All Chapters of Casei com o Magnata Frio por Um Acordo Bilionário : Chapter 71
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CAPÍTULO 71 — A mostra Cultural
Valentina estava sentada na sala principal quando percebeu que o dia tinha desacelerado do jeito certo.A luz da tarde entrava oblíqua pelas janelas altas, desenhando sombras longas sobre o tapete claro. Não havia pressa. Não havia vozes. Apenas o silêncio confortável de uma casa grande demais para se ocupar o tempo todo.Ela segurava um livro aberto no colo, mas não estava realmente lendo.Virava as páginas com calma, mais pelo gesto do que pela história. A mente estava desperta, organizada — diferente dos dias em que precisava dançar para silenciar pensamentos.Ali, estava inteira.Ouviu passos no corredor lateral.Não precisou olhar de imediato para saber quem era.Rafael caminhava com o mesmo ritmo de sempre: firme, controlado, como alguém que não se apressa porque sabe exatamente para onde vai. Vestia o paletó escuro, a gravata já ajustada para sair. Claramente a caminho da empresa.E, como parte natural da paisagem da casa, Clara vinha logo atrás.Valentina levantou os olhos do
CAPÍTULO 72 — Uma Montenegro
Valentina estava no quarto, sentada diante do notebook, quando percebeu que a paz ali dentro era sempre provisória.A tela exibia documentos abertos — anotações, números, rascunhos de cláusulas, ideias soltas que ela tentava organizar como quem organiza a própria vida: com lógica, com método, com algum controle possível.Mas aquele tipo de silêncio… nunca durava.A mansão Montenegro tinha muitos corredores, muitas portas, muitos modos de invadir sem precisar arrombar nada.E Valentina aprendeu isso cedo.O clique da maçaneta veio sem aviso.A porta se abriu como se fosse natural. Como se aquele quarto não fosse dela — apenas uma extensão do território de alguém.Valentina ergueu o olhar devagar.Clara entrou primeiro.Impecável, como sempre. Um ar de eficiência treinada. O rosto controlado demais para parecer inocente.Atrás dela, uma funcionária empurrava uma arara de roupas coberta por capas de tecido preto, com um cuidado quase cerimonial. Outra vinha com caixas grandes: uma com o
CAPÍTULO 73 — QUANDO O OLHAR ANTECEDE O PASSO
Valentina parou no alto da escada por um segundo.Não por insegurança.Por surpresa.Ela não esperava encontrá-lo ali.Rafael estava ao pé da escada, como se aguardasse há algum tempo. O paletó perfeitamente alinhado, a gravata escura no nó exato, o corpo apoiado com naturalidade calculada — mas o olhar denunciava atenção plena.Ele não estava de passagem.Estava esperando.Valentina sentiu o impacto antes mesmo de dar o primeiro passo.Respirou fundo.A escada da mansão Montenegro sempre fora um território simbólico. Cada degrau dizia algo. E ela sabia disso. Ainda assim, desceu com calma, deixando que o vestido preto acompanhasse o movimento sem pressa, sem espetáculo.Quando chegou aos últimos degraus, Rafael falou:— Você está pronta.Não foi elogio.Foi constatação.— Estou. — respondeu, firme.Ele a observou com mais cuidado agora. Não o vestido em si, mas o conjunto: postura, presença, silêncio.— Achei que viria mais… neutra. — comentou.Valentina arqueou levemente a sobrancel
CAPÍTULO 74 — O QUE SE REVELA À LUZ
Depois da escultura japonesa, foi Hana quem mudou o ritmo.Ela se afastou alguns passos, quase como quem escapa de um território conhecido demais, e parou diante de uma instalação contemporânea que ocupava o centro de uma das salas laterais.Vidro. Metal. Luz.A obra não tinha forma única. Era fragmentada, viva, mutável conforme o ângulo do olhar. Feixes luminosos atravessavam estruturas irregulares, projetando sombras que se moviam pelo chão e pelas paredes, obrigando o visitante a circular ao redor — nunca diante.Hana cruzou os braços, observando.— Essa é nova. — comentou. — Trouxeram de Osaka há poucos meses.Valentina se aproximou em silêncio.Não falou de imediato.Caminhou em torno da instalação, deixando que a luz se quebrasse no tecido do vestido preto, refletindo nos metais, mudando de intensidade conforme ela avançava.— É… inquieta. — disse, por fim. — Não pede contemplação passiva. Obriga a circular. A se mover junto.Hana virou-se para ela, surpresa agradável no olhar.
CAPÍTULO 75 — O QUE SE GUARDA NO CAMINHO
A despedida começou antes mesmo de alguém anunciar que era hora de ir.Era assim em ambientes onde decisões importantes eram tomadas:ninguém precisava dizer “acabou”.O ar mudava.Os gestos ficavam mais contidos.Os olhares começavam a se despedir antes das palavras.Valentina percebeu primeiro.Akemi pousou o guardanapo sobre a mesa com precisão elegante. Hana recostou-se levemente na cadeira, soltando o ar como quem encerra um capítulo satisfatório.— Foi uma noite muito agradável. — Akemi disse, levantando-se. — A mostra foi bem escolhida.Valentina acompanhou o movimento com naturalidade.— Fico feliz que tenha gostado. — respondeu. — Algumas obras pedem tempo. Outras, companhia certa.Akemi inclinou levemente a cabeça, reconhecendo o comentário.Hana aproximou-se um pouco mais de Valentina, o sorriso agora livre de qualquer cálculo.— Da próxima vez, escolho eu. — disse, em tom leve. — Há lugares em Tóquio que só fazem sentido depois das dez da noite.Valentina sorriu.— Vou cob
CAPÍTULO 76 — ANTES DO DIA TER NOME
O quarto de Valentina ainda estava suspenso naquele intervalo delicado entre a noite e a manhã.As cortinas filtravam a luz nascente, deixando o ambiente em tons suaves de cinza e dourado. O ar era quieto. Denso daquele silêncio que não chega a ser descanso — apenas pausa.Ela dormia de lado, os pensamentos ainda presos a fragmentos da noite anterior.As batidas na porta vieram firmes.Contidas.Sem pressa. Sem voz.Valentina se mexeu, ainda imersa no torpor do sono. Não raciocinou. Apenas levantou, guiada pelo hábito automático de quem não espera nada fora do comum dentro daquela casa.Caminhou até a porta sem pensar. Sem se olhar. Sem se preparar.Abriu.Rafael estava ali.Parado no corredor, completamente desperto, como se o dia já estivesse em pleno andamento havia horas. Camisa branca impecável, postura reta, olhar atento — não invasivo, mas impossível de ignorar.Por um segundo, nenhum dos dois falou.Valentina piscou, tentando organizar a cena.Só então percebeu.A camisola pre
CAPÍTULO 77 — O QUE AINDA PARECE SEGURO
O trajeto de volta do aeroporto aconteceu em silêncio.Não um silêncio desconfortável — mas aquele que surge quando algo foi bem-sucedido demais para ser comentado de imediato. O carro avançava pelas avenidas ainda movimentadas da manhã, enquanto a cidade retomava seu ritmo comum, alheia às decisões que tinham acabado de ser costuradas a poucos metros do chão.Valentina observava a paisagem pela janela.Não pensava na despedida. Nem no abraço de Hana. Nem no convite para o Japão.Pensava naquela sensação estranha e perigosa de normalidade.Rafael estava ao lado dela, o corpo relaxado no banco, mas a mente claramente ativa. O celular permanecia esquecido no colo — algo raro. Ele também processava.— Foi melhor do que imaginava — ele disse, por fim, quebrando o silêncio.Valentina virou o rosto devagar.— Foi mesmo, fico feliz que tenha dado tudo certo. — respondeu. — Quanto mais rápido acontecer tudo, mais rápido cada um segue sua vida.Rafael não disse observou a cidade e a firmeza co
CAPÍTULO 78 — ONDE A LUZ NÃO CHEGA
A consciência voltou em pedaços.Primeiro, o frio.Depois, a dor.Valentina tentou inspirar fundo e falhou. O ar parecia pesado demais, como se tivesse sido engrossado de propósito. Um gosto metálico persistia na boca. A cabeça latejava, cada pulsação um lembrete brutal de que algo estava muito errado.Ela tentou se mexer.Não conseguiu.Os braços estavam presos atrás do corpo. Não com delicadeza — com força. O pulso ardia, dor viva, recente. As pernas dobradas de forma desconfortável, o corpo apoiado em algo duro, irregular.Concreto.O cheiro chegou antes da visão.Ferrugem. Óleo velho. Poeira úmida. Algo queimado há muito tempo.Um galpão.Os olhos demoraram a se ajustar à penumbra. A luz vinha de um único foco alto, fraco, pendurado em algum lugar fora do alcance. O resto era sombra. Espaço amplo demais. Vazio demais.Valentina engoliu em seco.O pânico veio como uma onda atrasada.— Onde… — a voz saiu rouca, quebrada. — Onde eu estou?Nenhuma resposta.O coração acelerou de imedi
CAPÍTULO 79 — QUANDO O PODER MUDA DE TOM
A reunião seguia em ritmo cirúrgico.Gráficos projetados. Executivos atentos. Discussões técnicas, frias, previsíveis. Rafael Montenegro estava recostado na cadeira da cabeceira, os dedos unidos, ouvindo mais do que falando.Era o ambiente onde ele reinava sem esforço.A porta se abriu.Moreira entrou.Rápido demais. Sem anúncio. Sem pedir licença.— Senhor… — disse, já avançando pela lateral da mesa. — Temos um problema.Rafael ergueu o olhar devagar.Não perguntou qual. Não pediu contexto.Moreira já estava ao lado dele, o telefone na mão.— É agora. — completou, a voz baixa, mas tensa. — E é grave.A tela foi colocada diante de Rafael.O vídeo começou a rodar.Valentina apareceu.Ajoelhada. Amarrada. O rosto machucado.Rafael não piscou.Não se mexeu. Não respirou fundo. Não mudou a expressão.Assistiu.Viu o tapa. Viu o chute. Ouviu o choro. Ouviu o nome dele sendo dito com a voz quebrada.Cada segundo parecia alongado de propósito.Quando o vídeo terminou, a sala estava em silênc
CAPÍTULO 80 — QUANDO O MEDO RESPIRA
Valentina estava caída de lado no chão do galpão, os braços presos atrás do corpo, os pulsos em chamas. O concreto gelado sugava o pouco calor que ainda lhe restava, e cada respiração parecia rasgar algo por dentro.O corpo tremia.Não apenas de frio — de medo.A lâmpada pendurada no alto oscilava levemente, lançando sombras irregulares pelas paredes de concreto. O zumbido elétrico era constante, irritante, enlouquecedor.Ela já não sabia quanto tempo tinha passado.O relógio tinha morrido ali dentro.Os passos vieram sem pressa.Valentina sentiu antes de ouvir.O cheiro de cigarro entrou no ar.— Acordada ainda? — a voz masculina soou abafada pela máscara. — Que bom.Ela tentou se mover. O erro custou caro.Um deles a puxou pelo braço com brutalidade, fazendo-a gemer baixo.— Cinco horas, madame. — continuou o homem, agachando-se à frente dela. — Cinco horas desde que você chegou aqui.Valentina engoliu em seco.— Seu marido deve estar ocupado. — ele disse, quase divertido. — Homens