All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 121
- Chapter 130
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Capítulo 121 — Competência não apaga segredos.
POV LIANNAEu só percebi o quanto estava exausta quando entrei no carro.As mãos demoraram um segundo a mais no volante. O coração ainda batia rápido demais para um dia que, tecnicamente, tinha sido “normal”.Hospital. Cirurgia. Reunião. Zayden.Normal.Dirigi até a casa de Adrian no piloto automático, repetindo mentalmente que as crianças estariam bem, que aquele espaço ainda era seguro, que ele tinha prometido e cumpria, proteger a gente.Quando estacionei, vi Selina pela janela, pulando no sofá enquanto Selin tentava explicar alguma coisa com a seriedade de um pequeno professor. Adrian estava ajoelhado no chão, montando algo com eles.A cena me desmontou.Não dramaticamente.Silenciosamente.Era assim que a vida deveria ser.Entrei.— MAMÃE! — Selina correu até mim, quase me derrubando.— Ei, meu amor — me abaixei para abraçá-la. — Como foi a escola?— A gente ganhou estrelinha dourada! — Selin anunciou. — Porque terminamos a atividade antes.— Claro que terminaram — sorri, beijand
Capítulo 122 — Você é o nosso pai?
POV LIANNAEu escolhi a pizzaria como quem escolhe um campo neutro em uma guerra antiga.Lugar público. Barulhento. Iluminado demais para sombras. Familiar o suficiente para crianças não estranharem. Seguro o bastante para eu conseguir respirar ou pelo menos fingir.Passei o dia inteiro com o estômago embrulhado.Selina pulava no banco de trás, cantando alguma música inventada. Selin observava tudo em silêncio, atento demais, como sempre fazia quando sentia que algo importante estava para acontecer.— Mamãe — ele perguntou —, o homem sério vai estar lá?Engoli em seco.— Vai, meu amor.— Ele é mesmo o nosso pai? — Selina perguntou de uma vez, sem rodeios, como se perguntasse se o céu era azul.Minhas mãos apertaram o volante.— Sim. — respondi. — Ele é.O carro ficou em silêncio.Não foi um silêncio pesado. Foi um silêncio de assimilação. De crianças organizando o mundo interno com peças novas demais.— Ele é mau? — Selin perguntou, baixo.Respirei fundo antes de responder.— Ele… — e
Capítulo 123 — Obrigada por amar meus filhos.
POV ADRIANA casa nunca ficava tão viva quanto nas noites de cinema.Era curioso pensar nisso, porque eu sempre tive tudo: espaço, silêncio, conforto. Mas nada disso se comparava ao som de passos pequenos correndo pelo corredor, às risadas altas demais para um horário “adequado”, às discussões sérias sobre qual filme escolher.— Rei Leão de novo, não! — Selina reclamou, jogada no sofá com as pernas para o alto.— É a história mais importante da humanidade. — Selin rebateu, sério, como se estivesse defendendo uma tese.Lianna riu.E eu… eu só observei.Havia algo nela hoje. Um cansaço diferente. Não físico... emocional. Como se cada gesto fosse um pequeno ato de coragem. Como se o dia tivesse cobrado caro demais.— Pipoca. — eu disse. — Eu faço.— Eu vou com você. — Lianna respondeu rápido demais.As crianças nem perceberam. Já estavam brigando pelo controle remoto.Seguimos para a cozinha.O contraste foi imediato. O barulho diminuiu. O mundo pareceu menor. Mais íntimo.Lianna encosto
Capítulo 124 — Amar não te dá direito de assumir o controle
POV LIANNAEu devia ter percebido.O silêncio dele naquela manhã não era calma.Era cálculo.Adrian sempre foi presente demais para ser distraído. Atento demais para simplesmente “deixar passar”. Mas eu estava cansada. A guerra com Zayden drenava tudo. Eu aceitei aquele café da manhã tranquilo como uma trégua do universo.Erro meu.As crianças já tinham saído para a escola. A casa estava estranhamente quieta. O tipo de quietude que faz o coração ficar alerta sem saber por quê.Adrian estava na cozinha, encostado na bancada, mexendo no celular.— Está tudo bem? — perguntei, casual.— Está. — respondeu rápido demais.Levantei a sobrancelha.— “Está” como em “está mesmo” ou “está porque você não quer discutir agora”?Ele sorriu de leve.— Está porque eu resolvi algumas coisas.Meu estômago afundou.— Que coisas?Ele guardou o celular no bolso, respirou fundo e veio até mim. Tocou meu braço com cuidado. Cuidado demais.— Lianna… eu precisava agir.A palavra precisava ecoou como um sino ra
Capítulo 125 — Qualquer decisão vai doer...
POV LIANNAO escritório do advogado cheirava a café velho e papel.Era um cheiro neutro, técnico, quase cruel, porque ali não havia espaço para medo, só para fatos. E fatos não se compadecem de ninguém.O meu advogado folheava os documentos com uma calma irritante, como se minha vida não estivesse inteira ali, empilhada em folhas.— Doutora Lianna… — ele começou, sem levantar os olhos. — Vou ser direto.Meu estômago se contraiu.— Prefiro assim.Ele assentiu, finalmente me encarando.— A medida cautelar solicitada pelo senhor Adrian foi… precipitada.Fechei os olhos por um segundo.— Eu imaginei.— Não é que esteja errada em essência. — ele continuou. — Há indícios de perseguição, sim. Fotografias, mensagens veladas, presença constante. Mas o problema não é o que foi feito. É quem fez.— Ele não deveria ter feito isso. — murmurei.— Exatamente. — Henri disse. — Para o tribunal, isso abre margem para uma narrativa perigosa: a de que você está sendo influenciada por um terceiro com inte
Capítulo 126 — Odeio que ele ainda tenha poder sobre você.
POV LIANNAO silêncio da casa depois que as crianças saíram sempre foi estranho.Mas naquela manhã, ele parecia pesado. Denso. Como se o ar soubesse o que eu ainda não tinha coragem de dizer em voz alta.Adrian estava na cozinha, encostado na bancada, mexendo no café que já devia estar frio havia minutos. Ele usava aquela camisa clara que eu gostava, a que fazia parecer que o mundo ainda podia ser simples.Eu parei a alguns passos dele.— Precisamos conversar.Ele ergueu o olhar na mesma hora. O tipo de olhar que não foge.— Você não dormiu. — disse, em tom baixo.— Dormi o suficiente para tomar uma decisão. — respondi.Ele franziu o cenho.— Isso nunca é um bom sinal.Engoli em seco.— Zayden me ligou ontem. Quando estava terminando a reunião com o advogado.O nome caiu entre nós como vidro quebrando.O corpo dele reagiu antes da mente. Mandíbula travada. Ombros tensos.— O que ele queria?— Fazer uma proposta.— Que tipo de proposta? — a voz dele já não estava calma.Respirei fundo.
Capítulo 127 — Com o Adrian você fica… quente.
POV LIANNAEu já sabia que não podia adiar.As crianças estavam tranquilas demais. Selina desenhava no tapete da sala, concentrada, língua presa no canto da boca. Selin montava uma torre impossível com blocos, em silêncio absoluto, aquele silêncio que ele só fazia quando estava pensando demais.Era agora ou nunca.— Filhos — chamei, sentando no sofá. — Vem aqui um pouquinho?Selina levantou primeiro.— É conversa séria?— É — respondi. — Mas não é ruim.Ela veio. Selin veio logo depois, trazendo dois blocos na mão como se fossem escudos.Sentaram um de cada lado.Respirei fundo.— Vocês já sabem quem é o Zayden. — comecei. — Já sabem que ele é o pai de vocês.Selin assentiu, sério.— A gente sabe.— E sabem também que ele quer se aproximar. — continuei. — Que quer fazer parte da vida de vocês agora.Selina mexeu no desenho, sem olhar pra mim.— Ele não parece muito feliz. — disse.Sorri de leve.— Ele não é muito bom em demonstrar felicidade.Selin franziu a testa.— Ele parece… tenso
Capítulo 128 — O que eu sinto por ele morreu há anos.
POV LIANNAArrumar uma mala nunca foi só sobre roupas.Era sobre o que ficava para trás.Dobrei o último vestido com cuidado excessivo, como se o tecido pudesse rasgar se eu respirasse errado. A mala aberta sobre a cama parecia um buraco negro: tudo o que eu colocava ali desaparecia num futuro que eu não queria viver.A casa estava silenciosa demais.As crianças tinham ido passar a tarde com Valentina. Eu não suportaria os olhares deles hoje. Não agora. Não nesse dia.Senti antes de ouvir.Adrian estava ali.Encostado no batente do quarto, braços cruzados, mandíbula travada, o corpo inteiro gritando algo que ele se recusava a dizer em voz alta. Ele não se movia. Só observava.Como se cada peça de roupa fosse uma traição. Como se cada dobra fosse uma contagem regressiva.— Você não precisa levar tudo isso — ele disse, finalmente.A voz controlada demais. Perigosa demais.— É só um mês — respondi, sem olhá-lo.Mentira. Nós dois sabíamos.Não era “só” nada.— Um mês na casa dele — Adrian
Capítulo 129 — Bem-vinda. À nossa casa.
POV LIANNAA casa ficou grande demais quando fechei a porta.Não vazia.Grande.Como se cada parede estivesse consciente de que eu estava saindo contra a minha vontade.As crianças desceram com as mochilas nas costas, animadas de um jeito contido, confusas demais para nomear o que sentiam. Selina falava sobre a vista que queria ver da nova casa. Selin observava tudo em silêncio, atento como sempre.Ele sabia.Sempre sabia.— Mamãe, é longe? — Selina perguntou, enquanto entrávamos no carro.— Um pouco — respondi. — Mas é só por um tempo.Ela assentiu, confiando. Aquilo me dilacerou.Selin fechou a porta com cuidado excessivo e se sentou no banco de trás, ao lado da irmã.— A gente volta, né? — ele perguntou, sem me olhar diretamente.Apertei o volante.— Volta — respondi. — Essa é a nossa casa. Aquilo lá… é só um lugar.Ele me observou pelo retrovisor. Como se quisesse acreditar.O trajeto até a nova casa de Genebra foi silencioso demais.Selina dormiu com a cabeça apoiada na janela. S
Capítulo 130 — E o que vejo é você aqui. Na minha casa. Com nossos filhos.
POV ZAYDENEles estão na minha casa.A constatação me atravessa com uma satisfação quase física.Vejo Lianna pela porta de vidro da cozinha, ajudando Selina a guardar os talheres. Selin observa tudo com aquele olhar atento demais para uma criança. Herdou isso de mim. Não adianta negar.A casa finalmente faz sentido.Durante anos, tudo o que tive foram espaços grandes demais e silêncio. Agora há passos. Vozes. Pequenas interrupções. Vida.E ela.Lianna se move como se estivesse em território inimigo. Cada gesto controlado. Cada palavra medida. Ela acha que está aqui por obrigação.Está.Mas não só por isso.— Jantar pronto — anuncio.Eles se sentam. Selina fala sobre a escola. Selin faz perguntas sobre a casa, a piscina. Inteligente. Calculista. Meu filho.Lianna quase não come.— Você precisa se alimentar — digo, servindo vinho.— Não — ela responde. — Estou bem.— Ainda tem esse hábito de fingir força — observo. — Nunca soube quando parar.Ela me encara.— Não comece.Sorrio de leve.