All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 111
- Chapter 120
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CAPÍTULO 111 — AJUSTE FINO
Valentina tentava se concentrar.Tentava.Mas o golfe definitivamente não colaborava.A bola permanecia ali, imóvel, quase desafiadora, enquanto ela alternava entre acertar o ar com convicção exagerada ou raspar o chão com uma determinação que não produzia absolutamente nada de útil.Ela tentou outra vez. Respirou fundo, posicionou os pés como tinha visto Akemi fazer, ajustou as mãos no taco e concentrou o olhar na bola branca repousando no gramado impecável.Desceu o taco.O som seco veio…mas não da bola.O chão respondeu primeiro.Ela fechou os olhos por um segundo, contendo o impulso de rir de si mesma.— Ok… — murmurou. — Pelo menos eu estou acertando alguma coisa.Tentou novamente.Dessa vez, o taco cortou o ar com convicção demais. A bola sequer se moveu.Valentina soltou o ar devagar, apoiando o peso do corpo em uma perna só, olhando o campo à frente como se ele tivesse conspirado contra ela desde o início.Não estava frustrada.Estava… consciente.Consciente demais de que est
CAPÍTULO 112 — À LUZ DO DIA
Quando Valentina chegou à sala, o almoço estava sendo servido, o ambiente já estava preparado: mesa ampla, madeira clara, louças discretas, pratos dispostos com precisão. O sol atravessava os painéis deslizantes e iluminava o espaço de maneira suave, sem invadir — como se até a luz soubesse respeitar limites.Yamamoto já estava sentado à cabeceira.Postura reta, expressão serena, olhar atento demais para ser casual.À direita, Akemi.À esquerda, Hana.A ordem nunca mudava.Rafael entrou logo atrás de Valentina. Moreira vinha alguns passos depois, carregando consigo aquela presença que não ocupa espaço, invisível como um bom funcionário.— Bom apetite. — Yamamoto disse, simples.Valentina sentou-se com cuidado, sentindo o leve cansaço do campo ainda nos músculos. O cheiro da comida era delicado, respeitoso. Nada disputava atenção.O almoço japonês seguia o mesmo princípio do restante da casa: equilíbrio.Arroz branco, peixe grelhado, legumes preparados com exatidão, sopa leve. Tudo ser
CAPÍTULO 113 — O CAMINHO DE VOLTA
O retorno para a residência Yamamoto aconteceu do jeito que tudo naquela família parecia acontecer: sem barulho, sem pressa, sem sobras.O carro deslizou pela alameda longa, ladeada por árvores perfeitamente podadas e lanternas de pedra que acendiam mesmo antes do sol desistir por completo. O campo de golfe ficou para trás como um cenário que tinha cumprido sua função — bonito, silencioso e, ainda assim, perigoso. Não pelo terreno. Pelo que ele revelava quando ninguém estava tentando revelar nada.Valentina permaneceu com a postura correta no banco traseiro, as mãos unidas sobre o colo, o olhar voltado para a janela. O vento frio do lado de fora não entrava, mas a sensação ainda parecia ali dentro: a lembrança do braço de Rafael, a correção da postura, o toque breve no cabelo, o instante em que o mundo se contraiu e virou um ponto só.Ela tentou não voltar para isso.Tentou.Mas era como tentar não notar um corte na pele: você só lembra que não deve pensar quando já está pensando.Raf
CAPÍTULO 114 — SEM MÁSCARAS
O quarto permaneceu em silêncio por alguns segundos depois da última frase de Valentina.Não era um silêncio vazio. Era o tipo que pesa, que organiza pensamentos antes que eles virem palavras erradas.Rafael foi o primeiro a se mover. Levantou-se da cama com calma, pegou o paletó e o deixou dobrado sobre a poltrona, como quem decide que não precisará mais dele naquela conversa. Afrouxou um pouco o colarinho da camisa — outro gesto mínimo, mas significativo.Valentina observava.Ela estava cansada demais para jogos. E inteligente demais para não perceber que aquela noite pedia algo diferente.— Você foi testada também. — Rafael disse, por fim, confirmando o que ela já sabia.— O tempo todo. — Valentina respondeu. — Não só no que eu falava. No que eu não falava também. No jeito de andar. De ouvir. De reagir quando não havia reação esperada.Rafael assentiu lentamente.— É assim que eles fazem. — disse. — A proposta financeira é o último degrau. Antes disso, eles testam o alicerce.Valen
CAPÍTULO 115 — HERDEIROS DO SILÊNCIO
Valentina acordou antes do horário habitual. Ela se levantou com cuidado para não acordar Rafael. Vestiu um casaco leve e saiu do quarto sem fazer ruído. Caminhou pelos corredores largos da ala reservada até uma porta lateral que ainda não tinha explorado.Ao deslizar o painel, o jardim se revelou.Era… lindo.Um jardim oriental perfeitamente equilibrado: pedras claras formando caminhos irregulares, lanternas baixas ainda acesas, um pequeno lago central onde carpas coloridas se moviam com uma lentidão quase hipnótica. O reflexo da água captava o céu da manhã, ainda pálido, como se o dia estivesse sendo desenhado aos poucos.Valentina se aproximou do lago e sentou-se em um banco de madeira escura.Ficou ali, observando.O movimento constante das carpas, sempre em fluxo, nunca colidindo, nunca apressadas. Aquilo a acalmou de um jeito estranho. Como se o mundo pudesse existir sem urgência — e ela tivesse esquecido disso.Foi então que ouviu a voz.— Não,
CAPÍTULO 116 — RITMO DA CASA
Valentina retornou do jardim com os sentidos ainda desacelerados. O silêncio daquele espaço tinha ficado na pele — não como ausência de som, mas como presença de ordem. Ao atravessar os corredores da ala principal, percebeu que o café da manhã já estava sendo servido.A sala de refeições estava pronta.A mesa baixa, ampla, de madeira clara, exibia a organização meticulosa que já se tornara familiar: louças discretas, disposição simétrica, tudo calculado para não chamar atenção. Arroz branco, peixe grelhado, frutas cortadas com precisão, chá servido no ponto exato. Nada sobrava. Nada faltava.Hana já estava sentada.Ao ver Akemi e Valentina entrarem juntas, levantou-se de imediato, surpresa clara no rosto — não desconforto, apenas curiosidade legítima.— Akemi… Valentina. Bom dia. — disse, sorrindo.— Bom dia. — Valentina respondeu, educada, sentando-se no lugar indicado.— Bom dia. — Akemi acompanhou, com um leve inclinar de cabeça.Hana observou as d
CAPÍTULO 117 — O QUE NÃO DEVERIA SER OUVIDO
O retorno à casa Yamamoto foi silencioso. O carro deslizou pelos portões com a mesma precisão de sempre, os lanternins acesos marcando o caminho como sentinelas imóveis. Valentina observava tudo pela janela, mas já não enxergava o jardim, nem as pedras, nem a água perfeitamente controlada. Algo dentro dela tinha ficado pesado demais para apreciar beleza.Hana se despediu com carinho genuíno.— Obrigada pela companhia hoje, Valentina. — disse, segurando-lhe as mãos por um instante a mais do que o protocolo exigia. — Foi… especial.Valentina sorriu, mas o sorriso não alcançou os olhos.— Foi mesmo. Obrigada por dividir tanto comigo.Hana assentiu, como quem entende mais do que foi dito, e seguiu pelo corredor oposto.Valentina caminhou até a ala reservada sentindo o peso da casa crescer a cada passo. Não era hostilidade. Era estrutura demais. História demais. Destinos decididos antes mesmo do nascimento.Entrou no quarto.Fechou a porta com cuidado.E ficou parada.Por longos segundos.
CAPÍTULO 118 — ENTRE O SONO E O SILÊNCIO
Valentina acordou envolta por calor.Não o calor do quarto, nem o da coberta leve — mas o calor humano, firme, seguro, que não existia quando ela dormia sozinha. Por um segundo, não se moveu. Permitiu-se ficar ali, suspensa entre o sono e a consciência, sentindo o peso de um braço ao redor da sua cintura, a respiração regular às suas costas.Rafael.Ela abriu os olhos devagar.A luz da manhã entrava filtrada pelos painéis, desenhando tons suaves no quarto. O silêncio não era pesado. Era íntimo. Valentina percebeu que estava encaixada nele com uma naturalidade perigosa demais para alguém que repetia para si mesma que aquilo era apenas um contrato.Com cuidado, girou o rosto.Rafael dormia — ou parecia dormir.De perto, era ainda mais bonito. Não de forma óbvia ou exagerada. Era um tipo de beleza contida, sólida. A mandíbula bem marcada, a barba por fazer desenhando sombras leves no rosto, o nariz reto, a boca firme demais para ser indiferente. Havia algo nele que passava segurança sem
CAPÍTULO 119 — ANTES QUE O DIA MUDE
O café começou no ritmo habitual da casa.Silêncios confortáveis, pequenos gestos contidos, o som leve da porcelana. Hana falava mais do que Akemi — mas sem exagero. Era uma leveza estudada, como se soubesse exatamente quanto poderia preencher sem quebrar o equilíbrio.Valentina tomou um gole do chá, sentindo a garganta aquecer, e decidiu colocar a sua própria peça no tabuleiro antes que alguém a perguntasse.Observou a mesa com mais atenção. Tudo era bonito, equilibrado, pensado para durar — mas nada ali parecia feito para ser tocado sem cuidado. Até o café da manhã tinha regras invisíveis. Em casa, no Brasil, as refeições eram barulhentas, cheias de interrupções, conversas atravessadas, risadas fora de hora. Ali, cada gesto parecia ensaiado para não ultrapassar limites que ninguém verbalizava.Não era ruim.Mas era… controlado demais para ser confortável.— Hoje eu queria dar uma volta. — disse, com naturalidade, como se estivesse comentando sobre o clima.Hana ergueu as sobrancelha
CAPÍTULO 120 — ONDE O DIA PARECIA SEGURO
O carro parou em uma rua que não parecia cenário de cartão-postal.Nada de letreiros luminosos disputando atenção, nem multidões com câmeras penduradas no pescoço. Ali, Tóquio era mais baixa, mais contida, quase tímida. Prédios antigos conviviam com fachadas modernas, pequenas lojas se enfileiravam como segredos compartilhados apenas entre quem sabia procurar.Valentina desceu do carro com a bolsa no ombro e o celular já na mão.O motorista ficou a alguns metros, discreto, atento — invisível como segurança bem treinado costuma ser.O telefone vibrou.Chamada de vídeo: Bianca.Valentina sorriu antes mesmo de atender.— Preparada, senhorita Kato, para andar comigo por Tóquio? — provocou, girando a câmera devagar.Do outro lado da tela, Bianca deu um pulo tão exagerado que quase saiu do enquadramento.— SIMMMMM! — gritou. — Meu Deus, eu estou andando por Tóquio sem sair do sofá, isso é tecnologia, isso é justiça poética!Valentina riu alto.— Prometo não te fazer passar vergonha internac