All Chapters of Senhor Ex-Marido, quer que eu te salve? Se ajoelhe!: Chapter 71
- Chapter 80
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Capítulo 71 — Bem-vindo ao meu inferno pessoal.
POV LIANNA — Sobrevivi — ele anunciou ao entrar na cozinha, largando a chave na bancada.Eu virei da cafeteira, tentando segurar um sorriso.— Foi tão ruim assim?Ele suspirou dramaticamente, sentando na cadeira à minha frente.— As mães daquela escola… — ele passou a mão no cabelo, como quem revive um trauma de guerra — …elas quase me sequestraram no portão.Eu quase cuspi o café.— Eu avisei.— Uma delas me perguntou se eu era seu amigo. — Ele ergueu a sobrancelha. — Outro grupo perguntou se eu era seu namorado. Uma terceira me perguntou se eu queria ser. E se éramos só amigos de trabalho ou se tinha mais alguma coisa. Soltei uma risada alta, involuntária.— Bem-vindo ao meu inferno pessoal — comentei. — Elas vivem pra fofocar. Eu odeio aquilo.— Percebi — Adrian respondeu, pegando a caneca que eu empurrei pra ele. — Selina me abraçou no portão e gritou: “Tchau, tio Adrian!” As mães quase desmaiaram.Eu ri mais ainda, e ele me acompanhou, até o silêncio confortável tomar espaço na
Capítulo 72 — De quem. São. As. Crianças?
POV LIANNAO fim da tarde chegou com aquela luz dourada de outono que entra pelas janelas como um abraço silencioso. Adrian tinha ido embora faz pouco tempo, depois de insistir que eu descansasse, depois de me beijar de leve na testa e olhar nos meus olhos como se realmente enxergasse tudo que eu ainda tentava esconder.Mas agora, era só eu. Eu… e meus dois pequenos universos.Peguei as chaves e fui buscar Selina e Selin na escola. O estacionamento estava cheio, mães apressadas, pais no viva-voz, babás exaustas tentando manter crianças nos trilhos. A escola deles sempre me deu aquela sensação de mistura: orgulho por eles estarem em uma das melhores, incômodo pelos olhares que sempre vinham junto.Eu desci do carro e me aproximei da grade.Selina me viu primeiro.— MÃÃÃE! — gritou, com aquele brilho que faz qualquer dor no mundo perder força.Correu até mim com a mochila balançando e duas trancinhas desarrumadas. Selin veio logo atrás, mais quieto, segurando um desenho.Quando chegara
Capítulo 73 — Ele está investigando.
POV LIANNAEu fiquei ali, parada, com a testa encostada na porta como se ela pudesse me segurar em pé.Mas a verdade? Meu corpo inteiro tremia.Eu não sei quanto tempo passou, segundos, minutos, eras. Só sei que quando finalmente consegui respirar sem que o ar doesse, minhas mãos ainda estavam frias, quase dormentes.Zayden esteve na minha porta. Aqui. Na minha casa. À noite. E tinha uma foto minha com os meus filhos.Por Deus… Ele estava perto demais.Minhas pernas ficaram bambas. Encostei na parede, tentando não permitir que o pânico me dominasse. Eu precisava pensar. Rápido.Meu primeiro impulso não foi ligar para a polícia.Foi ligar para ele. Adrian.Não era racional. Não era protocolar. Era instintivo.Era profundo. Era o único nome que meu coração gritou quando a realidade veio com tudo.Meus dedos tremiam tanto que quase derrubei o celular. Toquei no nome dele. Chamou três vezes. Quatro. E então…— Lianna? — a voz dele veio carregada de alerta. — Amor…? O que aconteceu?Só de
Capítulo 74 — "Bonita família.”
POV LIANNA Quando abri os olhos, não foi por conta de um pesadelo. Nem um barulho. Nem um sobressalto.Foi simplesmente… luz.Um feixe clarinho atravessava a cortina e tocava o canto da cama, e por um segundo eu não lembrava de nada. Nem da visita. Nem da ameaça. Nem do terror gelado na porta.Só senti calor. E aí percebi por quê. Eu não dormia sozinha. Meu corpo estava encaixado no dele, as pernas entrelaçadas, minha cabeça no peito de Adrian e ele me segurava como se eu fosse algo precioso demais para ser largado durante a noite.Por um instante, fiquei imóvel, respirando devagar, ouvindo o coração dele batendo sob minha orelha. Era um ritmo firme, estável, quase calmante.E eu pensei: Há quanto tempo ninguém dorme comigo assim? Não pelo corpo, ou pelo sexo… Mas pelo cuidado. Pela proteção. Pelo querer estar.Meus dedos se moveram sozinhos, traçando o contorno da clavícula dele. A pele quente. A barba por fazer roçando na minha testa. O cheiro dele, um misto de amadeiradl, café e a
Capítulo 75 — A FUGA
POV LIANNA Eu não sei exatamente quanto tempo fiquei olhando para aquela foto no meu celular. Adrian com meus filhos. No estacionamento da escola. Tirada há poucos minutos. De um ângulo escondido. Eu senti o chão inteiro virar água. Uma água gelada, funda, que puxa pra baixo. Meu corpo travou. A mente travou. Até minha respiração travou. E foi assim que Adrian me encontrou... parada, como alguém que acabou de ver um fantasma vivo. A porta se abriu rápido e ele entrou com o celular na mão, provavelmente pra me contar algo trivial, mas congelou ao ver meu rosto. — Lianna? — ele deu um passo rápido. — O que aconteceu? Eu não consegui responder. Apenas virei o celular para ele, com a mão tremendo. Ele pegou, olhou… e o olhar dele escureceu. Escureceu de um jeito perigoso. Ele respirou fundo como alguém contendo um rugido. — Quando isso chegou? — perguntou, a voz baixa demais. — Agora… — sussurrei. — Eu… eu não sei quem tirou. Mas é de hoje. É do horário em que você deixou eles na
Capítulo 76— Hoje… parece que vivi três vidas diferentes.
POV LIANNA As crianças riam no corredor e desceram com ele para brincar.E, por alguns minutos… eu fiquei ali, parada na porta do quarto que não era meu, observando meus próprios filhos desaparecerem numa casa que, até algumas horas atrás, eu nem sabia que existia.Era estranho. Era surreal. Era assustador. E, ao mesmo tempo, era a primeira vez em meses. talvez anos, que eu sentia que não estava à beira de um precipício.Fechei a porta e respirei fundo. O quarto era bonito demais. Confortável demais. Seguro demais.Me sentei na cama e finalmente deixei a sensação do dia inteiro me atingir: a foto, a ameaça velada, a mudança às pressas, o fato de Adrian ter se tornado meu porto seguro sem pedir permissão.Uma lágrima caiu. Depois outra. Eu odiava chorar. Mas daquela vez… não era tristeza. Era o peso de sobreviver que finalmente encontrava um lugar pra pousar.Depois de alguns minutos, ouvi o som das crianças correndo pelo corredor de novo, rindo, gritando coisas que eu não entendi.
Capítulo 77 — Porque você vale o risco.
POV LIANNAAcordei com uma sensação estranha.Não era medo. Não era ansiedade. Não era aquela trava sufocante que me acompanha há anos. Era… leveza.Quando abri os olhos, levei alguns segundos para lembrar onde estava. O quarto claro, o teto alto, o cheiro leve de lavanda vindo do difusor… a cama confortável demais para ser a minha. E, do meu lado, a poltrona onde Adrian havia dormido ou melhor, tentado dormir, ainda estava bagunçada.Ele estava encostado lá, braços cruzados, cabeça tombada pro lado, um cobertor jogado por cima e a respiração calma. E eu fiquei alguns segundos só… olhando.Ele parecia tão diferente dormindo. Mais jovem. Mais vulnerável. Mais… humano.Eu não devia olhar assim. Não devia sentir assim. Mas meu coração não queria saber do que eu devia ou não.Suspirei devagar e sentei na cama. O movimento fez ele acordar.— Lia? — a voz dele veio rouca, pesada de sono. — Você dormiu bem?Deus… aquela voz. Eu respirei fundo.— Melhor do que eu imaginei — admiti.Ele esfre
Capítulo 78 — Ela nunca percebeu que eu a seguia.
POV ZAYDEN Eu sempre soube que ela me esconderia alguma coisa. Desde o dia em que Lianna desapareceu da minha vida sumiu, evaporou, como se tivesse deslizado pelos meus dedos... eu soube que havia algo mais profundo naquela fuga. Ninguém abandona um casamento, uma vida, uma cidade inteira… sem levar algo importante junto. E Lianna sempre protegeu ferozmente aquilo que ama. Então eu a segui. Depois que Camille recebeu alta e voltamos para Zurique, eu voltei sozinho a Genebra. Não avisei ninguém. Não avisei minha equipe. Não avisei Camille, que sempre achou que mandava em mim, coitada. Eu precisava ver Lianna de novo. Precisava olhar nos olhos dela. Precisava entender o que diabos ela escondeu esses anos todos. E agora eu sei. Ela nunca percebeu que eu a seguia. Ela nunca percebeu que, enquanto ela respirava aliviada pela alta de Camille, eu estava do lado de fora do hospital, dentro do carro, observando cada passo que ela dava. Eu sempre fui bom nisso. Observar. Esper
Capítulo 79— Ele não é meu namorado!
POV LIANNA O sábado amanheceu com aquele brilho exagerado de dias importantes, como se o próprio sol tivesse entendido que hoje era o dia dos meus filhos e que nada, absolutamente nada, deveria estragar isso. Ainda assim, meu coração estava tão agitado que parecia que eu tinha engolido um enxame de abelhas. A casa de Adrian, que agora já parecia metade minha, metade refúgio, estava irreconhecível. O jardim gigantesco tinha se transformado em um cenário de conto de fadas infantil, mas com a assinatura estética impecável dele. Um lado inteiro era do Selin: vermelho, dourado, preto, tecnologia do Homem de Ferro espalhada por todos os cantos, mesa de doces futurista, painéis de luz. O outro era da Selina: arco-íris suave, unicórnios fofos, flores gigantes, uma tenda branca iluminada com luzinhas penduradas que pareciam estrelas caídas. Era… perfeito. Perfeito demais para alguém que tinha passado a semana inteira fugindo de uma ameaça real. Mas hoje não era sobre medo. Era sobre el
Capítulo 80 — Se você não casar com esse homem, eu caso.
POV LIANNA A música infantil tocava, as luzinhas tremulavam entre as árvores, as mesas estavam cheias e coloridas, e meus filhos estavam tão felizes que pareciam dois sóis pequenos correndo pelo jardim do Adrian. Mas o meu foco estava a… vinte passos de distância. Adrian estava conversando com alguns pais ou tentando, enquanto três mães orbitavam em volta dele como satélites carentes de atenção. E ele, coitado, nem percebia. Ele estava ali todo natural, usando aquela camisa branca impecável, de mangas dobradas, o relógio discreto mas caro, o sorriso bondoso, a postura segura… e aqueles olhos azuis que deixavam qualquer uma de joelhos. Inclusive eu. Principalmente eu. Respirei fundo e tentei manter a compostura, porque eu estava ali pra celebrar meus filhos, não pra ter um colapso emocional por causa de… …um homem. Mas o destino tem um senso de humor terrível. Quando eu cheguei perto dele, uma das mães, acho que o nome dela era Clarice, mas poderia muito bem ser “Inconvenien