All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 21
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Mas ainda havia uma pergunta inevitável a ser feita.— Bianca — começou Lorena, sua voz suave e atenciosa —, sei que é cedo para falar disso, mas... você tem para onde ir quando receber alta? Algum familiar, amigos próximos aqui na cidade que possam te ajudar?Bianca desviou o olhar para a janela, onde o céu se estendia em um azul imaculado. Negou com a cabeça lentamente, seus olhos se enchendo de uma tristeza palpável.— Não, Lorena. Eu não tenho.A voz de Bianca falhou no final, a vulnerabilidade de sua situação, a solidão, era um fardo pesado. A ideia de ficar desamparada, sem um lugar seguro para se recuperar, a sufocava.Lorena sentiu um nó no estômago. Não conseguia conceber deixar essa jovem, tão frágil e vulnerável, à própria sorte depois de tudo o que havia passado. Ela a havia salvado da morte, e agora sentia uma responsabilidade, uma conexão profunda.— Bianca, eu... — Lorena respirou fundo, buscando as palavras adequadas. — Sei que mal nos conhecemos, mas eu gostaria de te
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O lugar era magnífico. Quando a caminhonete parou em frente a uma casa de estilo colonial, de paredes brancas e telhas vermelhas, Bianca desceu com lentidão, suas pernas ainda fracas, e começou a admirar tudo.Um jardim exuberante se estendia em frente à casa, com flores de cores vibrantes e árvores altas que ofereciam uma sombra acolhedora. O ar era mais puro, e o som dos pássaros era a única coisa que interrompia a paz. Lorena, sempre ao seu lado, se tornou seu suporte, guiando-a com suavidade.No interior, a casa era espaçosa e luminosa, com móveis de madeira escura e detalhes que falavam de uma vida vivida com bom gosto. Havia pessoas ali — a serviçal, pensou Bianca, movendo-se com eficiência e discrição, acatando as ordens de Lorena com respeito e familiaridade.Designaram-lhe um quarto aconchegante, com uma cama confortável e uma janela que dava para o jardim. Era um luxo que ela não esperava, um conforto que a fazia se sentir ainda mais envergonhada de ser um fardo.Mais tarde,
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As confissões da noite haviam aberto uma comporta em Bianca. A avalanche de emoções — o terror da agressão, a humilhação do passado, a dor da perda, a gratidão pela bondade de Lorena — a oprimiu. As lágrimas, contidas por dias, finalmente vieram. Ela soluçou, um choro que vinha do mais profundo de seu ser, um desabafo por toda a montanha-russa de sensações e emoções que havia experimentado.Lorena, sem hesitar um segundo, abandonou seu assento. Ela se aproximou de Bianca e a envolveu em um abraço caloroso e efusivo, demonstrando-lhe com esse gesto que estava ali, ao lado dela, que a apoiaria sem reservas. Bianca se agarrou a ela, suas mãos trêmulas segurando o tecido do vestido de Lorena como um náufrago em seu salva-vidas.— Não se preocupe com nada, minha menina — sussurrou Lorena, sua voz carregada de carinho, enquanto lhe acariciava o cabelo com ternura. — Eu estou aqui. A vida foi dura com você, sim, eu sei. Mas sempre há pessoas boas, e eu sou uma dessas que se apresentou no seu
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Os dias haviam se fundido em uma rotina suave, e Bianca começava a se acostumar com seu novo lar.O quarto não se sentia mais estranho; pouco a pouco, os contornos da cama, a textura dos lençóis, a vista da janela se tornavam familiares, reconfortantes.A atenção de Lorena continuava sendo o apoio constante que ela precisava para sua recuperação, um bálsamo em um processo tão difícil. Ter alguém que a apoiasse de tal maneira era um privilégio, algo que ela ansiava há muito tempo, mas que ironicamente só havia encontrado depois de atravessar uma montanha-russa de momentos tão complicados em sua vida.Naquela manhã, Bianca acordou com uma sensação de leveza incomum. Ela se levantou da cama, tomou um banho morno que relaxou seus músculos doloridos e se vestiu com roupas confortáveis, uma das muitas peças que Lorena havia comprado para ela. Desceu ao térreo, esperando encontrar Lorena na mesa do café da manhã, como de costume.— Bom dia, Lorena! Como você dormiu? — cumprimentou Bianca, co
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A manhã no escritório de Eric começou como qualquer outra. Daniela, sua assistente, entrou com sua habitual timidez, uma silhueta nervosa em frente à imponente figura de seu chefe. Ela se aproximou da mesa, um convite dourado na mão.— Bom dia, senhor — começou Daniela, sua voz apenas um sussurro. — Eu trouxe um convite e quero que o senhor veja.Eric o aceitou, seus dedos longos e finos roçando o papel elegante. Seus olhos azulados percorreram o texto com uma rapidez calculista.— Então se trata de um gala beneficente — disse, seu tom monótono, tingido de um leve aborrecimento. — Outro evento que devo comparecer, sim ou sim, não é?Daniela assentiu com a cabeça, seus olhos fixos no chão.— Sim, senhor. Será bom para a companhia que o senhor esteja presente. Isso dará uma boa imagem do senhor, então sim, será adequado que compareça.Eric bufou de seu lugar, o convite elegantemente escrito em papel dourado parecia pesado em sua mão. Tudo nele era perfeição — uma perfeição que para ele
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Eric se deixou cair no sofá de seu apartamento, o impacto surdo ecoando na quietude da noite. As provas — aquelas malditas fotos — ainda queimavam em suas mãos, embora já não as tivesse. Aitana. A mulher que ele amara com uma devoção cega, a que havia jurado amá-lo, o havia feito de tolo.Um palhaço. Assim ele se sentia.A raiva, uma besta visceral, arranhava seu peito, supurando veneno em cada batida. Chorar por ela? Jamais! Não mais lágrimas por aquela mentirosa. A ideia de que ela o havia enganado, quem sabe por quanto tempo, revirava suas entranhas. Ele já não a amava, não da mesma forma, mas a confusão o consumia, deixando-o vazio, oco. A raiva, no entanto, era real, densa, sufocante.Suas mãos, quase por inércia, buscaram novamente a fotografia. Uma de tantas. Seus olhos se injetaram de ódio ao fixar o olhar no sujeito que abraçava Aitana. Aquele idiota. O mesmo que havia abraçado Bianca. A testa de Eric se franziu até doer. Se aquele cara — Steven, ele se lembrava que se chamav
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O sol, um intruso atrevido, se infiltrou pela janela, banhando o quarto de Eric com uma claridade irritante. Um rugido de frustração escapou de sua garganta, mas o astro-rei não cedeu. Finalmente, com um suspiro de resignação, Eric despertou todos os seus sentidos e se levantou. O ritual matinal de se arrumar transcorreu no piloto automático, sua mente ainda ancorada na escuridão da noite anterior.Ao sair do quarto, seus olhos se depararam com elas: as fotografias. Ainda estavam ali, no centro da mesinha de café, um lembrete mudo da traição. O sangue ferveu novamente. Ele as pegou com a mão trêmula, a raiva borbulhando em seu interior. Ele precisava queimá-las, reduzi-las a nada, assim como seu amor por Aitana havia se tornado cinzas.Ele procurou um isqueiro e, perto de uma lixeira, observou como as imagens eram consumidas lentamente pelo fogo. O ardor que sentiu perto de sua mão não era apenas o calor das chamas; era a queimadura da traição, a ardência da mentira.As provas do enga
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O escritório de George Harrington estava impregnado do aroma de couro e papel velho, um santuário de controle e poder. Jackeline se aproximou de seu marido, seus enormes olhos castanhos com longos cílios encaracolados transbordando de uma curiosidade que mal podia conter.— George — ela começou, sua voz suave, mas persistente —, eu gostaria de saber o que aconteceu com Bianca. Eu gostaria que você me dissesse se ela foi embora, porque seus pais não comentaram nada sobre algum retorno nem sobre seu paradeiro. Por isso eu gostaria de saber...George, que até aquele momento estava absorto em alguns papéis, levantou a cabeça. Ele cravou seu olhar em sua mulher, e um sorriso de tranquilidade e controle se deslizou, desenhando-se em seu rosto.— Não se preocupe, querida — ele disse, seu tom calmo. — Eu já cuidei desse assunto. Não temos que nos preocupar com algo assim. Além disso, não temos mais nada a ver com essa família. Lembre-se que os papéis do divórcio já foram assinados. Então não
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O motor rugia sob o pé de Lorena, cada quilômetro uma súplica, cada segundo uma eternidade. Ela olhava repetidamente pelo retrovisor, o rosto pálido de Bianca no banco de trás, seu corpo inerte, encolhido. Um nó de angústia apertava seu peito.— Por quê? — ela murmurava para si, a pergunta flutuando no ar do carro. — Por que o destino era tão cruel com ela? Tantas provações, tantas batalhas. Até quando aquela pobre moça teria que continuar lutando?Ela pensava em Bianca, nos pequenos seres que cresciam dentro dela, em tudo de ruim que poderia acontecer com eles. O medo a atormentava, um terror frio que lhe arrepiava a pele. Ela realmente não queria que nada de ruim lhes acontecesse.Quando o carro rangeu ao parar na entrada de emergência do hospital, Lorena não esperou nem um segundo. Ela saiu disparada, abrindo a porta traseira e gritando com desespero.— Ajuda, por favor! Minha amiga está grávida e algo está acontecendo com ela! Precisa de atendimento urgente!A urgência em sua voz,
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O ar do hospital ficou para trás, substituído pela promessa da familiaridade do lar. No caminho de volta, Lorena, com uma mistura de seriedade e carinho, repetiu a Bianca as recomendações do doutor.— Olha, Bianca, o doutor foi muito claro. Você tem que descansar muito, evitar qualquer estresse. Nada de preocupações, você me ouve? É crucial que você mantenha a calma para que esta gravidez corra bem.Bianca escutava atentamente, seu olhar fixo na estrada, assentindo a cada palavra.— Eu entendo, Lorena. Eu vou acatar, eu prometo. Eu farei tudo o que for necessário para que meus bebês e eu estejamos sãos e salvos.Quando finalmente chegaram à casa, Bianca se dirigiu diretamente ao quarto. Ela se virou para Lorena, uma promessa silenciosa em seus olhos cansados.— Eu vou me deitar. Vou descansar como o doutor recomendou.Lorena a olhou com os olhos semicerrados, uma mistura de ceticismo e afeto em sua expressão.— Eu espero que você realmente cumpra sua palavra, Bianca. Eu não quero que