All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 131
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CAPÍTULO 131 — TRÊS
O passeio pelas sakuras começou a desacelerar sem que ninguém anunciasse.As conversas foram ficando mais espaçadas, os passos menos apressados. Valentina sentia o corpo cansado, mas de um cansaço diferente — não o peso do medo, e sim o desgaste normal de quem passou tempo demais fora depois de dias trancada em si mesma.Ela parou perto de uma árvore, observando as pétalas se acumularem no chão.— Eu tô com fome. — Bianca disse de repente, quebrando o silêncio. — Muita fome.Lucas soltou um riso curto.— Você acabou de comer.— Comer não. — ela rebateu. — Eu belisquei. Isso não conta.Valentina sorriu.— Agora que você falou… — comentou, tocando de leve o próprio estômago. — Eu também.Rafael virou o rosto para ela.— Quer comer alguma coisa agora? — perguntou, sem pressão.Valentina pensou por um segundo e assentiu.— Quero.Bianca abriu um sorriso imediato.— Ótimo. Porque tem um lugar aqui perto que eu amo. Pequeno, simples… e perigoso. Você sai de lá querendo voltar no dia seguint
CAPÍTULO 132 — O CAMINHO DE VOLTA
O caminho de volta começou com discussão.Não uma discussão grave.Mas daquelas que só quem se conhece demais consegue sustentar por tanto tempo.— Eu não vou pra hotel. — Lucas disse pela terceira vez, a mão firme no volante.— Vai sim. — Bianca respondeu, cruzando os braços. — Você não vai se mudar pro meu apartamento assim, do nada.— Não é do nada. Eu já tô aqui.— Isso não é argumento.— Pra mim é.Valentina, no banco de trás, tentou manter a expressão neutra por alguns segundos. Falhou miseravelmente.— Vocês brigam assim há quanto tempo? — perguntou, divertida.— Desde sempre. — Bianca respondeu, sem olhar para trás.— Desde que ela decidiu que é independente demais pra dividir espaço. — Lucas completou.— Eu sou independente. — Bianca rebateu. — E gosto do meu espaço.— Você gosta é de mandar.Valentina riu baixo.— Vocês sabem que estão discutindo exatamente o mesmo assunto, só com palavras diferentes, né?— Não estamos. — Bianca disse ao mesmo tempo que Lucas respondeu:— Es
CAPÍTULO 133— MAIS UM ERRO.
O tapa ecoou pela sala.Seco. Estalado. Definitivo.Clara caiu para o lado, a mão indo automaticamente ao rosto antes mesmo que a dor se instalasse por completo. O gosto metálico apareceu na boca segundos depois. Ela não chorou de imediato. Ainda não.— Sua inútil. — a voz de Vittória cortou o ar, fria, sem um único traço de descontrole.Clara tentou se recompor, apoiando a mão no braço do sofá para se levantar. As pernas falharam. O joelho tocou o chão primeiro.— Senhora… por favor… — a voz saiu fraca, quebrada. — Me perdoa… eu juro que fiz tudo certo. Tudo.Vittória não respondeu de imediato.Caminhou pela sala ampla com passos lentos, calculados. Cada salto do sapato batendo no mármore parecia marcar o tempo da humilhação. Ela parou diante da janela, puxou a cortina apenas o suficiente para deixar a luz entrar e voltou-se com algo na mão.Um celular.— Tudo certo? — repetiu, com desprezo. — Tudo certo seria ela morta.Clara sentiu o estômago revirar.— O plano… — Vittória continuo
CAPÍTULO 134 — UM DIA ZEN
Valentina acordou com a sensação incômoda de que o corpo lembrava antes da mente. Ela abriu os olhos devagar, ainda envolta pelo silêncio profundo da mansão Yamamoto. A luz da manhã entrava filtrada pelas cortinas, suave demais para combinar com a memória que voltou inteira, sem aviso. O tapete. O desequilíbrio. A queda. Ela em cima de Rafael. Valentina fechou os olhos por um segundo, o calor subindo direto para o rosto. Virou-se com cuidado, puxando o lençol até o queixo como se aquilo pudesse esconder o constrangimento — e encontrou Rafael acordado, apoiado no cotovelo, observando-a em silêncio. Não havia tensão no rosto dele. Nem ironia. Só aquele olhar atento demais para ser confortável. — Bom dia. — ele disse, baixo. — Bom dia… — respondeu, sentando-se rápido demais. Silêncio. Não era pesado. Era cheio. — Sobre ontem… — Valentina começou, a voz saindo antes que pudesse frear. — Foi um acidente. — Rafael respondeu de imediato, sentando-se também. —
CAPÍTULO 135 — ENTRE ESPELHOS E RISOS
O hotel Kōrin Imperial, no centro de Tóquio, já estava completamente preparado para o baile daquela noite.Discreto por fora, imponente por dentro, era o tipo de lugar onde eventos importantes aconteciam sem alarde — mas nunca passavam despercebidos.A comitiva Yamamoto chegou pouco depois de deixar o spa. Funcionários aguardavam em silêncio organizado, indicando os andares reservados. Cada convidado principal tinha uma suíte preparada com antecedência, tudo pensado para que a transição entre o dia e a noite fosse suave, quase imperceptível.Valentina e Bianca foram conduzidas juntas até uma das suítes mais amplas do andar alto, com vista para a cidade iluminada que começava a despertar para a noite.Assim que a porta se fechou atrás delas o espaço começou a se transformar com uma eficiência quase militar — só que muito mais perfumada. Duas cabeleireiras surgiram primeiro, organizando maletas sobre a bancada. Logo depois, duas maquiadoras ocuparam a área próxima à janela, espalhando p
CAPÍTULO 136 — QUANDO AS PORTAS SE ABREM
O salão principal do Kōrin Imperial não anunciava grandeza — ele pressupunha.Nada ali precisava provar nada a ninguém.Lustres altos filtravam a luz em tons quentes, refletindo em mármore polido e superfícies que não carregavam marcas do tempo. Conversas em diferentes idiomas se misturavam num murmúrio elegante, calculado. Não havia risadas altas. Não havia excessos. Apenas presença.Rafael entrou primeiro.Passos firmes, postura impecável, o terno escuro sob medida desenhando autoridade sem esforço. Não era ansiedade o que se movia dentro dele — era leitura. Avaliava o espaço como sempre fazia: saídas, centros de influência, dinâmicas invisíveis. Aquilo não era um baile. Era um tabuleiro.Valentina entrou ao lado dele.Não um passo atrás.Não à frente.Exatamente onde deveria estar.O vestido acompanhava o corpo com precisão silenciosa. Nada gritava luxo — e ainda assim, tudo ali era caro. O cabelo solto emoldurava o rosto com naturalidade calculada. Ela caminhava com calma, como qu
CAPÍTULO 137 — À MESA DOS QUE DECIDEM
O jantar foi anunciado com precisão impecável.Um leve toque de sino ecoou pelo salão anexo, discreto o suficiente para não interromper conversas importantes, mas claro o bastante para que todos entendessem: era hora de mudar de posição no tabuleiro.Funcionários surgiram quase ao mesmo tempo, abrindo caminhos, puxando cadeiras, guiando os convidados com movimentos silenciosos e treinados. Não havia pressa, tampouco hesitação. Cada pessoa sabia exatamente para onde ir — e isso dizia muito sobre quem estava ali. O salão anexo ao baile foi sendo ocupado aos poucos, como se ninguém quisesse parecer ansioso demais para sentar. Mesas longas, arranjos discretos, talheres alinhados com precisão quase obsessiva. Rafael caminhava ao lado de Valentina com a mesma postura firme de antes, mas agora o ambiente exigia outro tipo de leitura. Yamamoto indicou os lugares com naturalidade calculada.— Montenegro, aqui. — disse, tocando levemente o encosto da cadeira central. — A senhora Montenegro, à
CAPÍTULO 138— AVALIADO
Rafael Montenegro não era mais apenas o convidado apresentado por Yamamoto. Era o homem que tinha atravessado o salão com segurança, sustentado conversas difíceis, ocupado o centro da mesa — e dançado com a esposa sem parecer performático.Isso dizia muito.Valentina percebeu antes dele.Assim que deixaram a pista, um pequeno grupo se aproximou com naturalidade ensaiada. Não houve interrupção brusca. Apenas uma absorção suave, como se aquele espaço sempre tivesse sido deles.— Montenegro. — disse um homem de cabelos grisalhos, sotaque europeu contido. — Gostaria de continuar aquela conversa sobre infraestrutura híbrida.Rafael assentiu, já ajustando o foco. — Claro.Valentina permaneceu ao lado, sem invadir, sem se afastar. Presente.Enquanto Rafael falava sobre integração de dados, risco político e segurança transnacional, ela observava o entorno: quem se aproximava demais, quem aguardava o momento certo, quem apenas escutava para decidir depois. Aquilo não era vaidade. Era cálculo c
CAPÍTULO 139 — QUANDO O AR FICA MAIS DENSO
As portas do elevador se fecharam com um som suave demais para chamar atenção.O painel acendeu. Um número subiu. Depois outro.Valentina encostou as costas no espelho, soltando o ar devagar. O barulho distante do baile desapareceu por completo, substituído por um silêncio limpo, fechado, quase confortável.Foi então que as luzes piscaram.Uma vez. Duas.O elevador deu um pequeno solavanco seco — e parou.Valentina franziu a testa no mesmo instante.— O que foi isso?Rafael olhou para o painel com calma treinada, como quem avalia algo simples.— Nada. — respondeu. — O elevador parou.— Parou… parou? — ela perguntou, ajustando o tom, mais curiosa do que alarmada.Ele estendeu o braço e apertou o botão de emergência.Nada aconteceu.Apertou outra vez.Silêncio.— Deve ser momentâneo. — disse, tranquilo. — Não se preocupe.Valentina inclinou a cabeça, observando o painel imóvel.— Interessante. — comentou. — Sempre achei que elevadores fossem mais… confiáveis.— São. — Rafael respondeu.
CAPÍTULO 140 — O QUE NÃO PODE SER DITO
Rafael foi o primeiro a se afastar.Não bruscamente.Não com medo.Mas com aquele controle rígido que ele usava quando algo ameaçava ultrapassar um limite que ele mesmo havia traçado anos antes.Ele encostou a testa na dela por um segundo apenas — o suficiente para recuperar o fôlego, o juízo, o papel que acreditava precisar cumprir.— Ei… — disse baixo. — Não podemos.Valentina fez um pequeno som de protesto.Um quase bico.Infantil demais para combinar com o vestido, com a noite, com tudo o que ela era.— Você não gosta de mim, né? — murmurou.Rafael a olhou com atenção imediata.Os olhos dela estavam fechados.O corpo ainda relaxado contra o dele.A voz… não era de uma mulher estrategista. Era de alguém cansado demais para sustentar defesas.— Você está delirando. — disse, firme, mas sem dureza.— Não estou… — respondeu, tranquila demais. — Estou bem com isso.Ela respirou fundo, como se estivesse organizando pensamentos soltos.— Você é meu marido, Rafael Montenegro. — continuou.