei. — silêncio curto, pesado. — Mas ninguém mais sabe fazer esse procedimento. Não com essa variação anatômica. Não sem risco altíssimo de óbito. Meu coração acelerou. — Quem é o paciente? — Jovem. Trinta e dois anos. Trauma abdominal grave. Hemorragia interna extensa. Já tentamos estabilizar. Está piorando. Respirei fundo. A médica em mim venceu antes da mulher ferida. — Estou a caminho.*** O centro cirúrgico parecia um organismo vivo quando cheguei. Todos me olhavam como se eu fosse uma resposta tardia. Vesti o avental em silêncio. Lavei as mãos com uma concentração quase ritualística. Cada movimento era automático, mas dentro de mim tudo ardia
Capítulo 103 — Sua permanência é provisória
POV LIANNAO corredor ainda vibrava com o eco dos passos de Zayden quando o silêncio voltou a se assentar. Um silêncio estranho, pesado demais para ser paz.Meu corpo começou a cobrar tudo de uma vez.O cansaço veio como uma maré alta. As mãos ainda latejavam. As pernas tremiam sob o peso de sete horas em pé, sete horas lutando contra algo invisível e implacável.Adrian percebeu antes de mim.— Ei… — ele disse baixo, segurando meu braço com cuidado. — Respira.Obedeci. Uma vez. Duas.— Eu estou bem. — menti.Ele não discutiu. Apenas ficou ali, firme, como se fosse impossível eu cair enquanto ele estivesse por perto.Foi então que ouvi passos apressados.Reconheci antes mesmo de olhar.O diretor.O mesmo homem que, dias atrás, assinara minha suspensão com uma caneta pesada demais para quem carrega um cargo daqueles.Ele vinha sério, mas não duro. Havia algo diferente no olhar. Algo que eu não via há semanas.— Doutora Lianna. — ele me chamou.Endireitei o corpo automaticamente. Médico
Capítulo 104 — Então você não vai cair.
POV LIANNA Ao invés de ir pra casa, meus pés me levaram para um lugar que eu conhecia de olhos fechados. Minha sala. O corredor estava mais silencioso do que o normal. A luz branca refletia no chão encerado, e cada passo meu parecia ecoar mais do que devia. Talvez fosse o cansaço. Talvez fosse o pressentimento. Empurrei a porta. E congelei. Viviane estava lá dentro. Minha sala. Minhas estantes. Minhas gavetas abertas. Ela estava esvaziando as coisas dela, pastas, livros, objetos pessoais, como se estivesse encerrando um capítulo. Ou preparando o terreno para outro. — Que curioso. — eu disse, fechando a porta atrás de mim. — Normalmente, quando alguém sai de uma sala, avisa. Ela não se assustou. Nem um pouco. Virou-se devagar, segurando uma caixa de papelão contra o peito. O sorriso veio fácil demais. — Ah. Você voltou. — disse. — Achei que já estivesse comemorando sua… pequena vitória. — O que você está fazendo aqui? — perguntei, cruzando os braços. — Mudando de sala. — resp
Capítulo 105 — Isso é duro de ouvir
POV LIANNAO telefone tocou quando eu já estava pronta para ir embora.Minha bolsa pendia do ombro, o corredor do hospital quase vazio, aquela hora morta entre turnos e decisões. Olhei a tela sem muita atenção, até ver o nome.Pai.Meu corpo reagiu antes da mente.Um frio seco na espinha. O estômago afundando.O coração acelerando como se eu tivesse sido flagrada fazendo algo errado.Ele não ligava.Não assim. Não sem avisar. Não sem um motivo grande.Atendi.— Alô?Do outro lado, silêncio. Um silêncio pesado, medido. Aquele que sempre precedia uma crítica.— Lianna. — a voz dele veio baixa, controlada. — Precisamos conversar.Fechei os olhos por um segundo.— Estou saindo do hospital. Se for—— Eu sei onde você está. — ele interrompeu. — Não é sobre trabalho.Claro que não era.— Então sobre o quê? — perguntei, já sentindo o peso se formar no peito.Ele respirou fundo.— Sobre seus filhos.A palavra bateu em mim como um soco. Meus dedos apertaram o telefone.— Quem te contou?— Isso
Capítulo 106 — Ameaças
POV LIANNA Eu fiquei sentada na cadeira da minha sala por um tempo que não sei medir. O hospital continuava vivo do lado de fora, passos apressados, vozes baixas, o som distante de um carrinho de medicamentos passando pelo corredor. Mas ali dentro, tudo estava suspenso. Como se o mundo tivesse apertado o botão de pausa só pra me deixar sentir. Meu pai sempre soube onde atingir. Não com gritos. Não com insultos. Mas com ausência. E, ainda assim, conseguiu me fazer sentir culpada por ter sobrevivido sem ele. Levantei devagar. Minhas pernas pareciam pesadas, como se eu tivesse corrido quilômetros. Peguei minha bolsa, chequei o celular por reflexo, nenhuma mensagem de Adrian. Provavelmente ainda no hospital, resolvendo algo. Melhor assim. Eu precisava de alguns minutos sozinha para recompor o que meu pai tinha revirado. Ou pelo menos tentar. Quando saí do prédio, o céu já estava escuro. As luzes de Genebra refletiam no asfalto molhado, e por um segundo eu pensei no quão boni
Capítulo 107 — A notificação judicial
POV ZAYDENGenebra sempre me pareceu silenciosa demais à noite. Não um silêncio calmo. Um silêncio calculado. Como se a cidade inteira estivesse apenas esperando alguém errar para fechar o cerco.Eu estava na varanda do hotel, o mesmo de sempre. O mesmo quarto. A mesma vista para o lago. Ironia cruel. Agora eu estava sozinho. Mas não me sentia só. Eu tinha algo muito mais poderoso do que companhia. Eu tinha certeza.A mensagem do laboratório ainda estava aberta no celular. Eu não precisava reler. Já tinha decorado cada linha, cada número, cada palavra técnica que, no fundo, só confirmava o que eu já sabia desde o instante em que vi aquele menino sentado ao meu lado no banco da escola. Selin e Selina, meus filhos. O jeito como ele observava tudo em silêncio. Como analisava antes de responder. Como sustentava o olhar sem medo, sem infantilidade. Aquilo não vinha só de Lianna. Aquilo vinha de mim. E a garotinha é idêntica a mãe. Sorri de canto. Ela achou mesmo que conseguiria esc
Capítulo 108 — Paz
POV LIANNA Eu estava sentada à mesa da cozinha quando Selin me observou. Não foi um olhar rápido, infantil, distraído. Foi aquele olhar quieto demais para uma criança de sete anos. Atento. Calculando. Como se ele estivesse tentando montar um quebra-cabeça sem todas as peças. Eu sabia que ele me via diferente naquela manhã. Cabisbaixa. Mais lenta. Pensativa demais até para alguém acostumada a carregar o mundo nas costas. — Mamãe? — ele chamou, a voz suave. Levantei o olhar. — Oi, meu amor. Ele caminhou até a bancada, subiu no banquinho como sempre fazia e ficou ao meu lado, analisando os ingredientes espalhados. — Você quer ajuda com o café? Meu coração deu um pequeno salto. Selin sempre foi assim. Não perguntava se eu estava triste. Ele oferecia solução. Apoio. Presença. Sorri para ele, um sorriso verdadeiro, ainda que cansado. — Quero, sim. Você pode me ajudar cortando as frutas? Os olhos dele brilharam com orgulho. — Posso. Entreguei a faca infantil, segura, e observ
Capítulo 109 — Eles não podem saber sobre ele.
POV SELINEu sabia que a mamãe estava diferente desde que acordei.Não foi porque ela falou menos. Nem porque demorou mais pra beber o café.Foi o jeito como ela ficou parada olhando pra mesa, como se estivesse pensando em algo que não estava ali. Adultos fazem isso quando estão preocupados. Eu já percebi faz tempo.Eu fiquei sentado no banco da cozinha, balançando as pernas, esperando ela me notar.— Mamãe? — chamei.Ela levantou os olhos rápido, como se tivesse sido puxada de um lugar longe.— Oi, meu amor.Ela sorriu, mas eu conheço os sorrisos dela. Aquele era um sorriso de “tá tudo bem” que não é bem verdade.— Você quer ajuda com o café? — perguntei.Ela pareceu surpresa. Depois, orgulhosa.— Quero, sim.Ela me deu a faca de plástico, aquela que não corta o dedo, e colocou as frutas na tábua. Eu gosto de cortar fruta. Gosto porque é organizado. Cada pedaço fica parecido com o outro, se eu fizer direito.Enquanto eu cortava, fiquei pensando no homem da escola.O homem sério.Ele
Capítulo 110 — Eu disse pra ele casar com você
POV SELINAEu gosto da hora de dormir.Não porque eu gosto de dormir, eu até prefiro ficar acordada, mas porque é quando tudo fica mais quieto. Quando ninguém manda, ninguém corre, ninguém fala alto. É quando eu posso pensar sem alguém dizer que eu estou pensando demais.O Selin estava deitado do meu lado, de barriga pra cima, com as mãos embaixo da cabeça. Ele faz isso quando está tentando parecer adulto.Eu estava abraçada no travesseiro.— Selin… — sussurrei.— Hm?— Você dormiu?— Não.Eu sorri no escuro. Eu sabia.— Você gosta do tio Adrian? — perguntei.Ele demorou um pouco pra responder. Selin sempre demora. Ele pensa antes.— Gosto.— Eu também.O quarto estava escuro, mas eu conseguia ver o teto por causa da luz fraquinha que vinha do corredor.— Ele é diferente — falei.— Diferente como?— Ele brinca com a gente sem fingir. — expliquei. — Ele escuta. Ele lembra das coisas. Ele não fala com a gente como se a gente fosse… pequeno.Selin virou o rosto pra mim.— Eu percebi isso