All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 121
- Chapter 130
186 chapters
CAPÍTULO 121 — DE NOVO, NÃO!
A ala reservada de Rafael estava em pleno funcionamento.A mesa ampla da sala havia perdido qualquer traço de organização estética — papéis espalhados em camadas, pastas abertas, contratos marcados com anotações firmes. Dois notebooks ligados ao mesmo tempo, um com gráficos financeiros, outro com relatórios internos da Montenegro Corp, o celular vibrava em intervalos curtos, sempre ignorado.Rafael estava sentado no sofá de couro, o paletó jogado ao lado, mangas da camisa dobradas, expressão fechada. Falava ao telefone em inglês, a voz controlada, precisa, como se nada no mundo pudesse tirá-lo daquele eixo.— Não. Esse prazo não é negociável. Se eles não cumprirem, nós saímos da mesa. — fez uma pausa curta, escutando. — Não me interessa o histórico. Me interessa o agora.Moreira estava em pé, a alguns metros, tablet em mãos, acompanhando tudo em silêncio.Foi então que bateram à porta.Não foi um toque casual.Foi firme. Contido. Formal demais para ser ignorado.Rafael não se virou de
CAPÍTULO 122 — ESTOU INDO!
O som dos teclados tomou a sala.Não era barulho — era urgência.Moreira digitava com rapidez cirúrgica, alternando entre mapas, relatórios internos, câmeras públicas e sistemas privados da Montenegro Corp. O notebook principal projetava no monitor maior uma malha digital de Tóquio, pontos pulsando em vermelho e amarelo conforme o sinal do celular de Valentina surgia e desaparecia.Rafael estava de pé agora.— Sinal reapareceu. — Moreira disse, a voz firme, mas tensa. — Fraco. Intermitente. Bairro de Katsushika.Hana levou a mão à boca.— Isso é… longe. — murmurou.Yamamoto fechou os olhos por um segundo.— Fora do eixo turístico. — completou Akemi. — Próximo a áreas residenciais e vilas industriais antigas.Rafael não reagiu de imediato.Katsushika.A mente dele trabalhava rápido demais. Rotas. Tempo. Motivações. Não era um sequestro impulsivo. Aquilo exigia deslocamento, planejamento, cobertura.— Isso não foi oportunidade. — disse, por fim. — Foi preparo.Virou-se para Yamamoto.—
CAPÍTULO 123 — ENTRE O ECO E A RESPIRAÇÃO
Valentina acordou com dificuldade para entender onde estava.Não foi um despertar brusco.Foi lento. Arrastado. Como se a consciência estivesse sendo puxada de volta para o corpo à força, centímetro por centímetro.O primeiro sentido a voltar foi o som.Vozes.Muitas.Graves. Rápidas. Cortadas por risadas curtas que não tinham humor nenhum. O idioma era familiar e, ao mesmo tempo, completamente inacessível. Japonês. Fluente demais. Cruel demais para ser casual.Ela tentou se mover.O corpo respondeu com um peso estranho, como se os músculos ainda estivessem atrasados em relação ao pensamento. A cabeça latejava. Um gosto amargo persistia na boca.Valentina abriu os olhos.A luz era fraca. Amarelada. Industrial.O teto alto demais para ser um quarto. Concreto cru. Tubulações expostas. Uma lâmpada pendurada por fios aparentes, oscilando levemente, projetando sombras irregulares nas paredes.Um galpão.A palavra surgiu clara demais na mente.Ela estava sentada em uma cadeira de metal, fri
CAPÍTULO 124 — ESTOU AQUI
O tiro ainda ecoava pelo galpão. Valentina fechou os olhos no reflexo puro do instinto, o corpo inteiro se preparando para a dor que viria. O impacto. O fim. O momento exato em que tudo apagaria.Mas a dor nunca chegou.O segundo seguinte foi estranho demais para ser real.Silêncio dentro dela. Um vazio desconcertante. O corpo inteiro esperando algo que não vinha.Quando abriu os olhos, o homem à sua frente já não estava de pé.Ele se curvava de forma errada, como se o próprio corpo tivesse esquecido como se sustentar. A expressão de controle tinha desaparecido, substituída por um espanto quase infantil. O terno caro começava a se manchar, o vermelho se espalhando de forma lenta demais para algo que havia acontecido tão rápido.Ele caiu.O som do corpo atingindo o concreto atravessou Valentina como um choque tardio.O mundo pareceu girar.Ela respirou fundo — um soluço involuntário — ainda sem entender por que continuava respirando. O coração batia rápido demais, como se estivesse ten
CAPÍTULO 125 — ENTRE SILÊNCIOS
O hospital estava mergulhado em um silêncio controlado.Aquela hora da madrugada em que tudo parecia existir em estado de espera. As luzes permaneciam acesas, brancas demais, mas os corredores estavam quase vazios. Passos surgiam aqui e ali, espaçados, cuidadosos, como se até o prédio soubesse que algo grave tinha acabado de acontecer e ainda não tivesse decidido como reagir.O ar cheirava a antisséptico e metal frio.Nada ali convidava ao descanso.Mas também não havia pressa. A luz branca refletia no chão encerado como se tudo ali fosse feito para não permitir sombras. Ainda assim, elas existiam. Invisíveis. Pairando.Valentina estava deitada em uma maca, inconsciente, fios conectados ao corpo, o peito subindo e descendo num ritmo monitorado por máquinas que apitavam em intervalos regulares. O rosto estava pálido, limpo demais, quase em contraste violento com tudo o que tinha acontecido horas antes.Rafael estava ao lado dela. De pé, imóvel, como se qualquer movimento pudesse quebr
CAPÍTULO 126 — QUANDO O DIA RAIAR
O dia amanhecia devagar. Não houve luz invadindo o quarto nem o sol anunciando vitória. Era um amanhecer discreto, quase contido, como se o próprio mundo tivesse decidido não fazer barulho depois do que acontecera naquela noite.Valentina acordou sem sobressalto.Foi o silêncio que a trouxe de volta.Um silêncio diferente. Controlado. Organizado demais para ser natural. Cortado apenas por um som repetitivo, baixo, insistente — um bip regular que marcava o tempo com precisão clínica.Ela piscou algumas vezes.O teto era branco.As luzes, suaves.O ar, frio e limpo demais.Hospital.A palavra se encaixou na mente antes que qualquer emoção viesse junto.Ela tentou se mexer.O corpo respondeu com atraso, pesado, como se estivesse saindo de um lugar fundo demais. Não havia dor aguda. Não havia choque. Apenas um cansaço que parecia morar nos ossos.E então as lembranças vieram.Não em ordem.Não completas.Fragmentos.Luz amarela.Concreto.Uma arma erguida.Um som seco — talvez um tiro, t
CAPÍTULO 127 — O Caminho De Volta
A saída do hospital foi silenciosa. Não houve fotógrafos, nem curiosos, nem perguntas atravessadas. Apenas carros discretos, portas fechadas com cuidado e uma equipe que se movia como se cada gesto tivesse sido ensaiado para não chamar atenção alguma.Valentina caminhava devagar, acompanhada de perto, mas sem ser apressada. O corpo ainda não estava inteiro — não doía, mas cansava fácil, como se tivesse atravessado algo longo demais em pouco tempo. Rafael ia à frente, o telefone colado ao ouvido desde o momento em que cruzaram a porta automática do hospital.Ele não parava.Falava baixo, em japonês e inglês alternados, frases curtas, objetivas. Segurança. Rotas. Horários. Pessoas que não deveriam estar onde costumavam estar. Pessoas que deveriam.Valentina não tentou ouvir.Nem precisava.Havia algo estranhamente reconfortante em vê-lo assim — não distante, mas em ação. No controle. Como se o mundo estivesse sendo recolocado no lugar por alguém que sabia exatamente onde cada coisa deve
CAPÍTULO 128 — DESPERTAR DOLOROSO
Valentina acordou com a sensação de que tinha sido atropelada.Não era uma dor específica. Era pior do que isso. Um cansaço profundo, espalhado por cada músculo, como se o corpo tivesse sido exigido além do que conseguia suportar. Os ombros pesados. As pernas rígidas. A cabeça latejando baixo, insistente.Ela abriu os olhos devagar.Por alguns segundos, não soube onde estava.Ela tentou se mexer — e percebeu.Estava abraçada a Rafael.O corpo dele a envolvia com firmeza tranquila, um braço ao redor de suas costas, a mão repousando entre seus ombros como se tivesse sido colocada ali para impedir qualquer queda. O rosto dele estava próximo demais. Os traços relaxados de um jeito raro, quase vulnerável.Ele dormia profundamente.Valentina prendeu a respiração.O coração acelerou por um instante, confuso demais para entender se aquilo era consequência da noite… ou algo que tinha acontecido depois.Ela não se lembrava de nada da noite — apenas do banho e do momento em que o cansaço a puxou
CAPÍTULO 129 — QUANDO AS FLORES CAEM
Valentina acordou com a sensação estranha de ter dormido demais.Ela piscou devagar.A luz entrava suave pelas portas de correr, filtrada, respeitosa.Por alguns segundos, ela apenas ficou ali, respirando.Então percebeu.Rafael já estava acordado.Vestia uma camisa clara, mangas dobradas com precisão. O cabelo ainda úmido denunciava o banho recente. Ele estava de pé, próximo à janela, observando o jardim com uma atenção silenciosa.Havia algo diferente em sua postura.Menos tensão nos ombros.Menos rigidez no maxilar.Ainda controle — sempre —, mas sem urgência.— Bom dia. — disse quando percebeu que ela estava desperta.A voz não era fria.Não era dura.Era simples. E isso, por si só, já era novo.— Bom dia… — respondeu ela, sentando-se devagar, sentindo o corpo ainda pesado, mas obediente.Rafael se aproximou alguns passos.— Se arrume. — disse. — Vamos sair.Valentina franziu a testa, surpresa.— Sair?Ele não respondeu de imediato. Pegou o relógio sobre a cômoda, ajustou no pulso
CAPÍTULO 130 — O DIA AINDA NÃO ACABOU
Eles continuaram caminhando pelo parque.As pessoas ainda estavam ali. Risadas soltas, passos lentos, celulares erguidos em busca do ângulo perfeito. As sakuras insistiam em cair, como se não tivessem pressa nenhuma de acabar.Valentina sentia o corpo cansado, mas não queria ir embora.Não daquele jeito.Ela parou por um instante e olhou em volta outra vez. As árvores, os bancos ocupados, o chão coberto de pétalas.— Obrigada. — disse, simples.Rafael virou o rosto.— Pelo quê?Ela demorou um segundo para responder.— Por me trazer aqui.Ele ficou em silêncio por alguns passos.— Você precisava ver isso. — disse, por fim.Valentina sorriu de leve.— Precisava mesmo.Caminharam mais um pouco.O vento trouxe outra leva de pétalas, algumas batendo de leve no rosto dela. Valentina levantou a mão, afastando uma do cabelo sem perceber que sorria.— Engraçado… — murmurou.— O quê? — Rafael perguntou.— Eu sempre vi essas cenas em filme. — respondeu. — Achei que fosse exagero.Ele lançou um o