All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 161
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CAPÍTULO 161 — CHEGADA NA MANSÃO
O portão da mansão Montenegro se abriu com a mesma solenidade fria de sempre.Nada ali parecia feito para receber. Tudo parecia feito para lembrar quem mandava.Valentina observou pela janela enquanto o carro avançava pelo caminho de pedra. As luzes externas acenderam uma a uma, automáticas, impessoais. A fachada surgiu imponente, silenciosa demais para um lugar que já tinha sido palco de tantas ausências.Ela sentiu o aperto no peito antes mesmo de descer. Não era medo. Era memória.O carro parou. Moreira desceu primeiro. Abriu a porta. Rafael saiu em seguida, já recomposto, inteiro no papel que aquela casa exigia.Valentina desceu logo depois.O hall estava diferente. Sutilmente.Uma funcionária que ela não conhecia se aproximou com postura impecável.— Boa noite, senhor Montenegro. — disse, respeitosa. — As bagagens já serão levadas aos quartos.Valentina franziu levemente a testa. Observou o entorno rápido demais para parecer casual.— Estranho… — murmurou, mais para si do que par
CAPÍTULO 162 — O QUE FICA ENTRE AS PAREDES
Valentina acordou com a estranha sensação de silêncio demais.Não era o silêncio confortável da madrugada. Era outro. Um vazio específico demais para ser ignorado.Virou o rosto devagar, ainda envolta pelos lençóis macios, esperando encontrar o corpo ao lado. O calor. O peso familiar da presença que, na noite anterior, tinha sido abrigo e risco ao mesmo tempo.Nada.O lado da cama estava intacto.Ela franziu levemente a testa, sentando-se com calma, sem pressa para reagir. O quarto ainda estava em meia-luz, as cortinas parcialmente abertas deixando entrar o cinza suave da manhã paulistana. O cheiro dele ainda estava ali — sabonete, algo amadeirado, conforto perigoso.Então ouviu.A voz baixa.Vinha da sacada.Valentina levantou-se sem fazer barulho, caminhando até perto da porta de vidro, sem se expor totalmente. Rafael estava de costas, o celular encostado ao ouvido, o corpo relaxado demais para alguém que estivesse tendo uma conversa simples.— Espere um mês. — ele disse, firme, sem
CAPÍTULO 163 — O PESO DE QUEM MANDA
A Montenegro Corp não precisava anunciar nada naquela manhã.O prédio inteiro já sabia.Desde o hall principal, o clima era outro. Menos ruído. Menos pressa. Olhares atentos demais para serem curiosos. Funcionários que endireitavam a postura antes mesmo de Rafael passar. Não por medo — por reconhecimento.Rafael atravessou as portas giratórias com Moreira a meio passo atrás, como sempre. — A diretoria já está reunida. — informou em tom baixo, profissional. — Todos presentes, senhor.Rafael assentiu uma única vez.O elevador executivo subiu em silêncio absoluto. Nenhum dos dois falou. Não era tensão. Era foco.As portas da sala de reuniões se abriram assim que chegaram.A diretoria da Montenegro Corp já os aguardava.Homens e mulheres que raramente se levantavam para alguém — levantaram.Não houve aplausos.Houve respeito.— Senhor Montenegro. — começou o presidente do conselho, após Rafael tomar seu lugar à cabeceira. — O contrato com o grupo Yamamoto reposicionou a empresa em um pat
CAPÍTULO 164 — O LUGAR QUE NÃO ERA DELA
Valentina demorou mais do que o normal para sair do quarto naquela manhã.O fuso ainda pesava no corpo, a mente insistia em funcionar em outro horário, e a mansão Montenegro — mesmo silenciosa — parecia grande demais para alguém que tinha passado os últimos dias se movendo entre aeroportos, quartos fechados e escolhas que não davam mais para desfazer.Ela quase não tinha descido desde que voltara.E Rafael sabia disso.Na sala principal, ele estava em pé diante das janelas altas, o paletó aberto, a postura relaxada só o suficiente para enganar quem não o conhecia de verdade. Moreira permanecia a poucos passos, com uma pasta fina nas mãos e aquele ar profissional que escondia uma curiosidade difícil de conter.— Ela ainda não desceu. — Moreira comentou, em voz baixa.Rafael virou o rosto devagar. Havia algo diferente no olhar. Nada estratégico. Nada calculado.— Peça para chamá-la. — disse. — Com calma.Nada de ordens ríspidas. Nada de urgência. Moreira arqueou levemente a sobrancelha,
CAPÍTULO 165 — QUANDO O MUNDO PEDE DEMAIS
Valentina fechou a porta do quarto com cuidado, como se o simples clique pudesse acordar a casa inteira.Ela apoiou a pasta do evento sobre a mesa e ficou alguns segundos apenas olhando para ela. O couro escuro, o brasão discreto, o peso simbólico que parecia maior do que qualquer papel ali dentro.Evento internacional.Transmissão mundial.Presidentes. CEOs. Imprensa.E ela.A esposa “temporária”.A que não deveria estar ali.A que agora carregava o nome Montenegro na linha de frente.Valentina passou a mão pelo rosto e puxou o celular quase no reflexo.Não pensou muito.Se pensasse, desistia.Discou.Chamou uma vez.Duas.— VAL? — a voz de Bianca veio alta, viva, com aquele tom que sempre parecia puxar Valentina de volta para a superfície. — Amiga, você sumiu! Eu tava quase ligando pra Interpol!Valentina sorriu, mas o sorriso morreu rápido.— Bi… — disse, soltando o ar devagar. — Você tá ocupada?— Só se for ocupada sendo linda e desempregada por opção hoje. — Bianca respondeu. — F
CAPÍTULO 166 — ONDE O SILÊNCIO APRENDE A PEDIR
A casa já dormia quando Valentina finalmente cedeu ao cansaço.O quarto estava em penumbra, iluminado apenas pelo abajur esquecido aceso ao lado da cama. Ela havia largado a pasta do evento sobre a poltrona sem sequer fechá-la direito. Papéis escapavam pela lateral, como se também estivessem exaustos.Deitou-se de lado, ainda vestida, o corpo pesado demais para qualquer ritual noturno. A mente tentou resistir por alguns minutos — listas, prazos, nomes, rostos — mas o sono venceu antes que ela pudesse organizar o caos.Dormia profundamente quando a porta se abriu.Sem batidas.Sem aviso.Rafael entrou e fechou atrás de si com cuidado excessivo para alguém que claramente não estava calmo.Parou no meio do quarto.Observou.Valentina estava encolhida de lado, o rosto parcialmente escondido no travesseiro, a respiração lenta, vulnerável de um jeito que quase ninguém via. O lençol havia escorregado um pouco, revelando o ombro nu. O cabelo espalhado pela fronha.Ele bufou baixo.— Eu disse
CAPÍTULO 167 — ENTRE LENÇÓIS E PROMESSAS
Valentina acordou devagar, ainda meio perdida entre sonho e realidade.Primeiro veio o calor. Depois o peso firme do braço em torno da cintura. E, por fim, a certeza incômoda — e nada desagradável — de que não estava sozinha.Abriu os olhos lentamente e deu de cara com o peito de Rafael, nu, forte, subindo e descendo num ritmo calmo demais para alguém que, horas antes, tinha sido tudo menos calmo.Ela suspirou baixo.— Você é louco… — murmurou, a voz rouca de sono. — E absurdamente possessivo.O braço ao redor dela se apertou um pouco mais.— Só quando se trata de você… — ele respondeu, ainda de olhos fechados. — E da empresa.Valentina riu, um riso preguiçoso, satisfeito.— Nossa… — disse, erguendo o rosto para encará-lo. — Fiquei lisonjeada agora. Estar no mesmo patamar da Montenegro Corp é um privilégio.Rafael abriu um olho, depois o outro. O canto da boca se ergueu num sorriso lento, perigoso.— Não se empolga. — murmurou. — As duas me dão trabalho.— Mas só uma dorme na sua cama
CAPÍTULO 168 — O VENENO QUE NÃO DORME
O quarto cheirava a antisséptico e silêncio imposto.Vittória Montenegro estava sentada na cama estreita, as mãos apoiadas sobre o colo, o olhar fixo demais na parede clara à sua frente. Ali, tudo era controle alheio. Horários. Remédios. Rotinas. Nenhuma decisão passava por ela — e isso era inaceitável.O aviso ainda ecoava na cabeça:Uso de celulares é estritamente proibido.Vittória sorriu por dentro.Proibição só existia para quem era pobre. Ricos sempre fazem o que quer.Quando a enfermeira entrou para checar os sinais vitais, Vittória não mudou a expressão. Voz baixa. Controlada. Ensaiada havia dias.— Você tem filhos, não tem? — perguntou, casual, como quem comenta o clima.A enfermeira hesitou. Assentiu.— Turnos longos… salário apertado… — Vittória continuou, como quem não queria nada. — Imagino como deve ser difícil.O olhar da mulher baixou um centímetro. O suficiente.— Você sabe quem eu sou? Sabe de onde venho? Então sabe que posso facilitar sua vida.Minutos depois, quand
CAPÍTULO 169 — O TRONO
O quarto de Rafael tinha um tipo de silêncio que não existia no resto da mansão.Ali, as paredes não pareciam julgar.A luz da manhã entrava por frestas controladas, tocando a cama com uma delicadeza que não combinava com o nome Montenegro — mas combinava com o que acontecia ali dentro quando ninguém estava vendo.Valentina estava sentada na beirada da cama, ainda com o cabelo solto, usando uma camisa dele que parecia ter sido feita pra provocar: longa demais para ser comportada, curta demais para ser inocente. A xícara de café aquecia suas mãos, e ela observava o movimento de Rafael pelo quarto como quem já sabia os caminhos dele de cor… e mesmo assim gostava de ver de novo.Rafael mexia em papéis sobre a mesa baixa, mas era uma mentira elegante: a atenção dele já tinha ficado presa nela desde o instante em que acordou.Depois de alguns segundos, ele se levantou sem pressa, foi até o aparador e voltou com uma bandeja simples, colocando-a entre os dois. Café, frutas, pão.Aquela era a
CAPÍTULO 170 — A CORTINA
O novo local era elegante, nada comparado ao Rosewood hotel, mas era o mesmo de sempre. Assim que Valentina entrou, soube exatamente onde estava — não pelo nome do salão, mas pela sensação. Era ali. Sempre ali. O lugar onde Vittória Montenegro gostava de ser vista como soberana absoluta.Pé-direito alto. Lustres pesados. Mármore demais. Ouro demais.Tudo falava a mesma língua: controle.Márcia caminhava alguns passos à frente, segura demais, como quem voltava para casa.— Aqui sempre funcionou muito bem. — disse, com um sorriso satisfeito. — A senhora Vittória prefere ambientes que imponham respeito imediatamente.Valentina assentiu, dócil.O tipo de assentimento que não provoca, não discute, não ameaça.— É… — murmurou. — Dá pra sentir.Os fornecedores se movimentavam pelo salão como formigas bem treinadas. Amostras de tecido eram abertas sobre mesas longas. Arranjos florais ainda incompletos aguardavam aprovação.Verde.Dourado.Verde profundo. Dourado pesado.Vittória Montenegro em