All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 81
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CAPÍTULO 81 — TARDE DEMAIS
O comboio de Rafael parou antes mesmo do portão terminar de abrir.Ele desceu.O galpão estava ali — igual às imagens. Concreto gasto. Ferro oxidado. Um lugar feito para apagar pessoas.Entrou.O cheiro veio primeiro.Sangue velho.Pólvora.Algo queimado do lado.Rafael não diminuiu o passo.O primeiro corpo estava caído próximo à parede lateral.Depois outro.E mais outro.Homens espalhados pelo chão como peças descartadas. Máscaras ainda no rosto. Armas largadas onde caíram. Nenhum sinal de fuga organizada. Nenhuma linha defensiva.— Senhor… — a voz de um dos homens veio baixa. — Isso não está certo.Rafael não respondeu.Continuou andando.O galpão parecia grande demais agora. Vazio demais.No centro, a lâmpada pendurada ainda balançava, rangendo num ritmo lento, quase hipnótico.Rafael diminuiu o passo sem perceber. O instinto gritava antes da razão alcançar.Foi ali que ele parou.O chão estava marcado.Arranhões profundos no concreto. Manchas irregulares. Um rastro torto que não
CAPÍTULO 82 — O QUE NÃO PRECISA SER DITO
Rafael caminhava à frente, os passos firmes, mas o corpo inteiro em alerta. O cheiro de antisséptico grudava na garganta. Cada porta fechada era uma ameaça. Cada número na parede, um atraso insuportável.— É aqui. — disse a enfermeira, parando diante da porta.Rafael assentiu uma única vez.Empurrou a porta.O quarto estava mergulhado numa quietude quase irreal.Valentina estava deitada na cama, o corpo pequeno demais sob os lençóis claros. O rosto pálido contrastava com os hematomas que ainda não tinham tido tempo de amarelar. Um curativo branco cobria parte da testa. Fios saíam do corpo dela, conectados a monitores que piscavam em ritmos controlados — bip… bip… bip…Rafael sentiu o impacto no peito antes mesmo de respirar.E então viu.Enzo estava sentado ao lado da cama.Uma das mãos apoiada no joelho.A outra… segurando a mão de Valentina.Os dedos dela estavam entrelaçados aos dele com força suficiente para denunciar algo que Rafael não tinha visto antes.O quarto esfriou.Rafael
CAPÍTULO 83 — O QUE O CORPO NÃO ESQUECE
O quarto estava quieto demais. Quieto daquele jeito hospitalar, onde o silêncio não é paz — é vigilância. O ar cheirava a antisséptico e metal. As luzes estavam baixas, mas os monitores não dormiam. Bip… bip… bip… como um lembrete constante de que Valentina ainda estava ali… por um fio de normalidade.Rafael também.Ele permanecia sentado ao lado da cama há horas. A postura rígida tinha cedido em algum momento, não por relaxamento — por exaustão. O paletó estava pendurado na cadeira ao lado, a gravata jogada sem cuidado, como se ele tivesse arrancado de si qualquer coisa que lembrasse controle.Mas os olhos… os olhos dele não tinham descanso.A cada micro som, ele se endireitava.A cada movimento mínimo do lençol, ele prendia a respiração.E então… aconteceu.Valentina se remexeu.Primeiro, um movimento pequeno. Um ajuste de corpo. Um reflexo.Rafael inclinou-se imediatamente, alerta, o coração batendo forte demais para alguém que jurava não se descontrolar.— Valentina… — ele disse b
CAPÍTULO 84 — QUEM PODE FICAR
O silêncio voltou a se instalar no quarto depois da última frase de Valentina.Não foi um silêncio vazio.Foi um silêncio pesado, carregado de coisas não ditas — e talvez impossíveis de dizer agora.Rafael permaneceu imóvel por alguns segundos. Não tentou responder. Não tentou se explicar. Qualquer palavra ali soaria como defesa, e ele percebeu com clareza incômoda que não era isso que ela precisava.Valentina respirava com dificuldade, os olhos úmidos, o olhar perdido em algum ponto entre o presente e o que ainda doía demais para ser passado.Rafael se afastou meio passo da cama.Pegou o celular do bolso.Não desviou o olhar dela ao fazer isso.Discou um número curto.— Podem entrar. — disse apenas, baixo, antes de desligar.Valentina franziu levemente a testa.A porta se abriu alguns segundos depois.Bianca entrou primeiro.Sem pressa. Sem dramatização. Sem o humor nervoso que costumava usar como armadura.O rosto estava pálido. Os olhos vermelhos denunciavam que o choro já tinha vi
Capítulo 85 — O que foi vivido
Valentina ficou alguns segundos olhando para o teto, depois que Lucas saiu do quarto, como se precisasse se convencer de que aquilo era real. O cheiro de hospital, o bip ritmado do monitor, a mão de Bianca ainda segurando a dela.Tudo ali dizia que ela estava viva.Mas o corpo não acreditava.— Bi… — a voz saiu baixa, rouca, como se tivesse sido usada demais. — Eu não sei por onde começar.Bianca não respondeu de imediato. Apenas apertou a mão dela com cuidado, ancorando.— Começa do jeito que der. — disse. — Eu tô aqui pra ouvir tudo.Valentina respirou fundo. O peito doeu.— Eles me levaram muito rápido. — começou. — Eu nem entendi o que estava acontecendo. Um segundo eu estava andando… no outro eu estava no chão.Ela engoliu em seco.— Eu ouvi os tiros. Vi os seguranças caírem. Eu tentei correr… — a voz falhou — …mas não consegui.Os olhos dela se encheram de lágrimas.Bianca sentiu o impacto da cena sem precisar de mais detalhes.— Eu gritava. — Valentina continuou. — Gritava tant
CAPÍTULO 86 — A vovó
O quarto ainda carregava o silêncio frágil de quem tinha voltado do limite.Valentina estava recostada na cama, os olhos semicerrados, o corpo cansado demais para sustentar qualquer emoção longa. Bianca permanecia ao lado, sentada na cadeira, segurando a mão da amiga como se, ao soltar, algo pudesse quebrar de novo.O bip constante do monitor marcava o tempo.A porta se abriu.— Então… foi aqui que esconderam minha menina.A voz entrou antes da presença.Firme. Cheia. Donde vinha, ninguém ignorava.Bianca ergueu o rosto no mesmo instante.— Vovó…Valentina piscou devagar.O reconhecimento veio antes da surpresa.— Vovó Kato…?Ela entrou sem pedir licença — como sempre. Baixinha, postura impecável, cabelo branco perfeitamente arrumado, olhar afiado como lâmina bem cuidada. Parou ao lado da cama e observou Valentina com atenção absoluta.Os hematomas.O curativo.A palidez.O sorriso demorou a aparecer.— Olha só… — murmurou, num tom baixo, contido. — Ainda bem que você é mais teimosa d
CAPÍTULO 87 — AS MÃOS QUE PUXAM OS FIOS
O som do tapa ecoou pela sala.Não foi um som alto.Foi um som definitivo.Clara sentiu o impacto atravessar o rosto e alcançar algo mais profundo — não a pele, mas o orgulho. O corpo reagiu em atraso. Os joelhos cederam. Ela caiu sobre o tapete claro, as mãos escorregando no chão polido enquanto tentava se manter ereta.O gosto de sangue veio rápido.Vitória permaneceu de pé.Impecável.Vestida como se estivesse prestes a receber convidados importantes, não a punir alguém que acabara de falhar. O vestido escuro caía perfeitamente sobre o corpo. As joias eram discretas. O cabelo, arrumado com rigor. Nada nela denunciava fúria — apenas controle.— Sua inútil. — disse, em tom baixo. — Eu te avisei.Clara manteve a cabeça abaixada.Não por submissão.Por estratégia.— Eu te disse que não haveria segunda chance. — Vitória continuou, caminhando devagar pela sala. — Uma. Única. O tipo de oportunidade que não se repete.Clara respirou fundo.O rosto ardia. O peito também.— Senhora… — começo
CAPÍTULO 88 — A NOITE QUE NÃO ACABA
— NÃO!O som rasgou o ar antes mesmo de virar palavra.O corpo de Valentina arqueou na cama, os músculos contraídos, a respiração descompassada como se estivesse fugindo de algo que ainda estava ali. O grito saiu inteiro, sem freio, sem consciência — um não que não era pedido, era defesa.— Não… não… não…A cabeça se movia de um lado para o outro, negando algo invisível. Os dedos se fecharam no lençol com força demais. O monitor respondeu, acelerado, como se acompanhasse o pânico que não cabia mais dentro dela.Bip.Bip.Bip—bip—bip.— Valentina! — a voz chegou perto, urgente. — Ei… sou eu. Bianca. Você tá aqui comigo.Mas Valentina não estava ali.Ela estava lá.A lâmpada balançava.Rangendo.Rangendo.O som entrava na cabeça como agulha.O cheiro vinha primeiro — cigarro, ferrugem, poeira velha. O ar pesado. O gosto metálico na boca. O corpo no chão.— Acordada ainda?A voz surgia sempre do mesmo lugar: acima. Dominante. Divertida.— Cinco horas, madame…O tempo não existia mais. Só
CAPÍTULO 89 — O CAMINHO DE VOLTA
Valentina acordou antes do sol. Não porque dormira bem — mas porque o corpo não aceitava mais descansar. Havia um cansaço diferente agora. Não o físico. Era como se a mente estivesse em alerta permanente, esperando o próximo impacto.Ela piscou devagar.O teto branco não a assustou daquela vez. Reconheceu o quarto. Reconheceu o cheiro. Reconheceu o bip distante do monitor. Isso ajudou… um pouco.Bianca estava ali.Sentada na cadeira ao lado da cama, os braços cruzados, a cabeça levemente inclinada para trás. Dormia mal, daquele jeito que não é descanso, só vigília com os olhos fechados.Valentina observou a amiga por alguns segundos.Sentiu algo apertar no peito.— Bi… — chamou, baixo.Bianca despertou na mesma hora, como se nunca tivesse dormido de verdade.— Oi. — respondeu imediatamente, levantando-se. — Como você tá?Valentina demorou a responder.Não sabia exatamente.— Cansada. — disse, por fim. Bianca assentiu, compreendendo mais do que perguntava.— O médico vem hoje cedo. —
CAPÍTULO 90 —LAR DOCE LAR
Valentina entrou no quarto devagar. Cinco dias. Cinco dias fora daquele espaço que agora parecia estranho e familiar ao mesmo tempo. A porta se fechou atrás dela com um som baixo, e o silêncio que veio não era de paz — era de reconhecimento. Tudo estava do mesmo jeito. A cama perfeitamente arrumada. A cortina clara filtrando a luz da manhã. A bolsa largada sobre a poltrona, exatamente onde ela tinha deixado antes de sair para a universidade no dia em que tudo aconteceu. Como se o tempo tivesse congelado ali. — Lar, doce lar… — Bianca murmurou ao lado dela, tentando aliviar. Valentina respirou fundo. O cheiro do quarto não tinha mudado. Era o mesmo perfume neutro, a mesma sensação de controle excessivo que aquela casa sempre teve. O corpo reagiu antes da mente: os ombros enrijeceram, o estômago apertou. Ela deu dois passos para dentro. — Parece que eu só… — começou, mas não terminou. — Saiu para uma aula e demorou um pouco pra voltar. — Bianca completou, com su