All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 11
- Chapter 20
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Capítulo 11 — “Dra. Lianna Aslan. Sou a responsável pela cirurgia.”
POV Zayden CrossO som constante dos monitores cardíacos era irritante, repetitivo, quase tão sufocante quanto o peso do silêncio de Camille na maca.O hospital cheirava a desinfetante e arrependimento.Ela estava pálida. Pequena. Quase irreconhecível. A mulher que me desafiava em público, que falava alto e ria de tudo, agora mal conseguia respirar sem ajuda de uma máquina. Ironia do destino, o que mais a sustentava era o mesmo orgulho que um dia destruiu Lianna.Eu estava de pé há horas, olhando o ponteiro do relógio girar, enquanto os médicos falavam sobre “complicações cardíacas”, “procedimentos delicados”, “cirurgia de alto risco”. Tudo o que ouvi foi: ela pode morrer.— O que vocês precisam? — interrompi. — Dinheiro? Equipamentos? Eu pago o que for.O médico respirou fundo, como quem escolhe as palavras com cuidado.— Não é uma questão de dinheiro, senhor Cross. É de competência.— Explique-se.— Há apenas uma especialista no país com experiência suficiente para esse tipo de caso
Capítulo 12 – “Não há nada a conversar, Sr. Cross.”
POV Lianna AslanO som do monitor cardíaco era estável. A respiração de Camille, controlada. O sangue nas minhas luvas, limpo.Cinco horas de cirurgia, e o resultado estava diante de mim: vida.Enquanto eu removia o gorro e as luvas, a equipe me olhava com uma mistura de alívio e reverência. Já estavam acostumados ao improvável, mas, ainda assim, o impossível sempre tinha gosto de milagre.— Excelente trabalho, doutora. — murmurou o anestesista. — Achei que a perdíamos.— Eu também. — respondi, fria. — Mas não hoje.Deixei a sala e tirei o avental cirúrgico, juntamente com as outras peças sujas de sangue. Não olhei para trás. Não me dei o luxo de sentir nada. O som dos meus saltos no corredor era o único lembrete de que eu ainda estava viva.Até que o inevitável aconteceu. A voz dele.— Lianna.Meu corpo congelou por um segundo. Mas eu não parei.— Lianna, espera. — ele insistiu, aproximando-se.Parei. Devagar. Respirei. E me virei. Zayden Cross estava a poucos passos de mim, o mesmo
Capítulo 13 — "Acha que Zayden desistiria do poder de me manter presa ao nome dele?"
POV Lianna AslanO ar do estacionamento estava frio. O céu estava escuro e estava nublado. Depois de horas dentro daquelas paredes brancas, cada passo até o carro era um lembrete do quanto eu queria distância dali e dele.Meu corpo ainda tremia levemente pela descarga de adrenalina da cirurgia. Mas não era o bisturi que me deixava assim. Era o fato de ter ficado a poucos metros de Zayden, o homem que me ensinou o significado da palavra ruína.Segurei o crachá, respirei fundo e destravei o carro. Estava prestes a entrar quando ouvi a voz que menos esperava naquele momento:— Li!Fechei os olhos, exasperada, antes de virar.— Valentina.Ela vinha apressada, com o jaleco aberto, cabelo preso de qualquer jeito e o mesmo sorriso debochado que carregava desde os tempos de residência. Valentina Meyer, minha melhor amiga, ou talvez, o lembrete vivo de que eu ainda era humana.— Então é verdade! — exclamou, apoiando-se na porta do carro. — A doutora gélida operou a atual do ex!— Val...— Ai,
Capítulo 14 — Vai embora, Sr. Cross. Antes que eu chame a segurança.
POV Zayden CrossEu a vi antes de ela me ver. Lá estava Lianna, rindo. Rindo. Como se o inferno que me deixou pra trás nunca tivesse existido.Do outro lado do estacionamento, observei enquanto ela e outra médica de cabelos negros conversavam, e depois aquele homem apareceu. Alto, postura perfeita, o tipo que carrega “bondade” como perfume. O tipo de homem que ela merecia e que eu nunca soube ser.E ele a fez sorrir. Aquela maldita curva nos lábios dela que eu achava que tinha destruído. Segurei o volante com força, os nós dos dedos embranquecendo. O ciúme era uma doença antiga. E eu acabara de sofrer uma recaída grave.— Então é assim, Lianna... — murmurei, amargo. — Me enterra vivo, finge que sou um fantasma, e ainda flerta no estacionamento?A voz dela ecoava na memória: “Não há nada que você ainda possa tirar de mim.” Talvez não. Mas eu podia fazer o que fazia de melhor, transformar o que era paz em guerra.Saí do carro e me aproximei. Devagar, o suficiente pra ela sentir minha pr
Capítulo 15 — O papai é mau?
POV Lianna O despertador nem precisou tocar. Eu já estava desperta muito antes dele anunciar o início de mais um dia. A insônia decidiu que dormir é luxo, e minha mente não está autorizada a ter privilégios. O café fervia, e o aroma preencheu a cozinha com uma pretensão falsa de normalidade. Normalidade… que palavra cruel. Coloco duas fatias de pão na torradeira, separo frutas em potinhos idênticos, azul para Selin, amarelo para Selena. Dois uniformes dobrados na cadeira. As mochilas organizadas na noite anterior. Uma mãe pronta para lutar contra o mundo enquanto o mundo tenta derrubá-la. — Mãe? — a voz sonolenta de Selena. — Bom dia, meu amor. — Puxo-a para um abraço. Aquele abraço que me mantém viva. — Vai se arrumar, ok? Café está quase pronto. Selin aparece logo atrás, o cabelo bagunçado como se tivesse travado guerra com os travesseiros. Ele beija minha testa. Pequeno cavalheiro. Meu protetor mirim. — Sonhou? — pergunto. — Com dragões. — responde ele. — Eu venci.
Capítulo 16 — Agora você volta a olhar pra mim.
POV ZaydenA sala de reuniões estava fria como sempre, com o vidro escancarando a cidade lá embaixo, um mapa que eu costumava dominar. Hoje, porém, o mapa parecia rir de mim. Uma pasta caiu sobre a mesa; a voz do meu advogado reverberou com aquele tom de quem tenta amortecer uma bomba.— Senhor Cross… recebi a petição. A doutora Lianna Aslan entrou com uma liminar para bloqueio provisório de bens e pediu tramitação acelerada do divórcio.Liminar. Bloqueio. Aquelas palavras tinham gosto de traição formal. Respirei devagar, o mundo girando mais devagar, como se alguém tivesse reduzido o frame da minha vida.— Ela... entrou com liminar? — repeti, repartindo o ar como quem prepara um ataque.— Sim. Alegações de risco patrimonial. Eles pedem tutela provisória sobre alguns ativos até que tudo seja decidido.Senti o primeiro rolo de raiva subir do estômago à garganta. Não por ciúmes, isso já era água batida, mas porque alguém ousava mexer no meu tabuleiro enquanto eu dormia. Eu resolvia isso
Capítulo 17 — Doutora Viúva
POV LiannaO café esfriava no console do carro enquanto eu revisava o relatório pós-operatório. Tentei focar nas palavras técnicas, nas porcentagens, nas notas frias que me lembravam que meu trabalho ainda era o único lugar em que tudo fazia sentido.Mas o toque do celular quebrou o silêncio.“A Doutora Viúva: quem é a mulher que fugiu da vida e do marido morto? Retorno triunfal de Lianna Aslan: heroína ou oportunista?"Por um segundo, senti o sangue subir ao rosto. As mãos tremeram, mas não deixei a caneta cair. Respirei fundo, contei até três, como aprendi na terapia, e desliguei a tela. Não era hora de quebrar.Abri a porta e saí do carro. O ar da manhã era frio, cortante. Entrei no hospital com a postura que aprendi a usar quando o mundo tenta me empurrar: reta, firme, quase arrogante.Os corredores estavam diferentes. Olhares. Sussurros. O som abafado dos passos que evitam contato visual. A guerra silenciosa tinha começado.— Doutora Aslan. — Um residente me alcançou, tímido. — H
Capítulo 18 — Acabou, Lianna. Agora é pela sua vida.
POV LiannaO portão eletrônico se abriu com aquele som metálico que parecia gritar o cansaço do dia. A casa estava mergulhada em meia-luz, o tipo de silêncio que antecede uma pergunta difícil. Joguei as chaves na bancada e tirei o jaleco com o mesmo peso de quem se despe de uma armadura.— Mãe… — a voz de Selena veio suave do corredor.Ela estava sentada no sofá, o tablet no colo, os olhos marejados. No canto, Selin, mais calado que o habitual, mexia num brinquedo só pra parecer ocupado. Meu estômago afundou.— O que aconteceu? — perguntei, já sabendo.Selena olhou pra mim, e a voz dela saiu trêmula, frágil demais pra uma menina de sete anos.— As crianças… disseram que você é famosa. Que apareceu na internet. Que… que você matou o papai.Silêncio.Selin largou o brinquedo com força.— Eles chamaram a gente de mentirosos! Disseram que nosso pai morreu e você é uma bruxa!O sangue me gelou. Meu nome, o rosto deles, tudo virando munição na boca de estranhos.Ajoelhei-me diante deles.—
Capítulo 19 — O Investidor Fantasma
POV LiannaO dia amanheceu cinza. Não aquele cinza melancólico, mas o tipo que anuncia tempestade a qualquer momento. A mensagem chegou logo cedo, no grupo interno do hospital: “Reunião extraordinária às 10h. Presença obrigatória de toda a equipe sênior. Novo investidor apresentado.”Revirei os olhos. Mais uma reunião corporativa que tentaria travestir poder de progresso. Mas a curiosidade, maldita e inevitável, cutucava no fundo da mente. Quem investe milhões num hospital sem ao menos avisar o corpo clínico?Tentei não pensar nisso. Tinha pacientes a revisar, exames a checar. Mas o nome “investidor” começou a ecoar como um presságio.Às 9h55, eu estava lá: mesa oval de vidro, paredes brancas, o logotipo da instituição gravado em aço escovado. O ambiente cheirava a café caro e hipocrisia. Adrian já estava sentado, revisando uma pasta. Sorriu quando me viu entrar.— Dormiu? — perguntou, baixo.— Dormir é um luxo que não estou me dando nos últimos dias... — murmurei, sentando ao lado de
Capítulo 20 — O Primeiro Embate Público
POV Lianna A sala de imprensa do hospital mais parecia um tribunal. Luzes fortes, câmeras piscando, e os jornalistas afiando canetas como quem prepara facas. Eu odiava aquele tipo de exposição, mas quando o nome do hospital estava envolvido, o dever vinha antes do desconforto.Sentei-me na mesa principal, à direita do diretor. À esquerda… Zayden Cross. O homem que eu passei anos tentando apagar agora estava sentado a menos de um metro de mim, elegante, impassível, e com aquele maldito olhar de quem acredita que ainda tem algum poder sobre mim. Não olhei pra ele. Nem uma vez. Meu controle era milimétrico, igual ao de uma cirurgia cardíaca.Viviane Weber entrou atrasada, como sempre, com o salto ecoando pelo chão de mármore e um sorriso ensaiado de quem acha que está prestes a roubar a cena. Ela era o tipo de mulher que confundia autopromoção com talento. E, infelizmente, também o tipo que os jornalistas adoravam.A entrevista começou. Perguntas sobre o novo projeto hospitalar, sobre