All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 131
- Chapter 140
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Capítulo 131 — A primeira noite
POV LIANNAA casa não dorme.Ela respira.Não é barulho. É presença. Um peso invisível que ocupa cada corredor, cada parede clara demais, cada porta que fecha com um som que ecoa mais do que deveria.As crianças finalmente pegaram no sono depois de muito custo.Selina pediu água três vezes. Selin quis saber se a porta do quarto ficaria trancada. Eu disse que sim, mesmo sabendo que não estava.Quando fechei a porta deles, minha mão tremia.Eu só percebi isso quando tentei girar a maçaneta.Respirei fundo.Uma vez.Duas.Controle, Lianna.Sempre foi assim.O quarto que Zayden separou para mim é grande demais. Tudo ali parece calculado para impressionar. A cama enorme. A poltrona posicionada de frente para a janela. O banheiro integrado, de vidro fosco, como se privacidade fosse apenas uma sugestão.Coloquei a mala no chão e não tive forças para desfazer.Troquei de roupa devagar. Camiseta larga. Calça de algodão. Nada que lembrasse intimidade. Nada que pudesse ser interpretado.Deitei n
Capítulo 132 — Primeiro café da manhã
POV LIANNAEu acordei antes do despertador.Não porque dormi bem, mas porque meu corpo não permitiu que eu dormisse fundo. Cada músculo parecia pronto para reagir. Como se eu estivesse em alerta máximo, mesmo em silêncio.O quarto ainda estava mergulhado numa luz pálida quando me levantei. Olhei para a porta das crianças antes de qualquer outra coisa. Fechada. Nenhum som.Respirei.Troquei de roupa com cuidado. Jeans. Camisa clara. Nada que chamasse atenção. Nada que pudesse ser interpretado. Prendi o cabelo num coque baixo, quase profissional demais para um café da manhã, mas eu precisava dessa armadura.Abri a porta do quarto deles devagar.Selina dormia espalhada na cama, um braço jogado por cima do irmão. Selin estava de lado, sério até dormindo, como se vigiasse o mundo mesmo inconsciente.Meu peito apertou.— Bom dia, meus amores… — sussurrei.Selina resmungou algo incompreensível. Selin abriu um olho.— Já é hora? — perguntou, com a voz rouca.— Ainda não. Mas vamos acordar dev
Capítulo 133 — Tudo estava exatamente onde eu queria.
POV ZAYDENTudo estava exatamente onde eu queria.Não perfeito, ainda, mas encaminhado.Eu observei o carro de Lianna sair pelo portão com as crianças e só então permiti que meus ombros relaxassem um centímetro. Um único. O suficiente para admitir a verdade que eu não diria em voz alta: tê-los ali mudou o eixo do mundo.Eles comeram comigo.Sentaram à minha mesa.Usaram a minha cozinha.Isso não era pouco. Era território retomado.Lianna podia fingir que não. Podia se armar de neutralidade, de distância emocional, de frases bem escolhidas. Mas eu conhecia aquela mulher melhor do que ela gostaria de admitir. A rigidez. O controle excessivo. A necessidade de parecer inabalável.Tudo isso era medo.E medo era a prova de que eu ainda importava.Passei o resto da manhã resolvendo coisas práticas. Segurança. Motorista. Agenda das crianças. Ajustes pequenos, mas essenciais. Cada detalhe era um tijolo na reconstrução.Reconquista não acontece em gestos grandiosos. Acontece em repetição. Em ro
Capítulo 134 — Eu tenho medo do que isso pode custar pra você
POV LIANNAO hospital tinha aquele cheiro específico de antisséptico e café requentado que sempre me aterrava no presente. Era estranho como, mesmo com tudo desmoronando fora dali, eu ainda conseguia operar, orientar residentes, salvar vidas.Mas por dentro… eu estava em guerra.Eu fechava um prontuário quando senti antes de ver.A presença.Levantei o olhar e lá estava ele.Adrian.O mundo diminuiu um pouco ao redor.Ele não sorriu de imediato. Apenas me observou, como se estivesse checando se eu era real, se eu ainda estava inteira. Os olhos escuros percorreram meu rosto com cuidado, demorando um segundo a mais no queixo, na boca.— Oi… — ele disse, baixo.Minha garganta apertou.— Oi.Não houve conversa no corredor. Nenhuma tentativa de disfarce. Ele apenas fez um gesto breve com a cabeça, silencioso, e eu soube. Caminhei à frente, destranquei minha sala e mal tive tempo de fechar a porta.Adrian me puxou.O beijo veio urgente, profundo, carregado de tudo que a gente não podia dize
Capítulo 135 — Trabalhando até em casa?
POV LIANNAA rotina tinha mudado. E não de um jeito bom.Reduzir minha carga horária no hospital foi uma decisão estratégica, não emocional... foi isso que eu repeti para mim mesma dezenas de vezes. Eu trabalhava apenas enquanto as crianças estavam na escola. Nenhum minuto a mais. Nenhuma brecha.Eu não ia deixar meus filhos sozinhos com Zayden.Não agora. Talvez nunca.Quando estacionei em frente à casa que ele havia alugado em Genebra, senti aquele aperto familiar no peito. A fachada era bonita demais. Limpa demais. Impessoal demais. Uma casa montada para parecer lar, sem jamais ser.As crianças desceram animadas do carro, discutindo sobre quem tinha mais tarefas de matemática. Selin carregava a mochila como se fosse uma pasta executiva. Selina pulava dois degraus de cada vez.Entrei logo atrás.Silêncio.Olhei ao redor, instintivamente.Nada.Nenhum som. Nenhuma presença. Nenhuma sombra dele.— O papai ainda não chegou — Selina comentou, com naturalidade infantil.Assenti, tentando
Capítulo 136 — Não confunda convivência com reconquista
POV ZAYDENEu não esperava por aquilo.Por nenhuma parte daquilo.Lianna na piscina não era só Lianna.Era uma lembrança reescrita com crueldade.O corpo dela estava diferente. Mais magro, sim, mas não frágil. Definido. Firme. Havia linhas novas ali, músculos discretos que não existiam antes. Sinais claros de alguém que se reconstruiu. Que se movimenta. Que luta.Ela estava em forma.Totalmente.E o que mais me atingiu não foi isso.Foi o fato de que eu reconheci cada centímetro daquele corpo… e, ainda assim, ele parecia novo demais para minhas mãos antigas.A roupa improvisada grudava nela por causa da água. Não era provocação e talvez por isso fosse pior. Porque não era encenação. Era real. Natural. Descuidada.Perigosa.Eu estava com as crianças. Falando com elas. Ensinando. Sorrindo.Mas meus olhos… me traíam.Eu olhava para Lianna. Sempre para Lianna.Ela permanecia perto da borda. Atenta. Vigilante. O corpo inclinado levemente para frente, pronta para agir se fosse necessário.N
Capítulo 137 — Eu não quero te ver perto dele.
POV ZAYDEN A mesa estava posta com precisão demais para um jantar que fingia normalidade.Pratos brancos. Talheres alinhados. Guardanapos dobrados como se alguém acreditasse que a ordem pudesse conter o caos.As crianças chegaram primeiro. Selina falando sem parar, Selin observando tudo com aquela atenção silenciosa que sempre me desmonta um pouco. Lianna veio por último.Trocada. Cabelo ainda úmido. Rosto fechado.Sentou-se na ponta oposta da mesa. Distância calculada.— O que temos hoje? — Selina perguntou, animada.— Pizza caseira e salada. — respondi. — Vocês escolhem a primeira fatia.Os olhos deles brilharam. Pequenas vitórias contam.Lianna serviu água para os dois antes de tocar no próprio copo. Sempre eles primeiro. Sempre.— Obrigado por ajudar na lição. — ela disse, sem me olhar. — Eles gostam quando você explica matemática.— Eu gosto quando eles me escutam. — respondi. — Nem sempre acontece com adultos.Ela lançou um olhar rápido. Cortante.As crianças riram de alguma pi
Capítulo 138 — Sobre ontem à noite…
POV ZAYDEN Eu não dormi.Não de verdade.A casa ficou silenciosa depois que me afastei do quarto dela, mas dentro de mim o barulho era ensurdecedor. O tipo de ruído que só nasce quando algo que você tentou enterrar por anos resolve respirar de novo.Lianna.O nome dela ecoava como um erro que eu nunca corrigi.Fiquei no meu quarto, sentado à beira da cama, a gravata largada no chão, a camisa aberta, as mãos apoiadas nos joelhos como se isso fosse me impedir de voltar pelo corredor e bater naquela porta.Não bati.Ainda.Mas foi por pouco.Ela tinha razão em uma coisa: aquela linha existia. E se eu cruzasse… não haveria volta. Nem para mim, nem para ela. Nem para as crianças.E era justamente isso que me corroía.Porque eu não queria só tocar nela. Eu queria retomar território.Não por orgulho. Não só. Mas porque vê-la com Adrian… isso me rasgava de um jeito que eu não esperava sentir de novo.Não era ciúme simples. Era posse misturada com culpa. Desejo atravessado por medo.E algo pi
Capítulo 139 — Você nunca foi um erro.
POV LIANNAO silêncio daquela casa era diferente à noite.Durante o dia, ele parecia apenas grande demais. À noite, parecia atento. Como se cada parede estivesse ouvindo, esperando algo acontecer.Eu trabalhei até meus olhos arderem. Relatórios, prontuários, pendências que se acumulavam como se o mundo tivesse decidido cobrar tudo de uma vez. Trabalhar de casa era um privilégio e uma armadilha. Não havia pausa real. Só uma troca de cenário.As crianças já tinham jantado, tomado banho, dormido. Verifiquei duas vezes. Às oito da noite, tudo estava quieto demais.Zayden ainda não tinha chegado.E foi aí que pensei na piscina. Não por ele. Não por provocação. Por mim. Meu corpo estava tenso, meus ombros duros, a mente acelerada demais. Eu precisava me mover. Precisava de água, de silêncio, de algo que não exigisse decisões.No quarto, escolhi conforto, não beleza.Um top de ginástica preto. Firme. Seguro.Uma calcinha tipo shortinho, também preta.Nada delicado. Nada insinuante. Apenas f
Capítulo 140 — O amor não acabou de uma vez
POV LIANNAO silêncio entre nós não era vazio.Era denso. Cheio de coisas não ditas, de memórias que insistiam em respirar no mesmo espaço que nós.Zayden estava ali, a poucos passos, mas parecia anos distante. Sem o paletó, sem a postura ensaiada de quem sempre entra em um ambiente como se fosse dono dele. Os ombros caídos denunciavam um cansaço antigo. Não o do dia. O da vida.Eu me sentei melhor na espreguiçadeira, puxando o roupão ao redor do corpo, mais por proteção emocional do que por frio. A taça de vinho repousava na mesinha ao lado. Eu precisava estar sóbria para aquela conversa.— É estranho… — murmurei, olhando para a água da piscina. — A gente nunca fez isso.— Isso o quê? — ele perguntou, a voz mais baixa do que o habitual.— Conversar. Sem disputa. Sem estratégia. Sem querer ganhar.Ele soltou um meio sorriso, amargo.— Sempre fomos péssimos nisso.Assenti. Éramos.Lembrei do início. Sempre voltava ali quando o passado resolvia bater. Faculdade. Biblioteca. O jeito como