All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 11
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Capítulo 11 — Ecos e Farpas
O escritório de Rafael estava mergulhado em silêncio.Do lado de fora, São Paulo fervia, mas ali dentro só se ouvia o zumbido baixo do ar-condicionado e o som distante do tráfego.O tablet repousava sobre a mesa, o brilho da tela ainda aceso.Na imagem, Valentina sorria — aquele sorriso ensaiado que ela dera durante o chá no Jóquei.“O senhor Montenegro sempre foi direto no que quer.”A voz dela ecoou pelo alto-falante.Rafael encostou-se na cadeira, os olhos fixos na tela, o maxilar travado.Aquela frase ficou rodando na cabeça como uma lâmina.Um toque na porta.Antes que pudesse responder, ela se abriu.— Bom dia, senhor Montenegro.Rafael não precisou olhar para saber quem era.Revira os olhos.— Já disse que tem que ser anunciado, Lucas.Lucas Medeiros entrou, o terno meio amassado, o sorriso insolente de quem nunca entendeu o perigo que é brincar com um Montenegro.— Eu, anunciado? Jamais. Ia estragar a surpresa.Ele se jogou na poltrona à frente da mesa, cruzando as pernas como
Capítulo 12 — Liberdade
Valentina acordou antes do despertador.Na verdade… nem tinha dormido direito.Tomou banho, prendeu o cabelo num coque firme, passou a maquiagem leve que Clara tanto exigia — e vestiu um conjunto discreto, elegante, mas com um toque dela, como quem tenta colocar um pouco de alma naquilo que estavam arrancando.Quando Clara abriu a porta do quarto sem bater, esperando vê-la desgrenhada, atrasada, desorganizada, tropeçou na própria expectativa.Valentina estava pronta.Erguida.Serena.Impecável.Clara parou no batente, os olhos percorrendo de cima a baixo — procurando algo para criticar, algo fora do lugar, algo errado.Nada.Valentina arqueou uma sobrancelha.— Algum problema? — perguntou, com voz suave, quase educada, mas carregada de ironia fina.Clara crispou os lábios.— Não. — respondeu seca.Valentina passou por ela, sem tocá-la.— Ótimo. Feche a porta quando sair. — disse, sem olhar para trás.Clara ficou alguns segundos parada no corredor, mordendo a própria raiva, antes de ob
Capítulo 13 — O Clube, o Caos e o Silêncio Que Arde
O Clube Imperial fervilhava com risos vazios, taças tilintando e o cheiro caro de um lugar que existia apenas para ostentar poder.Rafael atravessava o saguão ao lado de Lucas, rumo à sala VIP — o refúgio silencioso que ele usava como trincheira — quando o amigo explodiu do nada:— Rafael… você não vai acreditar. — Lucas começou, indignado, como se carregasse um trauma recente. — Meus pais me armaram um encontro às cegas hoje. E, meu Deus do céu, aquilo foi um desastre nuclear.Rafael continuou andando, impassível. — Não me interessa.Lucas ignorou por completo.— Ela chegou com um óculos de FUNDO DE GARRAFA, Rafael. — repetiu, gesticulando. — Daqueles que você enxerga até a alma da pessoa se olhar muito tempo. Quase tive um infarto.Nenhuma reação.— E ainda pediu um chá gelado num restaurante italiano! Chá gelado! — Lucas jogou as mãos pro alto. — Quem faz isso?! Quem não bebe vinho num encontro?!Silêncio.— E pra piorar… — Ele fez uma pausa dramática, sentindo a própria indignação
Capítulo 14 — Os amigos
A porta da sala VIP de Rafael se abriu de repente, e o barulho invadiu o ambiente.— RAFA, SEU DESGRAÇADO! — gritou Tomás Albuquerque, herdeiro dos vinhos Albuquerque, já meio alto de bebida. — A gente nem sabia que você estava no clube hoje!Tomás Albuquerque entrou primeiro, já rindo alto como se o mundo fosse feito para divertir o próprio ego.Caio Ventura veio logo atrás, falando ao telefone sobre uma startup nova que, com toda certeza, ia falir em três meses.E Adriana Couto…Adriana entrou como se o ar da sala fosse perfume feito especialmente para ela.Sem pedir licença, caminhou até Rafael — não com vulgaridade, mas com aquela soberba elegante de quem sempre achou que tinha direito a tudo.Ela pousou a mão no ombro dele, suave demais para ser inocente.— Rafael… — sussurrou, inclinando-se. — Que bom te ver aqui. Senti sua falta. Esses homens vivem querendo brincar demais.Rafael mal virou o rosto.— Saia.Uma palavra.Baixa.Letal.Adriana congelou.Tomás parou de rir.Caio ar
Capítulo 15 — O Limite do Fogo
A viagem até a mansão Montenegro foi feita em silêncio.Um silêncio que não era confortável.Nem tenso.Era… algo entre os dois, pulsando no ar do carro como um segredo que ninguém tinha coragem de nomear.Valentina dormia no colo de Rafael — rendida, entregue, o rosto afundado contra o peito dele como se aquele fosse o único lugar seguro depois de tanto caos.E talvez fosse.Quando os portões de ferro se abriram, as luzes externas iluminaram o interior do carro por um segundo.Rafael abaixou os olhos para ela.A mão dela ainda segurava, fraca e trêmula, o colarinho da camisa dele.Ela não queria soltá-lo.O motorista estacionou diante da entrada principal. Desceu rápido, abriu a porta traseira — e congelou na hora.Era impossível não congelar.Rafael Montenegro com uma mulher no colo?— S-senhor… quer que eu a leve? — o motorista arriscou, a voz baixa.Rafael ergueu o rosto devagar.Um olhar bastou.— Não. — disse, frio. — Abra caminho.O homem recuou como se tivesse visto um fantasm
Capítulo 16- O limite do fogo
O escritório era um campo de batalha silencioso.Vittoria estava sentada atrás da mesa, imóvel, elegante, perigosa.Os olhos dela — frios como lâminas polidas — acompanharam Valentina caminhando até o centro do cômodo.— Bom dia, senhora Montenegro. A senhora queria me ver. — Valentina disse, tentando manter firmeza na voz.Vittoria não respondeu.Levantou-se devagar.Cada centímetro de movimento impregnado de desprezo.Valentina não entendeu o que aconteceria até o exato segundo em que aconteceu.O tapa veio rápido.Seco.Cruel.O estalo atravessou o escritório.A cabeça de Valentina virou para o lado, a pele queimando, latejando, ardendo.Por um instante, ela só sentiu o chão fugir sob os pés.Valentina levou a mão ao rosto — surpresa, dor, incredulidade — e encarou Vittoria.— P-por quê…?Vittoria não respondeu.Apenas voltou para a mesa, pegou o jornal, e jogou-o aos pés de Valentina.A manchete era cruel:“ESCÂNDALO NA NOITE PAULISTANA:ESPOSA DE RAFAEL MONTENEGRO EMBRIAGADA EM S
Capítulo 17 – Herança de Veneno
Rafael já estava saindo da sala quando a voz de Vittoria cortou o ar como uma lâmina polida.— O que está acontecendo, Rafael Montenegro?Ele parou.Devagar.Frio.Como quem decide se vale a pena olhar para a pessoa que ousou questioná-lo.Vittoria deu dois passos à frente.O salto dela tocava o chão com elegância ensaiada — mas o olhar… era puro veneno destilado.— Você achou mesmo… — ela começou, a voz baixa, carregada de ódio controlado — que eu não veria? Que eu não perceberia? Ela não era só um pedaço descartável… não era isso o combinado.Rafael virou o rosto apenas o suficiente para encará-la.— Era. — respondeu, seco. — Ainda é.Vittoria sorriu.Um sorriso lento, afiado, tão falso quanto joia barata.— Eu não sou burra, Rafael. — disse, aproximando-se mais um passo, ficando frente a frente com o próprio filho, sem piscar. — Eu sou Vittoria Montenegro.E não cheguei onde estou sendo enganada por ninguém.Rafael não moveu um músculo.Os dois eram idênticos naquele momento:— a p
Capítulo 18 — Obediência
Valentina acordou com o coração acelerado.Por um segundo, não sabia onde estava.Nem quando.Nem como.A última coisa que lembrava era o chão frio do quarto… o rosto ardendo… e a sensação sufocante de que o mundo inteiro tinha decidido esmagá-la naquela noite.Agora estava na cama.Com o cobertor puxado até a cintura.A luz apagada.O silêncio pesado demais para ser natural.Ela piscou algumas vezes, tentando forçar a memória a preencher as lacunas… mas tudo o que encontrou foi um vazio nebuloso, quente, desconfortável.Devagar, sentou-se à beira da cama.A cabeça latejava.O estômago embrulhava.E o rosto… bom, o rosto queimava como lembrança viva do tapa.Quando finalmente respirou fundo, a primeira coisa que fez foi caminhar até a porta.Girou a maçaneta.Nada.Trancada.Não precisou tentar uma segunda vez para entender.Nem bater.Nem chamar.Ela conhecia bem o tipo de silêncio que responde com “não adianta”.Aquele silêncio era Montenegro.Valentina encostou a testa na porta por
Capítulo 19 — O Preço do Sangue.
O quarto estava silencioso demais.Valentina sentou-se na borda da cama, pressionando os dedos contra as têmporas enquanto o chá — agora morno — descansava sobre a mesa.Ela já tinha tomado banho.Já tinha trocado para a camisola.Já tinha lido alguns capítulos do livro que encontrara no canto do quarto.Era a primeira vez, desde o casamento, ou melhor em anos, que tinha tantas horas…sozinha.Intacta.Sem Clara vigiando seus passos ou Vittoria cuspindo veneno.Mas não havia liberdade naquilo.Havia ausência.Ausência de ruído.De porta aberta.De saída.Ela levantou devagar e caminhou até a porta.Girou a maçaneta.Trancada.Como antes.Nenhuma surpresa.Nenhuma expectativa frustrada.Ela apenas soltou um suspiro irônico.— Pelo menos aqui ninguém grita comigo. — murmurou.Voltando ao quarto, viu a bandeja de café da manhã arrumada com precisão.O pão fresco.A fruta cortada.A xícara ainda quente.Ela sentou-se à mesa.Cortou o mamão.Mordeu com calma.Leu as mensagens de Bianca no
Capítulo 20 — A Raposa e o Dragão
A manhã seguinte nasceu cinza.Não daquele cinza preguiçoso de garoa paulista.Mas o cinza corporativo, o cinza de vidro, concreto e poder.O prédio do Grupo Montenegro parecia mais uma fortaleza futurista do que uma empresa.Espelhado, imenso, silencioso — cada andar uma sentença.Cada elevador, um julgamento.E no último andar…o dragão esperava.Rafael estava sentado atrás da mesa de madeira maciça, o terno preto impecável, a gravata ligeiramente afrouxada — não por desleixo, mas porque ele não precisava parecer perfeito para intimidar.Ele era intimidação.A tela à sua frente mostrava dados, relatórios, projeções.Mas ele não estava lendo nada.O olhar estava vazio, preso no reflexo do vidro da janela — o reflexo de um homem que tinha atravessado uma noite inteira pensando em Valentina, mas nunca admitiria isso nem sob tortura.Uma batida seca na porta.Moreira entrou, rígido, tenso, o tipo de tensão que só aparece quando alguém muito perigoso está para cruzar um limite.— Senhor