All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 81
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Eric tinha o café da manhã na sua frente, mas não provava bocado. O olhar de seus pais era uma presença tangível que o fazia sentir como se estivessem lendo cada um de seus pensamentos. Em qualquer outro momento, a atenção de seus progenitores lhe teria parecido normal, até reconfortante, mas hoje era diferente.George, como se percebesse o nervosismo de seu filho, pigarreou.— Eric — começou, sua voz suave e grave —, você ainda está muito sobrecarregado de trabalho? As coisas na companhia continuam do mesmo jeito? Sinceramente, eu gostaria de te dar uma mão, mas você sabe que eu tenho meus próprios assuntos. De qualquer forma, você me demonstrou que é o indicado para continuar com o trabalho. Você é realmente incrível, filho. Eu estou muito orgulhoso de você.O elogio, inesperado e sincero, fez Eric levantar a vista. Nem Jackeline nem ele esperavam que George, um homem que raramente expressava suas emoções, se emocionasse daquela maneira. Eric sentiu um nó na garganta.— Obrigado, pa
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O burburinho no escritório da Pretty era palpável. O anúncio de Elara havia desencadeado uma onda de emoção e nervosismo. A ideia de que o renomado Eric Harrington não apenas lhes daria um projeto, mas os visitaria pessoalmente, era um evento de tal magnitude que parecia irreal.— E não é só isso — continuou Elara, sorrindo de orelha a orelha. — O senhor Harrington marcou de vir pessoalmente à companhia para discutir os detalhes. Então, preparem-se. Esta é uma oportunidade de ouro para todos nós. Vamos demonstrar por que a Pretty é a melhor casa de modas!Os murmúrios de excitação se espalharam pela sala. Todos, exceto Bianca, estavam eufóricos. Ela, em vez disso, sentia como se estivesse prestes a se afogar em uma piscina de pânico. Suas mãos tremiam, o coração batia descompassado. Eric Harrington? Aqui? Em seu local de trabalho. A mera ideia de tê-lo tão perto, de ter que interagir com ele, de reviver o passado que ela tão arduamente tentara enterrar, era um tormento.Clara, que hav
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A jornada de trabalho havia terminado, e Eric sentia como se uma laje de cimento lhe oprimisse o peito. A ligação para Elara tinha sido um passo arriscado, mas necessário. No entanto, a incerteza da reação de Bianca e a iminente confissão aos seus pais o mantinham no limite. Por isso, a proposta de Isaac lhe pareceu a válvula de escape perfeita.— Que tal irmos beber um pouco? — perguntou Isaac, com um sorriso maroto. — Faz tempo que não fazemos isso.Eric o olhou, sério.— Faz tempo? — replicou, levantando uma sobrancelha. — Amigo, tem certeza disso? Não faz tanto tempo assim desde a última vez que bebemos.Isaac soltou uma gargalhada, reconhecendo a verdade nas palavras do amigo.— Você tem razão, admito — disse, rindo. — Mas vamos lá, uma noite de copos nos faria bem. Você precisa desanuviar. Eu também.Eric assentiu, um sorriso fugaz cruzou seu rosto. Ambos se dirigiram a um bar barulhento na cidade.Em sua luxuosa residência, Jackeline não conseguia tirar a visita de Eric da cabe
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À medida que o carro devorava o asfalto, Bianca se sentia como se estivesse à deriva em um mar de pensamentos turbulentos. A ideia de trabalhar para Eric Harrington — o homem que a tinha atormentado — era uma âncora pesada que a arrastava. Ela rugiu de frustração, um som gutural que se perdeu no estrondo do motor, e pisou no acelerador. O mundo exterior se tornou um borrão, um reflexo de sua mente agitada. Queria fugir da realidade, da certeza de que seu pesadelo de trabalho estava prestes a ser revivido.Em pouco tempo, o veículo parou em frente ao imponente prédio onde morava. Bianca saiu, sentindo o frio da noite se infiltrar em seus ossos. O silêncio do elevador lhe deu um respiro, um momento de quietude antes de enfrentar seu lar — e a si mesma. Ao abrir a porta de seu apartamento, Julia a recebeu com seu habitual sorriso caloroso e uma luz que sempre conseguia acalmá-la.— Olá, Bianca! Você chegou.— Olá, Julia. Sim, já estou aqui. Sinto muito por chegar tarde, mas minha chefe n
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O sol se filtrava timidamente pela janela, pintando faixas douradas sobre o chão de madeira. Bianca se revirou entre os lençóis, sentindo o peso do cansaço — não físico, mas emocional — que a seguia desde a noite anterior. A cama era seu refúgio, um lugar onde podia se esconder da realidade, dos pensamentos sobre o trabalho, sobre Eric Harrington. A tentação de ficar era forte, mas a culpa era ainda maior. Não podia desperdiçar um dia, não com seus filhos. Ela se levantou, esticando os músculos doloridos, e decidiu que, por hoje, a escola podia esperar. Ela já havia avisado Julia para que tirasse o dia de folga, um pequeno gesto para garantir que ninguém a incomodasse.Depois de deixar o telefone de lado, ela se dirigiu ao banheiro. Enquanto a água quente do chuveiro caía sobre seu corpo, tentou, sem sucesso, afastar a imagem de Eric de sua mente. Seus olhos, seu sorriso sarcástico, sua voz... tudo vinha à tona. Ela buscou desesperadamente uma via de escape, algo em que pudesse se con
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Na manhã seguinte, Bianca acordou com a tranquilidade de ter dormido o suficiente. Ela se levantou, acordou as crianças e, enquanto se dirigia ao banheiro para tomar banho, o telefone tocou. Era Julia, a babá, que com uma tosse abafada lhe informava que não poderia ir.— Sinto muito, Bianca — disse Julia, sua voz parecia afetada. — Não acho que poderei cuidar das crianças hoje. Estou um pouco doente.Bianca se preocupou imediatamente.— Como você está se sentindo, Julia? Está muito mal?— Sim, estou um pouco cansada, me dói a cabeça e estou com um pouco de febre. Sinto muito mesmo, sei que a coloco em um apuro — disse Julia com voz pesarosa.— Não se preocupe com isso. O primeiro é sua recuperação. Se precisar de algo, por favor, me ligue — respondeu Bianca, sentindo um nó no estômago pelo imprevisto. — Espero que você melhore logo.— Obrigada, Bianca. Eu vou me recuperar muito rápido. Eu tenho me esforçado muito com a universidade, por isso estou um pouco fraca. Vou tirar alguns dias
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As mãos de Eric tremiam enquanto ele segurava as fotos, mas não de raiva, e sim de uma estranha quietude. Nelas, Aitana sorria, um sorriso que agora lhe parecia tão alheio quanto o de uma estranha.A tela que havia sido seu relacionamento se despedaçava, não pela dor da perda, mas pela revelação do nada. O vazio que antes ele havia sentido não era por sua ausência, mas pela falta de algo real a perder. Mas hoje, esse vazio não existia. Não havia dor, não havia lágrimas. Apenas a irritação de se encontrar com esses fantasmas que ele pensou ter banido para sempre.Com um arroubo de frustração, ele atirou as fotos no chão. O som dos papéis se espalhando pelo chão foi um eco oco de sua decepção. Por que ainda estavam ali? Por que não tinham ido embora com o resto das lembranças? Ele se abaixou, as pegou com uma fúria silenciosa e as jogou no cesto de lixo, como se fossem os últimos restos de um banquete envenenado.Ele se deixou cair na cama, olhando para o teto, um painel branco que pare
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Eric entrou no escritório de Elara e a porta se fechou atrás deles, deixando de fora o murmúrio dos funcionários. O escritório, com suas paredes de vidro e designs de moda espalhados. Elara lhe ofereceu uma cadeira, mas ele preferiu ficar de pé, seu olhar percorrendo os esboços das roupas que adornavam as paredes.— Elara, o lugar é impressionante — começou Eric, com um tom que não era de simples cortesia, mas de genuína admiração. — Vocês têm um gosto requintado.— Obrigada, Eric. Nós nos esforçamos para isso — respondeu ela, com um sorriso de orgulho. — Mas, por que a urgência de falar em particular? Pensei que poderíamos conversar sobre o projeto em uma reunião de equipe mais tarde.— Sim, esse é o ponto. Eu quero falar do projeto, mas em particular de uma pessoa — disse Eric, virando-se para olhá-la de frente. Sua expressão era séria, decidida. — Não quero uma equipe. Quero que Bianca se encarregue do projeto do começo ao fim. Ela sozinha.Elara piscou, a surpresa evidente em seu
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Com o pouco de coragem que lhe restava, Bianca se afastou, buscando a distância como um refúgio desesperado. Ela se apoiou contra a parede, tentando se recompor, mas seu coração continuava batendo com a força de um tambor de guerra. A respiração estava difícil, o ar parecia se recusar a entrar em seus pulmões. Apesar da distância física, ela se sentia encurralada, vulnerável, como um rato na jaula do gato.Eric, por sua vez, respirou fundo, uma calma que contrastava com o caos interno dela. Com toda a tranquilidade do mundo, ele se sentou na cadeira giratória de Elara, seu olhar intenso e dominante. Recostou-se no encosto, com os braços cruzados sobre o peito, deixando-lhe saber sem palavras que era ele quem mandava ali. Então, com um gesto da mão, a apontou.— Você não vai me dizer nada sobre aquela noite? — perguntou, sua voz um eco oco no escritório.Bianca o olhou com fúria.— Qual é a razão pela qual você quer que eu fale sobre isso se, afinal de contas, você nem sequer acreditou
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Bianca não conseguiu se concentrar em nada o resto do dia. As palavras de Elara ressoavam em sua mente, a encorajando, mas a imagem de Eric, com aquele sorriso de predador e aqueles olhos que a despiam, a impedia de encontrar paz. A caminho de casa, ela não conseguia parar de pensar no que a esperava. O projeto, sua carreira, o futuro de sua família... tudo parecia estar entrelaçado com aquele homem que a havia machucado tanto.Ao chegar ao seu apartamento, os gêmeos a receberam com abraços e beijos.Enquanto isso, em seu luxuoso apartamento, Eric não conseguia pregar o olho. A taça de Martini havia se tornado um hábito, uma forma de afogar as lembranças que o perseguiam. Ele não conseguia tirar da mente a imagem de Bianca, de seu rosto tenso, de seus olhos que o olhavam com uma mistura de medo e ressentimento.Uma raiva surda o invadiu. Por que ele não conseguia esquecê-la? Por que cada vez que a via, seu coração batia mais rápido e sua mente se tornava um caos? Ele se sentia um tolo