All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 41
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CAPÍTULO 41 — O MAR NÃO TEM PIEDADE
Gotas.Primeiro foram só isso.Pequenas, frias, insistentes — caindo no rosto dela como dedos impacientes tentando despertá-la.Valentina mexeu a cabeça, um gemido rouco escapou da garganta.Tudo estava pesado.O corpo.Os olhos.A mente.Uma dor lenta pulsava no fundo do crânio, como se algo lá dentro tivesse sido desligado à força.Ela tentou respirar fundo.O ar veio úmido, salgado… gelado.A segunda coisa que ela sentiu foi o balanço.Não suave.Não acolhedor.Um balanço irregular, brusco, que fazia seu estômago virar e revirar como se quisesse subir pela garganta.Valentina forçou os olhos a abrirem.Um trovão rasgou o céu.A luz branca do raio iluminou tudo por UM segundo — e o horror caiu inteiro sobre ela.Ela estava em um barco.O céu era um monstro de nuvens escuras.A chuva que antes eram gotas virou jorros.O vento cortava como navalha.E o oceano — o oceano estava VIVO.Ondas batendo contra o casco.Água invadindo partes do deque.O barco gemendo como se fosse partir ao m
CAPÍTULO 42 — ENTRE O ABISMO E A SALVAÇÃO
O mar não descansava.Cada onda parecia maior que a anterior, cada impacto mais violento, cada segundo mais cruel. O barco era sacudido como brinquedo barato, rangendo, protestando, gritando em madeira aquilo que Valentina já não conseguia gritar em voz.A tempestade agora era total.A chuva caía em lâminas grossas, cortando o ar, batendo contra seu rosto como tapas gelados.O vento empurrava o barco de lado, arrastava seu cabelo, entupia seus ouvidos.O céu… o céu parecia estar desabando inteiro.Valentina se agarrava ao que conseguia — corrimão, banco, canto, borda — mas nada ficava firme tempo suficiente.Tudo escorregava.Tudo fugia.Tudo tremia.Ela já não sabia há quanto tempo estava ali.Minutos?Horas?Dias?A dor no ombro queimava.O frio devorava seus braços.Os dedos estavam dormentes, roxos, quase sem força para segurar qualquer coisa.— Por favor… por favor… — ela murmurou, mal reconhecendo a própria voz. — Eu não quero morrer… por favor…O barco inclinou bruscamente para
CAPÍTULO 43 — QUANDO O CORPO DESABA, O CORAÇÃO AVISA.
A dor foi a primeira coisa que fez Valentina despertar.Uma dor funda, espalhada, impregnada no corpo inteiro, como se ela tivesse sido castigada por horas, como se ondas tivessem esmurrado seus ossos até perderem a força.Os braços ardiam.As pernas pesavam.O peito doía num ritmo que parecia acompanhar o bip do monitor.Ela abriu os olhos com dificuldade.Teto branco.Luz fria.Lençóis de hospital.O soro preso no braço esquerdo puxava sua pele a cada movimento leve.A boca estava seca.A cabeça latejava num pulso lento e brutal.Valentina respirou fundo — e o ar veio frio demais, estranho demais.Ela virou o rosto devagar, procurando alguma coisa familiar naquele quarto.Mas não havia ninguém.Nenhuma presença.Nenhum barulho.Nenhuma sombra do homem que a salvou.O coração dela apertou num reflexo desesperado.— Rafael…? — a voz saiu fraca, quase nada.E o silêncio respondeu.Ela fechou os olhos, tentando organizar pensamentos que vinham em flashes desconexos: mar, chuva, vento, m
CAPÍTULO 44 — O DIABO ESCUTA EM SILÊNCIO
A sala de reuniões estava completamente fechada, isolada acusticamente, iluminada apenas pela luz fria das telas.No centro da mesa, o sinal da escuta ainda pulsava em ondas verdes.A voz de Valentina ecoava ali dentro como fantasma recente:“Ela me deixou para morrer.”“Eu acordei sozinha no meio do mar.”“Eu achei que ia morrer.”Silêncio.Um silêncio tão pesado que até o ar parecia temer se mover.Lucas estava sentado ao lado de Rafael… mas era como se estivesse sentado ao lado de um animal selvagem segurando o próprio instinto para não matar.O assistente Moreira mantinha os braços rígidos ao lado do corpo, pálido, engolindo seco repetidas vezes.E Rafael…Rafael estava parado.De pé.Mãos apoiadas na mesa.Cabeça baixa.Parecia que cada palavra de Valentina tinha sido cravada diretamente na espinha dele.Um músculo pulsava na mandíbula, marcando o ritmo do ódio.Ninguém ousou falar.Até que Lucas, respirando fundo, encarou o inevitável.— E agora? — ele perguntou, quebrando o sil
CAPÍTULO 45 — A CASA NÃO SABE RECEBER UMA SOBREVIVENTE
A alta veio uma semana depois.Uma semana de soro, antibióticos, remédios para dor, exames, monitoramento cardíaco… e noites em claro.Uma semana inteira em que Bianca praticamente dormiu numa poltrona de hospital, com o cabelo preso do mesmo jeito torto do primeiro dia, manicure destruída e humor ainda pior.Moreira também estava ali naquela manhã.Postura impecável.Terno escuro.Expressão neutra.Profissionalismo absoluto.Mas os olhos…Os olhos mostravam algo que ele não podia dizer:respeito.— Senhora Montenegro… — ele disse, abrindo a porta do quarto com gentileza. — O carro está pronto. Assim que quiser, posso acompanhar até a mansão.Valentina se ajeitou na cadeira, o corpo ainda doído, a respiração curta.Estava tão magra, tão abatida, tão silenciosa…Mas havia algo novo nela:uma sombra de força.Bianca segurou a bolsa dela e murmurou:— Vamos embora dessa espelunca. Eu vou arrancar sua alta nem que tenha que ameaçar o hospital, Val.Valentina soltou um riso cansado.— Obri
CAPÍTULO 46 — O SILÊNCIO
O escritório ainda estava com o cheiro de uísque da noite anterior quando Rafael entrou. Moreira o aguardava como um soldado à espera de ordens.— Trouxe o que pedi? — Rafael perguntou.Moreira ergueu a pequena caixa como quem apresenta um artefato sagrado.— Sim, senhor. Está configurado com todos os protocolos.Rafael pegou o celular com um aceno curto.— Vamos.Subiram a escada em silêncio. O ar da mansão parecia mais pesado, como se soubesse o que ia acontecer.Rafael bateu na porta.Bianca abriu com o sorriso mais debochado da história das cunhadas improvisadas.— Olhaaaa… quem apareceu. — ela cantarolou, abrindo mais a porta. — Entra, cunhado. A Val tá deitada.Rafael entrou sem olhar muito para ela.Valentina estava sentada na cama, costas retas, corpo frágil, expressão firme demais para alguém que quase morreu.O olhar dela encontrou o dele por dois segundos.Dois segundos que queimaram.— Como você está? — Rafael perguntou, neutro como mármore.Valentina abaixou os olhos.— E
CAPÍTULO 47 — O PESO
O quarto finalmente ficou silencioso quando Rafael e Moreira saíram.O fechamento da porta foi quase um soco no peito.Valentina inspirou devagar.O corpo ainda doía, mas a alma… a alma estava recém-esfregada no asfalto.Bianca puxou uma cadeira com aquele jeito estabanado e se jogou nela.— Eu juro que se eu ver aquele homem respirando mais alto perto de você, eu—Valentina ergueu a mão, cansada.— Bia… chega. — ela disse, num tom fraco, mas firme. — Você precisa descansar. Vá pra casa. Eu prometo que não vou sair daqui.Bianca arregalou os olhos.— COMO É QUE É?!— Eu não vou sair dessa casa, Bia. — Valentina repetiu, sentando-se devagar na cama. — Eu estou bem. Só preciso de descanso. E… preciso voltar ao trabalho. Já perdi muitos dias.Bianca abriu a boca para retrucar, mas Valentina continuou:— Ainda tenho que juntar os cinco milhões pro tio, lembra?Bianca virou o rosto. Respirou fundo.E então… abriu a bolsa.Aquele barulho do zíper pareceu um trovão dentro do quarto.Ela tiro
CAPÍTULO 48 — Sarcasmos necessários
A empresa estava com o ar ainda mais frio do que o costume.Rafael sentava-se à mesa de vidro blindado, revisando contratos como se estivesse desmontando bombas: rápido, preciso, sem hesitar.Moreira entrou sem bater — o que, em qualquer outro dia, seria uma sentença de morte.Hoje, Rafael apenas ergueu os olhos por meio segundo.— Fale.Moreira ajeitou o paletó, tenso.— Senhor… começamos a rastrear a senhorita Moretti, como ordenado.Mas… — ele respirou fundo — recebemos informação de que ela retornou para a Itália esta manhã.Rafael passou a mão pela lateral do rosto. Nenhuma surpresa. Nenhuma reação violenta. Só um silêncio tão gelado que o ar tremeu.— Traga ela de volta. — ele disse, seco. — Nem que seja nadando.Moreira engoliu o próprio destino, assentiu e saiu quase tropeçando.Já no corredor, ele puxou o telefone:— Aqui é Moreira. — sua voz saiu firme. — Ordem direta do senhor Montenegro.Tragam Isabella Moretti de volta ao Brasil… inteira ou remendada.Não me importa como.
CAPÍTULO 49 — Preparação
Os últimos dias tinham sido… estranhamente estáveis.Nada de Rafael batendo na porta.Nada de Vittória sussurrando veneno pelos corredores.Nada de Clara circulando como cão de guarda mal treinado.Só silêncio.Um silêncio que vinha acompanhado de comida no quarto, muito trabalho acumulado e chamadas em vídeo com Bianca, que fazia questão de conferir se ela estava respirando três vezes por dia.Valentina quase conseguia fingir que aquela mansão não era uma prisão social.Quase.Estava sentada à mesa, analisando o terceiro processo do dia, quando murmurou para si:— Se eu continuar nesse ritmo, pago o tio antes do previsto…Ela tomou um gole de café já morno, clicou para abrir o próximo arquivo, ajeitou uma mecha de cabelo atrás da orelha e—TOC. TOC. TOC.Uma batida seca, urgente, impaciente.Valentina franziu o cenho.— Clara? Se for mais um café frio eu—A porta se abriu.Mas não era só Clara.Era Clara… seguida de quatro pessoas carregando malas, cabides, caixas e uma arara inteira
CAPÍTULO 50 — A DESCIDA
A mansão Montenegro não costumava ficar em silêncio.Mas naquele começo de noite… ela parecia um templo antes do sacrifício.Os empregados corriam de um lado para o outro no andar inferior, ajeitando flores, checando a iluminação, confirmando horários do motorista, testando comunicações internas. A tensão estava estampada até no mármore.Mas ali, na sala principal…Só dois homens permaneciam.Rafael, impecável em um terno preto cintilando discretamente sob as luzes. Punhos da camisa alinhados, gravata perfeitamente simétrica, postura reta. O tipo de homem que parecia ter sido talhado por gelo.E Moreira, atrás dele, firme como sempre — porém com o olhar muito mais nervoso do que o habitual.Rafael analisava alguns documentos sobre o baile.Moreira pigarreou.— Senhor… os carros já estão alinhados. A imprensa acabou de chegar.— Hm. — Rafael respondeu, sem erguer os olhos.— A segurança interna está mobilizada. E o salão confirmou que está tudo pronto.— Certo.— A estilista mandou men