All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 31
- Chapter 40
167 chapters
Capítulo 31 — Zayden...
POV Zayden As palavras saíram de mim antes que eu pudesse contê-las. Um susurro rouco, uma confissão arrancada das entranhas, daquele lugar escuro e desesperado que só ela era capaz de tocar. —Eu não consigo te deixar ir. Era a verdade mais crua que eu possuía. A única que importava, mesmo que ela a tratasse como uma mentira. Lianna parou diante da porta, sua mão já pousada na maçaneta. Suas costas, rígidas e retas, me diziam mais do que qualquer grito. Ela tinha ouvido. E o som da minha rendição havia a atingido como um insulto. Eu via a tensão nos seus ombros, a maneira quase imperceptível como sua cabeça inclinou, como se lutasse contra um peso. Cada fibra do meu ser gritava para fechar a distância, para tocá-la, para provar de alguma forma que aquelas palavras não eram apenas sombra e eco. Ela estava prestes a sair. De novo. E a ideia de ver suas costas desaparecendo pela porta mais uma vez, carregando meu mundo com ela, foi insuportável. Algo dentro de mim estalou. A
Capítulo 32 — Vá para a sua amante, Zayden
POV Zayden Voltei à sua boca, selando-a com um beijo que era um misto de triunfo e de uma gratidão agonizante. Minhas mãos se moveram para suas costas, pressionando-a ainda mais contra mim, e foi então que ela deve ter sentido. A evidência física e inegável do meu desejo por ela, duro e insistente contra a curva de seu ventre. Foi como se um balde de água gelada tivesse caído sobre nós dois. Algo nela despertou. Não o desejo, mas a realidade. A memória do corpo foi sobrepujada pela memória do coração partido. Com uma força que surpreendeu, ela me empurrou. Não foi um gesto vacilante, foi violento, decisivo. Eu cambaleei para trás, o sabor dela ainda em minha boca, o calor do seu corpo ainda impresso no meu. O som do tapa ecoou na sala como um tiro. A dor foi aguda e instantânea, mas insignificante comparada ao que eu vi em seus olhos. A paixão embaçada havia se dissipado, substituída por um ódio límpido e cortante. A vergonha também estava lá, brilhando como um fogo dentro del
Capítulo 33 — O Gosto Amargo do Silêncio
POV LiannaO refeitório do hospital tinha aquele cheiro característico de sopas mornas, café requentado e desespero silencioso, um aroma que sempre acompanhava plantões longos demais. Eu me sentei na mesa mais afastada, no canto, onde ninguém costumava ir. O lugar era frio, afastado da luz central, e isso combinava perfeitamente com o buraco no meu peito.Eu só queria… silêncio. Só isso. Paz, por cinco minutos. Ou até dois. Talvez até um. Mas paz não é algo que existe na minha vida.Não mais.A bandeja estava na minha frente, com uma sopa que eu não lembrava de ter pegado. Eu girava a colher dentro dela, em círculos, como se aquilo pudesse me hipnotizar até apagar as últimas duas horas da minha existência.O beijo.A força dele.O tapa.A vergonha.A raiva.A sensação de estar nua duas vezes, quando ele entrou no vestiário e quando arrancou minha defesa na sala dele. Eu tremia por dentro, mas por fora… eu estava petrificada.Foi assim que Adrian me encontrou.— Lianna?Levantei os olh
Capítulo 34 — Eu sou só… uma substituta, não é?
POV LiannaO hospital tinha um cheiro diferente na madrugada. Um cheiro mais cru. Mais honesto.Sem perfume de gente passando, sem pressa nos corredores, sem sussurros de pacientes acordados. Era só o som das máquinas. Dos respiradores. Do meu próprio coração.Meus passos ecoavam enquanto eu revisava o prontuário na prancheta. Turno da madrugada: as horas que sempre foram minhas. Quando todos dormiam e eu finalmente lembrava quem eu era: não “a ex-esposa de Zayden”, não “a irmã traída”, não “a doutora viúva”, não “a manchete”.Apenas… cirurgiã.Era a única identidade que ninguém podia tirar de mim.Passei pela UTI, conferi a paciente do leito 02. Pressão estável. Boa resposta ao antibiótico. Fiz anotação.Caminhei.Cada quarto, cada passo, era uma camada de angústia sendo arrancada.Até que cheguei ao quarto 407. Camille..Ela estava sedada desde a convulsão. O médico plantonista anterior me disse que ela acordaria em algum momento da madrugada.Eu respirei fundo, ajustei o jaleco, en
Capítulo 35 — Dormindo... Com o namoradinho dela.
POV ZAYDEN Eu tinha dormido duas horas. No máximo. E mal. Passei a noite inteira revisando relatórios, mensagens, contratos do hospital que agora eu fazia parte, porque, sim, eu enfiei meu dinheiro ali em nome de “investimento”, mas no fundo todo mundo sabia o que eu realmente queria: aproximidade. Com ela. O sol começou a bater pelas janelas panorâmicas da sala de reunião e eu respirei fundo. Meu relógio marcava 7h42. Reunião só às 10h. Dava tempo de ir até o quarto de Camille e ver como ela tinha passado a madrugada. Era o mínimo. Ou era o máximo que eu tinha força pra fazer naquele estado. Peguei minha pasta, vesti o blazer por cima da camisa branca ainda amassada, passei a mão no cabelo, estava uma bagunça, e eu não tinha energia pra resolver e deixei a sala. O corredor estava silencioso. O hospital de manhã cedo tinha um cheiro diferente. Cheiro de café recém-feito e desespero de plantonista. Caminhei até o elevador, apertei o botão do quarto andar e tentei não pensar no
Capítulo 36 — VOCÊ ESTAVA NA CAMA DELE
POV Zayden E lá estavam. Na mesma cama. A cabeça de Lianna descansando no ombro de Adrian. A mão dele sobre o braço dela. Os dois respirando juntos, como se aquilo fosse rotina. Como se ela pertencesse a ele. Algo dentro de mim se partiu. Tecnicamente, ela não era minha. Ela não queria ser minha. Ela gritava isso na minha cara todos os dias. Mas ver… Ver com os próprios olhos… Foi outra coisa. Muito pior. — QUE PORRA É ESSA? — minha voz saiu tão alta que ecoou no quarto. Lianna acordou imediatamente, assustada. Adrian também. Ele se levantou num pulo, puxando a coberta pra cima de si e dela, como se tivesse algo a esconder. — Zayden? — ela murmurou, ainda grogue, piscando confusa. — O que você está— — O que eu estou fazendo aqui? — eu ri, um riso seco e amargo. — Melhor pergunta: o que DIABOS você está fazendo na cama com ele? Lianna arregalou os olhos. — Não é o que parece. — É exatamente o que parece! — eu avancei um passo. — Você dormiu com ele. Na mesma cama. No meu ho
Capítulo 37 — Eu flerto só o suficiente... e com a pessoa certa.
POV LIANNAEvitar Zayden era uma arte que eu vinha aperfeiçoando desde o dia que ele colocou os pés nesse hospital, ou melhor, desde que entrei correndo naquele consultório, vomitei verdades, tomei um beijo roubado, dei um tapa e saí quebrada por dentro. Ele voltou ao hospital hoje cedo, mas eu não. Simples assim.A reunião das 10h? Pff. Passei longe.Eu mandei uma mensagem curta para a coordenação, do tipo: “Estou ocupada com pacientes críticos. Priorizar consultas.”Era verdade pela metade. Eu estava ocupada, sim.Crítica, porém, era só a minha sanidade mental.Passei a manhã inteira trancada no meu consultório, atendendo um caso atrás do outro, tentando manter minha cabeça tão cheia de trabalho que não sobrasse espaço para pensar em nada. Especialmente nele.Mas claro… pensamentos são traças. Entram por qualquer fresta.Cada paciente que entrava, cada prontuário que eu assinava, cada batimento acelerado que eu escutava com o estetoscópio, tudo ecoava o mesmo nome maldito na minha
Capítulo 38 — “NOSSA FAMÍLIA PRA SEMPER”.
POV LIANNAO sol do fim da tarde batia de lado nos prédios de Genebra, aquele dourado preguiçoso que sempre parecia bonito demais pro tanto de caos que existia dentro das pessoas. Eu estava ali, parada na calçada, quase sem conseguir sentir minhas pernas. Meu corpo vibrava com a exaustão de trinta e seis horas seguidas dentro do hospital. O cheiro de café velho ainda grudado no jaleco. A cabeça pesada. A alma… nem sei. A alma estava num um estado intermediário entre colapso e anestesia.Eu só queria minha casa. Meus filhos. A luz quente do meu próprio lar. E o silêncio seguro de quem eu não precisava fingir nada.Apertei o botão da maçaneta. A porta abriu antes mesmo de eu girar totalmente, Amanda.— Finalmente! — ela disse, com os olhos cansados, mas cheios daquele alívio típico de amiga que vira general de guerra. — Achei que iam te sequestrar naquele hospital.Eu tentei sorrir, mas saiu torto.— Aconteceu de tudo. — murmurei.Ela me puxou para dentro e fechou a porta atrás de nós
Capítulo 39 — Ele é bom, né, mamãe?
POV LIANNA Sábado de manhã A luz entrava suave pela janela da cozinha, daquele jeito meio preguiçoso que os sábados têm. Era quase nove da manhã, e meus filhos já estavam acordados há horas, assistindo desenho na sala. O som de risos e musiquinhas infantis preenchia a casa como uma espécie de bálsamo. Depois dos últimos dias, caos, beijos proibidos, discussões, plantões intermináveis, acordar com a paz barulhenta das crianças parecia… cura. Eu mexia a panela de ovos mexidos enquanto a cafeteira enchia o ar de aroma forte e quente. A torrada saía da torradeira. Selena cantarolava no sofá. Selin imitava um robô. Era um cenário tão normal que dava vontade de chorar. Eu precisava disso. Eles também. A campainha tocou. Antes que eu pudesse reagir, ouvi a correria no corredor. — EU ATENDO! — Selin anunciou, como se tivesse acabado de receber um chamado militar. — Selin! Espera! — tentei, mas já era tarde. A porta se abriu. Eu só ouvi a voz dele quando estava secando as mã
Capítulo 40 — Ele tem seus olhos, Lianna.
POV LiannaO telefonema que corta o arA porta se fechou atrás de mim com um estalo seco, e meu corpo inteiro gelou como se tivesse acabado de mergulhar num mar de gelo. Encostei as costas nela, tentando recuperar o ar.O carro preto. Ali. Parado. Observando.Eu sabia aquele padrão de carros. Eu sabia aquele tipo de vidro. Eu sabia o jeito como minha espinha queimou, como se reconhecesse um predador antigo.Zayden. Ele tinha voltado. De novo. E agora… na minha rua.Selin estava na sala, ainda rindo do desenho.Selena estava deitada no sofá, brincando com o ursinho.Meus filhos. Minha vida. Meu maior segredo. Meu maior medo.O celular vibrou na bancada. Número desconhecido.Senti meu estômago cair.Ignorei.Fechei os olhos. Respirei fundo. Precisava agir com calma. Precisava trancar tudo. Precisava não desmoronar.— Mamãe, que foi? — Selena perguntou, aparecendo na porta da sala.— Nada, meu amor. — forcei um sorriso. — Vamos ver um filme? Um daqueles bem longos.Eles vibraram, felizes