All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 21
- Chapter 30
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Capítulo 21 — Eu chamaria de destino.
POV LiannaA coletiva tinha acabado, mas o burburinho ainda ecoava pelos corredores do hospital. Já era fim de tarde, mas o som das câmeras, das risadas, dos sussurrosainda preenchiam minha mente. Aquela mistura de admiração e veneno que vinha no mesmo pacote desde que eu voltara a existir para o mundo.Eu só queria sair dali. Trocar o salto pelo silêncio da minha casa, o flash das câmeras pelo barulho suave da chaleira fervendo.Mas, claro, o inferno tem ótimo timing.— Doutora Aslan. — A voz grave veio do corredor.Virei e encontrei o inferno de terno. Zayden. Mãos nos bolsos, semblante frio, mas os olhos… aqueles olhos tinham raiva o suficiente pra incendiar um prédio.— A direção quer falar com a senhora. — disse, formal, controlado demais.— A direção? — ergui uma sobrancelha. — Ou o senhor Cross?Ele manteve o sorriso de quem sabe o jogo que joga.— Os dois. A reunião é sobre “conduta pública”. — Fez aspas com os dedos. — Acho que você sabe o motivo.Suspirei.— Se for para me i
Capítulo 22 — Vai cuidar de Camille, Zayden.
POV LiannaRespirei fundo, tentando colocar o coração de volta no lugar. Adrian seguia ao meu lado, discreto, com aquele silêncio de quem entende mais do que fala.— Eu não sei o que responder a isso, Adrian — admiti. Ele olhou pra mim, com a serenidade que sempre me desconcertava.— Então não diz. Só mostra. Você já fez isso hoje.Tentei sorrir, mas o ar ainda vinha pesado. Foi nesse instante que ouvi a voz mais familiar do mundo:— Se eu não te conhecesse, diria que parece uma bomba-relógio prestes a explodir.Virei. Valentina. Meu alívio instantâneo. Ela vinha com a prancheta debaixo do braço e aquele olhar de quem sabia que o caos tinha nome e sobrenome.— Finalmente — sussurrei, puxando-a pra um abraço rápido. — Que bom que você veio.— Claro que vim. — Ela respondeu, arqueando uma sobrancelha. — Alguém tem que te impedir de matar o novo investidor do hospital.Revirei os olhos.— Por favor, não começa.Valentina suspirou e olhou em volta, certificando-se de que ninguém escutava
Capítulo 23 — Ela está viva apesar de você
POV ZaydenEu não queria admitir, mas as palavras dela ficaram batendo no meu crânio como martelo: ritmadas, irritantes, impossíveis de ignorar."Sua amante está sozinha num quarto de hospital." "Vai cuidar dela. Se sobrar tempo, cuida da sua consciência."Merda.O estacionamento tinha ficado pequeno demais depois que Lianna fechou a porta do carro e foi embora. O som do motor dela se afastando soou como uma acusação. E, pela primeira vez em muito tempo, eu me senti… exposto.Camille. Eu realmente a deixei sozinha?Passei a mão pelos cabelos, irritado, e entrei no elevador. Não era culpa minha. Não totalmente. Ela tinha médicos. Enfermeiras. Uma equipe inteira. Mas Lianna tinha dito aquilo com tanta convicção que parecia verdade absoluta.Droga.Quando entrei no corredor da ala pós-operatória, encontrei Camille recostada na cama, os olhos cansados demais para alguém que sempre teve energia.Ela virou o rosto quando me viu.— Pensei que você não vinha. — disse, a voz fraca, mas carrega
Capítulo 24 — Agora é que vai começar.
POV LiannaQuando saí do hospital, o mundo parecia feito de vidro fino. Cada passo ecoava como se meu corpo tivesse sido esvaziado por dentro.Eu tinha acabado de salvar ela. Camille. A amante do meu marido. A mulher que partiu minha vida em duas metades. A minha meia-irmã. E eu fiz o que tinha que fazer. Mas o que tinha que fazer… não era o que o meu coração queria.O vento da noite bateu no meu rosto enquanto eu caminhava até o estacionamento. A cabeça latejava. O jaleco pesava. A alma arrastava um cansaço que não tinha nome.— Lianna.A voz de Adrian me alcançou antes que eu conseguisse abrir a porta do carro.Virei devagar. Ele vinha apressado, ainda de jaleco, com aquele olhar preocupado que eu não sabia como receber. Gentileza demais sempre me deixou desconfortável.— Você precisa respirar. — disse ele, parando na minha frente, as mãos nos bolsos como se evitasse tocar minha dor. — Hoje foi pesado… até pra você.Ri sem humor.— Eu estou acostumada com pesado, Adrian.— Não esse
Capítulo 25 - Entre o silêncio e o amanhã
POV LiannaA casa dormia.E eu… eu não sabia como fazer o mesmo.O corredor estava mergulhado em penumbra. O silêncio era tão espesso que parecia tecido, quase dava pra tocar. Caminhei devagar até a cozinha, tentando não fazer o piso estalar, como se meus passos pudessem acordar o cansaço que eu lutava pra manter adormecido.Abri a geladeira, e a luz branca me cegou por um segundo. Entre recipientes de comida e garrafinhas de água, lá estava: o vinho branco que Valentina trouxe na última visita.“Pra emergências emocionais”, ela disse.Eu ri na época. Hoje… talvez ela soubesse mais da minha vida do que eu mesma.Peguei a garrafa, servi uma taça. O som do líquido preenchendo o vidro quebrou o silêncio com uma delicadeza quase dolorosa. A cozinha iluminada apenas pela lâmpada amarela parecia cenário de um filme lento, desses que só passam de madrugada e ninguém vê.Encostei no balcão e deixei o corpo desabar contra a madeira, sentindo o peso de tudo, do jaleco que ainda estava pendurado
Capítulo 26 — Mãe... hoje foi o melhor dia do ano.
POV Lianna O sol tinha aquele brilho suave que só aparece quando a vida resolve ser gentil por alguns minutos. Eu não lembrava a última vez que acordei com os gêmeos pulando na cama, rindo, sem o peso do medo, das manchetes, dos bisturis ou do sobrenome Cross pairando sobre nós. E, sinceramente? Eu precisava disso. Precisava respirar. Precisava ser só mãe. *** O parque estava cheio. Crianças correndo atrás de bolhas de sabão, cães latindo felizes, casais brigando baixinho, famílias fazendo piquenique… normalidade. O tipo de normal que dói de tão raro. Selin agarrou minha mão com força. — Mãe, posso correr até o lago? — Pode. Mas sem tentar nadar. — avisei, com aquele olhar de mãe que acha que é ameaçador, mas só é fofo. Ele deu uma risada debochada, claramente herdada de mim, e saiu disparado. Selena veio logo atrás, segurando a mão de Amanda, que, obviamente, tinha virado a melhor pessoa do mundo em três segundos de convivência. Amanda se abaixou para ficar na altura dela
Capítulo 27 — Lianna… ele não pode se aproximar de você.
POV LIANNAQuando chegamos em casa, o cansaço caiu sobre nós como uma coberta pesada. As crianças correram para dentro, animadas com o passeio, completamente alheias ao fato de que meu coração tinha parado no parque.Amanda entrou logo depois, chutando a porta com o pé. — Ok, família Aslan, hoje eu fico até vocês estarem dormindo. — ela declarou, apoiando as mãos na cintura. — Considerem isso um ato de serviço comunitário. Selena riu. Selin correu para abraçar a perna dela. Eu respirei fundo. Só de ter Amanda ali, a respiração voltava um pouco mais leve. — Vamos cozinhar? — ela sugeriu, me cutucando. — As crianças amam quando você faz risoto. E eu amo comer o risoto que você faz. — Você ama comer qualquer coisa. — falei, finalmente esboçando um sorriso. — Verdade. — respondeu. — Mas especialmente o que você faz quando tá estressada. Vem temperado com ódio gourmet.Revirei os olhos, mas fui pra cozinha.As crianças ficaram sentadas no balcão, balançando as pernas, discutindo sobr
Capítulo 28 — Eu ainda te amo.
POV LiannaA lâmpada fria da sala cirúrgica piscava de leve, como se até ela estivesse exausta. Eu tirei a máscara devagar, sentindo o elástico marcar meu rosto. A cirurgia tinha durado quase dez horas. Dez horas de tensão contínua, de pulso firme, de mente presa numa única linha: manter o coração daquela paciente batendo.A equipe se dispersava, arrastando os pés, e eu fiquei alguns segundos parada, respirando fundo. O suor escorria pela nuca. Minhas mãos tremiam, mas era aquela tremedeira boa, de missão cumprida. O cansaço vinha forte, latejando nos ossos.Peguei meu celular. Duas mensagens de Amanda: “Eles estão bem. Jantaram. Já vão tomar banho.”“Respira, Li.”Respira. Eu precisava.O corredor noturno estava silencioso, como se o hospital prendesse o ar quando eu passava. O turno da noite sempre foi meu favorito, menos gente, menos caos, mais espaço pra existir sem ser tragada pela realidade. Mas hoje… hoje eu só queria um banho quente e 10 minutos de paz.No vestiário feminino,
Capítulo 29 — Não somos casados. Pedi o divórcio há anos
POV LIANNA Eu ainda sentia a pele queimando, não do banho quente de vestiário, mas do olhar dele. Eu não conseguia tirar da cabeça o jeito como Zayden ficou parado atrás de mim, imóvel, respirando como se tivesse levado um soco, me olhando como se eu fosse alguma miragem que ele tinha rezado anos pra ver de novo. Uma miragem nua. O choque já tinha passado. O pânico também. O que invadia agora, com força total, era a fúria. Um tipo de fúria que fazia meu coração bater no pescoço. Fechei meu armário com violência. Troquei de roupa com mãos trêmulas, tentando não socar nada. Enfiei o tênis sem sequer amarrar direito. Prendi o cabelo num rabo indignado. E quando me olhei no espelho por dois segundos, percebi: Eu estava com aquela cara. Aquela que eu passei ANOS tentando sufocar pra sobreviver a ele. A cara de alguém que tá por um fio. Saí do vestiário como uma flecha. Corredor, sensação de eco, passos rápidos. Minha cabeça queimando em cada passo. Eu precisava de respost
Capítulo 30 — Eu quero o divórcio. E você vai assinar.
POV Lianna Eu pisquei. — Você estava… preocupado? — ironizei. — Sim. — ele disparou. — Eu fico preocupado, droga. Mesmo você detestando isso. — Eu não detesto. — estrangulei. — Eu só não acredito. Ele avançou um passo. Eu recuei sem perceber. — Você pode não acreditar em mim. — a voz dele despencou, rouca. — Mas eu nunca passei um único dia desde que você foi embora… sem pensar em você. Meu estômago caiu. Meu corpo inteiro ficou tenso. Eu odiei o jeito que isso me afetou. Odiei a lembrança que isso trouxe. Odiei a raiva que virou quase outra coisa quando ele disse aquilo. — Isso não muda nada. — falei, firme. — Eu quero o divórcio. E você vai assinar. Ele balançou a cabeça, lento, como se eu tivesse pedido pra ele se jogar de um prédio. — Eu não vou assinar nada. — Vai sim. — avancei um passo, a voz subindo. — Você vai. Eu não vou ficar presa nessa história podre pra sempre. Eu quero minha vida de volta. MINHA. Não sua. — Então por que corre atrás de mim? — ele