All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 111
- Chapter 120
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Capítulo 111 — Eu estou completamente apaixonado por você.
POV LIANNAA casa finalmente silenciou.Não aquele silêncio pesado que machuca, mas o outro. O que embala. O que avisa que o dia terminou e, por alguns minutos raros, nada vai explodir.As crianças dormiam.Selina abraçada ao unicórnio cor-de-rosa.Selin esticado como se estivesse de guarda até nos sonhos.Eu fechei a porta do quarto devagar, respirando fundo, como se cada passo para longe deles fosse um teste de coragem.Quando cheguei à cozinha, Adrian já estava lá.Encostado na bancada. Manga da camisa dobrada até o antebraço. Uma garrafa de vinho aberta. Duas taças. Um prato com queijos, frutas cortadas com cuidado demais para alguém que dizia não ligar pra detalhes.— Você não precisava… — comecei.— Eu quis — ele respondeu, simples.Ele serviu o vinho com calma, como se aquele gesto fosse um ritual. Como se estivesse dizendo fica. Sem usar a palavra.Peguei a taça. Nossos dedos se tocaram. Nada explosivo. Mas meu corpo inteiro reconheceu.— Você deve estar cansada — ele disse. —
Capítulo 112 — Fica no chão. É onde você pertence.
POV LIANNAO sono veio pesado.Não foi descanso.Foi queda.Meu corpo afundou no colchão como se estivesse cansado há anos, não horas. Adrian já tinha ido para o quarto dele. A casa estava silenciosa demais, aquele tipo de silêncio que não acalma, só amplia o que está dentro.Fechei os olhos. E o passado abriu a porta.***No sonho, eu estava naquela casa.A antiga.O mármore frio sob os pés descalços. As janelas enormes, sempre abertas, como se a casa precisasse parecer perfeita para quem olhasse de fora. O cheiro era o mesmo: perfume caro misturado com tensão.Eu sabia onde estava antes mesmo de ver.Zayden estava ali.Encostado na bancada da cozinha, o paletó jogado na cadeira, as mangas da camisa arregaçadas. O relógio caro ainda no pulso. Sempre o relógio. Sempre marcando um tempo que nunca era o meu.— Onde você estava? — ele perguntou.Não era um pedido. Nunca era.— Eu… — minha voz saiu baixa, automática. — Fui na casa do meu pai...Ele sorriu. Não era alegria. Era aviso.— Vo
Capítulo 113 — Ele já começou a guerra.
POV LIANNAEu acordei gritando. Não foi alto. Não foi escandaloso. Foi um som quebrado, preso na garganta, como se meu corpo tivesse medo até do próprio eco. O quarto estava escuro demais. Grande demais. Silencioso demais. Meu coração batia descompassado, violento, como se quisesse fugir do meu peito. As mãos tremiam. Eu precisei apertar o lençol para ter certeza de que estava acordada. Aqui. Agora. Segura. Mas o cheiro ainda estava ali. Memória é cruel assim. Ela não pede licença. Levantei da cama sem pensar. Os pés tocaram o chão frio e eu quase caí, o corpo ainda preso no passado, a cabeça tentando alcançar o presente. Respirar doía. Andei pelo corredor como um fantasma, abraçando o próprio corpo, sentindo a casa enorme de Adrian me engolir aos poucos. Cada sombra parecia um aviso. Cada estalo, um risco. A cozinha tinha uma luz acesa. Adrian. Ele estava encostado na bancada, camisa clara, mangas dobradas, uma xícara de café esquecida na mão. O rosto cansado, mas atento.
Capítulo 114— Isso vai virar uma guerra.
POV LiannaO dia começou normal demais.vEsse foi o primeiro sinal de que algo estava errado.O sol entrava pela janela da cozinha, Selina reclamava do leite quente, Selin lia alguma coisa avançada demais pra idade dele, Adrian conversava com o advogado no telefone, em voz baixa. Tudo parecia… sob controle.Eu estava passando café quando a campainha tocou.Uma vez. Seca. Profissional.Meu estômago afundou.— Eu atendo — Adrian disse, já em alerta.Mas eu sabia. Meu corpo sabia.— Não — respondi, largando a cafeteira. — É pra mim.Caminhei até a porta com a sensação exata de quem anda até o cadafalso. Abri.Do outro lado, um homem de terno escuro, expressão neutra demais para ser humana.— Senhora Lianna Cross? — perguntou.Assenti.Ele estendeu o envelope pardo.— Citação judicial. Pedido de reconhecimento de paternidade, guarda provisória, regulamentação de visitas e medida cautelar de afastamento.O mundo parou.Eu peguei o envelope com dedos trêmulos.— Afastamento… de quem? — minh
Capítulo 115 — Ele pode ser nosso pai?
POV LiannaA casa estava silenciosa demais para um dia que tinha sido tão barulhento por dentro.As crianças jantavam normalmente. Selina contava alguma coisa sobre uma história que tinha inventado na escola, Selin corrigia detalhes científicos inexistentes, Adrian observava os dois com aquele cuidado atento que já tinha virado hábito. Mas eu… eu estava longe.Meu corpo estava ali. Minha mente, não.Quando Selina pediu sobremesa e Adrian foi até a cozinha buscar, ele me lançou um olhar rápido. Um daqueles olhares que não perguntam, mas sabem.Depois que as crianças terminaram, ele se aproximou de mim na pia, baixinho.— Você está pensando em contar, não está?Eu assenti.— Acho que não dá mais pra adiar. — engoli em seco. — Não depois do que aconteceu hoje.Ele respirou fundo.— Quer que eu fique?— Quero. — respondi sem hesitar. — Mas… talvez seja melhor que eu fale sozinha. Eles precisam ouvir de mim.Ele assentiu, respeitoso.— Eu fico por perto. Qualquer coisa, é só chamar.Toquei
Capítulo 116 — …não é o fim da história.
POV SelinDepois que a mamãe terminou de falar, nada ficou exatamente igual. Mas também não ficou completamente diferente. Ficou… estranho.Como quando a gente muda de lugar os móveis da sala e, por alguns dias, anda batendo o dedinho em tudo, até o corpo aprender o novo caminho.Eu não falei muito depois da conversa. A Selina falou por nós dois. Ela sempre fala. Eu prefiro pensar. Guardar. Montar as coisas por dentro antes de decidir onde elas ficam.A mamãe nos levou para escovar os dentes, colocou o pijama da Selina com estrelinhas e o meu com dinossauros (eu já disse que não gosto mais tanto, mas ela insiste porque diz que combina comigo). Depois, anunciou:— Hoje tem noite do cinema.Isso foi… bom.Noite do cinema sempre foi um lugar seguro. Mesmo quando a mamãe estava cansada, mesmo quando algo dava errado, a noite do cinema continuava existindo. Pipoca, cobertor, sofá grande, e a sensação de que, por algumas horas, o mundo não entrava ali.O tio Adrian ajeitou tudo. Ele sempre
Capítulo 117 — Audiência encerrada.
POV LiannaO dia da audiência amanheceu cinza.Não era metáfora. O céu realmente estava pesado, nublado, daquele tipo que parece pressionar o peito antes mesmo de você sair da cama. Eu acordei antes do despertador, com o coração já acelerado, como se meu corpo soubesse que aquele dia não era comum.Era o dia em que alguém ia decidir sobre os meus filhos.Selin e Selina ainda dormiam quando me levantei. Fiquei alguns minutos parada à porta do quarto deles, observando os dois respirarem no mesmo ritmo, enroscados um no outro como sempre fizeram desde bebês. Aquilo me deu força e, ao mesmo tempo, medo.Porque tudo que eu fazia, cada decisão, cada silêncio do passado, estava ali por causa deles.Adrian já estava acordado. Encontrei-o na cozinha, de camisa social clara, mangas dobradas, preparando café em silêncio. Ele ergueu o olhar quando me viu e imediatamente percebeu meu estado.— Não dormiu — constatou, sem acusação.— Um pouco — menti.Ele não insistiu. Apenas se aproximou e colocou
Capítulo 118— Porque você ainda é minha esposa.
POV LiannaA porta do fórum se fechou atrás de nós com um som seco, definitivo demais para algo que, na prática, estava longe de acabar.O ar lá fora parecia diferente. Mais frio. Mais pesado. Como se a cidade inteira tivesse prendido a respiração junto comigo durante a audiência e agora devolvesse tudo de uma vez.Adrian caminhava ao meu lado, silencioso. Respeitoso. Eu sentia a presença dele como um escudo, mas sabia que aquela parte… aquela conversa… não podia ser dele.Precisava ser minha.— Adrian — chamei baixo, parando no topo da escadaria. — Me dá um minuto?Ele me olhou com aquela mistura de preocupação e contenção que já tinha aprendido a reconhecer.— Tem certeza?— Tenho.Ele assentiu, embora claramente não gostasse da ideia. Tocou minha mão uma última vez.— Eu vou estar ali — disse, apontando para o carro. — Qualquer coisa, você chama.Assenti. Respirei fundo.Zayden estava alguns metros à frente, conversando com um dos advogados. Postura relaxada demais para quem tinha
Capítulo 119 — Ele não quer as crianças por amor
POV LiannaO carro deslizou pela avenida como se nada tivesse acontecido.A cidade seguia linda, organizada, limpa. Pessoas caminhando com cafés nas mãos, vitrines impecáveis, a vida inteira funcionando enquanto a minha acabava de ser colocada num tabuleiro de guerra.Adrian dirigia em silêncio.Não era um silêncio vazio. Era aquele silêncio de quem está pensando em cinquenta coisas ao mesmo tempo e escolhendo com cuidado qual delas dizer primeiro.Eu olhava pela janela, mas via outra coisa:Zayden dizendo “nenhum homem além de mim vai ter você”.A frase não ecoava. Ela se alojava.— Ele não vai parar — falei, quebrando o silêncio. Minha voz saiu firme demais para alguém que estava tremendo por dentro. — Não agora que ele confirmou que são filhos dele.Adrian respirou fundo.— Eu sei.— Ele não quer as crianças por amor. — virei o rosto para ele. — Ele quer controle. Quer me obrigar a ficar. Quer me punir.— E não vai conseguir. — respondeu, seco.Eu queria acreditar com a mesma certe
Capítulo 120 — Não existe “nós”, Zayden. Existe você insistindo em algo que acabou
POV LIANNAO hospital sempre teve um jeito curioso de me reorganizar por dentro.Bastava atravessar as portas de vidro, sentir o cheiro limpo demais, ouvir o som distante dos monitores, para meu corpo lembrar quem eu era antes de virar campo de batalha de alguém.Médica.Cirurgiã.A mulher que salva quando tudo está em risco.Coloquei o jaleco com o mesmo cuidado de sempre. Amarrei o cabelo num coque firme. Conferi a agenda no tablet.Duas cirurgias pela manhã. Uma reunião da diretoria à tarde. E, em algum ponto do dia… Zayden.O nome não estava escrito, mas eu sentia como se estivesse.A primeira cirurgia começou às 7h15.Um caso cardíaco complexo, paciente jovem, trauma decorrente de um acidente de moto. Quando entrei na sala cirúrgica, tudo o que existia era o campo estéril, o som ritmado do monitor e minha equipe esperando minhas decisões.— Bisturi — pedi.A lâmina tocou a pele, e o mundo se afinou.Cirurgia sempre foi isso para mim: foco absoluto. Nenhuma memória, nenhum medo, n