All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 101
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CAPÍTULO 101 — O PRESENTE.
O edifício era menor do que a sede da Montenegro Corp. Não havia o brilho ostensivo, nem o silêncio reverente que ela aprendera a reconhecer nos espaços de Rafael. Ali, tudo parecia funcional demais. Prático. Um poder que não precisava ser exibido — mas que também não inspirava respeito imediato.Ela ajeitou a bolsa no antebraço e caminhou até a recepção.— Bom dia. — disse, com educação tranquila. — Gostaria de falar com o senhor Enzo Montenegro.A mulher atrás do balcão não levantou os olhos de imediato. Continuou digitando, unhas longas batendo no teclado como se Valentina fosse apenas ruído ambiente.— Hora marcada? — perguntou, seca.— Não. — Valentina respondeu. — Mas é rápido. Se puder interfonar…A recepcionista finalmente ergueu o olhar.E avaliou.Não foi curiosidade.Foi desprezo treinado.— Sem hora marcada, não entra. — disse, cruzando os braços. — Aqui não é salão de beleza nem porta de fundo para quem acha que pode subir na vida se apresentando como “conhecida do patrão
CAPÍTULO 102 — PARTIDA
O aeroporto ainda não estava cheio, mas já tinha aquele movimento contínuo de despedidas contidas, abraços apressados e silêncios longos demais para serem confortáveis. Um lugar onde ninguém ficava parado por muito tempo — exceto quem precisava sentir antes de ir.Valentina caminhava ao lado de Rafael, o passaporte firme na mão, a bolsa presa ao antebraço. O coração batia em um ritmo estranho: não era ansiedade, nem medo. Era consciência. Aquela sensação incômoda de que, ao atravessar aquele portão, alguma coisa ficaria para trás.— Você está muito quieta — Rafael comentou, baixo, sem olhar diretamente para ela.— Estou observando — respondeu. — Sempre achei curioso como aeroportos parecem neutros… mas nunca são.Ele a encarou por um segundo, como se quisesse responder algo mais profundo, mas desistiu. Apenas assentiu.Foi Bianca quem quebrou o clima.— EU NÃO ACREDITO QUE VOCÊ VAI EMBORA ASSIM — disse, surgindo praticamente do nada, os olhos já marejados, o casaco jogado sobre o braç
Capítulo 103– A terra do sol nascente.
O Japão não os recebeu com pressa. O desembarque em Tóquio aconteceu com a precisão silenciosa que só o Japão parecia dominar. Nada de empurra-empurra, nada de vozes elevadas. Pessoas se moviam como se cada passo tivesse sido previamente calculado — e, de certa forma, tinha.Valentina percebeu isso antes mesmo de colocar os pés no solo.— É diferente… — murmurou, instintivamente, enquanto caminhava ao lado de Rafael pelo finger.— Aqui tudo é — respondeu ele, baixo. — Inclusive o poder.Ela não comentou, mas sentiu.O ar parecia mais limpo. Não no sentido literal, mas no simbólico. Como se ali o excesso fosse indelicado e o silêncio, uma forma de autoridade.Moreira caminhava alguns passos atrás, atento, já com o telefone na mão. Assim que atravessaram o portão de desembarque internacional, ele se aproximou.— Senhor — disse, contido —, fomos informados de uma mudança.Rafael inclinou levemente a cabeça, sinal para continuar.— O senhor Yamamoto não poderá vir recepcioná-los. Houve um
CAPÍTULO 104 — NÃO FAZ MEU TIPO
Valentina fechou a porta atrás de si com cuidado, como se qualquer som mais alto pudesse acordar a própria casa. O ambiente era amplo, elegante, com uma mistura quase hipnótica de tradição e modernidade: paredes de madeira escura, iluminação indireta embutida no teto, painéis deslizantes que davam acesso a um jardim interno e, ao centro, uma cama.Uma cama enorme.Grande demais para ser ignorada.Impossível demais para fingir que não existia.Valentina deu dois passos para dentro e parou.Piscou uma vez.Piscou duas.Abriu a boca.Fechou.— Não… — murmurou para si mesma.Olhou ao redor em busca de qualquer coisa que contradissesse aquilo. Um sofá-cama. Uma segunda porta. Um erro de interpretação. Mas não havia. O quarto era claramente um quarto de casal. Elegante, sofisticado… e inegavelmente pensado para duas pessoas que dividiam mais do que espaço.— Droga… — sussurrou.Até ali, tudo bem. Viagem. Casa gigantesca. Poder japonês em estado puro.Mas aquilo?Aquilo significava dias.Sem
CAPÍTULO 105 — À MESA
Valentina e Rafael caminharam a passos calmos em direção à sala de jantar. A casa Yamamoto era imponente sem ser excessiva. Cada corredor parecia carregar uma história própria, e nenhum detalhe estava ali por acaso. Valentina observava em silêncio, o coração batendo um pouco mais rápido do que gostaria, com um único pensamento martelando a mente: Não estragar nada. Inconscientemente, os dedos dela apertaram o braço de Rafael a cada passo que os aproximava da porta principal da sala. Ele percebeu. Sem chamar atenção, levou a mão até a dela, envolvendo-a com firmeza tranquila, e inclinou-se o suficiente para que só ela ouvisse. — Fica calma. — murmurou. — Aja naturalmente. Esse jantar não é tão difícil quanto parece. Valentina olhou para as mãos entrelaçadas. O contraste era imediato: a dela fria, tensa; a dele quente, estável. Aquilo ajudou mais do que ela admitiria em voz alta. Seguiram em silêncio até que a funcionária que os acompanhava parou e, com um gesto formal, abr
CAPÍTULO 106 — LINHAS INVISÍVEIS
Rafael entrou no quarto sem fazer ruído.A casa Yamamoto tinha essa estranha capacidade de engolir passos, sons, intenções. Tudo ali parecia existir em estado de observação constante — até o silêncio.Ele fechou a porta com cuidado, mais por hábito do que por necessidade, e caminhou alguns passos para dentro.Parou.Valentina dormia.O corpo estava virado de lado, parcialmente encolhido, os cabelos espalhados pelo travesseiro, a respiração lenta, profunda. O rosto relaxado, distante de qualquer tensão do dia — como se o mundo tivesse sido desligado com um botão invisível.Mas não foi ela que prendeu sua atenção.Foi o muro.Almofadas. Várias. Empilhadas com precisão quase militar no meio da cama, formando uma divisória clara, inequívoca, impossível de ignorar.Rafael piscou uma vez.Depois outra.Avaliou a cena como avaliava tudo: em silêncio, sem reação imediata.Então… algo aconteceu.O canto de sua boca se moveu.Não foi um sorriso aberto. Não foi algo que ele permitiria em público
CAPÍTULO 107 — O CAFÉ DA MANHÃ
A casa Yamamoto acordava antes das pessoas. O aroma suave de arroz recém-preparado, caldo quente e chá verde já ocupava os corredores quando Valentina chegou à sala de refeições, acompanhada por Rafael e Moreira.O ambiente era diferente do jantar da noite anterior.Mais claro. Mais íntimo.Menos ritual — mais cotidiano.A mesa baixa já estava posta.Pratos pequenos, dispostos com simetria cuidadosa. Arroz branco fumegante. Peixe grelhado em porções delicadas. Ovos preparados de forma simples, legumes cozidos no ponto exato, sopa leve, frutas cortadas com precisão quase artística. Tudo servido sem excesso, sem pressa, sem desperdício.O senhor Yamamoto estava à mesa.Postura impecável, expressão neutra, lendo algo em um tablet antes de pousá-lo com calma. À direita, Akemi já se encontrava sentada, elegante mesmo em roupas mais simples. À esquerda, Hana conversava em voz baixa com uma funcionária, interrompendo-se ao notar a chegada deles.Rafael foi o primeiro a cumprimentar.— Bom di
CAPÍTULO 108 — ENTRELINHAS
A ala estava silenciosa quando Valentina voltou. Ao abrir a porta notou que a sala estava tomada por papéis espalhados com método — não bagunça —, notebooks abertos, gráficos impressos, anotações feitas à mão. Rafael estava sentado em uma das poltronas, postura relaxada apenas o suficiente para quem estava há horas negociando poder. Moreira ocupava o sofá oposto, concentrado, alternando entre a tela e documentos físicos.Rafael falava em italiano ao telefone.A voz era baixa, firme, sem pressa. Não havia agressividade, apenas controle. Valentina parou na entrada por um segundo, observando. Aquela era uma versão dele que não aparecia em jantares nem em gestos calculados — o homem no território natural.Ela não interrompeu.Fez um cumprimento discreto com a cabeça, quase imperceptível, e seguiu para o quarto.Fechou a porta atrás de si e soltou o ar.O banho veio como um alívio. Água quente, silêncio, tempo para reorganizar pensamentos. Não foi um banho longo, nem dramático — foi prátic
CAPÍTULO 109 — CAMPO ABERTO
As manhãs na casa Yamamoto eram simplesmente silenciosas e Valentina percebeu isso ainda deitada, antes mesmo de abrir os olhos. Não havia passos apressados no corredor, nem portas sendo fechadas com pressa, nem vozes se cruzando ao longe. O silêncio não era ausência de vida — era controle absoluto dela.Levantou-se devagar.O quarto ainda carregava a luz suave filtrada pelos painéis japoneses. Tudo parecia exatamente no lugar onde deveria estar. Rafael ainda dormia, de costas para ela, semblante calmo, respiração lenta. Ela tomou um banho rápido, mais frio do que gostaria, como se o próprio ambiente exigisse lucidez.Vestiu-se com cuidado. Um vestido discreto, elegante, adequado para o clima e para o olhar de quem observa tudo. Nada chamativo. Nada defensivo. Apenas correto.Quando saiu do quarto, encontrou Rafael no corredor.Ele já estava pronto.Camisa clara, mangas ajustadas, postura firme. O relógio no pulso denunciava que ele acordara antes dela. Os dois trocaram um olhar brev
CAPÍTULO 110 — CINCO SEGUNDO
O campo seguia em seu ritmo próprio. Tacadas espaçadas. Passos contidos sobre a grama impecável. O som seco do taco encontrando a bola e, logo depois, o silêncio voltando a ocupar tudo. O sol da manhã já estava mais alto, refletindo nos lagos artificiais e recortando sombras longas sobre o verde.Valentina caminhava com atenção redobrada.Não pelo jogo — ainda estava longe de entender a lógica completa do golfe —, mas pelo terreno. O campo era lindo, sim, mas traiçoeiro em alguns pontos. Declives suaves demais para serem notados de imediato, grama aparada com perfeição suficiente para enganar qualquer passo distraído.Ela se afastou alguns metros para observar a próxima jogada.Foi rápido.O pé escorregou no ponto exato onde o gramado encontrava uma leve inclinação. O corpo perdeu o eixo por um segundo — curto demais para gritar, longo o suficiente para o susto atravessar o peito.Valentina sentiu o chão fugir.E então… não caiu.Um braço firme envolveu sua cintura. Outro segurou seu