All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 61
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CAPÍTULO 61 — O FIM DO BAILE
O baile se aproximava do fim com a mesma elegância calculada com que começara.As luzes do salão foram suavizadas pouco a pouco, douradas, quase íntimas.A música perdeu o tom exuberante e assumiu um ritmo mais lento, mais contido — como se até os instrumentos soubessem que aquela noite havia ido longe demais.Valentina permanecia sentada à mesa da família Montenegro, a postura impecável, as mãos repousando com delicadeza sobre o colo.Por fora, ninguém diria que algo havia mudado.Por dentro… tudo estava diferente.Ela sentia o peso daquela noite nos ombros: o beijo, o brinde, o leilão, o colar, a conversa interrompida na pista de dança.Era como se cada momento tivesse sido empilhado com cuidado demais para simplesmente ser ignorado.Rafael, do outro lado da mesa, conversava com dois empresários italianos.A voz baixa.O tom seguro.O olhar atento.Nenhum sinal de abalo.Ele sorria quando necessário. Respondia com precisão. Dominava o ambiente como sempre.Quando o último prato foi
CAPÍTULO 62 — A LIÇÃO QUE NÃO SE ESQUECE
Rafael não foi para o quarto.Assim que Valentina fechou a porta, ele permaneceu alguns segundos parado no corredor, os pensamentos alinhados demais para quem deveria estar cansado.O celular vibrou no seu bolso.Ele atendeu sem dizer o nome.— Fale.A voz de Moreira veio baixa, tensa:— Senhor… Ela está no armazém antigo. Como o senhor ordenou.Rafael não demonstrou surpresa.— Estou a caminho.Desligou.Pegou as chaves. Não levou casaco. Não avisou ninguém.O carro saiu da propriedade Montenegro como uma sombra — silencioso, rápido, definitivo.O armazém era frio.Concreto cru. Luz branca demais. Sem janelas.Isabella estava sentada em uma cadeira metálica, as mãos amarradas à frente do corpo, o vestido de gala agora amassado, os olhos vermelhos de choro e confusão.Ela gritava.— EU QUERO FALAR COM MEU PAI!— ISSO É UM ENGANO!— EU VOU PROCESSAR TODO MUNDO AQUI!Um dos homens apenas fechou a porta.O som ecoou.Ela tremeu.Minutos depois, passos firmes ecoaram pelo galpão.Isabella
CAPÍTULO 63 — O café dos lobos
Valentina acordou com a luz entrando devagar pelas cortinas.Não foi um despertar ansioso.Nem pesado.Foi… leve.O tipo de manhã que nasce depois de uma noite em que algo muda — mesmo que a gente ainda não saiba exatamente o quê.Ela ficou alguns segundos deitada, olhando o teto, deixando a memória do baile se organizar sozinha.O salão.Os olhares.O silêncio que veio depois das farpas.O beijo.O brinde.O colar.E, principalmente, a sensação.Ela havia entrado naquele baile como um acessório contratual.Saiu como assunto.Valentina sentou-se na cama, puxou o celular da mesa de cabeceira.E então viu.📱 “A NOVA SENHORA MONTENEGRO ROUBA A CENA NO BAILE ANUAL”📱 “ELEGÂNCIA, INTELIGÊNCIA E FIRMEZA: QUEM É VALENTINA MONTENEGRO?”📱 “DE HARVARD AO CENTRO DO PODER: A MULHER AO LADO DE RAFAEL MONTENEGRO”Ela abriu uma das matérias.Fotos impecáveis.Ela descendo a escada.Ela ao lado de Rafael.Ela na pista de dança.Ela no leilão — séria, contida, forte.Nenhuma menção a escândalo.Nen
CAPÍTULO 64 — O LUGAR À MESA
Valentina desceu as escadas novamente com passos firmes.Não havia pressa. Não havia hesitação.O vestido escolhido não era chamativo — e isso era intencional. Linhas limpas, tecido nobre, corte preciso. Um visual que não pedia atenção, mas a conquistava mesmo assim. O cabelo preso de forma elegante, a maquiagem discreta. Nada ali gritava poder.Mas tudo insinuava.Ela não descia como convidada. Descia como alguém que tinha sido chamada.Ao alcançar o último degrau, percebeu imediatamente a presença dele.Rafael estava na sala principal, de pé, próximo à grande janela de vidro que dava para os jardins. O paletó já estava vestido, a gravata perfeitamente alinhada. Em uma das mãos, o celular; na outra, um tablet.Ao lado dele, Moreira.Imóvel. Atento. Com aquela postura de quem não observa pessoas — observa riscos.Rafael ergueu o olhar no exato segundo em que Valentina entrou no campo de visão dele.Não houve elogio. Não houve comentário.Houve apenas um segundo de avaliação silenciosa
CAPÍTULO 65 — O QUE SE TESTA À MESA
O almoço avançava com a precisão silenciosa de algo muito bem ensaiado.Não havia pressa.Não havia ruído.E, ainda assim, tudo ali era movimento.Valentina percebeu cedo:não estavam interessados apenas em Rafael Montenegro.Estavam interessados nela.Hana foi a primeira a puxar conversa.Não de forma invasiva.Não direta demais.Do jeito certo.Hana levou a taça aos lábios, observando o casal por cima da borda de cristal.— Posso perguntar algo mais pessoal? — disse, com um sorriso leve. — Claro. — Valentina respondeu.— Onde vocês se conheceram?Valentina ia responder.Mas Rafael falou antes.— Em Harvard. — disse, com naturalidade.Todos os olhares se voltaram para ele.— Ela estava defendendo uma tese empresarial. — continuou. — A postura. A convicção. A forma como sustentava cada argumento… foi isso que me chamou atenção.Ele virou o rosto para Valentina.E, pela primeira vez desde que haviam se sentado à mesa, não parecia apenas estratégico.Valentina sustentou o olhar dele po
CAPÍTULO 66 — O QUE SE LÊ NO SILÊNCIO
O carro avançava pelas ruas com a mesma discrição do restaurante que haviam deixado para trás.Nenhuma música.Nenhuma ligação.Apenas o som contido do motor e o vidro isolando o mundo externo.Valentina observava a cidade pela janela, mas sua mente ainda estava à mesa do almoço.Rafael, ao lado dela, mantinha a postura habitual: corpo relaxado, olhar atento, pensamentos organizados.Não falava por impulso.Esperava.Ele sabia reconhecer quando algo ainda estava sendo digerido.Foi ele quem quebrou o silêncio.— Quero entender o que disse antes.Valentina virou o rosto na direção dele.— Porque o senhor Yamamoto não levou duas mulheres à mesa por acaso.Rafael manteve a expressão neutra.— Muitas vezes, acompanhantes fazem parte do protocolo.Ela sorriu de canto.— Protocolos não levam mulheres jovens para mesas estratégicas sem função definida. — disse. — Muito menos quando não são parentes.Ele a observou com mais atenção.— Continue. — pediu.Valentina respirou fundo, organizando o
CAPÍTULO 67 — O LIMITE DO POSSÍVEL
Valentina passou a manhã inteira andando pelo quarto.Não conseguia sentar. Não conseguia se concentrar.O número martelava na cabeça como um relógio quebrado.Cinco milhões.Era sempre o mesmo. Imutável. Cruel.Ela abriu o aplicativo do banco mais uma vez, mesmo sabendo exatamente o que encontraria.1.650.000.Era tudo. Não haveria mais. Não em quinze dias. Não em quinze meses.— Não é sobre pagar… — murmurou, passando a mão pelos cabelos. — É sobre parar.Parar a chantagem. Parar o medo. Parar o nome Diniz sendo usado como arma.Respirou fundo antes de ligar.Rogério atendeu no terceiro toque.— Resolveu aparecer agora? — a voz veio carregada de desprezo. — Demorou.— Quero conversar. — Valentina respondeu, tentando manter o tom firme. — Sem ameaças.— Ameaça é o que você me deve. — ele riu. — Onde?Ela marcou o local.Desligou com o coração acelerado.O café era discreto demais para alguém como Rogério. Mas ele estava lá.Bem vestido. Postura relaxada. O ar de quem ainda se acha do
Capítulo 68- A fuga do covarde.
Rafael estava em seu escritório, ele permanecia de pé diante da janela, as mãos nos bolsos da calça social, o olhar fixo em um ponto qualquer da cidade que não exigia resposta.Ele não estava trabalhando.Estava calculando.Moreira entrou sem fazer ruído.— Senhor. — anunciou, com a voz baixa de quem sabe quando interromper.Rafael não se virou.— Fale.Moreira caminhou até a lateral da mesa e abriu o tablet.— A senhora Montenegro saiu da mansão por volta das dez e vinte. — começou. — Sem escolta. Apenas o motorista.Rafael fechou os olhos por meio segundo.— Para onde?— Um café no centro. — Moreira respondeu. Rafael virou-se lentamente.— Sozinha?— Não. — Moreira ajustou os óculos. — O senhor Rogério estava lá.O nome caiu no ambiente como algo que nunca deveria ter voltado a existir.Rafael não reagiu de imediato.— Quanto tempo?— Aproximadamente trinta e sete minutos. — disse Moreira. — Conversaram baixo. O áudio não foi claro.Ele deslizou o tablet pela mesa.Na tela, imagen
CAPÍTULO 69 — O QUE O CORPO LEMBRA
Rafael voltou para casa mais tarde do que o habitual.Não porque o trabalho exigira mais — exigira menos do que deveria, inclusive —, mas porque a mente dele se recusava a desacelerar. O dia tinha deixado resíduos. Pequenos detalhes fora do lugar. Variáveis não controladas. Silêncios que não fechavam conta.Subiu as escadas sem pressa.O corredor estava quieto demais para o horário. A mansão respirava aquele silêncio profundo que só existe quando Vittória já havia se recolhido e os funcionários circulavam apenas pelo essencial.Rafael empurrou a porta do quarto de Valentina.Vazio.A cama intacta. A luz apagada. Nenhum sinal de presença recente.Ele franziu levemente a testa.Não era preocupação.Era estranhamento.Saiu do quarto e chamou uma das funcionárias que atravessava o corredor com passos discretos.— A senhora Montenegro? — perguntou, direto.— Está na ala sul, senhor. — respondeu a mulher, sem hesitar. — Na sala antiga.Ala sul.Rafael ficou imóvel por um segundo.Aquela par
CAPÍTULO 70 — O QUE SE MOVE SEM RUÍDO
A manhã nasceu clara demais para um dia que ainda carregava resquícios da noite anterior.Valentina acordou cedo.Não por obrigação. Nem por hábito.Acordou porque o corpo já estava desperto antes da mente permitir descanso completo.Ficou alguns segundos deitada, encarando o teto, tentando entender por que aquela sala da ala sul insistia em voltar em fragmentos — o espaço amplo, o silêncio, o toque breve demais para ser esquecido.Não pensou no beijo. Porque ele não existiu.Pensou no gesto. No cuidado inesperado. Na mão de Rafael afastando uma mecha de cabelo com uma precisão que não combinava com ordens nem contratos.— Foi só isso… — murmurou para si mesma, sentando na cama.Mas o corpo discordava.Vestiu-se com calma. Nada estratégico. Nada calculado. Um vestido simples, discreto, como se quisesse neutralizar qualquer resquício de intensidade que ainda a acompanhava.Quando desceu para o café da manhã, a mesa já estava posta.Vittória estava sentada à cabeceira, impecável como se