All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 1
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Capítulo 1 — A Proposta
— Traga um milhão de dólares em três dias. — A voz dele era quase divertida. Quase.Valentina não respondeu de imediato.Não porque não tivesse palavras… mas porque o ar simplesmente sumiu quando o tio terminou a frase.O escritório dele sempre pareceu frio.Mas naquele dia estava gélido.Parecia uma sentença.O tapete persa que ela atravessara tantas vezes quando criança… agora era só um campo minado.As paredes brancas, os quadros caros, a mesa de mogno: tudo tinha cheiro de julgamento.O tio, Rogério Diniz, estava impecável barba aparada, terno alinhado, olhos que nunca a enxergaram como família.Ele girou a caneta entre os dedos, calmamente.Calmamente demais.— Eu disse “três dias”, Valentina. — repetiu. — Não três meses. Não três anos. Três. Dias.Ela engoliu seco.— Tio… eu acabei de enterrar o meu pai. — a voz dela vacilou, mas não quebrou.Ele ergueu uma sobrancelha, indiferente.— Sim, eu soube. — disse, como quem comenta previsão do tempo. — Uma tragédia. Mas tragédias não
Capítulo 2 – O acordo.
Valentina quase deixou o aparelho cair.Atendeu com o coração preso na garganta.— Alô?Silêncio.Depois, uma voz baixa, firme, impossível de confundir com qualquer outra.— Valentina Diniz.Ela congelou.Aquele timbre tinha o mesmo impacto de uma porta de cofre se abrindo.Lento. Preciso. Irrecusável.— Quem é? — ela perguntou, mesmo já sabendo.— Rafael Montenegro.Uma pausa.— Recebeu minha mensagem?A garganta dela secou.— Recebi… mas isso é absurdo. Eu não—— O absurdo, Valentina, é você achar que pode resolver sozinha uma dívida daquele tamanho.O tom dele não era de arrogância.Era de certeza.Ela se sentiu nua, apesar de estar no próprio carro estacionado.— Não sei se entendi sua proposta.— Vai entender pessoalmente.Outra pausa.— Hotel SkyGlass. Suíte 1307. Às nove.— Eu não confirmei que vou — retrucou.— Confirmou atendendo.E desligou.Sem despedida.Sem justificativa.Sem espaço para recusar.O silêncio no carro era tão denso que parecia alguém sentado no banco de trá
Capítulo 3 — O Contrato
A noite não passou. Ela apenas se arrastou.O relógio marcava 5h17 quando Valentina desistiu de fingir que dormia. O apartamento estava mergulhado em uma penumbra úmida, o ar cheirava a café frio e arrependimento. Na mesa de centro, o contrato permanecia aberto, as páginas amassadas nas pontas pelos dedos inquietos.Lá fora, São Paulo ainda parecia dormir um silêncio sujo, cortado apenas pelo ronco distante de um carro ou por uma sirene solitária.Ela pensou em levantar, abrir a janela, deixar o vento entrar. Mas o corpo pesava demais, como se cada célula soubesse o que viria.A mente repetia o nome dele como um eco: Rafael Montenegro.A voz fria. O olhar que não vacilava. O jeito como ele a estudava sem pressa, como quem lê uma sentença já escrita.Valentina recostou-se no sofá e apertou o nó da gravata do pai que ainda usava como marcador dentro da pasta. “Justiça é o que se faz quando o mundo desaba”, ele dizia.Mas e quando o mundo desaba por dentro?As palavras do tio voltaram co
Capítulo 4 — As Cinzas do Altar
O espelho refletia uma mulher que ela ainda não reconhecia.O cabelo preso em um coque rígido, a maquiagem leve escondendo a exaustão, o vestido bege de corte simples nada de véu, flores ou promessas. Era apenas um contrato vestido de cerimônia.O relógio marcava 8h. Faltava menos de uma hora.A casa estava silenciosa, como se até as paredes esperassem o desfecho. A pasta com o contrato repousava sobre a mesa, ao lado de uma xícara de café intocada.Valentina observou as próprias mãos por um instante. Estavam frias. As unhas curtas, impecáveis, como sempre. Mas tremiam.Pegou o celular, rolou mensagens antigas e parou na última foto com o pai: os dois no tribunal, sorrindo. Ele usava a toga, ela segurava o diploma de Harvard. O brilho nos olhos de ambos era o mesmo o brilho de quem acreditava na verdade.Ela quase riu. Verdade. Palavra bonita demais pra caber no mundo em que vivia agora.Um toque na campainha interrompeu o silêncio.Valentina olhou o relógio. 9:12h.Não esperava ningu
Capítulo 5 — A Casa dos Montenegro
Rafael a observou com uma calma cortante.— Então eu te destruo, Valentina. Com a mesma elegância com que te dei o sobrenome.O vinho no copo dela tremeu, como se o próprio cristal tivesse sentido o impacto.A comida chegou, mas ninguém tocou.O silêncio entre eles não era vazio era vivo, elétrico.O garçom afastou-se rápido, como quem pressente o início de uma tempestade.Rafael tomou um gole de vinho e recostou-se na cadeira.— Não quero guerras, Valentina, não tenho tempo para brincar com você, tenho um império para gerir e você se lembre, seja a mulher perfeita diante das câmeras qualquer movimento em falso seu, você vai mais fundo do que um dia pensou em ir.— Então, não tenho escolhas?Ele sorriu, frio.— Não.Do lado de fora, a garoa engrossava. A cidade parecia desaparecer sob o vidro.Valentina observou o reflexo dele na janela imponente, seguro, e, ainda assim, humano o bastante pra revelar uma sombra de solidão.Por um instante, quis entender quem era o homem por trás do mo
Capítulo 6 — O Banquete das Aparências
O relógio marcava 19h59 quando Valentina desceu as escadas.O som dos próprios passos ecoava pelo corredor, misturando-se ao murmúrio distante de vozes e talheres. O cheiro de vinho e carne assada dominava o ar.Naquela casa, até o jantar parecia uma encenação.O salão principal estava iluminado demais, como se a claridade fosse feita para expor imperfeições. Uma longa mesa de mogno ocupava o centro, coberta por velas, taças de cristal e guardanapos dobrados com precisão militar. Ao redor, a família Montenegro elegante, fria, mortal.Vittoria foi a primeira a notá-la.— Finalmente. Disse, erguendo o queixo. — Pensei que fosse se atrasar, mas talvez tenha aprendido alguma coisa nessa vida.Valentina forçou um leve sorriso, medido.— Boa noite. Respondeu, tentando manter o tom neutro.A mulher bateu levemente no ombro de um homem grisalho sentado à cabeceira.— Este é o patriarca da família, Augusto Montenegro. Apresentou. — Meu marido.O homem mal levantou os olhos do prato. O rosto ca
Capítulo 7 — O Espetáculo do Silêncio
A manhã começou fria, como se o próprio sol tivesse medo de atravessar as janelas daquela casa.Valentina acordou com o som de batidas suaves na porta três, precisas, impessoais.— São seis e trinta, senhora Montenegro. A voz de Clara era cortante, como sempre. — O senhor pediu que eu a lembrasse do café.Valentina piscou algumas vezes antes de responder. Dormira mal, quase nada. A cabeça latejava, o corpo ainda pesado da noite anterior.— Já estou me levantando.Clara entrou sem esperar convite. Carregava um cabide com um conjunto de roupas em tons neutros, tão elegantes quanto frios.— Escolha do senhor Montenegro. Disse sem emoção. Disse que o vermelho não combina com a imagem que deseja projetar.Valentina olhou o vestido, um bege que beirava o apagado.— Claro. murmurou, e começou a se trocar.Enquanto ela se arrumava, Clara circulava pelo quarto, ajustando pequenos detalhes: endireitou o vaso de lírios, alinhou o lençol, recolheu o copo d’água. Era como se cada gesto seu dissess
Capítulo 8 — O Espetáculo da Humilhação
Os flashes ainda piscavam quando Rafael pousou a mão nas costas de Valentina.O sorriso dele continuava impecável frio, estudado, quase ensaiado até a última câmera ser desligada.Ela ainda sentia o calor do toque, mesmo depois que os jornalistas começaram a dispersar.Mas, assim que a porta de vidro se fechou atrás deles, o ar mudou.O silêncio veio primeiro. Depois, o frio.Rafael soltou a mão dela o toque desapareceu como se nunca tivesse existido.O corredor principal do Grupo Montenegro era largo, revestido de vidro e aço. O som dos passos ecoava com perfeição matemática, como se até o chão tivesse sido projetado para intimidar.O assistente de Rafael se aproximou, entregando-lhe um tablet.— Senhor, as ações subiram três pontos desde o início da coletiva. Disse, apressado.Rafael assentiu, o olhar já fixo na tela.— Confirme a reunião com o conselho às quatorze. E avise Clara para acompanhar a senhora Montenegro.Clara surgiu logo atrás deles, impecável, como se tivesse sido inv
Capítulo 9 — O Banquete dos Sussurro.
O relógio da sala de jantar marcava 20h em ponto quando a porta se abriu.Valentina entrou.O som dos saltos ecoou no mármore, e, por um instante, o salão inteiro pareceu parar.As conversas cessaram. O tilintar dos talheres morreu.O olhar de todos Vittoria, Helena, Enzo, até o velho Augusto voltou-se para ela.Ela usava um vestido bege de corte reto, discreto demais para a pompa Montenegro, mas elegante o bastante para incomodar quem esperava vê-la tropeçar. O cabelo estava liso, preso em um coque preciso; o rosto, sereno e pálido, moldado pela nova máscara que Clara ajudara a construir.Rafael, à cabeceira, segurava uma taça de vinho tinto.Os dedos dele se fecharam com força no cristal quando a viu.Nenhuma palavra, mas o gesto bastava algo nele vacilou por dentro, ainda que o rosto permanecesse imóvel.Vittoria foi a primeira a quebrar o silêncio.— Ora, ora... — murmurou, inclinando a taça e avaliando a nora de cima a
Capítulo 10 — O Chá das Máscaras
As batidas na porta vieram antes do sol.Três. Secas. Frias. Precisas.Valentina abriu os olhos devagar. O quarto ainda estava mergulhado na penumbra, o relógio na mesa marcava 6h15.A cabeça latejava. Tinha dormido pouco ou nada.— Senhora Montenegro, abra a porta. — a voz de Clara atravessou a madeira, sem emoção. — E, por favor, não a trave novamente.Valentina respirou fundo antes de girar a maçaneta.Clara estava lá: impecável, o mesmo coque puxado, o mesmo rosto sem traço de vida.— Ainda é cedo pro café. — disse Valentina, rouca.Clara passou por ela sem pedir licença, como quem entra num escritório, não num quarto.O perfume caro tomou o ar.— A senhora Montenegro mandou que se arrumasse. — informou, abrindo o closet. — Há um chá com algumas senhoras influentes no Jóquei Clube.Valentina olhou o relógio.— Isso é daqui a duas horas.— Então não desperdice tempo. — respondeu Clara, enq