All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 21
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Capítulo 21– Cinco Milhões
O telefone de Valentina vibrou pela terceira vez.Ela estava sentada na cama, de pernas cruzadas, ainda com a mesma camisola clara, tentando focar no livro… tentando se fingir de tranquila… tentando não lembrar que vivia atrás de uma porta trancada.Mas aquele número piscando na tela…Tio Rogério.Valentina sentiu o estômago gelar.Ela rejeitou a chamada.Dois segundos depois…Vibra de novo.Ela apertou o maxilar.— Droga…Atendeu.— Alô? — a voz saiu cautelosa, baixa.Do outro lado, o som não era de um tio carinhoso.Era de um empresário ressentido, saliva misturada com veneno.— Valentina. — Rogério disse, seco, sem nenhum calor. — Enfim atendeu. Que bom.— Desculpa… eu estava ocupada. — ela mentiu.— Ocupada? — ele riu, aquele riso que sempre fez o chão desaparecer sob os pés dela. —Esse seu marido é esperto. Esperto demais.Valentina ficou rígida.— O senhor… falou com Rafael?— Claro que falei. — Rogério respondeu, relaxado demais. — E sabe o que descobri? Que ele não vale nem me
Capítulo 22 — A Senhorita Moretti
Dois dias depois do jantar em que Rafael enfrentou Vittoria, a rotina de Valentina podia ser resumida em quatro verbos:Comer.Ler.Pensar.Resistir.O quarto tinha virado mundo.Ela acordava, tomava banho, prendia o cabelo num coque simples, escolhia qualquer camisola confortável, comia o que chegava na bandeja e mergulhava em livros, notícias jurídicas, decisões internacionais, qualquer coisa que mantivesse o cérebro funcionando.Era uma prisioneira. Mas uma prisioneira com disciplina.Na escrivaninha, o calendário já tinha mais um X marcado.Mais um dia a menos. Mais perto do fim do contrato. Mais longe de qualquer tipo de paz.“Cinco milhões.”O número ainda batia no fundo da cabeça, silencioso, constante.Ela fechou a aba do site financeiro no celular, jogou o aparelho de lado e recostou na cabeceira.Não adiantava fazer contas. Tudo levava ao mesmo lugar:Se pedisse dinheiro a Rafael…perdia o pouco de liberdade que ainda podia sonhar em ter.Estava perdida nesses pensamentos qu
Capítulo 23- A Usurpadora.
Um segundo apenas.Viu o vestido.Viu o coque.Viu o queixo erguido.Não sorriu. Não demonstrou nada.Mas viu.Vittoria fez um gesto elegante, chamando a atenção de Isabella.— Isabella, querida, esta é Valentina. — disse, com uma doçura tão falsa que dava vontade de rir. — A esposa do Rafael.“Isabella.”Não “senhorita Moretti”, ali.Não na frente de Valentina.A italiana virou-se por completo.A análise foi rápida, cruel, automática:Vestido sem brilho.Nenhuma joia cara.Sem grife aparente.Beleza natural demais para o padrão enfeitado daquele mundo.Isabella estendeu a mão, o sorriso perfeito no rosto.— Finalmente nos conhecemos, Valentina. — disse, com sotaque leve. — Ouvi dizer que você é… muito especial.O tom era neutro. Mas os olhos diziam outra coisa:“Usurpadora.”Valentina apertou a mão dela — firme, mas suave.— Um prazer, senhorita Moretti. — respondeu.Não devolveu “Isabella”.Isabella sentiu. E não gostou.— Espero que esteja se adaptando bem. — ela continuou, ainda s
CAPÍTULO 24 — O TAPINHA DO DIABO
Valentina inspirou fundo. A noite ainda prometia muito e ela já estava cansada.— Só vim respirar um pouco — respondeu, sem agressividade.Isabella deu dois passos.Os saltos afundaram um pouco na grama, mas o olhar dela não vacilou.— Respiração é importante — disse. — Especialmente pra quem vive… deslocada. O círculo social da família Montenegro não é qualquer uma que consegue acompanhar.Valentina manteve a calma.Silêncio às vezes vale mais que resposta.— Vou ser sincera — Isabella continuou, cruzando os braços — eu te admirei… um pouco. Por aceitar um contrato tão... humilhante.Valentina piscou lentamente.Isabella sorriu mais.— Ah, não olha assim. Todo mundo sabe.Rafael sempre teve um destino traçado. Comigo. E você… bom… você foi só um obstáculo no meio do caminho. Uma substituta para sermos ricos.Valentina ficou imóvel.Não se defendeu.Não discutiu.Não caiu na armadilha.E isso irritou profundamente Isabella.— O contrato tem prazo, não é? — Isabella continuou, ajeitand
CAPÍTULO 25 — O PALCO DAS COBRAS
O salão principal da mansão Montenegro parecia ter sido desenhado para intimidar.Valentina entrou de volta como quem pisa em território inimigo.Ela caminhou até uma mesa lateral, serviu um pouco de água e observou o ambiente.As mulheres estavam reunidas ao redor de Isabella Moretti como discípulas diante de uma santa cuidadosamente maquiada.Isabella falava sobre moda, viagens, exposições, jantares em Paris, a Vogue, os fotógrafos preferidos, com quem tinha feito parceria, quais eventos fechados iria abrir na próxima temporada.E aquelas mulheres penduravam elogios como joias no colar dela.— Isabella, querida, aquela campanha que você fez em Milão foi divina!— Seu vestido na gala de Veneza… eu fiquei encantada.— Você nasceu para essa vida!Valentina observava de longe.Tinha a consciência aguda de que era invisível.Mas invisível por escolha deles — não por incapacidade dela.No canto oposto do salão, os homens discutiam números astronômicos, fusões internacionais, mercado europ
CAPÍTULO 26 — A QUEDA
A água engoliu o mundo.Fria.Profunda.Pesada como pedra amarrada ao tornozelo.Valentina abriu os olhos — mas tudo era borrado, turvo, distorcido.O coração batia rápido demais, como se tentasse escapar do corpo.Os sons chegavam abafados, como se viessem de outro planeta.Um grito.Outro.E outro.A superfície parecia longe. Longe demais.O ar acabou.O pânico veio.Eu vou morrer aqui.As mãos dela subiram, tentando nadar — mas o corpo não obedecia, porque o trauma falava mais alto que qualquer instinto.A lembrança da infância. Um corpo batendo na água. Um clarão. Isabella sendo puxada.Isabella subindo.Isabella.Não Valentina.A mão que deveria tê-la alcançado passou longe.E o mundo de Valentina escureceu um pouco mais.O corpo dela afundou mais um palmo.O vestido pesado grudava na pele, puxando para baixo.Os sapatos escorregavam.Os pulmões ardiam.Até que— Braços fortes a envolveu.Um segurança da mansão a agarrou pela cintura e a puxou para cima, rompendo a superfície com
CAPÍTULO 27 — AS LÁGRIMAS DA SERPENTE
O hospital sempre tinha cheiro de algo entre limpeza e morte.E naquela sala branca demais, iluminada demais, fria demais, Isabella Moretti parecia uma obra-prima de drama renascentista jogada sobre lençóis caros.Lençóis nos quais ela se mexia com tanta delicadeza que parecia até ensaio.A maquiagem borrada — estrategicamente borrada.O cabelo molhado — estrategicamente desgrenhado.Os olhos semicerrados — estrategicamente sofridos.Vittoria Montenegro andava pelo quarto como uma leoa que perdeu o último filhote.— Minha menina… minha pobre menina… — ela repetia, apertando um lenço no peito. — Isso foi um ataque! Um ataque planejado, Rafael!Rafael estava de pé, parado no canto, braços cruzados, roupa ainda úmida.Mas era o rosto dele que chamava atenção.Aquele rosto cinza de tempestade.— Ela quase morreu! — Vittoria insistiu. — E tudo por causa daquela… daquela… DESQUALIFICADA que você assinou como esposa!Isabella apertou os lábios, trêmula o bastante para comover um país inteiro
CAPÍTULO 28 — A febre
No quarto Valentina se remexia, o corpo virando de um lado para o outro, os lençóis embolados ao redor das pernas como se tentassem contê-la — e falhavam.Rafael estava sentado na poltrona desde que terminou de ajeitar tudo.Não tinha coragem — nem explicação lógica — para sair.Ele observava.Vigiava.E pela primeira vez em muito tempo… não sabia o que fazer com as próprias mãos.Quando a febre chegou forte demais, Valentina começou a murmurar palavras desconexas.As primeiras foram baixas, quase inaudíveis.— Bianca… eu… eu não consigo…Rafael inclinou-se na direção dela.— Valentina? — chamou, controlado.Ela não respondeu ao nome. Apenas continuou falando com alguém que não estava ali.— Cinco… cinco milhões… — sussurrou, a voz falhando. — Ele quer cinco milhões… eu… não tenho…A mandíbula de Rafael se fechou.Valentina tremia, os olhos se movendo por trás das pálpebras fechadas.— Eu não posso pedir pra ele… — choramingou. — …se eu pedir… fico presa… pra sempre… nunca mais saio d
CAPÍTULO 29 — O olhar que ninguém vê.
A sala de reuniões do Grupo Montenegro estava quieta demais.Rafael não tinha dormido.Nem um minuto.O corpo dele estava ali, mas a mente… presa em outra cena:Valentina ardendo em febre.Valentina na piscina afundando.Valentina tremendo enquanto sussurrava “cinco milhões… eu não consigo…”Valentina segurando sua camisa até apagar.Cada vez que ele piscava, voltava o som da respiração dela falhando.O investidor asiático encerrou a apresentação, todos começaram a recolher laptops, mas Rafael sequer ouviu o final.Ele abriu o tablet.Clicou no ícone da câmera do quarto de Valentina.A imagem abriu.O quarto estava escuro.Quieto.Imóvel.E aquilo não era bom.Ele ligou imediatamente.Clara atendeu com a voz dura, ensaiada.— Senhor?— Como está a senhora Montenegro?Uma pausa. Desnecessária.Ridícula.— Está no quarto, senhor. Descansando. Deixamos uma canja para ela… e um chá.Rafael recostou na cadeira, a expressão fechada.— Ela comeu?Mais uma pausa. O que irritou ainda mais.— N
CAPÍTULO 30 — A amizade.
Cinco dias em que Valentina acordou, dormiu, tossiu, tomou remédios, ignorou visitas, ignorou fofocas, ignorou o mundo — e, principalmente, ignorou Rafael.O corpo finalmente tinha parado de ferver. A dor de cabeça quase sumiu. E ela já conseguia ficar em pé sem sentir que ia tombar como uma árvore.Estava no closet, escolhendo uma roupa leve, quando o celular vibrou tão alto que ela quase derrubou o vestido em cima do rosto.BIANCA 🤳 LIGANDOValentina sorriu antes mesmo de atender.— Ai, meu Deus… finalmente, viva! — Bianca gritou do outro lado antes mesmo do “alô”. — Onde você se enfiou, sua ingrata? Te liguei QUARENTA E DUAS vezes. Mandei mensagem. Mandei áudio. Mandei meme. Fui até a sua casa e aqueles guarda-costas de reality show NÃO me deixaram passar dos portões! Eu já tava indo na empresa do seu marido armada até os dentes, Valentina!Valentina riu, sentando na cama.— Calma, Bianca, eu só peguei uma gripe terrível.Um silêncio.Depois:— Gripe? — Bianca repetiu, indignada.