All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 1
- Chapter 10
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Capítulo 1 – "Parabéns, senhora. Você está grávida."
POV Lianna AslanPassei três anos dando tudo de mim para conquistar o coração de Zayden, mas o que chegou antes do amor dele, foi um acidente de carro.Um segundo antes, eu ainda acreditava que poderia salvar o resto daquela noite. O jantar de aniversário do nosso terceiro ano de casamento, que ele esqueceu, a mesa posta com carinho, o vinho esperando no balde de gelo. As velas queimavam sozinhas sobre a mesa enquanto o relógio avançava, implacável.Eu liguei. Mais de uma vez.Nenhuma resposta. A cada chamada ignorada, o nó no meu peito apertava mais. A cabeça girava com todas as possibilidades: o trabalho, uma reunião, ou…O silêncio dele gritava mais alto que qualquer resposta. E, movida por um desespero que eu mesma não reconhecia, peguei as chaves e saí.Minhas mãos tremiam no volante, o coração batia descompassado. As mensagens não entregavam, o telefone seguia mudo. “Por favor, só me atende”, sussurrei, a voz presa entre soluços e o barulho da chuva fina que começava a cair.E
Capítulo 2 — "Você é uma fera, e eu adoro isso."
Pov Lianna AslanO som do celular ainda vibrava na minha mente, insistente, como se zombasse da minha ingenuidade.Zayden soltou o braço dela por um instante, enfiou a mão no bolso e, sem olhar a tela, desligou a chamada. Friamente. Como quem desliga um incômodo.Meu coração se partiu um pouco mais naquele gesto simples.Ele sabia que era eu.Sabia.Camille passou a mão pelo braço dele, teatralmente, inclinando-se para dizer algo. Eu estava perto o suficiente para ouvir, embora desejasse não estar.— Você precisa relaxar, amor. Foi só um corte. — A voz dela era mansa, quase infantil.— Eu não devia ter me empolgado tanto ontem — ele respondeu, tenso, mas ainda assim doce. — Foi demais… acho que acabei me empolgando.“Ontem.”A palavra ecoou como um soco no peito. Ontem eu sofri um acidente e ele não veio me ver. Ontem era nosso aniversário de casamento e ele não apareceu. Agora entendi... ele estava com ela o tempo todo.Camille riu, aquele riso abafado que eu conhecia desde criança,
Capítulo 3 — "Você é minha, Lianna. Sempre foi. Nunca teve opção."
POV LiannaO relógio marca duas da manhã.Estou deitada na cama, ainda com a cena do hospital, que não sai da minha cabeça. Zayden e Camille, rindo como cúmplices, as mãos dele firmes na cintura dela. O jeito que ele a olhou, como se ela fosse o centro do universo.Ao chegar em casa, subi com dificuldade, tomei banho, me maquiei e coloquei uma lingerie para tentar enxergar o problema em mim, já que o meu marido foi atrás de outra mulher. Fiquei horas na frente do espelho até começar a chorar sem parar, me sentindo inferior a qualquer mulher. Tento dormir, mas cada vez que fecho os olhos, é como se as palavras da minha irmã e o cuidado do meu marido com ela ficassem se repetindo e brilhando cada vez mais na minha mente.E então, o som. A porta da frente se abre.Ele chegou.Meus músculos ficam tensos. Quero me esconder, quero desaparecer, mas minhas pernas não obedecem. Fico imóvel, como presa que já sabe do predador.O ranger dos sapatos no piso de mármore, o tilintar das chaves so
Capítulo 4 — “Seu corpo me pertence. Sua alma me pertence. Esqueceu?”
Pov Lianna AslanMinha respiração falha. O chão some sob meus pés. A verdade, cruel e nua, se instala: meu casamento nunca foi amor. Foi uma prisão.As lágrimas escorrem sem que eu consiga controlar.Não digo mais nada. Não consigo.Afundo no chão, encostada à cama, puxando o lençol para me cobrir, tentando me recolher em um casulo de silêncio. Ele me encara por um instante, resfolegando, depois se afasta, ajustando a camisa como se nada tivesse acontecido.— Amanhã conversamos. — Sua voz é seca, definitiva.Ele deu meia-volta, mas em vez de sair, parou diante da porta. Seus ombros subiram e desceram numa respiração profunda. Quando se virou novamente, a frieza nos olhos havia dado lugar a algo mais perigoso, mais primitivo. Uma centelha de posse absoluta que fez meu estômago embrulhar.— Pensando bem, não... Não vamos esperar até amanhã — ele disse, sua voz um fio de ameaça sedosa. — Você quer a verdade, Lianna? Então vai ter. Toda ela.Meus olhos arregalaram-se quando ele arrancou o
Capítulo 5 — "Querida irmã, estou transando com o seu marido!"
POV LiannaMeu rosto ainda dói.Passei mais de uma hora em frente à penteadeira tentando apagar o tapa que Zayden me deu na noite passada. O que consegui foi apenas disfarçar. Olho para o meu reflexo no espelho. Os olhos que me encaram são de uma estranha. Estão vazios, sem brilho, como se a luz que neles habitava tivesse sido roubada. A mulher que escolheu uma lingerie para celebrar o amor está morta. O que sobrou é um casulo vazio, uma concha quebrada na praia após uma tempestade,Eu não posso falhar. Hoje é um evento da empresa, o tal jantar de negócios que Zayden considera mais importante que qualquer aniversário de casamento, mais importante que nós dois. E eu, como sua esposa, tenho que estar lá. Brilhar. Fingir que nada aconteceu.Escolhi um vestido longo, vermelho escarlate. Elegante, mas não ousado. Um escudo disfarçado de glamour. Coloquei joias discretas, presilhas douradas no cabelo. Se ele me quer como acessório, que seja o mais caro da vitrine.Quando entro no salão d
Capítulo 6 – "Eu estou grávida, Zayden. Grávida de gêmeos.”
POV Lianna — Você enlouqueceu, Lianna?! — Zayden grita. — Camille não fez de propósito, e mesmo assim você foi cruel! Ela está fraca, podia ter se machucado. Peça desculpas!— Fraca?! — minha voz treme. — Você chama isso de fraqueza? Depois de tudo que ela fez?— Chega! — ele interrompe. — Você vai pedir desculpas. Agora.As pessoas olham. Algumas cochicham. Eu sinto o chão fugir.— Não. — sussurro. — Eu não vou pedir desculpas por me defender.Ele me encara, incrédulo. — Está me desafiando, Lianna?— Estou cansada de ser sua piada.Eu viro o rosto, engulo o grito que ameaça sair. Saí do salão.O corredor do hotel estava frio, o mármore gelado sob meus pés. Encostei na parede, respirei fundo.Uma. Duas. Três vezes. Mas o ar não entrava.Meu peito apertava como se algo o esmagasse de dentro pra fora. O coração disparava. A visão começou a escurecer nas bordas.— Senhora Cross? — ouvi alguém chamar, distante. Não respondi. Dei um passo. Depois outro. O chão pareceu sumir. Tudo fico
Capítulo 7 – "A partir de hoje, não existe mais Lianna Cross, sua esposa."
POV Lianna Aslan— Eu estou grávida, Zayden. — sussurrei. — Grávida de gêmeos.O silêncio que veio depois foi o pior tipo de tortura.Por um instante, ele só me olhou, o maxilar travado, o olhar duro como pedra. Pensei que ele fosse me abraçar, ou pelo menos perguntar se eu estava bem. Mas não.Ele riu. Baixo no começo, depois mais alto, sarcástico, ferino.— Gêmeos. — repetiu, com uma ironia que doeu mais do que qualquer soco. — Que conveniente, Lianna. Dois filhos de uma vez só. Acha mesmo que vou cair nessa?— O quê? — minha voz quebrou. — Zayden, eu… eu acabei de sair do hospital. Eu desmaiei, e o médico…— Ah, por favor! — ele cortou, levantando as mãos, rindo com desdém. — Agora você desmaia também? Que atuação, Lianna. Deve ter aprendido com suas novelas preferidas.— Eu não estou mentindo! — as lágrimas começaram a escorrer. — Eu… eu posso te mostrar os exames, eu…Ele se aproximou, o olhar fervendo de raiva e desprezo. — Você acha que eu sou idiota? Que vou engolir essa hist
Capítulo 8 – "Doutora Aslan, a cirurgiã renomada e… viúva."
POV Lianna AslanSETE ANOS DEPOISAs lâmpadas cirúrgicas pairavam sobre mim como sóis brancos e implacáveis. O silêncio na sala só era quebrado pelo bip regular do monitor cardíaco, o som ritmado da ventilação mecânica e o tilintar dos instrumentos quando passavam de mão em mão.Eu já não tremia. Não há espaço para hesitação quando a vida de alguém está aberta diante dos seus olhos. Minhas mãos estavam firmes, como sempre estiveram quando eu decidira, sete anos atrás, que nada, absolutamente nada, me faria abrir mão da medicina novamente.— Pinça de Kelly. — minha voz soou calma, ainda que a pressão da cirurgia fosse quase insuportável para qualquer outro.Um dos residentes ao meu lado quase tropeçou no banco para me entregar o instrumento, nervoso. Eu sabia o que ele sentia: admiração misturada a medo. Já havia me acostumado com aqueles olhares.A "Doutora Aslan", como me chamavam agora, tinha se tornado uma lenda viva em corredores de hospitais renomados de Zurique a Nova Iorque, de
Capítulo 9 — Mas todo mundo tem pai, mãe. Por que a gente não tem?
Pov Lianna AslanEm casa, a vida era outro espetáculo, igualmente desafiador.O apartamento que escolhi para morar em Genebra era amplo, moderno, mas tinha a alma que eu dei a ele: janelas abertas para o lago, paredes cobertas por livros de medicina e literatura, plantas que eu mesma cuidava quando precisava esvaziar a mente. Mas o coração da casa corria em pés descalços pelo corredor naquele fim de tarde.— Mãe! — Selena correu até mim primeiro, como sempre. Se atirou nos meus braços ainda com o uniforme da escola, as tranças meio desfeitas e os olhos cor de mel brilhando de curiosidade. — Você demorou! A gente já tinha apostado se você ia chegar antes ou depois do pôr do sol!— Quem ganhou? — perguntei, ajeitando-a no colo, sentindo o cheirinho de giz de cera e chocolate que sempre vinha dela.— Eu, é claro. — respondeu uma voz mais baixa, irônica, logo atrás. Selin, com os mesmos olhos que um dia me fizeram tremer diante de Zayden, apareceu segurando uma pasta escolar. — Eu disse q
Capítulo 10 — “Nada de divórcio. Ela, vai, voltar.”
POV ZaydenSete anos.Os anos passaram, mas o rancor não. Eu me tornei mais rico, mais frio, mais respeitado. Expandimos a empresa para três países, e o meu nome virou sinônimo de sucesso. Mas sucesso é só uma forma elegante de mascarar o vazio.Camille continuou ao meu lado, mesmo sem alianças, mesmo sem promessas. Ela dizia que me amava. Eu fingia acreditar. De certa forma, ela me lembrava o que era ter alguém ao alcance da mão, mesmo que o coração estivesse a quilômetros dali.Às vezes, quando ela dormia, eu olhava pra ela e tentava convencer a mim mesmo de que tinha escolhido certo dessa vez. Mas o perfume que ela usava era doce demais. O toque, previsível demais. Lianna tinha o cheiro do impossível. Camille tinha o cheiro da rotina.E eu me odiava por ainda comparar.Sete anos desde o dia em que ela foi embora. Quando ela foi embora, eu não acreditei. Achei que fosse só mais uma das crises dramáticas, dessas que terminam em lágrimas e promessas. Eu esperei. Esperei uma semana.