All Chapters of Quadros de um divórcio: Chapter 41
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Capítulo 41 - A cor que rompe o silêncio
"De todas as viagens, a mais difícil e a mais bela é a que fazemos de volta para dentro de nós mesmos." Autor desconhecido A limusine preta deslizou suavemente até a entrada do Eclat Hotel, refletindo as luzes douradas que serpenteavam pela fachada de vidro.Dentro dela, Helena respirou fundo — uma respiração demorada, que parecia vir da alma. Sabia que aquela noite marcaria algo dentro dela. Não era apenas uma noite de evento. Era um rito. Um retorno................Helena havia passado o fim da tarde no Alma Bela, o salão que conhecera dias antes.Assim que atravessou a porta, foi recebida por uma explosão de entusiasmo.— Olha só quem voltou… minha musa preferida! — exclamou Diogo, abrindo os braços em um gesto teatral que encheu o ambiente de leveza.Era impossível não se deixar levar pela alegria dele e daquele lugar. Havia algo de mágico: o som das tesouras, os espelhos cheios de reflexos de gen
Capítulo 42 - O primeiro traço de tinta
“Há pinceladas que não colorem apenas a tela, mas o próprio destino.” Autor desconhecido Os poucos repórteres que haviam conseguido acesso ao salão agora se tornavam predadores atentos. As câmeras giravam, os flashes piscavam como relâmpagos dentro de uma tempestade de murmúrios.Um deles, com o celular erguido, fazia uma transmissão ao vivo; o número de espectadores subia em vertigem conforme o nome “Helena Amaral” começava a pipocar nos comentários.“Não acredito que o Cássio teve coragem de trair essa mulher.”“Eu não acreditei naquela conversa fiada de consolar uma funcionária com problemas. Quem tem problemas por acaso ri daquele jeito?”“Parece uma deusa entrando no templo.”“Gente, eu tô arrepiada. É ela mesma?!” “O salão inteiro parou. Parece cinema.”“Eu vim pela fofoca, mas fiquei pela presença. Essa mulher é pura elegância.”“Ei, não é a mesma mulher que salvo
Capítulo 43 - Luz sobre as fissuras
Capítulo 43 - Luz sobre as fissuras“Meraki — o ato de transformar o que se faz em espelho da alma. Criar com amor, viver com entrega, existir deixando traços de si no que se toca.” Palavra grega Cássio permaneceu imóvel, como se cada palavra de Helena fosse um raio atravessando o ar — e o atingindo em cheio.No início, tentou manter o semblante sereno, a postura de empresário orgulhoso que assistiria a um tributo à própria empresa. Mas, conforme o discurso avançava, percebeu que aquelas palavras não eram apenas sobre prismas, ou sobre design… eram sobre ele.Ou pior — eram sobre tudo o que ele não era.As faces, as arestas, a base, os vértices… A cada metáfora, Helena desmontava, com elegância e serenidade, o império de vaidade que ele havia construído.Sem jamais citá-lo, ela o expôs diante de todos. E o fez com uma força que o desarmava mais do que qualquer grito.Ele não sabia se e
Capítulo 44 - Mentiras solvidas em Thinner
"Não há nada de tão bom que não possa ser contado com uma pequena mentira, nem de tão mau que não possa ser camuflado com uma grande." Mark TwainO som dos aplausos ainda pairava no ar quando Helena começou a descer os degraus do palco. O vestido bordô se movia como uma chama lenta, ondulando a cada passo. E por onde ela passava, os olhares se abriam como cortinas.Ela caminhava sem pressa, o queixo erguido, o olhar sereno — sem buscar plateia, mas sem fugir dela. Aquela mulher não parecia apenas ter vencido o medo. Parecia tê-lo domado.Cássio a observava como quem encara um fenômeno da natureza — paralisado, impotente, fascinado. O som ao redor pareceu se apagar, restando apenas o próprio coração batendo em descompasso. A cada passo dela, ele sentia a distância entre os dois se alargar — não física, mas existencial.Enquanto ela cruzava o salão, mãos se estendiam, cumprimentos surgiam, vozes sussurravam o nome dela. E isso foi demais para ele suportar.Cássio começou a se mover.
Capítulo 45 - Devolva minhas cores
“A justiça não consiste em ser neutro entre o certo e o errado, mas em descobrir o certo e sustentá-lo, onde quer que ele se encontre, contra o errado.” Theodore RooseveltA tensão pairava sobre o salão em expectativa.Helena apontou lentamente para o pescoço de Silvia. — Vamos começar pelo roubo do colar da minha avó?A frase soou clara, cortante, e por um instante todos seguiram o olhar dela: no colo de Silvia repousava um colar de ouro com pingente em forma de coração. Um novo murmurinho percorreu o salão, incrédulo, voraz.Cássio esticou-se na direção dela, a voz rápida demais, traindo o pânico. — Nós éramos casados — gaguejou — o que era seu, era meu. Posso até ter sido infeliz ao dar o colar à Silvia, mas isso não é roubo.Ele já havia sido exposto como um homem infiel, não desejava que o considerassem também um ladrão.— Até pouco tempo você mesmo lembrou que tínhamos separação total de bens — retrucou Helena, a calma hostil. — O que mudou?A pergunta o deixou mudo, ao ver qu
Capítulo 46 - Esboços da verdade
"Três coisas não podem ficar escondidas por muito tempo: o sol, a lua e a verdade." BudaCássio avançou um passo, o rosto tomado por uma mistura de raiva e exaustão.— Você já arruinou o evento, arruinou a reputação da empresa. Já conseguiu o maldito colar de volta. E eu já disse que vou resolver o assunto da doação. Não tem mais nada aqui que possa ser seu! — falou, a voz trêmula, o controle escorrendo por entre os dedos.Helena o encarou por um instante, e sua resposta veio calma, quase irônica:— E a empresa?Viviane soltou um riso indignado.— Era só o que faltava! Você é mesmo uma interesseira! Todos sabem que a empresa é do meu irmão!Helena manteve o olhar firme, o tom carregado de um suspense sútil.— Sim, a empresa é dele... Mas há coisas sobre as quais eu tenho direitos — e não estou disposta a abrir mão deles mais.A expressão de Cássio se transformou.Ele compreendeu, num lampejo, o que Helena estava prestes a fazer.Todo o ar de arrogância, toda a postura rígida e confian
Capítulo 47 - Verdades em traços firmes
"É difícil falar a verdade para um mundo cheio de pessoas que não sabem que estão vivendo uma mentira." Autor desconhecidoHelena esboçou um leve sorriso — sereno, quase enigmático.Era o tipo de sorriso que precede a revelação... ou o caos.Tânia também se aproximou, o olhar faiscando em provocação.— Isso mesmo — disse, em tom debochado. — Por acaso tem alguém aqui que já tenha te visto fazer um esboço?O silêncio que se seguiu foi cortado por uma voz firme, vinda dentre os expectadores.— Eu já vi.Todos se voltaram, surpresos.Entre os convidados, surgia Manoel, o gerente de produção do grupo Ferreira — um homem de semblante sereno, e que exalava confiança.Renato ergueu as sobrancelhas, surpreso ao reconhecer o funcionário.— Manoel? — chamou, curioso. — E quando foi isso?O homem se aproximou com passos seguros e parou diante deles.— A senhorita Helena... — fez uma pausa e olhou para ela, com um sorriso discreto. — Posso te chamar assim agora?Helena assentiu, retribuindo o sor
Capítulo 48 - O quadro da liberdade
“É que às vezes, é preciso se perder para se reencontrar.” Camila FrutuosoEm meio ao caos do salão, e do próprio caos interno, Cássio balançava a cabeça de um lado para o outro, os olhos fixos no chão, como quem tenta encontrar um ponto de fuga dentro do próprio abismo. O olhar vazio subiu até Helena, buscando um ínfimo traço do amor que ela antes irradiava.— Helena… esquece tudo isso. — disse, com a voz trêmula, implorante. — A gente ainda pode ser feliz… eu te perdoo. Podemos começar de novo.”Ela não respondeu. Não piscou. Apenas o olhou como quem contempla uma sombra que já não reconhece.— Você não pode fazer isso… você me ama. — Insistiu ele, a voz se partindo no meio.— Não, Cássio. Eu amava. — disse ela, firme, cada sílaba carregando o peso da cura. — Mas nem era você. Era alguém que eu pintei na minha imaginação e projetei em você. Eu amei uma versão sua que eu mesma criei. Se tivesse visto quem você realmente era, não teria desperdiçado mais de cinco anos da minha vida ao
Capítulo 49 - Entre cinzas e tinta
“Arrepender-se é pegar um atalho errado e ir longe demais para voltar atrás.” Edna FrigatoSob os olhares atentos do salão, Rogério e Consuelo caminharam até Helena. O pai passou um braço firme por seus ombros, como se quisesse protegê-la do mundo inteiro, enquanto do outro lado, a mãe entrelaçava seus dedos aos dela com carinho silencioso. Atrás deles, vinham Lívia, Ricci e Windsor — como uma retaguarda inabalável. À frente, abrindo o caminho, estava Santiago, o olhar atento, o corpo em alerta.Cássio observava a cena com um aperto no peito. Ele, que sempre a viu sozinha — como se ele fosse a única pessoa em seu mundo — agora a via cercada de afeto, acolhida, amparada por todos os lados. E ali, mesmo rodeado pelos pais, amigos e funcionários, sentiu-se mais só do que jamais imaginara. A certeza de que Helena não faria mais parte de sua vida era como um abismo se abrindo sob seus pés.Ao redor, convidados começavam a se dispersar. Taças eram abandonadas nas mesas, vestidos reluzia
Capítulo 50 - Traços de Afeto
“Todo afeto começa como arte: primeiro o traço, depois a coragem de dar cor.” Autor desconhecido Quando alcançaram as portas de vidro do salão, prontos para sair, Helena parou. Respirou fundo, como se só então percebesse algo óbvio.— Eu… não pensei em como iria embora — disse, quase em um sussurro.Lívia parou ao lado dela, franzindo o cenho. — Eu também vim sem meu carro — murmurou, analisando mentalmente alternativas.Santiago, que as observava de perto, quebrou o silêncio: — Eu levo vocês. O manobrista já trouxe meu carro, está aqui na frente.Helena assentiu em agradecimento, mas não se moveu de imediato. Virou-se para os pais, os olhos suavizando. — Eu queria que já estivesse tudo pronto em casa para receber vocês… — confessou, com um sorriso tímido.Rogério acariciou o rosto da filha com carinho sereno. — Não se preocupe com isso. Estamos hospedados aqui no hotel, assim como seu padrinho e seu tio — disse, referindo-se a Ricci e Windsor.Consuelo completou com doçura: —