All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 61
- Chapter 70
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Capítulo 61 — Você merece cada pedaço dessa paz
POV LIANNA O fim do dia chegou com a mesma sensação de depois de uma tempestade: ar úmido, silêncio estranho, e aquela impressão de que tudo poderia desmoronar… mas não desmoronou. As notícias correram rápido pelo corredor:Camille estava de alta. Eu ouvi aquelas palavras e senti, pela primeira vez em muito, muito tempo, meu diafragma abrir. Como se alguém tivesse tirado uma corrente invisível que apertava minha caixa torácica nos últimos anos. “Ela vai embora hoje mesmo”, disse Valentina, enquanto ajeitava o jaleco e me entregava um comprimido de dor de cabeça. “Assinatura de documentação, check, medicação final, check... Ela já pediu até o táxi que a levará até Zayden.” Assenti devagar. A palavra Zayden ainda tinha o poder de me deixar tensa. Mas agora… agora era diferente. — Ele vai com ela? — perguntei, tentando soar neutra. — Vai. — Valentina sorriu, de leve. — E digo mais: aquele homem parecia… ansioso pra cair fora daqui. Eu suspirei. Genebra nunca foi o playground de
Capítulo 62 — Dra. Aslan
POV LIANNADois meses depois. Dois meses sem ouvir a voz dele. Dois meses sem sentir aquela pressão no peito sempre que o elevador abria em um andar aleatório. Dois meses de paz... uma paz tão doce que parecia até música de fundo em comercial de perfume caro.Eu mereci cada segundo disso.A vida finalmente entrou nos eixos. De uma maneira imperfeita, caótica, porém incrivelmente minha.Os gêmeos completariam sete anos em alguns dias, e a casa estava tomada pelo caos pré-festa: caixas de decoração na sala, bolo experimental na geladeira... convites espalhados pela mesa e Selina pedindo uma “festa de estrelas com luas brilhantes”, enquanto Selin queria “uma nave espacial com lasers de verdade”.Lasers. A criança acha que sou o Tony Stark, o homem de ferro.E no meio desse furacão de maternidade e glitter prateado, ainda tinha o hospital. O novo cargo na diretoria exigia muito, mas era um “muito” que eu fazia com gosto, com propósito, com competência.E com Adrian… As coisas fluíam. Com
Capítulo 63 — Precisamos conversar, Lianna
POV LiannaA reunião se iniciou com formalidade, gráficos animados e aquele perfume caro dos investidores que sempre me dá dor de cabeça. Adolf Weber abriu os slides com sua habitual empolgação de quem vive pra apertar mãos e bater fotos com gente importante.— Hoje apresentaremos o Programa de Reabilitação Neurológica Pediátrica — ele começou. — Uma parceria que pode elevar o hospital a um novo patamar internacional.Os investidores murmuraram um “hum” coletivo.Eu respirei fundo, endireitei a coluna e comecei minha parte:— O programa inclui novas alas específicas para jovens pacientes pós-trauma, com foco em intervenções neurofuncionais, suporte psicopedagógico e integração social…Enquanto eu falava, meus olhos encontraram os de Adrian na ponta da mesa. Ele me observava com orgulho discreto, o canto da boca levemente curvado. Aquele sorriso sutil, só nosso, só perceptível para quem conhece.E então, ao lado dele… O olhar dele. Zayden. Fixado em mim como se tentasse atravessar minh
Capítulo 64 – A Porta que Nunca Devia Ter Fechado
POV LIANNAEu estava quase indo embora quando a batida na porta interrompeu meu movimento de pegar a bolsa.— Entra — falei, sem olhar.A porta abriu. E então… clic. Barulho de tranca.Meu corpo inteiro gelou. Ergui o olhar devagar.Zayden.Encostado na porta. Ombros tensos. Gravata afrouxada. Olhos escuros, perigosos, queimando direto em mim.Droga.Droga, droga, droga.— O que você quer? — tentei soar firme, mas minha voz saiu menor do que eu queria.Ele não respondeu de imediato.Apenas andou até mim com aquela calma calculada que sempre foi perigosa. A mesma calma que precedia cada tempestade na nossa antiga vida.Chegou perto. Perto demais.— Você me evitou o dia inteiro. — A voz dele era baixa, grave. — Não gostei disso.— Não tenho obrigação nenhuma de falar com você — rebatei, dando um passo para trás.Ele veio junto.O velho reflexo do meu corpo de recuar para sobreviver gritou dentro de mim.— Lianna… — ele sorriu, aquele sorriso que sempre me confundia por dentro. — Dois me
Capítulo 65 — Você está segura agora. Eu prometo.
POV ADRIAN Eu nunca vou esquecer a imagem. A porta abriu e, por um segundo, achei que encontraria Lianna trabalhando tarde demais, como sempre... papéis espalhados, café frio, aquela mecha de cabelo dourado caindo no rosto que ela nunca percebe. Mas o que vi… O que vi fez meu estômago virar. Ela estava no chão. Só de calcinha. Com os olhos perdidos... não estavam assustados, nem tímidos ou envergonhados. Perdidos. Minha mente levou meio segundo para entender o que estava acontecendo. Meio segundo para juntar os detalhes: Roupa caída no sofá. Celular fora do lugar. Cadeira tombada. Ela tremendo. E então, eu senti algo dentro de mim quebrar. — Lianna? — minha voz saiu baixa, mas afiada. — O que… o que aconteceu aqui? Ela piscou. Como se estivesse lutando para voltar para dentro do próprio corpo. Nenhuma palavra. Só lágrimas descendo. Eu fui até ela devagar, ajoelhando à sua frente. Não toquei nela, não ainda, porque eu sabia reconhecer quando alguém estava à beira d
Capítulo 66 — Você não tem culpa. Ele fez isso. Não você.
POV LIANNA A porta do carro se fechou atrás de mim, e o som pareceu abafar o último fio de racionalidade que ainda sustentava o meu corpo. Adrian veio pelo meu lado sem dizer nada, só… presente. Um silêncio feroz, protetor, quase tangível, vibrava dele como calor. O tipo de silêncio de quem está segurando o próprio rosto pra não quebrar o mundo ao meio. — Vamos — ele disse. Não era um convite. Era um resgate. O cinto foi preso por ele, porque minhas mãos tremiam demais pra qualquer coisa. A estrada até minha casa passou como um borrão: postes, fachadas acesas, a Suíça noturna tão limpa e equilibrada enquanto eu me sentia estilhaçada por dentro. Eu tentava respirar devagar. Mas o meu peito não obedecia. A imagem não saía da minha cabeça. A voz dele sussurrando aqueles velhos gatilhos, aquelas velhas mentiras que eu já deveria ter enterrado. E o flash. A foto. Meu corpo exposto. Vulnerável. Registrado sem permissão. Aquilo me rasgou mais do que qualquer toque. Muito mais. Quan
Capítulo 67 — Eu não… eu não quero ficar sozinha.
POV LIANNA Eu ainda estava sentada na beira da cama, tentando juntar pedaços de mim que pareciam escorrer pelo chão, quando finalmente consegui respirar fundo. Só um. Um único fôlego que não doeu tanto quanto os anteriores. — Eu… eu vou tomar um banho — murmurei, sem encarar Adrian. — Eu preciso tirar… tudo isso de mim. Ele assentiu devagar, como se tivesse medo de fazer qualquer movimento brusco perto de mim. — Eu fico aqui — disse. — Vai com calma. Eu peguei o pijama no armário, e quando passei por ele na direção do banheiro, senti o olhar dele em mim: não de desejo, não de pena, mas de vigilância silenciosa. De quem está pronto pra impedir que o mundo encoste em mim pela segunda vez no mesmo dia. Fechei a porta atrás de mim. E desabei. A água quente bateu no meu corpo como se queimasse. Não pela temperatura, mas pelas lembranças. Cada gota parecia tentar arrancar de mim o toque que eu não queria lembrar, a respiração que eu não queria reviver, o flash da câmera que eu queria
Capítulo 68 — Obrigada por ser amigo da mamãe.
POV ADRIANA casa estava silenciosa como um santuário depois de batalha. O tipo de silêncio que só existe quando alguém está tentando se recompor atrás de portas fechadas.Lianna dormia profundamente no quarto. Exausta. Drenada. Ainda mais frágil do que ela mesma percebia.Depois que ela dormiu, eu fiquei sentado na poltrona ao lado da cama, observando a respiração dela se estabilizar, lenta e irregular. Quando percebi que ela tinha mergulhado no sono pesado, aquele sono que o corpo usa como escudo, eu me levantei devagar, tomando o cuidado de não fazer o chão ranger. Foi aí que ouvi a porta da frente. Um som baixo, a chave virando. Amanda havia voltado com as crianças.Respirei fundo, saí do quarto e desci as escadas com passos leves. Encontrei os gêmeos correndo pela sala, ainda com meia energia acumulada do jantar improvisado.— Adrian! — Selina falou, com a voz alegre demais para o estado da noite. — Você ainda tá aqui!— Tô, sim — respondi, forçando um sorriso calmo. — E vocês d
Capítulo 69 — Eu cuido deles. E volto pra cuidar de você também.
POV Lianna A luz da manhã entrou devagar, como se estivesse pedindo licença para existir. Era uma claridade dourada, suave, que se filtrava pelas frestas da cortina e espalhava brilhos tênues pelo meu quarto. O tipo de luz que parece dizer: “respira, hoje pode ser melhor que ontem.”Eu acordei quando senti algo quente atrás de mim. Um braço. Forte. Firme. Envolvendo minha cintura. E um corpo encostado ao meu... quente, sólido, estável. A respiração, cadenciada, soprava na curva do meu pescoço.Demorei alguns segundos até lembrar da noite anterior. Da dor. Do rompimento. Do medo que quase me engoliu inteira.Abri os olhos lentamente. O quarto estava em silêncio, exceto pelo som do mundo lá fora despertando. No interior daquela cama, porém… havia uma bolha segura, um abrigo que eu nem sabia que ainda podia existir.Ele dormia atrás de mim, grudado como se o corpo dele fosse o meu escudo. Minha muralha. Meu porto seguro improvisado. Eu me virei devagar, e o movimento fez seu braço apert
Capítulo 70 — Tio Adrian, Você gosta da minha mãe?
POV ADRIANSelin e Selina correram até o carro como dois passarinhos apressados, e eu segui com as mochilas nas mãos.Sim. As mochilas. Porque essas crianças tinham uma capacidade singular de esquecer metade dos materiais escolares na mesa da cozinha.— Tio Adrian, a gente vai no seu carro hoje? — Selina perguntou, os olhos brilhando.— Só se vocês me prometerem que não vão derrubar migalha de biscoito nos bancos — respondi, abrindo a porta traseira.— A gente promete! — disseram os dois em coro.Mentira. Prometeram com a cara mais mentirosa do planeta, mas eu entrei no papel de adulto cego voluntário e deixei por isso mesmo.Apertei o botão do banco, e as cadeirinhas ergueram-se automaticamente, uma tecnologia que eu tinha instalado por desencargo de consciência. Nunca imaginei que realmente fosse usar. Mas ver os dois pularem animados nelas… bem… valeu cada centavo.Eu revisei os cintos, como Lianna faria. Duas vezes, porque eu sabia que ela revisaria duas. E só então entrei no car