All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 31
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O luto era um manto pesado que Vivian não conseguia sacudir. Perder um filho, ela pensava, era uma dor grotesca, muito difícil de assimilar. Ela se sentia perdida, como se sua vida já não tivesse sentido sem Aitana. Entrar no quarto de sua filha falecida era uma tarefa titânica, um esforço sobre-humano para lidar com o fato de que a cama estaria vazia, que ela não voltaria a estar ali para recebê-la.Enquanto seus olhos percorriam os objetos de Aitana, aquele nó familiar voltava a se formar em sua garganta. As lembranças flutuavam em sua mente, e o cheiro de sua filha, um aroma doce e característico, continuava gravado a fogo em sua memória, em cada canto do quarto.Vivian esteve percorrendo o quarto durante alguns segundos, seus dedos acariciando uma a uma as posses de sua filha, antes de se sentar finalmente na beira da cama. As lágrimas começaram a cair, silenciosas no início, depois transformadas em soluços. Ela odiava o fato de que o tempo passava e passava, e ela não conseguia s
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A verdade, como um relâmpago, havia iluminado a escuridão. Vivian havia explicado a Bruno, com a voz ainda trêmula, tudo o que havia descoberto: os testes de gravidez, as fotografias de Aitana com um homem que não era Eric. O rosto de Bruno havia se contorcido em uma mistura de horror e fúria contida.— Ninguém deve saber disso — declarou Bruno, sua voz um sussurro carregado de urgência. — Ninguém pode ficar sabendo disso, Vivian. Temos que guardar este segredo. Espero que você também não vá contar nada para ninguém.Vivian assentiu com a cabeça, ainda perturbada pela descoberta, a imagem de sua filha com uma vida dupla incrustada em sua mente. Justo nesse momento, o telefone de Bruno começou a tocar, interrompendo o tenso silêncio. Ele olhou para a tela e seus olhos se arregalaram em choque. Era Eric Harrington.Bruno se sentiu de repente invadido pelo nervosismo. Olhou para sua esposa, com os olhos dilatados.— Ele está me ligando... — murmurou, quase para si mesmo. — Justamente...
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O tempo continuava seu curso para Bianca. Embora não se lhe exigisse muito, ela tentava se entreter durante as longas horas naquela casa. Não era necessário que ajudasse com os afazeres, a servidão se encarregava de tudo, mas seu espírito inquieto a impulsionava a se ocupar em algo. Se não pintava, então costurava, ou desenhava, dedicando-se um pouco a tudo, tentando se entreter e ocupar sua mente.Nesse dia, ela estava no quarto onde Lorena costumava pintar. Bianca percorria as pinturas com o olhar, observando-as com olhos de privilégio. Para ela, era quase irreal poder estar ali, desfrutando das obras de sua pintora favorita. Era incrível. Nesse momento, uma obra em particular capturou sua atenção. Ela se aproximou e a observou detidamente. A inspiração a invadiu e, sem pensar duas vezes, voltou para seu próprio quarto.Em frente a uma tela em branco, começou a dar pinceladas, criando sua própria obra. Estava tão absorta em sua pintura que quase se esqueceu do importante compromisso
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Enquanto a vida de Bianca tomava um novo rumo, alheia aos acontecimentos que se desenrolavam ao seu redor, em um lugar distante, a notícia de sua sobrevivência havia acendido uma chama de fúria.George caminhava de um lado para o outro na luxuosa sala de sua mansão, o mármore sob seus pés ecoando a cada passo impaciente. Suas mãos estavam cerradas em punhos, e o rosto, normalmente impassível, estava contraído em uma careta de ira. A notícia de que Bianca não havia morrido o atingiu como um raio. Ele acreditara que seu problema estava resolvido, enterrado para sempre, e agora, o fantasma de seu passado retornava para atormentá-lo.Jackeline, sua esposa, o observava da soleira da porta, com os braços cruzados e uma expressão de cautela. A atmosfera na sala era densa, carregada da cólera de George.— O que você pretende fazer, George? — perguntou Jackeline, sua voz era tranquila, mas firme, tentando quebrar a tensão.George parou bruscamente, virando-se para encará-la. Seus olhos, escuro
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Bianca, enquanto isso, desfrutava sua gravidez serena; embora o burburinho interno das expectativas não fosse embora. Pouco a pouco, sua barriga crescia, evidenciando a nova vida que abrigava. Ela se concentrava em fazer as roupinhas de seus bebês, embora não fosse necessário, pois elas também haviam ido comprar.Mas ela queria fazer isso, queria sentir que estava envolvida em cada pequeno detalhe do processo, que suas mãos costuravam com o amor que sentia por aqueles dois seres que estavam a caminho. Além da costura, ela pintava com afinco, suas pinceladas preenchendo telas de cores vibrantes, tentando se entreter e dar uma explosão de alegria aos seus dias.Mas nem tudo era tão colorido. Às vezes, seus dias pareciam carbonizados, cinzentos e pesados, como se ela sentisse muita falta de sua vida passada, das pessoas que a enchiam de risadas e momentos compartilhados. Ela até sentia falta de seus pais, embora soubesse que eles sentiriam ainda mais a falta dela. A distância, imposta pe
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Eric sacudiu a cabeça com veemência, sentindo uma pontada de frustração. Ele tinha que tirar da mente aquela pessoa que, por alguma razão, continuava aparecendo sem ser convidada. Sentia raiva de se sentir assim, uma impotência que o consumia. Bianca não tinha nenhuma importância para ele, e mesmo assim, sua imagem se infiltrava em seus pensamentos nos momentos mais inoportunos.Ao mesmo tempo, ele lutava para esquecer Aitana e recordá-la como alguém que havia agido falsamente no passado. Mas, por alguma razão, tudo aquilo parecia impossível. Era como se sua mente se recusasse a obedecer, preso entre um passado que o atormentava e um presente que o confundia.Por outro lado, Bianca e Lorena decidiram embarcar em uma aventura cheia de alegria: ir às compras de roupas para bebês. Ambas estavam muito animadas. Sabendo que seriam uma menina e um menino, podiam comprar livremente roupas de cores e muitas coisinhas adoráveis para os pequenos. Lorena parecia desfrutar desse momento tanto qua
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Tatiana se levantou abruptamente da mesa, o som de sua cadeira sendo arrastada ecoando no elegante restaurante.— Desculpe, preciso ir ao banheiro — avisou, sua voz tensa, antes de se afastar com uma rapidez que denunciava sua irritação.Eric a observou partir, percebendo seu mal-estar, mas, para sua vergonha, não deu maior atenção. Ele ficou sozinho à mesa, uma pontada de frustração o percorrendo. Não nutria nenhum tipo de sentimentos ou intenções amorosas por ela, mas, infelizmente, tudo fazia parte de uma aliança, um arranjo ao qual ele devia se adaptar sem opção alguma.Ele esperou um momento, sentindo uma ponta de culpa, mas o que mais ele podia fazer? Estava de mãos atadas. Era um amor forçado, uma união imposta, e a única coisa que desejava era que ela voltasse para terminarem o jantar e fugir daquela situação.Enquanto isso, Tatiana se refugiou no opulento banheiro do restaurante. Olhou-se no espelho, seus olhos azuis injetados de uma raiva contida. Bufou, pegou seu batom de m
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O sol da manhã filtrava-se pelas persianas, pintando listras douradas no chão do quarto. Bianca se espreguiçou com um sorriso, o pensamento da exposição de arte inundando seus sentidos. Fazia muito tempo que não se permitia um luxo como aquele, uma imersão na beleza e na inspiração. A companhia de Lorena, além disso, tornava a perspectiva ainda mais atraente; seu entusiasmo era contagiante, e Bianca se sentia genuinamente agradecida por seu constante apoio.Ela se levantou da cama, dirigindo-se ao guarda-roupa. Queria escolher algo especial, um vestido que a fizesse sentir confortável e ao mesmo tempo elegante. Ao experimentá-lo em frente ao espelho de corpo inteiro, uma risada suave escapou de seus lábios. Sua barriga, agora notavelmente protuberante pela gravidez, estava mais evidente do que nunca. Uma sensação estranha, de profunda felicidade e uma ponta de espanto, a dominou. Ela já havia se acostumado com a presença de seu futuro filho, mas cada nova manifestação de seu corpo em
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O tempo pareceu parar para Bianca. Ela estava absorta em uma vibrante pintura abstrata, suas cores dançando diante de seus olhos, quando uma pontada gelada a percorreu. Ela havia virado a cabeça instintivamente, e lá estava ele. A figura imponente, os olhos azuis penetrantes que ela conhecia tão bem.Seu coração, que um momento antes batia no ritmo da tranquilidade da arte, disparou, batendo contra suas costelas com uma força alarmante.Sentiu que escaparia pela boca, que o ar lhe era negado. Queria fugir, desaparecer, se tornar um espectro e se desvanecer entre a multidão, mas seus pés pareciam colados ao chão de mármore impecável.A mulher ao lado dele, tão deslumbrante quanto ela se lembrava que as mulheres que cercavam Eric costumavam ser, apenas intensificou a opressão em seu peito. Aquela visão lhe lembrava a vida que Eric havia escolhido, o mundo ao qual ela já não pertencia. Seus pulmões pareciam atrofiados, incapazes de se expandir por completo. E então, o pesadelo se tornou
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Lorena voltou para junto de Bianca, seu rosto irradiava a satisfação de uma compra bem-sucedida. No entanto, ao ver sua amiga, o sorriso de Lorena vacilou. A palidez de Bianca e a tensão em seus ombros eram evidentes, apesar de seus esforços para disfarçar.— Bianca, você está bem? — perguntou, a preocupação tingindo sua voz. Seu instinto lhe dizia que algo não estava certo, que a calma aparente de Bianca era apenas uma frágil fachada.Bianca forçou um sorriso, tentando soar convincente, mas sua voz tremeu levemente.— Sim, sim, estou bem, Lorena. Não se preocupe.Mas Lorena não era fácil de enganar. Os olhos de Bianca pareciam maiores do que o normal, com um brilho cristalino que denunciava uma dor contida. Havia algo em sua postura, uma rigidez incomum, que gritava angústia.— Não me parece que você esteja bem — insistiu Lorena, seu tom suave mas firme. — Eu te noto... diferente. O que aconteceu?Bianca, sentindo-se encurralada, buscou uma desculpa rápida, algo que desviasse a atenç