All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 91
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CAPÍTULO 91 — O PESADELO
O dia passou sem grandes acontecimentos — e, ainda assim, foi exaustivo.Valentina comeu pouco, mas comeu. O estômago não rejeitou, o corpo apenas aceitou por obrigação. A fisioterapeuta a guiou em exercícios simples, quase constrangedoramente leves, como se ela fosse feita de vidro. Esticar. Respirar. Dar alguns passos pelo quarto amplo demais.Tudo foi feito com cuidado excessivo.Como se qualquer movimento errado pudesse quebrá-la outra vez.Ela respondeu a perguntas básicas. Bebeu água. Tomou os remédios nos horários certos. Sentou-se perto da janela por alguns minutos e observou o jardim perfeitamente aparado, bonito demais para aquele estado de espírito.Nada aconteceu.E talvez fosse isso o mais inquietante.Quando o sol começou a cair, o cansaço chegou de um jeito estranho. Não era sono. Era peso. Um peso acumulado nas costas, nos olhos, na cabeça. Como se o corpo estivesse tentando desligar enquanto a mente se recusava.— É normal — disse Janete, a enfermeira, com voz tranqui
CAPÍTULO 92 — O AMANHÃ
Valentina acordou com a sensação exata de ter sido atropelada por algo que não lembrava.O corpo doía. Não uma dor pontual — mas uma dor espalhada, profunda, como se cada músculo tivesse trabalhado a noite inteira tentando sobreviver a alguma coisa invisível.Ela abriu os olhos devagar.O quarto era o mesmo. A luz da manhã entrava pelas cortinas claras. O cheiro era familiar.Mas algo estava… fora do lugar.Ela levou alguns segundos para perceber o quê.Não havia ninguém ao lado da cama.Nenhum peso. Nenhum calor. Nenhuma presença. Mas irritantemente o cheiro da colônia de Rafael estava ao seu lado.Valentina franziu levemente a testa.Tentou puxar a memória da noite anterior — e encontrou apenas fragmentos soltos, sem ordem. O corpo se mexeu com dificuldade quando tentou se sentar. Os braços pareceram fracos demais para o gesto simples.— Bom dia, senhora Montenegro.A voz veio do canto do quarto.Valentina virou o rosto.Não era Janete.A mulher que se aproximou tinha outro rosto,
CAPÍTULO 93 — SEU OLHAR.
O escritório da Montenegro Corp estava em silêncio absoluto. Daqueles que não acalmam — apenas ampliam pensamentos.Rafael estava sentado atrás da mesa, a postura impecável, o rosto fechado no modo automático que aprendera a vestir desde muito cedo. À frente dele, relatórios abertos, números, projeções. Nada daquilo prendia sua atenção.O tablet, sim.Na tela, Valentina.Ela estava no estúdio de balé. A luz da manhã entrava pelas janelas altas, desenhando sombras suaves no piso claro. O corpo ainda não tinha a leveza de antes — isso era visível para quem sabia olhar —, mas havia algo diferente ali.Tentativa.Ela girou devagar. Um movimento simples. Controlado. Depois outro.Rafael acompanhou com os olhos, sem piscar.A imagem se dissolveu por um instante quando a memória se impôs.A noite.O peso do corpo dela tremendo nos braços dele.Os dedos cravados no robe, fortes demais para alguém que dizia estar fraca.Não me deixa…A voz vinha inteira na lembrança. Não distorcida pelo medo —
CAPÍTULO 94 — SOGRA
Na casa de Isabella Moretti tudo era impecável: flores recém-trocadas, cortinas abertas na medida exata, o aroma leve de chá branco no ar. Isabella caminhava de um lado para o outro na sala quando ouviu o som da porta.Endireitou a postura no mesmo instante.Vittória entrou sem pressa.Vestia tons claros, joias discretas, o mesmo ar de quem nunca se apressa porque acredita — com razão — que o mundo espera. O olhar percorreu o ambiente como quem já conhece cada detalhe, mesmo sem frequentar a casa com regularidade.— Isabella, minha querida…A voz saiu macia. Ensaiada para soar afetuosa.Isabella virou-se rápido demais.— Sogra…Vittória abriu os braços e a envolveu num abraço curto, firme, calculado. Não havia carinho ali — havia posse simbólica.— Soube que você anda muito abalada — disse, afastando-se apenas o suficiente para observá-la melhor. — E imaginei que não seria elegante da minha parte aparecer sem avisar… mas há momentos em que a família vem antes do protocolo.Isabella se
CAPÍTULO 95 — VISITA
Valentina estava sentada na sala lateral, próxima às janelas altas, com uma xícara de chá entre as mãos. O vapor subia lento, quase imóvel. O corpo ainda carregava o cansaço dos dias recentes, mas ali havia luz suficiente para não parecer claustrofóbico.Ela observava o jardim quando ouviu passos.Não passos anunciados. Não passos cuidadosos.Passos que pertenciam à casa.— Prima.A voz veio antes da presença completa.Valentina virou o rosto devagar.Enzo estava parado a poucos metros, o paletó escuro aberto, expressão tranquila demais para alguém que entrava sem aviso. Não parecia culpado. Nem defensivo. Apenas… presente.Por um segundo, ela se surpreendeu.Depois sorriu.— Enzo…Ele se aproximou com calma. Não abriu os braços. Não tentou tocá-la. Parou a uma distância respeitosa, como se soubesse que aquele corpo ainda precisava de espaço.— Vejo que está melhor. — disse, sincero. — Pelo menos… mais inteira.Valentina respirou fundo antes de responder.— Estou tentando. — disse. —
CAPÍTULO 96 — ENTRE RISOS E SOMBRA.
Bianca chegou sem cerimônia. Nenhum aviso prévio, nenhuma ligação dramática. Apenas apareceu no fim do corredor com uma bolsa grande demais para um simples passeio e um sorriso afiado demais para um ambiente tão controlado quanto a casa Montenegro.— Se essa casa começar a ranger, chiar ou sussurrar latim, já aviso: eu trouxe água benta. — disse, erguendo a bolsa. — E, por via das dúvidas, uma estaca. Nunca se sabe de onde a Vittória pode sair.Valentina, que vinha descendo devagar os degraus da escada, parou por um segundo.Depois riu.Um riso curto no começo, quase inseguro. Mas que cresceu. Que ganhou som. Que saiu do peito como se estivesse preso ali havia dias.— Bianca… — murmurou, balançando a cabeça. — Você não tem jeito.— Tenho sim. — Bianca respondeu, abraçando-a com cuidado, sem apertar demais. — Jeito de sobreviver a sogras demoníacas e casas com cheiro de naftalina.Valentina respirou fundo ao sentir o abraço. Não era proteção. Era reconhecimento. Bianca não tentava salv
CAPÍTULO 97 — O HOMEM
Rafael saiu do escritório depois das vinte e duas horas.Não houve despedidas longas, nem explicações. Apenas fechou a pasta, ignorou os relatórios que ainda piscavam na tela do computador e pegou o casaco com um gesto seco. Moreira percebeu — sempre percebia —, mas não perguntou nada.— Não precisa do carro, senhor? — arriscou.— Não. — respondeu Rafael. — Vou encontrar o Lucas.Era tudo.O clube estava cheio o suficiente para parecer vivo, mas silencioso o bastante para não incomodar homens que queriam beber sem serem notados. Luz baixa, madeira escura, garçons que sabiam quando falar e, principalmente, quando não falar.Lucas já estava lá.Sentado no mesmo lugar de sempre, copo na mão, rindo de alguma coisa no celular. Levantou o olhar quando sentiu a presença antes mesmo de vê-la.— Olha só… — disse, abrindo um sorriso torto. — Quem desceu do Olimpo.Rafael puxou a cadeira e sentou sem responder. Tirou o casaco, jogou no encosto e fez um gesto curto para o garçom.— Uísque. — diss
CAPÍTULO 98 — ANTES DO DIA RAIAR
Valentina acordou antes do céu clarear por completo.Não foi o relógio.Foi o corpo.Havia um peso estranho no peito, como se o ar tivesse ficado denso demais durante o sono. Ela abriu os olhos devagar, piscando contra a penumbra do quarto que não era o seu.Demorou alguns segundos para entender onde estava.O silêncio era diferente. Mais profundo. Mais caro.E então o cheiro veio.Masculino. Familiar. Presente demais.Rafael.O braço dele ainda repousava sobre sua cintura, frouxo agora, pesado pelo sono profundo. A respiração era irregular, carregada, marcada pelo excesso da noite anterior. Ele dormia como alguém que tinha caído — não como alguém que descansou.Valentina ficou imóvel.O coração acelerou num ritmo desconfortável, não por medo, mas por consciência. Aquela posição… aquele contato… aquilo não fazia parte de nenhum acordo.A lembrança veio em flashes desconexos:o clube,a voz dele mais baixa do que nunca,o carro em silêncio,o quarto,o pedido quase infantil — fica.Ela
CAPÍTULO 99 — O HOMEM QUE MANDA
A palavra ainda pairava no ar.— Precisamos conversar.Valentina sentiu o estômago afundar antes mesmo de responder. Não era o tom. Era o silêncio que veio depois. Aquele tipo de pausa que não existe por acaso — existe porque alguém decidiu que ela devia existir.— Sim, dona Vittória… — disse, baixa.A mesa de café permanecia intacta, quase ofensivamente perfeita. Porcelanas alinhadas, frutas cortadas com precisão, o café ainda quente. Tudo igual a todas as manhãs daquela casa.Exceto o ar.Vittória mantinha o sorriso nos lábios, mas os dedos apertavam a xícara com força excessiva. Havia algo contido ali. Algo prestes a escapar.Valentina deu um passo à frente.Foi quando o som estalou.— CHEGA.O impacto da mão de Augusto contra a mesa fez a porcelana vibrar. O barulho seco ecoou pela sala como um tiro contido. Xícaras bateram entre si. Um talher caiu.Valentina deu um sobressalto tão forte que precisou apoiar a mão na cadeira para não perder o equilíbrio.Vittória congelou.Augusto
CAPÍTULO 100 — A ORDEM
O escritório de Vittória estava em silêncio havia tempo demais.Ela permanecia sentada atrás da mesa, o olhar fixo em um ponto inexistente da parede, como se ainda sentisse o impacto do tapa ecoando por dentro. O rosto já não ardia. A humilhação, sim. Aquela não passava com gelo nem maquiagem.Os dedos tamborilavam devagar sobre a madeira polida.Controle. Ela precisava recuperar o controle.A porta foi aberta com cuidado.— Senhora… — Clara disse, entrando com passos medidos. — A senhora pediu para que eu relatasse qualquer coisa… fora do lugar.Vittória não se virou.— Fale. — respondeu, baixa.Clara engoliu em seco.— Hoje de manhã… — começou — …vi a senhora Valentina saindo do quarto do senhor Rafael.O ar mudou.Vittória fechou os olhos por um segundo.— Continue. — disse, agora sem suavidade alguma.— Ela saiu cedo. Descalça. — Clara prosseguiu. — Não me viu. Depois… quando o senhor saiu para o trabalho… — hesitou — …havia vestígios dela na cama.Silêncio.Denso. Pesado. Perigos