All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 91
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— Não se preocupe — respondeu com voz grave. — Eu estava distraído com o telefone, a culpa foi minha.Bianca lhe devolveu um sorriso nervoso e envergonhado.— Não é verdade, eu também não estava olhando. Então a culpada sou eu. De qualquer forma, sinto muito, peço desculpas — repetiu.O homem a deteve com um gesto suave.— Se insiste em se desculpar — disse com um brilho nos olhos —, poderia fazê-lo de outra maneira? Disseram-me que os bolos daquele lugar são muito bons, não sei se você já provou — ele apontou para um local próximo.Bianca ficou momentaneamente surpresa. Ela não esperava aquele convite e, na verdade, não tinha nenhum desejo de iniciar uma conversa com um desconhecido. No entanto, algo na calidez de seu olhar, na gentileza de suas palavras, desvaneceu por um instante a lembrança amarga de seu encontro fracassado naquele bar. Ela não permitiria que uma má experiência a paralisasse socialmente.— Bom, eu também não os provei — admitiu, encolhendo os ombros. — Mas se dize
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A pressão de seu iminente encontro com Eric Harrington, esse homem que era ao mesmo tempo seu passado doloroso e seu futuro profissional, era um peso palpável sobre seus ombros. Apesar de tudo, ela se obrigou a esboçar seu melhor sorriso, uma máscara perfeita para a tempestade que se desencadeava em seu interior.Clara foi a primeira a abordá-la, envolvendo-a em um abraço efusivo.— Bianca, que alegria te ver! — exclamou, suas palavras saindo em uma torrente de perguntas. — Você dormiu bem? Conseguiu descansar? Está se sentindo melhor?Bianca se sentiu comovida pela genuína preocupação de sua amiga. Sorriu para ela, tentando transmitir uma calma que não sentia.— Você não precisa se preocupar comigo, Clara. Estou bem, sério — respondeu, sua voz suave. — E você? Dormiu bem?— Eu dormi como um bebê! — respondeu Clara, radiante. — Cheguei cedo para adiantar algumas coisas. Imagino que você tenha que ir ao escritório do Sr. Harrington hoje, não é?Bianca se limitou a assentir, um nó se fo
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Os nervos continuavam à flor da pele. Embora sentada, Bianca tentava disfarçar o tremor de suas pernas, uma agitação interna que não cessava. De sua imponente escrivaninha, Eric a observava fixamente.— Quer algo para beber? Já almoçou? — perguntou ele.Ela levantou a vista, apenas um vislumbre de curiosidade em seu olhar.— O que a faz pensar que eu não comi? Não tenho fome nem me apetece nada. Eu vim fazer o meu trabalho — soltou de maneira cortante.Ele se recostou em sua cadeira, um sorriso de lado surgindo em seus lábios.— Não é necessário que você aja desse modo comigo. Você deveria ser mais amável com o seu cliente, Bianca.Uma risada amarga escapou dela.— Meu cliente? Por acaso você não percebe que eu me sinto obrigada a estar aqui?Eric encolheu os ombros com ar despreocupado.— Digamos que não é uma novidade para mim. É evidente que você não queria trabalhar para mim.Bianca, farta da disputa, decidiu ir direto ao ponto.— Eu estive revisando o que você quer e devo admitir
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O coração dela deu um salto, e a vergonha se apoderou dela. Havia dormido no escritório de Eric.O homem pareceu sair de um transe. Ele tirou a mão que tinha no ar, como se fosse tocá-la, e levou a outra à nuca, esfregando-a com nervosismo.— Você adormeceu — disse, sua voz mais suave do que ela esperaria, mas ainda assim, nervosa. — Você deveria ter me dito se estava exausta.Bianca se libertou da manta que ele havia lhe colocado, sentindo que o tecido a sufocava. Ela se levantou de repente, com um movimento tão brusco que a cadeira quase caiu, e começou a recolher suas coisas com desespero, a necessidade de fugir queimando-a por dentro.— Você tem razão, eu deveria ir embora agora. Já é bastante tarde — murmurou, quase para si mesma. Olhou para a janela, agora negra como a boca de um lobo. — Veja só, já é noite. Eu vou.Suas mãos tremiam enquanto ela colocava o notebook e seu tablet na bolsa, cada movimento era uma luta contra a avalanche de emoções que ameaçava transbordá-la. Ela n
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A noite caiu como um manto escuro sobre o cansaço de Bianca. O esgotamento, tanto físico quanto emocional, a arrastou a um sono profundo no instante em que sua cabeça tocou o travesseiro. Ela sonhou com um dia melhor, um em que as palavras não pesassem e os encontros não a deixassem sem fôlego. Ela se agarrou a essa ideia, a essa pequena esperança, e dormiu como uma pedra.Na manhã seguinte, longe da cidade e de sua rotina habitual, Jackeline se reunia com suas amigas em um café. A conversa fluía, leve e despreocupada, até que uma delas pronunciou o nome de Bianca. A menção foi como uma pedra atirada em um lago calmo, e o rosto de Jackeline se tensionou.— Ei, vocês sabem de uma coisa? — disse a amiga, alheia à mudança na expressão de Jackeline. — Outra hora eu vi a Bianca e ela estava realmente linda. Não entendo como as coisas terminaram tão rápido para ela e seu filho. De verdade, eles pareciam muito bem juntos.Jackeline engasgou com o suco que estava bebendo, soltando uma tosse s
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A reunião era um borrão de vozes e números para Eric. Enquanto falava do projeto de construção, sua mente viajava repetidamente para a mulher que o esperava em seu escritório. Ele estava ficando louco. O impulso de terminar a reunião o invadiu, e foi o que ele fez.— Terminamos. Alguma pergunta? — disse aos presentes, que o olhavam estranhados por sua distração. Ao ver que ninguém tinha nada a perguntar, ele encerrou a reunião.Ele saiu apressadamente, com Daniela, sua secretária, em seus calcanhares. — Senhor, o senhor precisa de algo? — perguntou ela. Eric parou seu passo apressado e se virou.— Na verdade, sim, Daniela. Por favor, peça comida. Algo delicioso para dois — disse, a imagem de Bianca ocupando seus pensamentos.Daniela não precisou de mais. Ela sabia que seu chefe estava pensando na mulher em seu escritório.— Está bem, senhor. Apenas me diga o que quer que eu compre.Eric ficou pensativo por um momento.— Sabe de uma coisa? Algo requintado estaria bom. Me surpreenda — r
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Bianca chegou em casa arrastando o peso de um dia exaustivo. O escritório de Eric Harrington era um desastre emocional que a deixava esgotada. No entanto, no momento em que viu os rostos de seus gêmeos, Olivia e Henry, toda a fadiga se dissipou. Suas risadas e seus abraços eram a recarga de energia que ela sempre precisava.— Vocês já jantaram, meus amores? — perguntou, apertando-os contra si.Henry assentiu com entusiasmo.— Sim, mamãe! A Julia preparou uns sanduíches de atum deliciosos e um milk-shake de maçã.— É verdade, mamãe — interveio Olivia, com a boca manchada de fruta. — A Julia cozinha muito bem.Bianca sorriu, apertando o narizinho da filha e beijando sua testa.— Adoro que vocês gostem de comer e não apenas guloseimas — disse, e as crianças sorriram com orgulho.— Agora, escovar os dentes — ordenou com suavidade. — Vocês sabem que amanhã precisam levantar cedo para ir à escola.— Está bem, mamãe! Boa noite! — responderam os dois em uníssono, dando um beijo em cada um ant
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O carro avançava pelas ruas, submerso em um silêncio que se estendia além do meio-dia. Bianca manteve-se calada, absorta em seus pensamentos, enquanto Eric dirigia com um ar de serena concentração. De repente, o silêncio foi interrompido por um ruído inoportuno: o ronco do estômago de Bianca. Ela se sentiu envergonhada, pigarreou e tentou disfarçar. Eric, no entanto, a olhou de soslaio e esboçou um sorriso.— Vou parar, vamos comer em um restaurante — ele emitiu, quebrando a tensão.— Não acho que seja necessário — respondeu ela, apressada. — É melhor irmos diretamente para a companhia. Não é necessário que compartilhemos uma refeição.Eric bufou, sua paciência prestes a se esgotar.— Por acaso você é um robô que não precisa se alimentar? — disse, com um toque de impaciência. — Já passou do meio-dia e estou morrendo de fome, e tenho certeza de que você também. Além disso, tudo isso também faz parte do trabalho.Bianca se rendeu, resignada. Sabia que não havia como vencer. Eric havia e
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Por acaso você está fazendo tudo isso porque descobriu que o filho de sua ex-mulher acabou sendo de outra pessoa, e agora, como busca um herdeiro, quer me roubar meus filhos? Não é? Porque você é igual a todo o resto de sua família. É isso que lhes importa: o dinheiro, o sucesso, ou o quão bem você se sairá em outro trabalho. Eu admito que esses títulos lhe caem bem, mas jamais a palavra "pai" lhe pertencerá!O rosto de Eric se contorceu de dor. Bianca, transbordando de cólera, desceu do carro e fechou a porta com força.Eric a viu se afastar. Ele permaneceu em silêncio, escutando a verdade em cada uma de suas palavras. Viu uma mulher que havia lutado sozinha por seus filhos, que esteve nos bons e nos maus momentos com eles, enquanto ele continuava sua vida sem saber que ela sempre havia sido sincera.— Droga! — cuspiu.Olhou no banco de trás para aquela caixa, o vestido que havia lhe presenteado, e bufou.— Eu sou um idiota… — murmurou para si.Bianca se afastou do carro com passos d
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Na manhã seguinte, ela não conseguiu se levantar. Julia, que chegou cedo para levar as crianças à escola, presumiu que Bianca já havia saído para trabalhar e se retirou com os pequenos. Bianca, com o corpo dolorido, mal conseguiu abrir os olhos. Espirrou algumas vezes, confirmando o que temia: a imprudência da noite anterior havia cobrado seu preço. Ela não tinha medicamentos, então se obrigou a se vestir. Seu corpo se queixava a cada movimento, mas ela não tinha outra opção a não ser ir à farmácia.Enquanto caminhava pelas ruas, notou vários olhares curiosos. No entanto, não lhes deu atenção; não se importava. Só queria chegar à farmácia e conseguir algo que a aliviasse. Nem sequer havia avisado no trabalho. Não tinha energia para pegar o telefone.Entrou na farmácia, aproximou-se do balcão e explicou ao homem o que precisava.— Olá, preciso de algo para um resfriado, por favor. Estou com febre e me sinto muito mal — emitiu, tentando manter a voz firme apesar de sua fraqueza.O farma