All Chapters of A Esposa Desprezada pelo CEO Terá Gêmeos: Chapter 41
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Quando Tatiana voltou para casa, sentiu a necessidade imperiosa de desabafar.— Mãe, eu não aguento mais isso! — exclamou Tatiana, atirando sua bolsa de designer sobre um sofá de veludo. A frustração e o cansaço eram notáveis em cada sílaba. — Eric é um cara tão... tão gélido. Eu não quero este casamento!Mariola levantou uma sobrancelha, o olhar severo de desaprovação pousando sobre sua filha. Sua voz, embora suave, carregava o peso da autoridade.— Que você não quer este casamento? — ela replicou, deixando a taça sobre uma mesa lateral com um pequeno tilintar. — Tatiana, o que você está dizendo? Já conversamos sobre isso. Você tem que fazê-lo se apaixonar. Você não pode se render tão facilmente.Tatiana bufou, cruzando os braços, a imagem da indiferença de Eric gravada a fogo em sua mente.— Mas como eu vou fazer um homem que me trata como se eu fosse um móvel se apaixonar? — protestou. — Ele é muito frio, mãe. Ele não me olha, não sorri para mim, mal fala comigo. É como se eu estiv
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O ar no quarto de Bianca estava denso, carregado com a preocupação não dita de Lorena. Ela estava observando a amiga o dia todo, o silêncio incomum de Bianca e a tristeza palpável em seus olhos. O coração de Lorena se encolhia a cada olhar, a impotência de não saber como ajudá-la a consumia.Ela a viu mais calada que o normal, seus movimentos lentos, como se um peso invisível a estivesse arrastando. Preocupava-se, e muito. O medo de se intrometer, de não saber como abordar o assunto, a tinha mantido calada, mas ela não podia mais. Ver Bianca assim doía demais.Deu um passo em direção a ela, com o coração batendo forte no peito. A voz saiu um pouco mais suave do que esperava, mas firme.— Bianca — começou Lorena, com delicadeza, seu olhar fixo no rosto sombreado de sua amiga. — Eu passei o dia todo te observando e... tenho certeza de que algo está acontecendo com você.Bianca piscou, e por um instante, Lorena pensou ter visto um lampejo de surpresa, talvez de se sentir pega. Era eviden
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O hospital, um labirinto de corredores assépticos e sussurros urgentes, se transformou de repente no cenário de um milagre para Bianca. As contrações tinham se intensificado até se tornarem insuportáveis, mas a decisão estava tomada: uma cesariana, como havia sido programado previamente. Deitada na fria mesa de operações, o medo a invadiu. As luzes brilhantes do centro cirúrgico pareciam consumir o ar, e tudo o que Bianca ansiava era ouvir um choro, o som de seus bebês, a confirmação de que tudo tinha corrido bem.A voz da enfermeira distante, o murmúrio dos médicos, e de repente... o choro. Um pequeno grito agudo que rasgou o silêncio de sua ansiedade. A enfermeira se aproximou, e por um instante, Bianca vislumbrou um pequeno embrulho rosado, um de seus gêmeos, antes que a escuridão a envolvesse por completo. A inconsciência foi um véu bem-vindo.Quando despertou, a luz filtrada pela janela indicava que o dia já havia amanhecido. Ela estava em um quarto privado do hospital, a dor mit
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A proposta de Lorena havia chegado de forma inesperada. Uma viagem a Paris, para começar de novo. A ideia ressoava com a promessa de um futuro diferente, longe dos fantasmas do passado e das correntes das lembranças.Bianca olhou para seus pequenos, Henry e Olívia, dormindo placidamente em seus berços. Eles eram a razão de sua existência agora, e a força para tomar decisões que antes lhe teriam parecido impossíveis.— Sim, Lorena — disse Bianca finalmente, com a voz ainda um pouco tingida de espanto, mas com uma convicção crescente. — Sim, eu quero ir. Você realmente me pegou desprevenida com tudo isso, não vou mentir... mas sim.Um sorriso radiante iluminou o rosto de Lorena. Ela se aproximou de Bianca, a emoção brilhando em seus olhos.— Eu sabia! — exclamou, seu entusiasmo contagiante. — Eu sabia que você gostaria da ideia! Tudo vai ficar bem, Bianca. De verdade, você poderá estudar, realizar seus sonhos. E eu vou te apoiar, vou te ajudar a realizar esse sonho. Nós vamos conseguir!
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O sol da manhã parisiense filtrava-se suavemente pelas cortinas, pintando o quarto com um tom dourado. Bianca se espreguiçou, o gemido suave de Olívia no berço próximo a puxando de volta à realidade. Por um momento, esqueceu onde estava. Em seguida, as lembranças da longa viagem e da nova cidade vieram à sua mente.Ela se levantou, espreguiçando-se, e se aproximou do berço. Olívia a olhou com aqueles grandes olhos curiosos, e Bianca lhe deu um sorriso cansado, mas cheio de amor. Henry, no berço ao lado, ainda dormia profundamente.Ao sair do quarto, o aroma de café e algo doce flutuava no ar. Lorena já estava acordada, movendo-se pelo que parecia uma espaçosa e luminosa cozinha. A casa era maior do que Bianca havia imaginado, com tetos altos e janelas que prometiam vistas encantadoras da cidade. O cansaço da viagem havia apagado qualquer impressão inicial, mas agora, com a mente mais clara, ela começou a apreciar os detalhes: a elegante decoração, o calor dos móveis, a sensação de lar
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Na suíte nupcial, o ar estava carregado de uma solenidade tensa. Eric se examinava pela última vez no espelho de corpo inteiro. Seu reflexo era o da perfeição: cabelo escuro penteado com precisão, o terno cinza de corte impecável que acentuava sua figura atlética, o arranjo floral na lapela, a gravata de seda perfeitamente nós. Tudo estava em seu lugar, limpo, imaculado. Um sorriso apenas perceptível, quase um tique, cruzou seus lábios. Era a imagem da soberba, a confiança inata de quem sabe que é atraente.Mas, apesar dessa perfeição externa, uma insatisfação profunda borbulhava em seu interior. O casamento que estava prestes a se realizar, o de Eric e Tatiana, era uma farsa, um acordo forçado que lhe repugnava no mais íntimo de seu ser.— Este não é meu casamento — murmurou, sua voz quase inaudível. Era um matrimônio imposto por seus pais, mais uma ficha no jogo implacável dos negócios e da linhagem. Ele havia aceitado, sim, para não pôr em risco seu posto na companhia, para assegur
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Cinco anos depois, a pequena Olívia fez sua aparição no estúdio de design de sua mãe como um furacão de risadas e cores. Bianca não pôde evitar soltar uma sonora gargalhada ao vê-la. A menina tinha o rosto completamente borrado de maquiagem, um autêntico mosaico de tons brilhantes, e lutava para manter o equilíbrio enquanto tentava andar com os saltos gigantes de sua mãe, arrastando uma de suas bolsas de designer. Era uma imagem hilária, uma travessura adorável de uma garotinha que já mostrava uma personalidade transbordante.— Olívia! — exclamou Bianca, a voz mais divertida do que repreensiva. — Mas por que você pegou minhas coisas? E olhe só para o seu rosto, você sujou a cara toda! — disse, apontando para a obra de arte que cobria o rostinho.A menina, com um sorriso deslumbrante que revelava um par de dentes de leite faltando, aproximou-se de sua mãe.— Mamãe, é que eu estou me vendo muito bonita. Quero parecer com você, assim, preciosa.O coração de Bianca derreteu. Ela se agacho
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Bianca se despediu das crianças com beijos voadores e a promessa de presentes, assim como haviam exigido com sua encantadora audácia. Durante o voo para Nova York, uma estranha mistura de nervosismo e excitação se agitava em seu estômago, expandindo-se por cada canto de seu ser. Ela sabia que a emoção cresceria sem dúvida, superando de longe a apreensão inicial.O retorno à Grande Maçã parecia peculiar, quase nostálgico. Muitas lembranças, algumas dolorosas, outras esquecidas de propósito, haviam ficado para trás. Voltar ao lugar onde muitos desses ecos do passado se forjaram era como ser lançada de novo em um turbilhão temporal. No entanto, Bianca se esforçou para ver tudo com outra perspectiva, para sorrir com otimismo e pensar positivamente. Tudo o que era amargo e ruim tinha que ter ficado para trás. Esta era uma nova Bianca, uma Bianca parisiense, uma designer consolidada.Ao chegar, ela se instalou em um hotel reconhecido, convenientemente localizado perto do epicentro da moda o
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O silêncio no cubículo contíguo foi quebrado com uma voz carregada de desespero. Bianca, imóvel em seu esconderijo, aguçou o ouvido. Era Tatiana, e seu tom denotava uma urgência inaudita.— Preciso que, por favor, você consiga o bebê adequado — dizia Tatiana, sua voz mal contida. — Não me interessa o quanto você tenha que se arriscar para poder fazer isso, mas eu quero que você cumpra o que estou te pedindo. É para isso que eu te pago. Eu te enviarei o dinheiro que você precisar e duplicarei o valor se for necessário, mas eu preciso que você se apresse!Bianca tapou a boca, a incredulidade e a perplexidade a inundando. Ela não sabia com quem Tatiana falava do outro lado da linha, mas uma coisa era inegável: essa mulher estava tramando algo de uma magnitude aterrorizante. Em um impulso repentino, uma estranha necessidade se apoderou dela. Sentia que devia gravar essa conversa, e assim o fez, com a mão trêmula enquanto ativava a função de gravação em seu telefone.A voz de Tatiana volto
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O relógio digital na mesa de cabeceira brilhava com uma luz fraca: dez da noite. Bianca se preparava para dormir, o eco do desfile ainda vibrando em sua mente, quando um pensamento a assaltou com a força de um raio: os presentes para Olívia e Henry! Com a voragem do evento e a impactante conversa no banheiro, ela havia esquecido completamente sua promessa.Felizmente, a hora não era excessivamente tardia. Um impulso repentino a levou a se levantar da cama. Nova York, mesmo à noite, oferecia um sem-fim de possibilidades. Ela decidiu sair do hotel em busca de uma loja de brinquedos.O frio na cidade era cortante, um vento gélido que se infiltrava por cada fresta. Bianca se agasalhou com seu melhor casaco, envolvendo-se no tecido grosso como em um casulo protetor. Enquanto caminhava pelas ruas iluminadas, o passado pairava sobre ela como uma sombra. Cada esquina, cada edifício, parecia evocar fragmentos de uma vida anterior.No entanto, ela se obrigou a manter o rumo, a não ceder à melan